sábado, 17 de junho de 2017

50 anos - A tragédia de Caserta


Há 50 anos, a Itália, mesmo sendo uma histórica potência no automobilismo, tinha apenas três circuitos permanentes em seu território, o de Monza, o de Vallelunga e o de Enna-Pergusa. Essa situação colocava a Fórmula 3 Italiana, uma das mais renomadas da Europa, para correr em circuitos de rua espalhados pelo país, dentre eles os de Imola, Mugello e, um desconhecido para nós, no momento, Caserta.

Localizada à norte de Nápoles, a pequena comuna italiana tem, como principal ponto turístico, um palácio construído por Carlo VII di Napoli (também conhecido como Carlos III da Espanha) no século XVIII. 

Quase duzentos anos depois, já no séc XX, a prefeitura local decidiu realizar uma prova automobilística ao sul do Reggia, formando um desafiador triangulo onde curvas cegas eram comuns em meio à tantos edifícios. O sucesso foi imediato. A corrida em Caserta era popular entre todos os moradores da cidade, que se amotinavam aos arredores da pista para acompanhar os pilotos e suas máquinas. 

Passada a II Guerra Mundial, o automobilismo começou a evoluir. Todos os circuitos de rua tinham seus próprios boxes e arquibancadas, que davam conforto às equipes e ao público. A evolução também era visível nos carros, que a cada ano estavam mais rápidos ao mesmo tempo que nenhuma mudança era feita em nome da segurança. Para se ter uma ideia, não havia um corpo médico especializado e pronto para qualquer emergência nem na Fórmula 1, quem dera para as categorias menores...


O circuito de Caserta não era exceção em colocar apenas fardos de feno ao redor de seu traçado, deixando ainda muitos pontos sem qualquer proteção além de um muro, que separava os edifícios da calçada. Naquela altura, todos os anos, a Fórmula 3 Italiana dava um jeito de passar pela cidade, colocando jovens pilotos e milhares de pessoas em risco.

Há exatos 50 anos, num 18 de junho, a categoria estava na comuna para a realização da XVII Coppa d'Oro Pasquale Amato. Num grid que, entre tantos nomes desconhecidos, ainda apresentava Ernesto Brambilla, Andrea de Adamich, Silvio Moser, Clay Regazzoni e Giacomo Russo (de codinome Geki). Para a prova, poucos voluntários se apresentaram para assumirem o posto de fiscais, enquanto alguns soldados eram chamados para conter o público de invadir a pista.

Não encontrei registros de como fora a largada e quem estava liderando as primeiras voltas. O que pode ser visto é que, na sétima volta, o jovem suíço Beat Fehr se envolveu num acidente com Andrea Saltari, que fraturou a perna, na entrada da Via Domenica Mondo, onde a pista se reduzia à meros 6 metros de largura e era cercado por muros de pedra. Para piorar, do lado interno da curva, estava uma das filiais da ENEL (companhia elétrica italiana).

Fehr tenta empurrar os restos de seu BT18 para fora da pista com ajuda de alguns civis, enquanto Franco Foresti se aproxima, e, para não atingir nem Fehr e nem Saltari, vai direto ao muro, espalhando uma longa macha de óleo por todo asfalto. Sem nenhum fiscal por perto, o grupo de lideres chegou muito rapidamente.


Brambilla, Maglione, Geki, Manfredini e Regazzoni escapam, mas Jürg Dubler levanta voo e para após atingir um poste. Surpreendentemente, ele saiu ileso de seu carro. Vendo a situação, Fehr passou a sinalizar desesperadamente na tentativa de alertar os outros competidores da situação. Na nona volta, Brambilla e Maglione novamente passam ilesos, mas os outros três que seguiam logo atrás não...

Tentando ganhar posições, Geki não vê Fehr e atropela o suíço. Ambos morreriam instantaneamente, enquanto o carro do italiano ainda embateria de frente num muro de pedras que antecedia a ENEL, citada anteriormente. Regazzoni e Corrado Manfredini conseguem sair ilesos, enquanto Romano Perdoni e Massimo Natili, também de forma imprudente, não diminuem a velocidade o suficiente para evitar a batida.

Natili ainda conseguiria manter o carro em condições de voltar à prova, mas Perdoni ficaria preso num bólido reduzido à ferragens. Naquela altura, o carro de Geki já estava em chamas, enquanto Dubler tentava apaga-las. Perdoni passou a ser assistido pelos outros pilotos e por soldados italianos, que foram instruídos para ligar ao resgate. Como havia apenas telefones públicos, precisou-se arranjar dinheiro para conseguir fazer um mero telefonema.

