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terça-feira, 26 de julho de 2016
25 anos - Quando Senna quase morreu no Hockenheimring
Há 25 anos, Ayrton Senna poderia ter morrido no Hockenheimring. A história é um tanto quanto esquecida, sobretudo pelo fato de ter sido num daqueles testes tão obscuros que sequer existem imagens para comprovar sua realização.
Tal como ocorreu com Patrick Depailler cerca de onze anos antes, nenhuma foto foi tirada do momento do acidente, e pior, sequer do MP4/6 totalmente destruído. O futuro tricampeão teve sorte em sair com apenas algumas escoriações do espetacular acidente, que, pela sua magnitude, poderia te-lo vitimado três anos antes do fatídico fim-de-semana de Imola.
Tudo aconteceu rapidamente: um furo no pneu traseiro direito fez Senna perder o controle do carro aos 300Km/h quando se aproximava da primeira chicane. O brasileiro tentou segurar sua McLaren, mas este acabou rodando, tocando na zebra e levantando voo, capotando várias vezes e vindo parar com as rodas viradas para baixo, totalmente destruída e com seu piloto em choque dentro do cockpit. Surpreendentemente, Senna se manteve consciente durante todo o ocorrido, guardando para si uma fantástica história para contar aos netos, coisa que infelizmente não aconteceria...
Poucas testemunhas viram o acidente, e uma delas explicou para o desenhista italiano Giuliano Giovetti como este aconteceu. Achei a foto no Continental Circus do Paulo Alexandre Teixeira, que por sua vez recebeu do Felipe Vaamonde. Por isso, gostaria de agradece-los.
Há 25 anos, Ayrton Senna já poderia não estar entre nós...
sexta-feira, 25 de março de 2016
GP Memorável 75# - Brasil 1991
Semanas depois do GP dos EUA nas ruas de Phoenix marcado pela vitória arrasadora da dominante combinação Senna-McLaren-Honda, o circo chegava ao Brasil para a segunda etapa da temporada de 1991. Pelo segundo ano seguido, Interlagos era sede da prova que voltava a ter Ayrton como favorito à vitória. Depois de passar anos tentando em vão, o brasileiro estava ainda mais disposto para quebrar o jejum na vigésima edição do Grande Prêmio do Brasil.
Agora com mais condições do que nunca, sem nenhum rival despontando no início da época, Senna era de longe o principal protagonista do fim-de-semana, deixando desfocada as participações de Nelson Piquet, Roberto Moreno e Mauricio Gugelmin. A Ferrari continuava tentando buscar o lugar que foi tomado pela Williams, mas a equipe britânica fez um evolução tão grande á ponto de dar esperanças para Nigel Mansell.
Já no treino principal, quatro nomes não conseguiriam uma vaga no grid para domingo, e infelizmente ambas as Footwork estava no meio disso. A parceria com a Porsche não estava sequer perto de sair da lama, deixando Caffi e Alboreto fora da corrida. Com eles, Bailey e Johansson também voltariam para casa mais cedo. Enquanto lá na frente...
Na décima primeira colocação estava o Lola de Éric Bernard, ao lado dele a Dallara de Emanuele Pirro, enquanto Andrea de Cesaris e Roberto Moreno formavam a sétima fila. Ivan Capelli era décimo quinto, Satoru Nakajima décimo sexto, Aguri Suzuki décimo sétimo, Thierry Boutsen décimo oitavo, JJ Lehto décimo nono e Pierluigi Martini vigésimo.
Fechando o grid: Gianni Morbidelli, Mika Häkkinen, Érik Comas, Gabriele Tarquini e a dupla da Brabham, Mark Blundell e Martin Brundle. O tempo para a corrida não seria um dos melhores, especialmente em Interlagos, onde as forças da natureza são tão instáveis. Apesar da ameaça de chuva, a prova foi iniciada em pista seca, facilitando o trabalho dos pilotos.
Enquanto a luz vermelha ainda era acesa, quem se estava pegando fogo no grid era o carro de Berger, que não enfrentou maiores problemas apesar da fumaça que saiu de sua McLaren nas primeiras curvas. Quando a luz verde se ascendeu, Ayrton Senna pulou na ponta sem problemas, enquanto Mansell superava Patrese e Alesi tomava a quarta colocação.
Mais atrás, Gachot atrapalha Pirro que vai para a grama, caindo para vigésimo sexto. Logo, a primeira desistência: Gabriele Tarquini danifica a suspensão e bate num dos muros de Interlagos. Lá na frente, Ayrton Senna tenta abrir em relação à Nigel Mansell, mas o Leão é forte e se aproxima do brasileiro. Tentando recuperar-se da fraca posição no grid de largada, Moreno supera Bernard e já é décimo primeiro.
