terça-feira, 11 de outubro de 2016

OPINIÃO: O grid de 2017


Estamos nos aproximando da segunda metade do mês de outubro. O grid da Fórmula 1 continua com grandes lacunas para serem preenchidas. Quem ocupará as vagas restantes? Quem poderá retornar e quem poderá estrear em 2017? Estas são algumas questões que continuam sem respostas antes mesmo do fim dessa temporada. De modo oficial, onze das vinte e duas cadeiras do próximo ano continuam sem dono.

No fim de setembro de 2015, fiz um pequeno post mostrando quem ficaria com cada uma das vagas que restavam no grid para esse ano, e agora fica claro que não tive muitas dificuldades para apontar quem ficaria onde em 2016. Porém essa dificuldade aumentou nessa nova Silly Season. No último fim-de-semana surgiram rumores de que Hülkenberg poderá ir para a Renault, o que mexeu ainda mais com nosso amado programa de meio de temporada: "Dança das Cadeiras".

Vamos direto ao assunto:

Mercedes AMG Petronas Formula One Team
6 - Nico Rosberg
44 - Lewis Hamilton

Os atuais tricampeões manterão para 2017 sua atual dupla de pilotos. Depois de dois anos na sombra de Lewis Hamilton, Nico Rosberg pode ter finalmente encontrado o caminho para a glória, o que ajudou na sua renovação até 2018. Parece que, mesmo se a equipe enfrentar problemas para se adequar às novas regras no início da próxima temporada, Hamilton e Rosberg poderão correr ainda por mais um ano na equipe, antes de seguirem seus próprio caminhos.


Red Bull Racing
3 - Daniel Ricciardo
33 - Max Verstappen
A Red Bull se livrou de qualquer especulação ao rebaixar Daniil Kvyat ainda no início do ano. Os contratos de Daniel Ricciardo e Max Verstappen são longos e interessantes, já que a equipe poderá ser a grande rival da Mercedes em 2017. Esperemos para ver. Enquanto isso não acontece, é difícil imaginar quem poderá ficar com essas vagas a partir de 2019, caso o australiano e/ou o holandês sigam outros rumos.


Scuderia Ferrari
5 - Sebastian Vettel
7 - Kimi Räikkönen
Pelo segundo ano seguido, a Ferrari era um dos principais alvos da Silly Season. Mas, antes mesmo dela começar a esquentar, Kimi Räikkönen foi confirmado para 2017, e melhor, semanas após a confirmação surgiram novos rumores de que o finlandês poderá ficar por mais um ano, vindo se aposentar apenas no fim de 2018. Já a permanência de Vettel após o fim do atual contrato entrou em xeque por Maurizio Arrivabene. Nada que possa preocupar o tetracampeão. Italiano gosta mesmo é de causar de vez em quando, e sabemos como a Ferrari ama ser assim.

Caso Alonso saia, Button retornará em 2018

McLaren Honda Formula 1 Team
14 - Fernando Alonso
47 - Stoffel Vandoorne
A quarta e última equipe que já tem sua dupla confirmada para 2017 é a McLaren. Sendo a performance do time de Woking o mais promissor para a próxima temporada, Stoffel Vandoorne poderá ter uma estreia dos sonhos em 2017. Seu grande talento, já apresentado em Sakhir, será um dos grandes atrativos do ano que vem, sobretudo ao ser comparado ao de um bicampeão da estirpe de Fernando Alonso. Após duas temporadas na sombra, o espanhol poderá em 2017 ter sua grande chance na McLaren, exatos dez anos após passar pela primeira vez pela equipe.

Wehrlein e Ocon já testaram pela Force India

Sahara Force India Formula One Team
11 - Sergio Pérez
27 - Nico Hülkenberg* / 94 - Pascal Wehrlein / 31 - Esteban Ocon
Depois de meses de especulação, Sergio Pérez acabou confirmando sua permanência na equipe indiana por mais um ano, tendo seus olhos voltados para uma vaga na Ferrari em 2018 ou 2019. As aposentadorias de Button e Massa, misturadas com a renovação do mexicano, colocaram a Renault em maus bocados em busca de um piloto para 2017. Mas este problema pode ter sua solução ainda na Force India.

A Autobild confirmou a ida de Nico Hülkenberg para o time de Enstone, sendo ele o primeiro piloto da equipe a partir do ano que vem, quando ainda estaria sob contrato da Force India. Caso o rumor se confirme, quem acabaria ganhando com a mudança, à curto prazo, seria o próprio time indiano, que receberia o dinheiro da multa além de ter dois jovens talentos para ocupar essa vaga.

Pascal Wehrlein seria o mais provável novo piloto da Force India, já que este se distanciou de uma das vagas da Williams. Porém, a equipe, que testou com o alemão e com seu companheiro de Manor, teria preferência por Esteban Ocon, sendo este, aos olhos do time, o mais talentoso, enquanto a alta cúpula da Mercedes prefere Wehrlein. Em ambos os casos, a Force India ganharia um bom desconto no preço dos motores alemães.


Williams Martini Racing
77 - Valtteri Bottas
    - Lance Stroll / Alex Lynn / 94 - Pascal Wehrlein / 12 - Felipe Nasr / 9 - Marcus Ericsson
Sequer Valtteri Bottas tem contrato assinado com a Williams para 2017, o que aumenta a quantidade de nomes em busca de uma vaga na equipe do "Tio Frank". De qualquer forma, o finlandês pediu que o novo contrato tivesse uma interessante cláusula: apenas Mercedes, Ferrari ou Red Bull poderiam tira-lo da equipe. Sua renovação parece certa.

Já no segundo cockpit do time britânico, Lance Stroll tem seu nome quase confirmado. A fortuna de seu pai, Lawrence Stroll, é um atrativo quase inegável para uma equipe que há tempos enfrenta problemas financeiros. Alex Lynn e Pascal Wehrlein perderam força na negociação.

Gasly é forte nome dentro da Red Bull

Scuderia Toro Rosso
55 - Carlos Sainz Jr
  - Pierre Gasly / 26 - Daniil Kvyat
Mesmo já tendo renovado com a equipe de Faenza, Carlos Sainz continuou a ser especulado em outras casas em 2017. Seu nome foi cotado, por exemplo, nas equipes Renault e Ferrari, mas, após longo período sem nenhuma novidade, acabou esfriando no mercado de pilotos dessa Silly Season. Já a segunda vaga na Toro Rosso ainda não está definida, com Kvyat lutando para se manter no grid da Fórmula 1.

É claro que o russo perdeu a motivação ao ser rebaixado, mas isso não o faz totalmente morto na briga por uma vaga na equipe. Sua confiança voltou no GP de Cingapura, quando o STR11 teve bom desempenho, e parte de sua antiga qualidade como piloto parece ter retornado após largar, com autoridade, duas vezes seguidas a frente de Sainz. Porém, Pierre Gasly continua sendo um nome que atormenta sua vaga. O francês é o atual vice-líder da GP2 e tem grande apoio interno da Red Bull. Esperemos para ver.


Sauber F1 Team
9 - Marcus Ericsson / 13 - Pastor Maldonado
12 - Felipe Nasr / 13 - Pastor Maldonado
Nenhum nome parece interessado nas vagas da equipe Sauber para 2017. Com a possibilidade de evolução após ser vendida, o time suíço parece ter tudo certo para manter Marcus Ericsson e Felipe Nasr pelo terceiro ano consecutivo. O brasileiro chegou a ser pintado na Renault, mas as negociações não se aprofundaram e parece mesmo que irá ficar por mais uma temporada na equipe. Já Ericsson, sem muitas portas abertas, deve ser figura carimbada no grid do próximo ano.