Os comissários de prova, por estarem nos boxes, não viram e tão pouco imaginavam o que estava acontecendo. O serviço de regaste demoraria a chegar, e mesmo assim não teria as ferramentas necessárias para retirar Romano Perdoni de seu de Sanctis. Uma barra tinha penetrado o joelho do italiano, que ainda estava consciente quando o carro de Tino Brambilla levantaria voo.


Brambilla e Maglione, ainda, obviamente, líderes, chegaram mais uma vez ao local do acidente, e de forma absurda, também acabariam no muro. Ambos saíram ilesos, mas Regazzoni, que tentava retirar Perdoni de seu carro, teria de se espremer na parede para não ser decapitado por Brambilla. A situação era um caos.

Muito tempo depois, Perdoni seria libertado por meio de suas próprias ferramentas, que ele sempre trazia e deixava nos boxes. Natili havia conseguido ir até lá para pega-los, alertando também a direção de prova, que interrompeu a corrida.

Em quatro voltas, mais de dez carros se envolveram no mais obscuro, bizarro e terrível acidente ocorrido numa prova de Fórmula 3 na Itália. Para piorar, Geki e Fehr morreram no local, enquanto Tiger, apelido de Perdoni, faleceria oito dias depois. Caserta havia sido palco de um incidente causado, de forma absurda, pelos próprios pilotos.

Aqueles jovens imprudentes, por se dizer no minimo, foram motivos de protestos para a supressão da edição de 1967. Nenhuma outra categoria correria no circuito de Caserta, que, como todo e qualquer circuito de rua do mundo, cairia em desgraçada com a pouca adesão dos campeonatos menores de monopostos. Poucos conseguiriam sobreviver, dentre eles Pau e Macau.

Uma imagem que representa a tragédia.

Tudo que os italianos queriam é que nada de ruim acontecesse naquele domingo, afinal, poucas semanas antes, Lorenzo Bandini havia morrido em Mônaco e Boley Pittard em Monza. De qualquer forma, o ocorrido em Caserta marcou o fim e o início de uma nova era na segurança. A Fórmula 1, numa tacada só, perdeu dois dos mais promissores pilotos da época (Fehr e Geki), e ainda poderia ter perdido Regazzoni.

Imagens tiradas do Google Imagens.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Análise: O que cerca o casamento McLaren-Honda?


Querendo ou não, estamos acompanhando um dos períodos mais vergonhosos da história da McLaren. Em sua segunda parceira com a Honda, a equipe de Woking coleciona seus piores resultados de sempre, manchando carreiras tão importantes como as de Ron Dennis, Fernando Alonso e Jenson Button.

Durante essa semana surgiram fortes rumores de que o casamento chegou ao fim, com McLaren cansada de receber apenas promessas dos japoneses. Caso a noticia se confirme, ela seria tão lamentável quanto rever todas as três temporadas que o casal passou junto na beira do fim do pelotão. Foram anos destruídos e pilotos totalmente prejudicados.

A evolução em 2016 era clara. Já havia avisado aqui no blog que o motor turbo da marca japonesa sofreria no início, mas que, num período de três ou quatro anos, já poderia alcançar vitórias. Talvez estivesse certo, porém nunca saberemos. No início de 2017, a Honda anunciou que mudaria a posição dos componentes de sua unidade de potência, copiando o mapa da tricampeã Mercedes. Foi um desastre premeditado...

Para piorar, nos simuladores tudo ocorre da melhor forma possível, enquanto na pista vemos apenas vexames. E, assim, a paciência da McLaren foi se esvaindo com cada declaração dos diretores da Honda. Viraram piadas no mundo inteiro para, de repente, jogarem tudo fora e voltar à apostar nos motores Mercedes, na mesma altura em que Fernando Alonso afirmou que sairá da equipe caso não vençam até setembro.


A situação é crítica. Ainda não é uma notícia confiável, porém a crise é tão grande que qualquer movimento em falso pode causar consequências extremamente desagradáveis. Se a equipe trocar de fornecedor, quem garante que o Honda não consiga evoluir surpreendentemente em 2018? E se Alonso deixar a equipe, quem diz que a McLaren não possa vencer com os motores Mercedes?

Vale lembrar dois outros grandes e importantes detalhes. Primeiro: a Sauber se tornará a segunda equipe cliente da Honda em 2018, o que deixará a marca japonesa com quatro carros para a coleta de dados; E segundo: Renault tem tudo para evoluir nas próximas duas temporadas. Mas o que a equipe francesa tem com o casamento?