No terceiro giro, de Cesaris ultrapassa o francês da Larrousse e agora persegue Moreno. Sem muitas condições para combate, a dupla da Brabham já é superada por Mika Häkkinen e Emanuel Pirro. Liderando, Senna ainda recebe pressão de Mansell, com Patrese em terceiro, Alesi em quarto, Berger em quinto, Piquet em sexto, Prost em sétimo e Modena em oitavo.
O finlandês da Dallara seria o próximo alvo de Martini antes que Maurício Gugelmin desistisse da prova, tendo se envolvido num incidente que queimou suas nádegas no Warm-Up. As dores eram insuportáveis, e na nona volta o brasileiro decidiu bem em parar e abandonar a prova, apesar dela ser tão promissora para a Leyton House.
Em décimo oitavo, Satoru Nakajima roda e abandona, enquanto Senna mantém uma boa distância para Mansell, que por sua vez abre para Patrese e Alesi, que é pressionado por Berger. No décimo oitavo giro, Alain Prost vai aos boxes fazer sua parada, retornando em décimo primeiro. Modena mal teve tempo de comemorar a posição ganha, abandonando com problemas no câmbio.
Na vigésima sexta volta é a vez de Nigel Mansell parar, sendo a troca de pneus um desastre com o Leão sofrendo problemas no câmbio, só voltando atrás de Riccardo Patrese e Jean Alesi. O britânico ainda tomaria a posição do francês na volta seguinte, quando Senna foi aos boxes e teve mais sorte, voltando com conforto na liderança da corrida.
No vigésimo oitavo giro é a vez de Patrese, Berger e Alesi pararem, o que beneficia Alain Prost, que jogou bem ao parar voltas mais cedo. Com problemas de embreagem, Bernard é obrigado a abandonar a prova logo depois que Martini usou do mesmo artifício de Prost para ultrapassar seu companheiro, tornando-se décimo colocado.
Escalando o pelotão, Pierluigi Martini tinha acabado de assumir a nona colocação quando um erro o tirou da prova. Conseguindo abrir a diferença, Ayrton Senna começa a se acalmar na liderança, conduzindo magistralmente no início de uma leve garoa. Nigel Mansell ainda faria sua segunda parada, mas os problemas na caixa de câmbio se mantinham para tirar o Leão da prova, na volta 59.
Acorrida já não era tão competitiva, e o abandono de Nigel Mansell evidenciava ainda mais que Ayrton Senna passou a dominar a Fórmula 1 de tal maneira que seria impossível detê-lo. Mas como ninguém é perfeito, a caixa de câmbio da McLaren MP4/6 do brasileiro começou a travar, problemas tão piores quanto aqueles enfrentados por Patrese, enquanto Berger sofria com um acelerador que travava regularmente.
Quando cruzou a linha de chegada em primeiro, não existiam mais palavras para descrever tal momento: Ayrton Senna havia vencido o GP do Brasil! Depois de ficar apenas na sexta marcha durante todas as últimas voltas, o brasileiro teve espasmos musculares em diversas partes do corpo, deixando, sua McLaren morrer no meio da Reta Oposta na Volta da Vitória. A torcida gritava, e ninguém mais sabia o que fazer no meio de tanta alegria.
No pódio, três gladiadores que fizeram do GP do Brasil de 1991 uma prova de resistência às dores e ao cansaço, uma corrida marcada pelo heroísmo mesmo após 71 voltas extremamente monótonas e sem nenhum grande momento... O que uma vitória com sabor à mais não faz, não é mesmo?