Pastor Maldonado (ele mesmo!) pode ter uma miníma chance de ficar com uma das vagas em 2017. Loucura minha? Deve ser, mas se não estou enganado, Nicolas Todt, empresário de Maldonado, foi visto nos boxes da Sauber num dos últimos fins de semana de GP. Pode ser impossível, mas seria interessante...


Haas F1 Team
8 - Romain Grosjean
21 - Esteban Gutiérrez
Outra equipe que não tem nenhum de seus pilotos confirmados para 2017 é a Haas. O time norte-americano tem tudo para manter Romain Grosjean por mais um ano, mas a vaga de Esteban Gutiérrez permanece em pauta. Depois que Charles Leclerc foi descartado por Günther Steiner, que afirmou ter preferência por pilotos experientes, parece que veremos o mexicano sofrendo novamente com um carro que nunca estará à altura de seu talento.


Renault Sport Formula One Team
20 - Kevin Magnussen / 26 - Daniil Kvyat
30 - Jolyon Palmer / 27 - Nico Hülkenberg / 31 - Esteban Ocon / Oliver Rowland / 12 - Felipe Nasr
Renault, onde qualquer um poderá correr em 2017. Sendo o principal alvo da Silly Season, a equipe francesa ainda não confirmou sua dupla de pilotos para a próxima temporada, o que abre um imenso leque de nomes para ocuparem essas duas vagas, muitos destes estão longe de conseguirem alguma coisa, já outros parecem próximos de um acordo.

Jolyon Palmer deve estar de saída, especialmente após passar por uma temporada cheia de problemas, e sem conseguir cumprir as expectativas, pondendo nunca mais voltar à F1. Nico Hülkenberg se tornou forte nome para ocupar sua vaga após Sainz e Pérez não avançarem na negociação, a ponto da Autobild confirmar sua ida para a equipe francesa no próximo ano.

Ainda existem outros dois interessantes nomes que podem ganhar um lugarzinho no time. Kevin Magnussen ainda não está confirmado, mas é quase certo que deva ficar mais um tempo na Renault, enquanto Esteban Ocon, francês de berço e sangue, protegido da Mercedes e da Renault, fique encostado na Manor por mais um ano antes de embarcar, por um alto preço, no navio amarelo.

Além de Ocon, quem pode cavar um lugar já em 2017 é Daniil Kvyat, lembrando que a Renault fornecerá motores para a Toro Rosso na próximo temporada, e, tal como a Ferrari fez para que Gutiérrez entrasse na Haas, mas agora ao contrário, Helmut Marko poderia colocar o russo numa das vagas do time francês. Parece improvável, mas numa vaga na qual já foi cotado Sergey Sirotkin tudo é possível.


Manor Racing MRT
94 - Pascal Wehrlein / 88 - Rio Haryanto
31 - Esteban Ocon / Jordan King
Manter um piloto do programa de desenvolvimento da Mercedes deve ser crucial para a Manor em 2017, com quase toda certeza de que este nome fará dupla com Rio Haryanto. Com uma quantidade enorme de fãs na Indonésia, o terceiro piloto da equipe britânica não teve carisma suficiente para atrair novos adeptos em âmbito internacional, mas isso não deve atrapalhar no seu quase certo retorno ao grid. Depois de Alexander Rossi confirmar que ficará na Indy por mais um ano, Jordan King se tornou o segundo nome mais forte para ocupar uma das vagas.


sábado, 8 de outubro de 2016

10 anos - Quando o motor Ferrari entregou o bi para Alonso


Uma semana depois de Xangai, o circo estava em Suzuka para o vigésimo segundo GP do Japão de Fórmula 1, onde Fernando Alonso e Michael Schumacher lutariam para embarcar pro Brasil com a liderança isolada do campeonato. Quem terminasse na frente sairia com vantagem, mas apenas Schumacher tinha chances de conquistar o oitavo título já no Japão, minímas, mas ainda sim existentes. Para conquistar o octocampeonato, o alemão precisaria vencer enquanto o espanhol não pontuasse.

Melhorando ainda mais a perspectiva de título de Schumi, a Ferrari dominou os treinos para fazer uma primeira fila toda vermelha, com Felipe Massa na pole e Michael Schumacher em segundo. Alegrando ainda mais o heptacampeão, a Toyota surpreendeu as Renault conquistando a segunda fila do grid, com Ralf em terceiro e Jarno Trulli em quarto. Fernando Alonso teve de se contentar com o quinto posto ao lado de Giancarlo Fisichella. Fechando o top ten estavam Jenson Button, Rubens Barrichello, Nick Heidfeld e Nico Rosberg.

Em décimo primeiro, Kimi Räikkönen era o melhor da McLaren, com Robert Kubica ao seu lado. Pedro de la Rosa era décimo terceiro, Mark Webber décimo quarto, Vitantonio Liuzzi décimo quinto, Christijan Albers décimo sexto, David Coulthard décimo sétimo, Robert Doornbos décimo oitavo, Scott Speed décimo nono, Takuma Sato vigésimo, Tiago Monteiro vigésimo primeiro e Sakon Yamamoto era vigésimo segundo e último colocado no grid.


O céu azul de domingo não lembrava nenhum pouco o chuvoso fim-de-semana em Xangai. Agora, sem condições adversas, Schumacher teria ainda mais facilidade para confirmar sua provável vitória. Na partida, Alonso se vê bloqueado pelas Toyota, mas consegue superar Trulli e assumir o quarto posto, enquanto lá na frente Massa lidera Michael e Ralf. Fisichella largou mal e perdeu a posição para Jenson Button, enquanto, com problemas, Barrichello ia de oitavo para o fundo do pelotão.

Não demoraria muito para que Schumacher superasse Felipe Massa e assumisse a liderança, enquanto Fernando Alonso ainda sofria atrás de Ralf. Na volta cinco, Fisichella supera Button e recupera o sexto posto. As posições seriam mantidas até a primeira parada, quando Alonso finalmente ultrapassaria Schumacher e, ainda mais, assumiria a segunda colocação. A parada da Ferrari não foi das melhores para Massa, que retornou à pista na terceira posição. Outro piloto que deu show na estratégia foi Kimi Räikkönen, que tomou o oitavo posto de Nick Heidfeld nos boxes.

A classificação da corrida agora era a seguinte: Schumacher em primeiro, Alonso em segundo, Massa em terceiro, Trulli em quarto, Ralf em quinto, Fisichella em sexto, Button em sétimo e Räikkönen em oitavo. Lá na frente, o espanhol ia tirando a diferença para o alemão que continuava forçando sua Ferrari para se manter na liderança mesmo após a segunda parada.


Quando a segunda rodada de pit stops começou, não deu outra para a Toyota: Trulli e Ralf perderam as posições para um surpreendente Räikkönen de McLaren. Poucas voltas após sua última parada para reabastecimento e troca de pneus, Michael Schumacher se mantinha a frente de Fernando Alonso que já tinha o alemão na mira.

Na volta 37, na entrada da Degner Curve, eis que o motor Ferrari do heptacampeão explode e leva embora todas as chances de um oitavo título para o alemão. Antes mesmo de encostar o carro, Schumacher já havia sido superado por Alonso, que agora só precisaria terminar a prova para colocar 10 enormes pontos de vantagem para o piloto da Ferrari. Era o fim do sonho do octocampeonato.