Pois bem, Max Verstappen já disse que se sente preocupado com o futuro da equipe Red Bull, mais precisamente para 2018, quando seu contrato acaba. Porém há um detalhe pouco comentado. Por ser uma equipe de fábrica, a Renault recebe toda e qualquer boa atualização de seus equipamentos na mais breve corrida possível, enquanto a Red Bull, cliente dos franceses, tende a receber apenas duas ou três etapas depois. É algo abismante para uma equipe tão importante. E como a Honda não tem equipe própria...

Não surgiram quaisquer rumores que fizessem esse tipo de ligação. Mas já adianto que não me sentiria surpreendido em ver uma parceria entre Red Bull e Honda nos próximos anos. É um tanto quanto impossível no momento, porém lembre-se, Nico Rosberg anunciou sua aposentadoria apenas cinco dias depois de ser campeão do mundo.


Ainda falando em Renault, Jolyon Palmer está com a corda no pescoço. O teste de Robert Kubica foi surpreendente, e a própria equipe já diz que o polonês tem ritmo suficiente para voltar à Fórmula 1. Nesse contexto, diversos jornais estadunidenses dão como certa a saída de Palmer em agosto. Mas quem poderia o substituir? Seria mesmo Kubica ou... Fernando Alonso?

O espanhol, como já citado, deve deixar a McLaren em setembro, um mês depois de uma possível demissão de Palmer na Renault. Em ambos os casos, Nico Hülkenberg teria um companheiro que realmente pudesse fazer companhia nos Q3s e top tens. Os próximos meses de uma silly season, que há pouco começou, serão muito movimentados...

Além do mais, retornando à McLaren, tenho outra coisa para te lembrar, caro leitor. No início do ano, histórias de que a BMW poderia retornar, como fornecedora, começaram a se tornar badaladas, especialmente nos arredores de Woking. A equipe inglesa desmentiu, e uma volta da marca alemã parece muito distante, especialmente com sua participação em outra importante categoria de monopostos, a Fórmula E.

Mas, novamente, quem garante que não aparecerá um "oi sumida" para a BMW até o fim de 2017?

Imagens tiradas do Google Imagens.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Análise: Guerras declaradas


Até que, para uma corrida que após as primeiras voltas já sabíamos quem seria o vencedor, o GP do Canadá de 2017 foi ótimo. Lewis Hamilton, tal como Vettel na última etapa, não teve nenhum adversário à altura na disputa pela vitória. Enquanto Valtteri Bottas não conseguia se aproximar, talvez já fazendo papel de escudeiro, Verstappen e Ricciardo sofriam com equipamentos pífios se comparados com dos líderes.

Apesar da importância que a prova tomou após os problemas de Sebastian Vettel na largada, não seria apenas o fato do alemão ter recuperado posições de quase meio grid que estaria nas manchetes no dia seguinte. O controverso incidente entre os pilotos da Force India recebeu grande destaque, afinal, Esteban Ocon tinha chances claras de chegar ao pódio.

Vamos começar a analisar pelo fim-de-semana do vencedor, o vice-líder Lewis Hamilton. Mesmo com um domingo fácil, sem ter sua vitória ameaçada, o inglês tirou a pole position da cartola. Nos dois dias de treinos a Ferrari era claramente mais rápida do que a Mercedes, e o sonho de se igualar com Ayrton Senna no número de poles ficara mais distante para o tricampeão.

Porém, com um mesmo brilho do brasileiro, Hamilton conquistaria surpreendentemente o melhor tempo em sua melhor performance de todo fim-de-semana. O que seguiu não há como se explicar. Não era um capacete que realmente foi utilizado por Senna, naquela altura a família só entregaria depois da corrida o original, mas mesmo assim foi um dos momentos mais marcantes da temporada, que simboliza a paixão que o inglês tem pelo seu ídolo.


Enquanto seu companheiro disputa pelo título, Valtteri Bottas, cada vez mais, assume papel de escudeiro, não ameaçando de forma pífia Lewis Hamilton. É uma pena que, até esse momento do campeonato, o finlandês esteja 39 pontos atrás do britânico. Chega a ser um absurdo para um piloto que era tão promissor nos tempos de Williams. Porém, há de se esperar por uma recuperação de Bottas. Caso ela não venha, com performances apagadas tal como no GP do Canadá, ele já pode arrumar as malas em busca de outra equipe.

Não que a corrida do finlandês foi ruim. Mas passar Vettel, depois da largada ruim que o alemão teve, era uma obrigação que não foi seguida pelo dever de superar um carro inferior como o de Max Verstappen. A situação de Bottas não chega a ser tão ruim porque ele consegue levar o carro até o fim, garantindo bons pontos para a equipe que reassumiu a liderança no campeonato de construtores.

