quinta-feira, 30 de abril de 2015

Esquecido - For Roland


Naquela época não existiam redes sociais para postarmos em grupos de F-1 #ForRoland, por isso era mais simples colocar apenas For Roland no carro, do que colocar um nome em um sinal que mais conheço de "jogo da velha". A Simtek colocou a frase For Roland em seu carro, coisa que atualmente é repetida pela Manor colocando JB17, mas agora com o hashtag.

Quero hoje falar um pouco sobre Roland Ratzenberger, isso mesmo, aquele que morreu um dia antes de Senna, e que é um dos pilotos falecidos mais esquecidos da história, tudo por duas coisas, a importância dele, e que morreu no dia seguinte. O austríaco já era velho quando entrou na F-1, tinha a mesma idade de Ayrton, 33, e alguns registros dizem que ele nascera em 1962, mas sem clareza.


Li tantas histórias hoje sobre esse austríaco, a ponto de temer coloca-las por achar falsa, mas vou contar uma que vi em um comentários, mas como eu disse, não sei se é verdadeira. Durante uma corrida em Fuji, ele ajudou o seu colega que havia capotado tão fortemente que seu capacete havia sido desintegrado, e ainda por cima ajudou um jornalista a escrever um artigo sobre esse acidente...

Agora, depois disso, vou falar sobre as suas três provas na categoria na qual ele amava tanto. Com um carro fraquíssimo em mãos, e por cinco corridas, Roland queria aproveitar ao máximo sua chance na F-1. Sua primeira chance foi no circuito de Interlagos, onde teve sua primeira desilusão na categoria, foi o único piloto que marcou tempo á não se classificar, após tomar 6.745s do tempo do pole, Ayrton Senna. Para sua maior tristeza, ele ainda tomara mais de 1s de seu companheiro, David Brabham.


Depois dessa desilusão, se passaram três semanas até o próximo GP, em Aida no Japão, o primeiro GP do Pacífico. Para sua sorte, os carros da Pacific eram lentos demais para conseguirem se classificar, dando a chance que ele queria, ficar fora dos 107%. No primeiro treino ele foi o único á não marcar tempo, e no segundo fez 1:16.536, agora quase 2s mais lento do que Brabham. Mesmo assim, esse tempo ainda estava dentro do limite dos 107%, e mais uma vez, para sua sorte, ninguém dos líderes melhoraram seu tempo.


No domingo, Ratzenberger largaria na última colocação, mas aquele já era um sonho se tornando realidade, mesmo com um carro tão ruim como aquele Simtek, que pelo menos superava a Pacific. Na corrida, ele vê vários abandonos acontecerem na sua frente, dando a ele a chance de beirar o TOP Ten, coisa que ele fez após completar as 78 voltas possíveis dele. Roland havia terminado seu primeiro GP, mais uma conquista, agora o próximo passo era pontuar, uma coisa tão impossível como ver uma Life correr alguma prova.


Mais duas semanas depois, e ele chegava para o GP de San Marino em Imola, era metade do caminho andado em sua temporada na Simtek. Na sexta o primeiro susto no fim-de-semana, o acidente de Barrichello tira o brasileiro da prova. Aquilo nada abala Ratzenberger, que voltaria a correr na manhã seguinte, para caçar a chance de correr novamente no domingo.

Dia 30 de abril de 1994, outro dia ensolarado em Imola, que prometia ver outro espetáculo nos treinos com a batalha de Senna e Schumacher pela pole. Roland era apenas um coadjuvante em uma equipe estreante, e por isso não era tido como nenhuma provável surpresa. Em busca de seu melhor tempo o austríaco roda na Acque Minerali, danificando a asa dianteira de sua Simtek número 32.


Depois de danificar a sua asa, Ratzenberger seguiu na pista ao invés de parar para trocar, e com isso.... logo depois que contornou a Tamburell, a asa se soltou de seu carro, fazendo ele perder downforce antes de contornar a Villeneuve, coisa que ele não conseguiu, passando reto e batendo á 315Km/h na barreira de concreto, o impacto fez o motor explodir e o carro se desintegrar, a ponto de podermos ver até o braço do austríaco, que quase morrendo já começa a fazer movimentos de cabeça.