Nada maria nas últimas voltas, e a vitória acabou ficando com Fernando Alonso, que basicamente garantia o bicampeonato e a festa em São Paulo. Felipe Massa e Giancarlo Fisichella completaram o pódio, enquanto Jenson Button, Kimi Räikkönen, Jarno Trulli, Ralf Schumacher e Nick Heidfeld fecharam os oito primeiros lugares.


Alonso saía de Suzuka com dez pontos de vantagem para Schumacher, o que colocou a Renault perto de um bicampeonato de construtores. Felipe Massa recuperou o terceiro posto no campeonato de pilotos, mas agora com apenas um ponto de vantagem para Fisichella. Räikkönen se mantinha em sexto, agora com 61 pontos, e Button na quinta colocação com 50.

Foi a primeira quebra de motor para Michael Schumacher desde o GP da França de 2000.

Naquele dia se completavam seis anos do tricampeonato do alemão na mesma Suzuka, sobre Häkkinen.

Imagens tiradas do Google Imagens - GPExpert.com.br

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Pós-GP: Geração mimimi


É inegável dizer que nos últimos anos a Fórmula 1 se viu tomada pela 'geração mimimi'. Manobras arriscadas, toques e qualquer outro tipo de incidente são vistos como polêmicos e motivo para reclamações e, sobretudo, punições. E quem mais perde com tudo isso? A própria Fórmula 1, e também você, que assiste a categoria. Qual a graça de acompanhar uma corrida onde é proibido ultrapassar?

Já na primeira curva vimos um acidente que poderia ter mudado o destino do campeonato. Vettel freou tarde, dividiu com Max Verstappen e acabou atingindo Nico Rosberg, que rodou e foi do céu ao inferno em menos de 15s. Estava montada a discussão. Será que o alemão deveria ser punido pelo incidente? Pensei inúmeras vezes em vir aqui comentar sobre isso, mas nunca tive tempo para tal. Agora tenho. E qual a necessidade de discutirmos se isso é ou não é motivo de punição? Não há o que reclamar! Foi um incidente de corrida.

Em 2001, Rubens Barrichello rodou Ralf Schumacher e ainda saiu impune. Ninguém abriu a possibilidade dele ser punido. E por que, agora, quinze anos depois, um incidente tão semelhante poderia causar uma punição? Não são só os comissários que mudaram seu jeito de interpretar um acidente, mas nós também. É triste dizer, mas, talvez, nossas cabeças já foram corrompidas pela tal 'geração mimimi'. E não vemos isso só no mundo da F1, e menos ainda no do esporte a motor. Isso está em todo lugar...

Já perto do fim, após se recuperar, Nico Rosberg forçou e conseguiu uma bela ultrapassagem sobre Kimi Räikkönen, ultrapassagem que custaria dez segundos no tempo de prova do alemão. Outra punição totalmente desnecessária feita pela direção de prova. Em 1999, por exemplo, David Coulthard, na volta quatro, fez exatamente a mesma manobra de Rosberg para superar Michael Schumacher e assumir o segundo posto. Punição? Nenhuma! A corrida seguiu normalmente e com o alemão sequer reclamando da manobra do escocês, mesma atitude de Räikkönen na corrida de domingo (pelo menos naquilo que vimos na transmissão...).


Simplesmente, uma palhaçada.

Não que seja culpa do comissário convidado, mas, por ser tão experiente, por ter participado de tantas provas numa época tão idolatrada pelos fãs da Fórmula 1, penso que Derek Warwick deveria ter pulso suficiente para evitar que punições tolas como essa fossem dadas. Tão tolas, como aquelas que envolvem trocas de câmbio, motor ou quaisquer outros tipos de dispositivos que compõem a unidade de potência.

Se não bastasse isso, temos agora maus perdedores. Sebastian Vettel já virou piada por tantas reclamações, o famoso "choro", antes, durante e após as corridas. Apesar dessa infantilidade, o alemão nunca foi capaz de criar uma polêmica que envolvesse toda a equipe Ferrari. Max Verstappen é outro nome que ultimamente vem causando problemas dentro da pista, enquanto, fora dela, chama atenção e anima os torcedores com duras declarações que confrontam até grandes nomes do esporte.

De qualquer forma, nenhum dos dois pilotos citados foi capaz de colocar toda a equipe contra si próprio. No último domingo, após outro estranho abandono, Lewis Hamilton foi à publico dizer que "alguém não quer que eu vença. Os motores Mercedes só quebram comigo". Uma atitude lamentável, que dão um status ainda mais negativo para a equipe e para o próprio tricampeão, que é visto como um mau perdedor, imagem que insiste em manter mesmo após 10 temporadas na Fórmula 1. Se existe um lugar para responder, é na pista.


Vamos lembrar de incidentes semelhantes, e pior, quando esses incidentes tiraram títulos. Em 1984, por exemplo, Alain Prost chegou na Itália ainda a frente de Lauda no campeonato de pilotos, mas acabaria por sair de lá com a segunda posição após abandonar na terceira volta, quando era segundo colocado e favoritíssimo à vitória. Cinco anos depois, na mesma Monza, Ayrton Senna acabaria perdendo a vitória nas últimas voltas depois de seu "inquebrável" motor Honda estourar. Abandono que colocou o brasileiro sob pressão nas últimas etapas da temporada.

Uma década depois, em Indianapolis, Mika Häkkinen viu seu motor Mercedes ir pelos ares quando era segundo, caminhando para um pódio que o deixaria mais próximo de um possível tricampeonato. O mesmo Schumacher que saiu beneficiando do ocorrido em 2000 seria a vitima seis anos depois, em Suzuka, quando liderava antes do motor Ferrari decidir abrir o bico pela primeira vez em anos durante uma corrida...

Desde que Nico Rosberg e Lewis Hamilton se tornaram companheiros, o alemão não pontou oito vezes por causa de problemas mecânicos, enquanto o inglês apenas quatro. Dificilmente isso teria mudado o destino dos campeonatos de 2014 e 2015, mas é fato que em 2016 esse número poderá fazer a diferença. O placar é de 1 a 0 para o tricampeão, no momento...

Voltando ainda mais no tempo, vale lembrar que Hamilton sempre correu com motores Mercedes, conquistando 3 títulos, 49 vitórias, 57 poles, 31 voltas mais rápidas, 99 pódios e 2132 pontos. Dos 183 GPs disputados, o inglês abandonou 25, sendo apenas dois deles causados por problemas no motor. No fim, é lamentável ver um tricampeão agir dessa forma, especialmente após tantas e tantas conquistas no circo.


É claro que Hamilton pode ter razão em algumas declarações, mas só neste ano que os motores Mercedes começaram a, digamos, 'pipocar' perto do tricampeão. A equipe mesma não seria louca de colocar o futuro do piloto em xeque dentro da equipe, sendo ele o mais bem pago do grid, o maior vencedor e o maior favorito ao título nos últimos três anos. Isso seria suicídio. E sujo.

E agora, restando poucas etapas para o fim, não seria hora de fazer uma declaração forte como essa que pudesse desestabiliza-lo dentro da equipe. Quem agradece é Nico Rosberg. Mas ainda há uma luz no fim do túnel para o inglês. E, conhecendo bem o estilo de Lewis Hamilton, não é impossível que ele vença todas as corridas restantes e ainda saia com o tetracampeonato, isso com Rosberg podendo quebrar em qualquer uma dessas provas. Está aí a inutilidade de uma declaração como essa. Boba e lamentável.

Se Lewis Hamilton sair como campeão dessa "época" de 2016, tendo derrotado Nico Rosberg na pista durante as últimas etapas, tenha certeza que assistiu uma das melhores temporadas da história da Fórmula 1, com uma das mais impressionantes viradas da história. Agora é esperar para ver.