Se formos ver, a Ferrari teria sim condições de manter essa liderança. Os controversos momentos envolvendo Vettel e Räikkönen nas duas últimas provas deixam claro que, mais uma vez, obviamente, a escuderia italiana já tem seu preferido. Mas, diferentemente de Bottas, Kimi já provou sua capacidade em carros rápidos. É um piloto que sempre se destacou, mas desde 2014 vem sofrendo misteriosamente.

Não parece ser falta de motivação que tira o brilho do Iceman. Ele é amado por quase todos os fãs, tem uma família quase sempre presente nos autódromos e uma relação confortável com o companheiro. Assim, os maus desempenhos de Räikkönen podem se explicar pela pura falta de sorte, ou até mesmo, algumas vezes, de gana causada por outro elemento mais misterioso ainda.


Já Sebastian Vettel voltou a ter sua grande chance. Mesmo largando mal, sendo tocado por Verstappen e cair para as últimas posições, o alemão brilhou no domingo, ganhando posições atrás de posições até chegar em Räikkönen. Mais uma vez, problemas com o finlandês facilitaram a chegada do tetracampeão em Ocon, Pérez e Ricciardo, todos com estratégias diferentes e mais prejudiciais para aquele momento da prova se comparado ao do ferrarista.

Com a Force India sofrendo sob intensa briga interna, Vettel aproveitou e superou ambos os pilotos da equipe anglo-indiana, chegando na quarta colocação, poucos milésimos atrás de Ricciardo. O desempenho do piloto da Ferrari era tão bom que, se houvesse apenas outra volta, seria ele no lugar do australiano no pódio em Montreal.

Não veríamos o shoey de Patrick Stewart, mas, por sorte, Daniel Ricciardo conquistou o terceiro lugar pela terceira vez consecutiva. Enquanto Verstappen tem apenas um pódio, o australiano abre cada vez mais sua vantagem sobre o companheiro. Diferentemente do Mônaco, o piloto da Red Bull contou primariamente com a sorte para subir ao pódio. Já o holandês...

Sofrendo com a parca confiabilidade de seu RB13, Max Verstappen tem pouco tempo para brilhar. No Canadá, por exemplo, foram dez voltas na segunda posição, sobrevivendo aos ataques de Bottas. É lastimável uma equipe como a Red Bull estar numa situação dessas. É como se houvesse um outro pelotão intermediário, onde só há os austríacos.


Na abertura do verdadeiro pelotão intermediário, a Force India está longe de ser ameaçado por aqueles que seriam seus principais rivais. Enquanto Renault e Williams correm com apenas um piloto, a Toro Rosso não tem condições de acompanhar o ritmo da equipe indiana. Porém isso não é motivo para se perder pontos que podem se tornar tão essenciais no fim do campeonato.

Apesar da inteligente estratégia colocar Esteban Ocon na briga direta pelo pódio, tudo foi por água abaixo com Sérgio Pérez relutando, de forma corajosa, em ceder a posição. Taxado como egoísta, o ex-McLaren agiu de maneira suja com seu companheiro ao, claramente, não dificultar a passagem de Vettel e, múltiplas vezes, fechar a porta de Ocon.

Mesmo com as críticas, acredito que o mexicano fez certo, com exceção da facilidade com que o atual líder o superou na chicane que antecede a reta dos boxes. Estava torcendo por Ocon, afinal, ele se tornaria o segundo piloto mais jovem ao subir ao pódio (caso superasse Ricciardo) e o primeiro francês desde Grosjean em Spa-Francorchamps, em 2015, a conseguir tal feito.

Porém, é de se observar os erros que o jovem francês cometera. Ao invés de atacar depois do Muro dos Campeões, ele preferiu sempre forçar logo após o hairpin, não tendo tempo para colocar mais de meio carro na frente de seu companheiro. Foram erros de estreante. Mas que ainda sim não ofuscam a qualidade de Ocon, que, como lembrando muitas vezes, fora campeão da Fórmula 3 e da GP3 antes de estrear pela Manor no ano passado.


Do resto do grid, pouca coisa a se comentar. Carlos Sainz Jr tomou uma atitude admirável e de grande simbolismo ao se desculpar, pelo Twitter, com Romain Grosjean e Felipe Massa. O francês estava no ponto cego do espanhol, e isso era claro. Para um piloto jovem e com tanto potencial, Sainz já se mostrou um ótimo esportista.

Já Kvyat cometeu um tremendo erro de quem não sabe as regras da Fórmula 1. É vergonhoso saber que o russo não alinhou na última posição por não saber ou pela equipe não tê-lo avisado. Afinal, estão avisando até quando há algum carro mais rápido logo atrás. Para quem não sabe, os retrovisores servem exatamente para isso. De nada!