- 1 - BRA - Ayrton Senna - McLaren Honda - 1:38:28.128 - 10pts
- 6 - ITA - Riccardo Patrese - Williams Renault - +2.991s - 6pts
- 2 - AUT - Gerhard Berger - McLaren Honda - +5.416s - 4pts
- 27 - FRA - Alain Prost - Scuderia Ferrari - +18.369s - 3pts
- 20 - BRA - Nelson Piquet - Benetton Ford - +21.960 - 2pts
- 28 - FRA - Jean Alesi - Scuderia Ferrari - +23.641s - 1pt
- 19 - BRA - Roberto Moreno - Benetton Ford - +1 Volta
- 24 - ITA - Gianni Morbidelli - Minardi Ferrari - +2 Voltas
- 11 - FIN - Mika Häkkinen - Lotus Judd - +3 Voltas
- 25 - BEL - Thierry Boutsen - Ligier Lamborghini - +3 Voltas
- 21 - ITA - Emanuele Pirro - Dallara Judd - +3 Voltas
- 7 - GBR - Martin Brundle - Brabham Yamaha - +4 Voltas
- 32 - BEL - Bertrand Gachot - Jordan Ford - Sistema de Combustível
- 5 - GBR - Nigel Mansell - Williams Renault - Caixa de Câmbio - OUT
- 26 - FRA - Érik Comas - Ligier Lamborghini - Motor - OUT
- 23 - ITA - Pierluigi Martini - Minardi Ferrari - Rodada - OUT
- 8 - GBR - Mark Blundell - Brabham Yamaha - Motor - OUT
- 29 - FRA - Éric Bernard - Lola Ford - Radiador - OUT
- 22 - FIN - Jyrki Juhani Järvilehto - Dallara Judd - Elétrico - OUT
- 33 - ITA - Andrea de Cesaris - Jordan Ford - Motor - OUT
- 4 - ITA - Stefano Modena - Tyrrell Honda - Caixa de Câmbio - OUT
- 16 - ITA - Ivan Capelli - Leyton House Ilmor - Transmissão - OUT
- 3 - JAP - Satoru Nakajima - Tyrrell Honda - Rodada - OUT
- 15 - BRA - Mauricio Gugelmin - Leyton House Ilmor - Físico - OUT
- 17 - ITA - Gabriele Tarquini - AGS Ford - Suspensão - OUT
- 30 - JAP - Aguri Suzuki - Lola Ford - Bomba de Combustível - OUT
- 10 - ITA - Alex Caffi - Footwork Porsche - DNQ
- 18 - SUE - Stefan Johansson - AGS Ford - DNQ
- 9 - ITA - Michele Alboreto - Footwork Porsche - DNQ
- 12 - GBR - Julian Bailey - Lotus Judd - DNQ
- 35 - BEL - Eric van de Poele - Lambo-Modena Lamborghini - DNPQ
- 34 - ITA - Nicola Larini - Lambo-Modena Lamborghini - DNPQ
- 31 - POR - Pedro Chaves - Coloni Ford - DNPQ
- 14 - FRA - Olivier Grouillard - Fondmetal Ford - DNPQ
Esses foram os pilotos que participaram do fim-de-semana de GP
Volta Mais Rápida: Nigel Mansell - 1:20.436 - Volta 35
Curiosidades
- 502º GP
- XX Grande Prêmio do Brasil
- Realizado no dia 24 de março de 1991, em Jacarepaguá
- 28º vitória de Ayrton Senna
- 88º vitória da McLaren
- 210º pódio da McLaren
- 60º vitória do motor Honda
- 30º melhor volta do motor Renault
- 50º GP do motor Judd
- MELHOR PILOTO: Ayrton Senna
- SORTUDO: Ayrton Senna
- AZARADO: Maurício Gugelmin
- SURPRESA: N/H
Ayrton Senna guiou de forma magistral, mostrando que não era mais o mesmo Ayrton que havíamos conhecido na década de 80, muitas vezes sem cabeça em determinadas situações. O brasileiro ainda contou com a sorte que todo o campeão deve ter, resistindo à dois pilotos que sofriam de problemas semelhantes. Gugelmin tinha tudo para marcar pontos com sua Leyton House, mas o incidente no Warm-Up estragou qualquer possibilidade de festa em Interlagos.
- 1 - BRA - Ayrton Senna - McLaren Honda - 20pts
- 27 - FRA - Alain Prost - Scuderia Ferrari - 9pts
- 6 - ITA - Riccardo Patrese - Williams Renault - 6pts
- 20 - BRA - Nelson Piquet - Benetton Ford - 6pts
- 2 - AUT - Gerhard Berger - McLaren Honda - 4pts
- 4 - ITA - Stefano Modena - Tyrrell Honda - 3pts
- 3 - JAP - Satoru Nakajima - Tyrrell Honda - 2pts
- 30 - JAP - Aguri Suzuki - Lola Ford - 1pt
- 28 - FRA - Jean Alesi - Scuderia Ferrari - 1pt
Campeonato de Construtores:
- GBR - Honda Marlboro McLaren - McLaren Honda - MP4/6 - SEN/BER - G - 24pts
- ITA - Scuderia Ferrari - Ferrari - 642 - PRO/ALE - G - 10pts
- GBR - Camel Benetton Ford - Benetton Ford - B190B - MOR/PIQ - P - 6pts
- GBR - Canon Williams Team - Williams Renault - FW14 - MAN/PAT - G - 6pts
- GBR - Braun Tyrrell Honda - Tyrrell Honda - 020 - NAK/MOD - P - 5pts
- FRA - Larrousse F1 - Lola Ford - LC91 - BER/SUZ - G - 1pt
Imagens tiradas do Google Imagens - F1-History.deviantart.com - GPExpert.com.br
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