Ainda nessa semana saem as notas do GP da Malásia, onde Daniel Ricciardo finalmente voltou a vencer, Fernando Alonso deu outro show e Jolyon Palmer conquistou seu primeiro ponto.

Até Suzuka...

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domingo, 2 de outubro de 2016

70 anos - Nuvolari na Fórmula 1

Nivola em ação no GP das Nações...

1946. O mundo juntava os cacos após o fim da II Guerra Mundial e tentava se reerguer depois de toda aquela tragédia num período de seis anos. O automobilismo voltava a se engatinhar. Com o fim de Mercedes-Benz e Auto Union, os bólidos italianos e franceses dominavam as corridas com sobra. Pilotos como Jean-Pierre Wimille, Giuseppe Farina, Luigi Villoresi e até Tazio Nuvolari corriam pelo puro prazer de fazê-lo, já que nenhum campeonato foi organizado até 1950, quando o mundial de Fórmula 1 foi finalmente criado.

De qualquer forma, a Fórmula 1 não surgiu em 1950 junto com o campeonato mundial, mas sim quatro anos antes, em 1946, e, durante esse tempo, muita coisa interessante, e esquecida, aconteceu. Pouca gente sabe, mas a última vitória de Nuvolari em um Grand Prix foi num F1! Era 14 de julho, e alguns dos principais pilotos do circo estavam reunidos em Albi, na França, onde o mito italiano venceria uma das baterias e terminaria a outra em segundo, conquistando, no agregado, sua última vitória.

Apesar da conquista, Nivola desmaiou após inalar os gases do escapamento que invadiram seu cockpit, isso logo depois de receber os louros da vitória. No GP de Marselha, chegou a participar da segunda bateria, onde marcou a volta mais rápida, mas acabaria por não completar. Quase vinte dias depois, estaria em Bouis de Bologne participando da Copa Paris. Em julho, esteve em Genebra para o GP das Nações, onde os melhores pilotos da Europa estavam reunidos. Surpreendentemente, Tazio conquistou um terceiro lugar na segunda bateria, o que valeu um quarto no geral, sendo o melhor a bordo de uma Maserati.


Liderando Sommer no GP de Marselha...

Porém, aquele dia não havia sido um dos melhores para o italiano. Em estranha manobra, Nuvolari fechou a porta para Jean-Pierre Wimille, líder da corrida que colocava uma volta sobre o experiente italiano, o que rendeu um abandono para o francês e a bandeira preta para o mantovano. Diferentemente de muitos, Tazio continuou na pista mesmo após ser desclassificado. Os organizadores sinalizaram tanto para o velho italiano, que decidiram por retirar a desclassificação de Nivola e mantê-lo na corrida. Foram voltas e voltas vendo as bandeiras pretas...

Assim, a vitória em Albi se tornava a última de Nuvolari num Grand Prix. Os graves problemas de saúde que o afligiam, somados com a velhice, estavam o destruindo. Dois meses após o GP da Nações, Tazio estaria correndo com uma mão no volante e outra num lenço ensaguentado à sua boca. Muitos passaram a crer que o italiano queria morrer na pista, e não numa cama...


Ele estaria de volta em setembro, participando do GP de Turim e do GP de Milão, neste último conseguindo ficar em terceiro na primeira bateria. No primeiro fim-de-semana daquele mês, enquanto ainda estava em Turim, logo após o Grand Prix, Nivola participou da Copa Brezzi prova na qual Voiturettes participavam, espécie de GP2 da época.

Naquele três de setembro, o italiano apareceria na reta dos boxes com uma mão no volante e outra na barra de direção! De forma espantosa, o problema foi resolvido e Nuvolari pode terminar a prova na décima terceira e última posição. O mito italiano continuava a fazer história...

Nos anos seguintes, Tazio Nuvolari se restringiria à participações esporádicas em GPs e Voiturettes a bordo de carros da Ferrari e da Cisitalia, quase nunca conseguindo completar provas, e, quando conseguindo, nunca numa posição digna de seu nome. Participaria da Mille Miglia de 1947 com um carro extremamente inferior ao resto do pelotão, algo que não o impediu de assumir a liderança da prova e só perde-la quando sofresse problemas técnicos. Estaria de volta no ano seguinte para correr mais uma Mille Miglia, onde veria seu capô ir pelos ares e seu banco quebrar, tendo que o substituir por um saco de laranjas! Nivola abandonaria pouco antes do fim...

Nuvolari poderia ter participado do campeonato mundial de F1 em 1950 caso
 o projeto T360 de Piero Dusio não morresse por falta de recursos financeiros.
Existem apenas dois Cisitalia T360 no mundo, e um deles nunca foi
terminado por completo...

A última corrida do mitológico italiano foi no dia 15 de abril de 1950, no Monte Pellegrino. Mesmo sem nunca ter dito adeus às pistas, Nuvolari acabaria por morrer em 1953, na sua Mantua natal, após um ano preso à sua cama. Seria enterrado com sua camisa amarela, calça azul e capacete na presença de mais de 55 mil pessoas, detre elas Juan Manuel Fangio, Alberto Ascari e Luigi Villoresi.

Nuvolari deixou saudades, mas antes disso, acabaria deixando sua marca na jovem Fórmula 1, e com uma vitória...

10 anos - A última vitória de Schumacher


Ainda é difícil de acreditar que Schumacher enfrente o momento mais difícil de sua vida a mais de 1000 dias. E tudo isso fica ainda pior sabendo que, dez anos atrás, na China, o alemão conquistava sua 91º e última vitória na Fórmula 1. Era a conquista que faltava para que Schumi voltasse a liderar um campeonato de pilotos e se enchesse de confiança para as duas últimas etapas da temporada, em Suzuka e Interlagos.

Naquele primeiro fim-de-semana de outubro de 2006, a circo estava em Xangai para o terceiro GP da China. Apesar de anos de domínio, Michael Schumacher nunca havia conquistado bons resultados no país, colecionando fracassos e alguns de seus piores desempenhos da carreira. E era isso que a Renault iria explorar naquele fim-de-semana. Após perder a liderança do mundial de construtores para a Ferrari, que vinha de duas vitórias em Monza e Istambul, o time francês precisava vencer para estabelecer a confiança de um bicampeonato.

Depois de um empolgante teste na McLaren, Lewis Hamilton foi cotado como substituto de Pedro de la Rosa em Xangai, mas o bom desempenho do espanhol após a saída de Juan Pablo Montoya fez a equipe de Woking mantê-lo como titular até o final do ano. Na Red Bull, mudanças. Sem nenhuma boa performance, Christian Klien foi chutado pelo time austríaco, que buscou na Holanda seu novo piloto: Robert Doornbos.


Nos treinos, enormes problemas para Felipe Massa, Takuma Sato e Christijan Albers. O motor quase indestrutível da Ferrari abriu o bico na sexta (prenuncio de Suzuka?) e obrigou o brasileiro a troca-lo, perdendo assim dez posições no grid de largada. Sato também enfrentou problemas com seu motor Honda, sendo punido da mesma forma. Já Albers, que renovou com a Spyker para 2007, estava abaixo do peso na hora da pesagem nos treinos, tendo seu tempo deletado.

Com mais de meio segundo de vantagem para seu companheiro Fisichella, Fernando Alonso era o poleman na China. A segunda fila era toda da Honda, com Barrichello em terceiro e Button em quarto. Confiante apesar do quinto lugar, Kimi Räikkönen, tendo ao seu lado o heptacampeão Schumacher. Fechando o top ten estavam Pedro de la Rosa, Nick Heidfeld, Robert Kubica e um surpreendente Robert Doornbos.