Palmer, Ericsson, Magnussen, Vandoorne e Wehrlein tiveram desempenhos apagados. Enquanto isso, Nico Hülkenberg fazia de tudo para conquistar um ótimo oitavo posto numa pista em que carros de motor Renault estão longe de serem os mais rápidos. Outro homem que sofreu pela incapacidade de sua unidade de potência foi, para variar, Fernando Alonso.

Após anunciar que sairá da McLaren em setembro caso não vençam uma corrida, o espanhol preferiu acompanhar a prova da IndyCar no Texas ao invés de ver seus mecânicos vencerem a corrida de canoas, pela primeira vez realizados depois de anos de hiato. A situação parece se piorar a cada dia. Quando abandonou, Alonso era décimo colocado, indo em busca de SEUS PRIMEIROS pontos na temporada. Isso, você não leu errado. O bicampeão ainda está zerado. Talvez tenhamos nos esquecido disso após sua performance na Indy 500...


A cada dia mais irônico, e muito provavelmente, devastado, Fernando Alonso parece não ter lugares para fugir em 2018. A não ser que... na Mercedes...  Bem, é meio impossível, mas como Toto Wolff falou, deixar alguém como o asturiano perambulando pelo mercado é um grande erro. Mas, se bem que temos alguém que talvez esteja atrás de seus servições. Nico Hülkenberg que o diga... lembrando que os rumores de uma possível queda de Palmer ainda em agosto aumentam a cada semana.

Por último, chegamos à Stroll e Grosjean. Mesmo depois do acidente com Sainz na primeira volta, o francês da Haas se recuperou magnificamente, superando até mesmo seu companheiro Kevin Magnussen para conquistar um importante ponto na briga interna da equipe. Apesar da recuperação, o dono da casa, Lance Stroll, ainda conseguiu superar Grosjean.

Se se intimidar, o canadense saiu da décima sétima posição para terminar em nono, conquistando seus primeiros dois pontos na Fórmula 1. Talvez, quem sabe, ele não seja tão piada dentro de seu país. Ou ainda seria? A verdade é que Stroll atingiu um feito que muitos outros pay drives jamais alcançaram: pontuar. Parabéns ao jovem...

Com os resultados da prova, Lewis Hamilton voltou a encostar em Sebastian Vettel. Valtteri Bottas se consolidou em terceiro e guerra foi declarada dentro de Force India e McLaren. No primeiro caso, ela é controlável e será boa para o público, mas no segundo... essa sim é preocupante, vexatória e triste de se acompanhar. Talvez os amores à primeira vista sejam mesmo melhores do que os outros...

sábado, 3 de junho de 2017

GP Memorável 4# - Mônaco 1984


Semanas depois do GP da França, disputado pela última vez em Dijon-Prenois, o circo estava no Principado de Mônaco, um dos lugares mais glamorosos do mundo. Porém, nem tudo era uma maravilha para a ACM e Michel Boeri. Jean-Marie Balestre havia lançado um ultimato após a organização vender seus direitos de transmissão para a ABC americana, sendo assim, parcela do rendimento econômico do evento também.

Duro, Balestre ameaçou a presença do GP de Mônaco no calendário. Para evitar que isto acontecesse, o Príncipe Rainier III fez uma queixa ao tribunal da FIA. As coisas começam a esquentar. Um dia antes do primeiro treino livre, o julgamento acontecesse sem dar resultados... mesmo assim, a corrida acontecerá. Além do problema com os organizadores, Baleste está envolvido em polêmicas com os jornalistas.

Na tentativa de se reconciliar, o francês janta com Bernard Cahier e Gérard Crombac. No Mônaco, o presidente da FISA volta a fazer caridade em seu nome perto dos jornalistas, agora no Hotel Hermitage de Monte Carlo, no tradicional banquete de gala oferecido pela Marlboro. Os mais brincalhões, mais uma vez, apresentaram os vencedores da laranja (de piloto mais simpático) e do limão (de menos simpático). Patrick Tambay levou a laranja e Keke Rosberg o limão, não gostando nada.


Renault, Ligier e Lotus apresentam novos turbos, que melhoram o desempenho de seu V6 nas pistas mais lentas. Recuperado do acidente em Dijon-Prenois, Derek Warwick deve correr no Mônaco. Na McLaren, os novos turbos da TAG-Porsche chegam, enquanto, na Ligier, a Elf traz um combustível diferente daquele usada em etapas anteriores. Thierry Boutsen deve correr com o A7 turbo em Mônaco, enquanto Surer fica renegado ao A6. Sem patrocinadora no carro de Martin Brundle, a Tyrrell assina com a Yardley.