Além disso, era possível também perceber a gravidade do acidente, também pelas manchas de sangue em seu capacete. Logo o Dr Sid Watkins chegou ao local e começou o processo de resgate ao piloto, que foi reanimado sem sucesso. As cameras do mundo inteiro mostravam os paramédicos pressionando a região do coração do austríaco, que já estava morto. Querendo que a prova acontecesse no dia seguinte, mandaram anunciar a morte de Roland apenas no hospital Maggiore em Bolonha, que recebia seu segunda paciente em dois dias, e esse não era o último.


Segunda a legislação italiana, quando alguém morre em alguma corrida de automóvel, a prova precisa ser cancelada, coisa que não aconteceu em Imola e nem em Monza, no ano de 2000 quando um fiscal faleceu após ser atingido por uma roda. Lá acabava o sonho do austríaco, que morreu com 33 anos, mesma idade de Senna, que também era canhoto...


Para a piorar as coisas, a Simtek nem sequer se retirou da corrida, coisa que a Ferrari fez no GP da Bélgica de 1982, quando Gilles Villeneuve morreu, também nos treinos. A única coisa que a equipe fizera, foi colocar uma faixa com as cores do capacete de Ratzenberger escrito: For Roland, uma homenagem tão pequena perto do que faria por Ayrton.

E para entristecer ainda mais, no enterro de Roland, apenas Max Mosley, Niki Lauda, Gerhard Berger, Johnny Herbert, Heinz-Harald Frentzen e Karl Wendlinger compareceram, sinalizando o que estava por vim nos anos seguintes, o esquecimento desse herói que se chamava Roland Ratzenberger. O austríaco morreu fazendo aquilo que gostava, sem pressão nenhuma por resultados, apenas fazendo o que gostava de fazer.


Na minha opinião, foi um dos piores acidentes da história do automobilismo, não pela importância, e sim pela própria batida, que foi claramente maior do que a de Senna, que infelizmente ofuscou Roland, especialmente aqui no Brasil, na qual a maior parte da imprensa coloca: Sexta: Acidente do Rubinho; Sábado: Morte de um Piloto; Domingo: Morte de Ayrton Senna. Muitos, nem sequer se lembram daquele austríaco, e até mesmo hoje, nos sites de notícia, não via nenhum post relacionado á ele, tirando aqueles focados no automobilismo...

Esse é o meu texto de hoje, que foi escrito com a musica "Show Must Go On", da Queen, mostrando o que aconteceu, não só no dia seguinte, mas nos anos e nas décadas seguintes, o show precisa continuar, independentemente do acontecimento seja bom ou ruim. Essa é minha pequena homenagem á Ratzenberger, o esquecido da F-1, aquele que morreu antes de Ayrton...

Vá com Deus, Roland...

Imagens tiradas do Google Imagens

4 comentários:

  1. Naada a ver mano ele foi muito mais lembrado por morreu no mesmo fim de semana, sempre eles falam sobre a morte dele que esta ligada com a do Senna, queria ver se ele viesse a morrer em outro fim de semana se alguém ia lembrar

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    1. Parabéns então! Você muito provavelmente é um fã de F-1, mas no quesito esquecido, eu quero dizer para as outras pessoas, que lembram de Senna e não de Ratzenberger. E se ele tivesse morrido em outro fds, ele teria mt mais importância do que morrer no mesmo fds do maior ídolo brasileiro

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  2. Caro Vitor Veine,
    Senna estava com 34 anos quando faleceu; não 33.
    Alguns integrantes da equipe Simtek reuniram-se com os pais de Ratzenberger após o anúncio da morte do piloto. Os pais de Ratzenberger falaram que achavam o piloto austríaco gostaria se a equipe colocasse o outro carro para largar na corrida.

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    1. Eu coloquei 33 porque Senna começou o ano com 33 anos, eu sei que ele tinha 34 quando morreu, mas na hora que eu disse a mesma idade, estava querendo dizer que nasceram no mesmo ano :)

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