Scott Speed conseguiu se enfiar entre os carros da Red Bull, na décima primeira posição, enquanto Liuzzi era apenas o décimo terceiro. Webber e Rosberg eram apenas décimo quarto e décimo quinto colocados, com Ralf Schumacher e Jarno Trulli logo atrás. Tiago Monteiro era o melhor num Midland, na décima oitava posição. Sakon Yamamoto e Felipe Massa dividiam a penúltima fila, enquanto Takuma Sato e Christijan Albers partiam do fundo do grid.

Para alegria dos franceses, choveu forte na manhã de domingo, molhando toda a pista e favorecendo os compostos da Michelin, enquanto os Bridgestone, que calçavam inclusive as Ferraris, eram os maiores prejudicados. Tudo apontava para outra vitória de Alonso, que poderia sair de Xangai com uma boa vantagem para Schumacher.

Jenson Button deu show nas últimas voltas da corrida

Na partida, Alonso e Fisichella mantém as posições enquanto Räikkönen faz bela manobra para superar Button e Barrichello, que larga mal e cai para quinto. Kubica e Doornbos vão para o fundo do pelotão depois de um toque, com Scott Speed escapando ileso da situação para assumir o oitavo lugar com Heidfeld em nono e Liuzzi em décimo.

No oitavo giro, Michael Schumacher supera Barrichella e assume o quinto posto, e, mais atrás, Heidfeld retoma o oitavo lugar de Speed. Se recuperando, Felipe Massa já era décimo terceiro colocado na volta doze, tendo ultrapassado Ralf, Trulli, Rosberg e Coulthard. Pressionando Fisichella desde o começo, Räikkönen foi conseguir fazer a manobra sobre o italiano apenas na volta doze, quando Schumacher também superaria Button na disputa pelo quarto posto.

A empolgação de estar se aproximando do líder acabaria quando Räikkönen enfrentasse problemas no acelerador de sua McLaren. Era o fim de uma promissora prova para o finlandês. Na primeira janela de paradas, Fisichella e Schumacher manterão o mesmo jogo de pneus, enquanto Alonso, temendo maiores problemas com o desgaste, trocaria os dianteiros e manteria os traseiros, estratégia que acabaria tirando a vitória do espanhol.

Depois de uma rápida perseguição pelo líder, Giancarlo Fisichella e Michael Schumacher já o tinham na mira na metade da prova. O italiano tentou superar o companheiro na volta 29, mas falhou. No giro seguinte, não desperdiçou a oportunidade e assumiu a liderança, com Schumacher seguindo-o na volta 31. Em três voltas, Alonso caiu de primeiro para terceiro.


Numa estratégia diferente em relação ao do companheiro Button, Barrichello era quarto colocado com Nick Heidfeld em quinto e Pedro de la Rosa em sexto. Na 35º volta, Fernando Alonso faz uma desastrosa parada que custa quase 20s. Lá na frente, Fisichella se mantém na ponta, enquanto é perseguido por Michael Schumacher.

No giro 40, o alemão vai aos boxes trocar para os compostos de pista seca, estratégia que o ajudaria na volta seguinte, quando Fisichella fizesse sua parada. Ainda com os pneus frios, o italiano sofreu para contornar a primeira curva, deixando a porta aberta para que Michael Schumacher assumisse a liderança da corrida. Alonso agora estava numa situação desesperadora na quarta posição.

Após superar Heidfeld, o campeão espanhol fez de tudo para se aproximar de Fisichella, apostando que Flavio Briatore resolvesse as coisas. E na volta 47, o que todos imaginavam se concretizou: Alonso agora era segundo. Mais atrás, Mark Webber superava David Coulthard na batalha pelo oitavo lugar.

Restando menos de 10 voltas para o fim, Michael Schumacher administrou como sempre, mantendo a liderança sem sustos até cruzar a linha de chegada, conquistando sua 91º e última vitória na Fórmula 1. Fernando Alonso e Giancarlo Fisichella completaram o pódio, enquanto a batalha pelo quarto lugar durou até a última volta, quando Button superou Barrichello e Heidfeld, que se tocaram na penúltima curva, para conquistar mais cinco pontos.

Rejuvenescido, Schumacher agora era líder do campeonato

E pela primeira vez desde 2004, Michael Schumacher era líder do campeonato de pilotos, com 116 pontos, o mesmo número de Fernando Alonso, que só não mantinha a ponta por ter menos vitórias do que o alemão. Com o pódio, Fisichella superou Massa e agora era terceiro colocado, um ponto a frente do brasileiro. Mesmo após o abandono, Räikkönen manteve o quinto posto com 57 pontos. Já no campeonato de construtores, a Renault voltou a liderar por 1 ponto sobre a Scuderia Ferrari.

E assim o circo saía de Xangai para Suzuka, com Schumacher mais confiante do que nunca e Alonso tentando se reerguer após outra queda da Renault sob o poderio da Ferrari. Faltando apenas duas etapas para o fim, a temporada de 2006 se tornava uma das melhores da primeira década do novo milênio...

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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

FOTOS: As obras no Red Bull Ring

Remus

Muito criticado pela sua extensão, o Red Bull Ring está prestes a receber de volta uma das mais clássicas, senão a mais clássica, parte de seu layout original: o "West Loop" - que não é utilizado desde 1987. Os tempos de volta cada vez mais baixos, somados a projeção de que os carros de 2017 poderão ser cerca de 5s mais rápidos do que os atuais, fizeram Dieter Mateschitz e Helmut Marko se mexerem para garantir a presença da Áustria no calendário dos próximos anos.

Mais imagens: Despertar da primavera, em Spielberg: obras de construção no Red Bull Ring.

O projeto de expansão não é tão audacioso. O West Loop não está danificado e necessita apenas de um recapeamento, além de precisar se adequar às normas de segurança da FIA. Não seria de se espantar ver, já em 2017, o retorno de parte do icônico layout original, o que traria ainda mais emoção às provas no Red Bull Ring...

Castrol Edge

Como nem tudo são flores, existem duas chicanes no projeto. Uma delas logo após a Castrol Edge, atual primeira curva da pista, e a outra antes da Remus, o famoso cotovelo na parte mais alta do circuito. Apesar disso, as três curvas que compõem o West Loop não devem ser alteradas: Hella-Licht, Flatschach-Gerade e Dr. Tiroch Kurve.

Mais imagens: Despertar da primavera, em Spielberg II: obras de construção no Red Bull Ring.

Além de ser agradável à Fórmula 1, essa expansão deve visar também a entrada do circuito no calendário do World Endurance Championship, sabendo ainda que o antigo Österreichring fez parte, por anos, do World Sportscar Championship, antecessor do WEC atual. Quantas belas imagens dos 1000Km de Zeltweg temos...´


Numa rápida pesquisa na internet, encontrei fotos que comprovam a reforma e a rapidez do projeto em colocar tudo em prática já em 2017. Como vocês podem ver no vídeo acima, a subida da Castrol Edge e a descida para a Remus já foram asfaltadas. Também é possível observar a forma que a Remus vem tomando, o que entrega a possível construção de uma chicane para diminuir as velocidades na parte alta do circuito.