Na Brabham, Corrado Fabi substitui seu irmão Teo, que está correndo na IndyCar. Para resolver os múltiplos problemas ainda existentes com o motor BMW, Gordon Murray faz diversas mudanças para dar à Nelson Piquet a chance de uma vitória em Mônaco. Já Ayrton Senna recebe os novos motores Hart, equipados com um sistema eletrônico de injeção e quatro injetores por cilindro, o que melhora a resposta do L4. A Candy ainda daria mais apoio financeiro à crescente Toleman.

Como de costume, apenas vinte carros largariam no Mônaco, colocando a presença de sete bólidos em cheque. Sem nenhum rival à altura, Alain Prost cravou a pole position antes de ver um surpreendente Nigel Mansell quase o supera-lo. Foram apenas 0,091s de diferença. A segunda fila era composta pelos ferraristas, com Arnoux em terceiro e Alboreto em quarto, e a terceira pelos carros da Renault, Warwick em quinto e Tambay em sexto.


Apesar de bater com Patrese, Andrea de Cesaris conseguiu ser o sétimo mais rápido. Niki Lauda, que foi atrapalhado por Mauro Baldi, era apenas oitavo colocado. Com problema no turbo BMW, Nelson Piquet foi nono, logo a frente de um insatisfeito Keke Rosberg. Com problemas de sobreviragem, Elio de Angelis era décimo primeiro. Partindo da décima segunda posição, Manfred Winkelhock precisou da ajuda de Willy Dungl, terapeuta de Lauda, para se recuperar das dores que sentia nos ligamentos do ombro esquerdo após sofrer forte acidente no Casino Square.

O melhor da Toleman, Ayrton Senna era décimo terceiro, ao lado de Riccardo Patrese. Corrado Fabi, também com problemas em seu BMW, foi décimo quinto, com Jacques Laffite, François Hesnault e Johnny Cecotto logo atrás. Restando apenas duas vagas no grid, a forca era enorme. Eram nove carros disputando aquele lugar: Brundle, Bellof, Surer, Boutsen, Baldi, Alliot, Palmer, Ghinzani e Cheever.

Diferentemente do que acontecera nos anos anteriores, o motor Cosworth não se sobressaiu no sinuoso circuito de Monte Carlo. Piercarlo Ghinzani, com seu turbo da Alfa Romeo, conseguiu o décimo nono posto, enquanto o último lugar seria disputado por Brundle, Bellof e um problemático Cheever, que sofre com o V8t de seu Alfa Romeo.


Sem poder se qualificar, deixando o caminho aberto para um dos pilotos da Tyrrell, Eddie Cheever não corre em Monte Carlo. Stefan Bellof marcaria 1:26.177, conseguindo o vigésimo lugar. Depois de uma melhor primeira parcial, em relação ao seu companheiro, Martin Brundle caminha para qualificação. Na entrada da Tabac, o inglês perde o controle de seu Tyrrell e impacta fortemente o guard-rail do lado de fora.

Em choque, Brundle é rapidamente socorrido pelos fiscais de pista. Ainda querendo a vaga de Bellof, ele retorna à garagem e entra no carro reserva, mas Ken Tyrrell desliga o 012 antes que o inglês pudesse arrancar. Com muita sorte, o alemão consegue se qualificar, se beneficiando dos problemas de seu companheiro e da Alfa de Cheever.

No sábado, a prova de Fórmula 3 seria vencida por Ivan Capelli, seguindo por Gerhard Berger e James Weaver. Também participaram da corrida: Tommy Byrne, Allen Berg, Franco Forini, Frabrizio Barbazza, David Hunt, Adrian Campos, Pierre-Henri Raphanel, Claudio Langes, Johnny Dumfries, Luiz Pérez Sala e Paolo Barilla.


No domingo, a previsão de concretizou. O céu caiu em Monte Carlos. As nuvens cobriam as montas em volta do Principado, dando indicação que a chuva não deveria parar pelo resto do dia. De manhã, Lauda foi o mais rápido do Warm-Up e, de tarde, também seria o mesmo Lauda a pedir a Bernie Ecclestone para que molhassem a pista dentro do túnel. A largada foi atrasada em vinte minutos, mas a chuva não diminuiu.

Na Toleman, uma aposta arriscada para a corrida de Ayrton Senna. Os mecânicos encheram apenas dois terços do tanque, acreditando que a prova acabaria no limite de duas horas. Caso isso aconteça, o brasileiro pode ser a grande surpresa da corrida. Lá na frente do grid, Jacky Ickx, que foi convidado para ser diretor de prova, e Derek Ongaro sinalizam que a prova deve começar.

A largada é conturbada. Prost mantém a liderança com Mansell em segundo. Apontando na terceira posição, Warwick seria jogado por Arnoux na barreira de pneus. Sem conseguir desviar, Patrick Tambay atingiu em cheio seu companheiro. Patrese e de Angelis também ficariam com seus caminhos obstruídos, mas conseguiriam retornar à prova.


de Cesaris também danificou seu carro na confusão, abandonando. Warwick sairia mancando de seu carro, enquanto Tambay precisou ser carregado pelos fiscais após fraturar uma das pernas. Prost lidera com Mansell em segundo, Arnoux em terceiro, Alboreto quarto, Lauda quinta, Rosberg sexto, Winkelhock sétimo, Laffite oitavo, Senna nono e um surpreendente Stefan Bellof na décima posição, tendo superado meio grid em apenas uma volta!

Logo na segunda volta, Johnny Cecotto roda e abandona na Sainte-Dévote. Senna supera Laffite e sobe para oitavo, enquanto Lauda toma o quarto posto de Alboreto na Loews e tenta se aproximar de Arnoux. Prost e Mansell escapam à frente, enquanto Piquet está nas últimas posições. Perdendo muitas posições, Corrado Fabi agora é último, com um surpreendente François Hesnault que, mesmo sem asa dianteira, ganha posições, ataca Riccardo Patrese. O resultado era inevitável: o italiano é tocado e deve vir aos boxes para reparar os danos.

Lauda supera Arnoux na Beaurivage, enquanto Senna passa Winkelhock e Bellof toma o nono posto de um cauteloso Laffite. Na volta seguinte, Hesnault vai reto na Saint-Dévote, escapando por sorte de um terrível acidente. O francês consegue voltar à pista sem perder muitas posições. No giro nove, Alboreto roda na Mirabeau e cai para a última posição.


Laffite para nos boxes para trocar os pneus - o francês pensa ter um deles furados. Seu companheiro, Keke Rosberg sofre com a pressão de Ayrton Senna, enquanto, lá na frente, na volta dez, Alain Prost atinge um comissário que havia pulado o guard-rail para empurrar Corrado Fabi de volta à corrida. Por sorte o francês estava lento, ferindo levemente uma das perdas do comissário. Aproveitando-se do incidente, Nigel Mansell assume a ponta.

Sem chances de voltar, Fabi abandona. Atacando Rosberg, Senna erra na chicane e sobe na calçada, danificando sua suspensão. De qualquer forma o brasileiro conseguiria superar o finlandês duas voltas depois, enquanto, mais atrás, François Hesnault finalmente abandonava com problemas elétricos. Na vigésima quarta volta, Ayrton passa Arnoux e já é quarto, para surpresa de todos.

Nessa altura, Nigel Mansell é o mais rápido em pista, com Lauda já sendo perseguido por Senna. Na volta dezesseis, o líder da prova aquaplana na Beaurivage e roda, batendo no guard-rail externo. Com a suspensão traseira danificada, Mansell é superado por Prost e para na Loews. É o fim de corrida para o inglês, que perde sua primeira grande chance de vencer na Fórmula 1.


Na décima primeira posição, Nelson Piquet também abandona com problemas elétricos em seu motor BMW. E, finalmente, Stefan Bellof conseguiria superar Manfred Winkelhock para assumir o sexto posto. Surpreendentemente, Ayrton Senna era terceiro, atrás apenas dos carros da McLaren, sendo Niki Lauda pressionado pelo brasileiro.

Com dificuldades na quarta posição, Arnoux é atacado por Rosberg e Bellof. Na volta dezenove Ayrton Senna finalmente supera Lauda e o ultrapassa de forma incrível antes da Sainte-Dévote. O jovem piloto da Toleman era agora segundo colocado! No mesmo giro, de Angelis passou por Ghinzani e assumiu o oitavo posto.

Logo depois, Bellof ultrapassa Rosberg e vai à caça de Arnoux, que já tem em sua visão a McLaren de Lauda. Se aproximando do finlandês da Williams, Winkelhock forçou sua passagem e acabou rodando. Era o fim de prova para o alemão da ATS, que, tal como seu compatriota, ia fazendo um ótimo trabalho.


Na volta seguinte, Lauda roda no Casino Square e deixa seu motor apagar, abandonando a corrida enquanto era terceiro. São pontos perdidos na disputa pelo título com Prost, que ainda é líder. Escalando o pelotão, Alboreto passa Ghinzani e é sétimo. No vigésimo quarto giro, Senna faz a melhor volta da prova, enquanto Arnoux é atacado por Bellof.