Assim, de 4.326kms, o Red Bull Ring passaria a ter bons 5.4kms, ficando cerca de 500 metros mais curto do que o layout original completo. Agora nos resta esperar, e torcer para que as mudanças aconteçam e a FIA aprove o West Loop para seu retorno aos Grandes Prêmios. Até o ano que vem, boa parte disso deve estar pronto, caso contrário deveremos estar assistindo uma corrida no antigo lado oeste do Österreichring.

créditos de @RaceCircuitInfo

Imagens tiradas de - marieskleinewelt.com e marieskleinewelt.com.

sábado, 30 de julho de 2016

10 anos - A última vitória de Schumacher na Alemanha


Fernando Alonso parecia imbatível até aquele momento do campeonato. Mas, uma reviravolta colocaria a emoção que faltou na Fórmula 1 dos seis anos anteriores. E o mais incrível: Schumacher traria de volta esse ingrediente que sagrou a categoria como a melhor do esporte a motor. Após duas conquistas seguidas, o alemão chegava ao GP da Alemanha confiante em busca de uma terceira vitória consecutiva, algo que Alonso temia.

Os treinos em Hockenheim foram um tanto quanto interessantes. Depois de fazerem todo o possível para estarem entre os primeiros na casa da Renault, Alonso e Fisichella enfrentaram dificuldades em solo alemão, com Kimi Räikkönen levando a melhor com seu McLaren Mercedes. Acompanhando o finlandês na primeira fila, ele, Michael Schumacher, de volta a luta pelo título.

Fazendo sua parte, Felipe Massa largava em terceiro, com Jenson Button ao seu lado. Durante todo o fim-de-semana, Giancarlo Fisichella foi superior á Fernando Alonso, que conseguiu um mero sétimo lugar no grid enquanto o companheiro era quinto. Entre eles, Rubens Barrichello de Honda. Fechando o top ten estavam Ralf Schumacher, Pedro de la Rosa e David Coulthard.

Na casa da Mercedes, Kimi trabalhou bem para alegrar a equipe

Sofrendo com a falta de equipamento, Mark Webber partia apenas na décima primeira posição, ao lado de de Christian Klien. Jarno Trulli marcou o décimo terceiro tempo, mas seria punido com dez posições após trocar de motor. Villeneuve foi o melhor da BMW, com o décimo quarto lugar. Heidfeld foi apenas o décimo sexto, deixando Nico Rosberg entre ele e seu companheiro de equipe. Fechando o grid estavam Vitantonio Liuzzi, Christijan Albers, Takuma Sato, Tiago Monteiro, o estreante Sakon Yamamoto e Scott Speed.

No domingo, o céu aberto indicava nenhuma possibilidade de chuva. Na partida, Räikkönen tomou a ponta com Schumacher em segundo e Massa em terceiro. Apesar de ter pulado bem, Button contornou mal a primeira curva e perdeu o quarto posto para Fisichella, enquanto Alonso tomava o sexto lugar de Barrichello, que caiu para nono. De décimo primeiro, Mark Webber agora era sétimo.

Alonso sofreu dificuldades durante todo o fim-de-semana

Ainda na primeira volta, Nico Rosberg bateria na entrada do Estádio. Logo depois, Button já recuperava o quarto posto de Fisichella. Quem não gostou nenhum pouco do primeiro giro foi o time da BMW, que viu seus dois carros se envolverem em acidentes e caírem para as últimas posições. de la Rosa seria obrigado a abandonar com problemas em seu McLaren, enquanto, lá na frente, Räikkönen resistia à pressão da dupla ferrarista.

Na volta dez, o finlandês foi aos boxes para sua parada de troca de pneus e reabastecimento, sofrendo problemas que colocavam sua liderança e até seu pódio em risco. O próximo ponteiro a parar seria Jenson Button, que até voltaria atrás de Räikkönen, mas tomaria o sexto posto do finlandês na volta seguinte, enquanto Barrichello, logo após sair dos boxes, amargava outro abandono por causa do motor Honda.

Schumacher e Massa fizeram suas paradas e mantiveram a liderança, enquanto Räikkönen amargava um fraco quinto lugar mesmo após Fisichella e Alonso pararem. O italiano teve sorte, mas o espanhol ficaria preso atrás do tráfego e teria sua corrida ainda mais comprometida. Na terceira posição, Mark Webber fazia o impossível com sua Williams Cosworth. Na vigésima oitava volta o australiano foi aos boxes, da mesma forma que Kimi Räikkönen voltaria a fazer uma parada.

Villeneuve fecharia sua carreira na F1 com um acidente

Webber voltou entre os carros da Renault, enquanto o finlandês caiu para o sétimo posto, logo atrás do atual campeão. Dez voltas depois, Fisichella enfrentaria problemas em sua parada e perderia a posição para Fernando Alonso. Jogo de equipe por parte da Renault? Logo depois foi a vez de Jenson Button fazer sua segunda passagem pelos boxes, voltando na quinta posição, atrás de Räikkönen.

Após os lideres fecharem seu programa de paradas com a segunda de Massa e Schumacher, a corrida já estava definida, pelo menos nas duas primeiras posições. Com uma interessante estratégia, Mark Webber só faria sua última parada nas últimas 20 voltas, retornando à pista na quinta posição e com grandes chances de pódio. Na volta 55, Räikkönen faria sua terceira e última parada voltando lado a lado com o australiano, que não conseguiria a ultrapassagem e se manteria em quinto.

A batalha agora era pelo último lugar do pódio. Jenson Button não pararia mais, enquanto, com pneus mais novos, Kimi Räikkönen e Mark Webber perseguiriam o inglês. Infelizmente, o pacote Williams-Cosworth voltaria a trair o australiano, que abandonaria nas últimas voltas, enquanto o finlandês superava o piloto da Honda e caminhava para seu terceiro pódio em cinco provas.


No fim, Michael Schumacher voltou a erguer os dois braços para comemorar outra vitória na Fórmula 1, a 89º e antepenúltima de sua carreira. Felipe Massa fez sua parte e terminou em segundo, com o guerreiro Kimi Räikkönen finalizando em terceiro mesmo com uma fraca estratégia de três paradas. Os lugares pontuáveis seriam fechados por Button, Alonso, Fisichella, Trulli e Klien.

No campeonato de pilotos, Schumi ficou apenas 11 pontos atrás de Fernando Alonso, esquentando a disputa pelo título. Com o segundo lugar, Felipe Massa superou Räikkönen e Fisichella, tomando o terceiro lugar com 50 pontos. Montoya ainda era sexto com 26 pontos, enquanto Button tinha 21 e Barrichello apenas 16. Fechando os dez melhores colocados na tabela, Ralf e Nika Heidfeld tinham 13.


No campeonato de construtores, outra dobradinha da Ferrari colocou a equipe perto de tomar a liderança da Renault, com a McLaren isolada na terceira posição. A Honda tinha 37 pontos e era quarta colocada, com Toyota e BMW lutando pelo quinto posto. A equipe alemã voltaria a crescer no campeonato após substituir Jacques Villeneuve por Robert Kubica, assim, o GP da Alemanha de 2006 foi o último do campeão da temporada de 1997 da Fórmula 1.

E para mim, a corrida foi mais que especial. O GP da Alemanha de 2006 é a primeira lembrança que tenho de uma corrida de Fórmula 1. Posso me lembrar das milhares de vezes que pedi ao meu pai para que me acordasse cedo para acompanhar um grande prêmio antes disso, mas a primeira lembrança de estar assistindo verdadeiramente uma corrida de Fórmula 1 vem de Hockenheim. De Schumacher cruzando a linha de chegada. Daquele carro vermelho. Daquele hino italiano. Daquele carro prata. Daquele hino alemão. De 10 anos atrás...

Imagens tiradas do Google Imagens - GPExpert.com.br - f1-fansite.com

sexta-feira, 29 de julho de 2016

1959 - Quando o GP da Alemanha foi separado em duas baterias


O ano era 1959. Após a aposentadoria de Mike Hawthorn, a Fórmula 1 não tinha nenhum campeão em seu grid. Os carros de motor frontal começavam a se extinguir, e uma nova leva de pilotos chegavam. Um ano antes, no Nürburgring, o circo havia perdido um de seus personagens mais queridos e respeitados de todos os tempos: Peter Collins. A morte do inglês fez o Automóvel Clube Alemão transferir o palco do GP da Alemanha para AVUS, em Berlim.

O velho e monstruoso circuito de AVUS estava agora cortado ao meio, sendo metade da Alemanha Ocidental e a outra metade da Alemanha Oriental. O muro ainda não estava construído, e a Fórmula 1 não sofreu dificuldades para correr na configuração de quase 8Km e meio do circuito.


Após a vitória de Jack Brabham em Aintree, as coisas não estariam tão fáceis para os bólidos ingleses na Alemanha. Com apenas quatro curvas e duas longas retas, AVUS beneficiava a Ferrari com seus motores V6 equipados no campeão D246. Com isso, Tony Brooks, Cliff Alisson, Phil Hill e o jovem Dan Gurney eram os favoritos a vitória.

Jean Behra, que havia sido demitido da Scuderia semanas antes, se inscreveu com sua própria equipe, a Behra-Porsche, e participaria de uma prova preliminar antes da corrida. Um dia antes da prova, Behra perderia o controle de seu Porsche 718 na Curva da Morte, bateria num mastro e morreria na hora. Wolfgang von Trips abandonou a prova após a morte do companheiro.

No dia seguinte, o grid estava formado com uma primeira fila mista: a bravura de Brabham e Moss os colocaram ao lado de Brooks e Gurney. Logo atrás, Gregory, Hill e Bonnier formavam a segunda fila, com Harry Schell em oitavo, Bruce McLaren em nono, Graham Hill em décimo e Hans Herrmann em décimo primeiro. Fechando o grid estavam Trintignant, Ireland, Allison (que marcou o melhor tempo, mas foi penalizado) e Burgess.

A temida Norschleife, a Curva da Morte (Curva Norte)

Na partida, Tony Brooks pula na ponta com Stirling Moss em segundo, Masten Gregory em terceiro e Jack Brabham em quarto. Gurney e Hill perderam posições, mas logo recuperariam. No segundo giro, Moss abandonaria com problemas no câmbio, deixando para Gregory a missão de tomar a liderança. O norte-americano não tardaria para duelar contra as Ferrari de Brooks e Gurney, tomando a ponta na volta três.

Dan Gurney e Phil Hill já estavam de volta na disputa pela vitória, enquanto Allison abandonava. As voltas seguintes seriam de intensa batalha entre Brooks, Gurney e o sempre bravo Gregory, que abandonaria com problemas no motor quando liderava. Voltas antes, o líder do campeonato Jack Brabham já havia estacionado seu Cooper.

Na segunda bateria, Hans Herrmann escaparia da morte

A corrida ficaram na mão do trio ferrarista, enquanto McLaren, Bonnier e Trintignant tentavam se aproximar. A bandeira quadriculada sinalizou o fim da primeira bateria, com Brooks como vencedor, seguido pelo jovem Gurney e por Hill. A ideia de dividir a prova em dois compactos de trinta voltas veio da organização, que temia incidentes com o excessivo desgaste de pneu no banking de tijolos. Assim, todos os pilotos largariam com pneus novos na segunda bateria, que tinha o grid baseado na classificação final da primeira.

Na nova largada, Hill tomou a ponta com Joakim Bonnier surpreendendo Brooks e Gurney. No giro seguinte, Bruce McLaren entrou na briga, enquanto o sueco, sem equipamento adequado, perdia posições. Não demoraria muito para que o neozelandês também enfrentasse os mesmos problemas que atingiram o companheiro, sendo obrigado a abandonar a prova.

Na volta 36, o maior susto: o BRM de Hans Herrmann sofre uma falha nos freios na entrada da Curva Sul, bate nos fardos de palha e decola, capotando várias vezes e deixando o alemão no asfalto, atônito, acompanhando as últimas cambalhotas de seu carro. Herrmann saiu sem ferimentos graves.

O trio que dominou a prova: um futuro campeão, um garoto de 28 anos e um dentista

Lá na frente, Brooks travaria uma dura batalha contra seus dois companheiros para vencer o último GP da Alemanha realizado em AVUS. Phil Hill asseguraria o segundo lugar, com Dan Gurney terminando em terceiro e fechando a trinca da Ferrari no pódio. Maurice Trintignant e Jo Bonnier fecharam os lugares pontuáveis.

No próximo dia 2 de agosto se completarão 57 anos da realização da única prova de Fórmula 1 com duas baterias. A última de AVUS. A última vitória de Tony Brooks. E o primeiro pódio de Dan Gurney. Tudo que podia acontecer numa época que nem campeão a categoria tinha em seu grid...

Imagens tiradas do Google Imagens e F1-History.deviantart.com

Hockenheimring, o mutilado

O Hockenheimring original, que ia de Hockenheim até Oftersheim, ao norte

Neste fim-de-semana a Fórmula 1 retornará para Hockenheim depois de um ano sabático para a categoria na Alemanha. Apesar de tudo que já viveu, o autódromo da pequena cidade alemã continua sendo um dos principais do mundo, algo inimaginável décadas atrás, quando tudo isso ainda era apenas um sonho. O Hockenheimring tem um longo histórico de mutilações, e é um dos poucos circuitos no mundo que resistiu a todas elas e continua no cenário mundial com certo destaque, mesmo com um traçado que pouco agrada.

Tantas histórias fantásticas. Tantos momentos memoráveis. Tudo surgido de um sonho. Um sonho de Ernst Christ, morador da pequena Hockenheim que sonhava em construir uma pista em sua cidade natal. Após receber o apoio de Philipp Klien, prefeito da cidade, e a aprovação por unanimidade do conselho municipal, as obras começaram no dia 23 de março de 1932. Dois meses depois, o circuito era inaugurado com uma corrida de motocicletas e 60 mil pagantes.


O primeiro layout de Hockenheimring tinha cerca de 12Km de extensão, formando um triangulo que ia de Hockenheim até Oftersheim. Tendo apenas seis curvas, o circuito era anti-horário e com os boxes a cerca da região do atual Stadion. Enquanto as provas de motociclismo se popularizavam na região, Mercedes-Benz e Auto Union fizeram da pista um local de testes intensos para provas de alta-velocidade, como o GP de Trípoli.

Seis anos após sua inauguração, a primeira mutilação ocorre: surge o Kurpfalzring, um oval com quatro curvas. Apesar do novo nome, o circuito perdeu "apenas" suas duas mais longas retas, que iam até Oftersheim, mas ganhou a famosa Radbuckelkurve, que mais tarde receberia o nome de Ostkurve, ou Curva Leste.

Provas de turismo e motociclismo seriam realizadas até o início da II Guerra Mundial, que selou o fim de Kurpfalzring. Em 1941, uma última corrida, de bicicletas, foi realizada no circuito com seu velho nome...

Hans Stuck no velho Hockenheimring

Logo após a Grande Guerra, as reformas começaram a todo vapor, sendo o rebatizado Hockenheimring o primeiro circuito a receber corridas em toda Alemanha. Mais de 200 mil pessoas acompanharam uma corrida que tinha Karl Kling, Toni Ulmen e até Alexander von Falkenhausen no grid. A década de 50 foi marcada pelos trancos e barrancos e pela estreia oficial como GP da Alemanha de motociclismo.

Em 1965, a Autobahn A 6 separou a cidade da pista, obrigando Ernst Christ a projetar um novo traçado. Assim surgiu o Motodrom, que tornou Hockenheimring ainda mais moderno e famoso. A parte ocidental do circuito foi totalmente modificada, passando ele a ser corrido no sentido horário e com uma nova sequência de curvas nomeada de Stadionartiger, ou melhor, o Stadion perto da novíssima Sudkurve e dos novos boxes.

Mais de 30 anos após sua inauguração, e o Hockenheimring já havia passado de uma extensão de 12km para meros 6Km. Mesmo assim, o anel de Hockenheim continuava sendo um dos melhores lugares do mundo para se correr. Cortando a Floresta Negra, ela era agora ainda mais moderna, extinguindo a região que passava pela cidade.

Construção do Motodrom

Foi nessa época que a primeira tragédia abalou a pequena cidade, ou melhor, o mundo: Jim Clark havia sofrido um acidente mortal. O escocês voador acabou por perder a vida no Hockenheimring, que apenas dois anos depois receberia sua primeira corrida de Fórmula 1. Para melhorar a segurança, duas chicanes foram construídas na parte alta do circuito, antes e depois da Ostkurve.

Com o Nürburgring em reformas, a Fórmula 1 optou por correr em Hockenheim em 1970. Lá, Jochen Rindt e Jacky Ickx travaram uma dura batalha pela vitória, que acabaria ficando com o austríaco futuramente morto em Monza. Numa corrida repleta de emoções e alternativas, Emerson Fittipaldi conquistou seus primeiros pontos com um quarto lugar.

Apesar da emocionante prova, Hockenheim só voltaria a receber a Fórmula 1 sete anos depois, quando o Nürburgring se tornou inviável para realização de um grande prêmio. O ring daquela pequena cidade, que havia surgido do um sonho de um jovem assistente de cronometrista, estava no mais alto patamar do mundo do esporte a motor, com corridas de Fórmula 1, turismo, MotoGP (ainda sem este nome), sportscar, rally e até drag,

No primeiro GP de F1 em Hockenheim, Rindt e Ickx travaram uma dura batalha pela vitória

Depois de Lauda vencer facilmente em 1977, Mario Andretti em 1978 e Alan Jones em 1979, uma nova tragédia voltou a acontecer em Hockenheim. Um jovem austríaco talentosíssimo, de nome Markus Höttinger, morreu numa prova de F2, e, semanas depois, foi a vez do veloz francês Patrick Depailler morrer num teste com sua Alfa Romeo.

Um nova chicane antes da Ostkurve foi construída após a morte de Depailler, que causou comoção no pódio do GP da Alemanha daquele ano de 1980. O vencedor Jacques Laffite chegou a chorar enquanto estava no lugar mais alto.

Após Nelson Piquet vencer em 1981, outro acidente voltou a assombrar o Hockenheimring: Didier Pironi quebrou ambas as pernas após levantar voo no meio da Floresta Negra. Mesmo após outro francês quase perder a vida, nenhuma mudança seria efetuada até 1992, quando uma nova chicane surgiu na Ostkurve, dizimando de vez a mais famosa curva do circuito.

Até 1992, Patrick Tambay (1982), René Arnoux (1983), Nelson Piquet (1986 e 1987), Alain Prost (1984), Ayrton Senna (1988, 1989 e 1990) e Nigel Mansell (1991) venceriam lá. Depois de outra vitória do Leão em 1992, o Professor conquistaria sua 51º e última vitória em 1993 no Hockenheimring.

Ayrton Senna venceu três vezes na Floresta Negra

Gerhard Berger venceria em 1994 e 1997, sendo ela sua última vitória e da equipe Benetton. Michael Schumacher finalmente se tornaria o primeiro alemão a vencer o GP da Alemanha de Fórmula 1 em 1995. Damon Hill levou a vitória em 1996, Mika Häkkinen em 1998 e Eddie Irvine em 1999. No ano seguinte, em 2000, Rubens Barrichello teve uma performance de campeão para conquistar sua primeira vitória na categoria.

Em 2001, Ralf Schumacher se tornaria o último piloto a vencer no velho Hockenheimring em prova marcada pelo voo de Luciano Burti. Antes mesmo da vitória de Barrichello e de Ralf, a FIA ameaçou tirar Hockenheim do calendário, obrigando os organizadores a fazerem uma enorme reforma no autódromo. Com isso, um circuito que um dia já havia sido de 12Km, e que era naquele momento de meros 6Km, passou a ser de apenas 4,574Km.

Para piorar, o setor que rasgava a Floresta Negra foi retirada do novo traçado, causando críticas que se estendem até hoje. No fim, foi como perder parte da essência do Hockenheimring, a última coisa que restava como característica daquele circuito original de 80 anos atrás. O novo traçado não agradou, e Hockenheim tem que resistir às críticas em todo santo fim-de-semana em que o circo da Fórmula 1 passa por lá.

E a vegetação volta a tomar o que um dia foi dela...

Desde de 2002, Michael Schumacher, Juan Pablo Montoya, Fernando Alonso, Lewis Hamilton e Nico Rosberg já venceram no circuito, que reveza com Nürburgring como sede do GP da Alemanha. Quem nunca venceu lá foi Sebastian Vettel, que neste fim-de-semana voltará a batalhar por um lugar no hall de vencedores de Hockenheimring.

Vendo tudo que o "anel" de Hockenheim já passou em sua história, é de se espantar que ele continua de pé, atraindo fãs mesmo após a demolição do seu layout mais famoso. Um exemplo de circuito moderno que se sacrificou para se manter no cenário mundial. Um exemplo que não deveria ser seguido, mas que tomou conta dos autódromos de todo planeta.

Perdemos parte da história, mas ainda é melhor do que perder ela toda.

Imagens tiradas do Google Imagens e circuitsofthepast.nl

terça-feira, 26 de julho de 2016

25 anos - Quando Senna quase morreu no Hockenheimring


Há 25 anos, Ayrton Senna poderia ter morrido no Hockenheimring. A história é um tanto quanto esquecida, sobretudo pelo fato de ter sido num daqueles testes tão obscuros que sequer existem imagens para comprovar sua realização.

Tal como ocorreu com Patrick Depailler cerca de onze anos antes, nenhuma foto foi tirada do momento do acidente, e pior, sequer do MP4/6 totalmente destruído. O futuro tricampeão teve sorte em sair com apenas algumas escoriações do espetacular acidente, que, pela sua magnitude, poderia te-lo vitimado três anos antes do fatídico fim-de-semana de Imola.

Tudo aconteceu rapidamente: um furo no pneu traseiro direito fez Senna perder o controle do carro aos 300Km/h quando se aproximava da primeira chicane. O brasileiro tentou segurar sua McLaren, mas este acabou rodando, tocando na zebra e levantando voo, capotando várias vezes e vindo parar com as rodas viradas para baixo, totalmente destruída e com seu piloto em choque dentro do cockpit. Surpreendentemente, Senna se manteve consciente durante todo o ocorrido, guardando para si uma fantástica história para contar aos netos, coisa que infelizmente não aconteceria...

Poucas testemunhas viram o acidente, e uma delas explicou para o desenhista italiano Giuliano Giovetti como este aconteceu. Achei a foto no Continental Circus do Paulo Alexandre Teixeira, que por sua vez recebeu do Felipe Vaamonde. Por isso, gostaria de agradece-los.

Há 25 anos, Ayrton Senna já poderia não estar entre nós...