Patrese para perto do túnel com problemas na volta vinte e seis. Depois disso, Bellof tenta superar Arnoux na Beaurivage, mas o francês não deixa espaço. Na Mirabeau, novamente, o alemão vai para o ataque e finalmente passa pelo ferrarista, que fechou tanto a porta que obrigou Bellof à subir na calçada.

Tirando três segundos por volta de Alain Prost, Ayrton Senna vira favorito à vitória. Pela primeira vez, Stefan Bellof é o mais rápido em pista, mas por pouco tempo. As duas surpresas do dia dividem as melhores voltas entre si, com ambos se aproximando do líder Prost. Apenas nove carros continuam na pista, dentre eles um Osella, que está próximo das posições pontuáveis.


Na trigésima primeira volta, Prost sinaliza para os comissários pedindo a interrupção da prova. Jacky Ickx aparece com uma bandeira vermelha à beira da pista, enquanto outro funcionário da direção da corrida surge com a bandeira quadriculada, indicando que isto poderia ser o fim da corrida. Se arrastando na pista, Prost não seria o primeiro a cruzar a linha de chegada após encostar na saída dos boxes.

Senna cruzara na primeira posição, passando a comemorar aquela que poderia ser sua primeira vitória. Quando chegou aos boxes o brasileiro descobriu que havia sido apenas segundo colocado, pois segundo o regulamento, em caso de paralisação, o que sempre vale é a volta anterior. Há muita confusão. Muitas pessoas que não viram a bandeira quadriculada vão até a torre de controle para perguntar quando é a relargada.

Não havia sentido aquela interrupção. A baixa velocidade de Mônaco significava que os acidentes perigosos eram improváveis, enquanto as marcas no asfalto e as barreiras próximas facilitavam a situação em meio à visibilidade fraca. A drenagem do circuito também era ótima, o que evitava a criação de poças d'água no meio do traçado.


Parar a prova naquela circunstância criou inúmeras discussões. A Confederação Brasileira de Automobilismo criticou veemente a postura de Jacky Ickx, ligando sua equipe no WSC ao motor que Prost utiliza. Teria o belga beneficiado o francês só pelo fato dele correr com um TAG-Porsche? Ickx se defendeu dizendo que as condições eram perigosas demais e que mais alguém, além de Tambay e do fiscal de pista, poderiam se machucar.

Além disso, Ickx foi apontado como peça de Balestre para que se cumprissem os horários de transmissão, não deixando espaço para a realização de uma segunda bateria. O presidente da FISA, muito amigo de Alain Prost, também é dito como um dos homens que ordenou o fim da prova para beneficiar o francês. Mas isso tudo nunca se confirmou.

Há outra hipótese que sempre esteve rondando o ocorrido, mas pouco foi comentado até hoje. Jacky Ickx era companheiro de Stefan Bellof no mundial de protótipos e ambos alimentaram uma interessante rivalidade nos anos em que correram juntos. Rumores de que o belga sempre "se doeu" por não vencer, em circunstâncias semelhantes, a edição de 1972 da prova, somado ao fato dele já conhecer o estilo perigoso e arrojado de Bellof, influenciaram em sua decisão de dar a corrida por terminada, prejudicando não só o alemão, mas também Senna.


Ayrton estava convencido de que ele foi enganado. René Arnoux também fez critícas: "Isto é um ultraje! Desde o início estamos correndo nestas condições! Isso deveria acontecer só depois das duas horas!". Jacques Laffite pareceu ser o único a apoiar a decisão de Ickx.

No pódio, o Príncipe Rainier III, com uma capa de chuva cinza, recebeu apenas Senna e Prost com. O brasileiro está com a cara fechada. Bellof nunca apareceu na transmissão para receber o troféu, mas é de se acreditar que ele também não tenha visto a bandeira quadriculada, pensando que haveria outra largada, se dirigindo aos boxes e perdendo a cerimônia. Chega a ser cômica a falta de organização de um evento como o Grande Prêmio de Mônaco.

Após o pódio, Alain Prost disse: "[...] meus freios, em contato com a água, são mais difícil de controlar e tendem a travar. Quando vi Senna atrás de mim, eu não aumentei o ritmo por esse motivo. Como ele não oferece perigo para o campeonato mundial, eu prefiro ver ele vencendo e eu em segundo à arriscar e bater nos guard-rails e sair daqui em nenhum ponto. A decisão de para a corrida, portanto, é vantajosa para mim, como não poderia chama-la de sábia?"


Já Senna foi curto e grosso ao dizer que "eles me roubaram a vitória". Mas algo que o brasileiro não sabia é que sua corrida já estava perto do fim. Além do pouco combustível, que só deveria acabar depois das duas horas, ele havia danificado gravemente uma de suas suspensões, além de apresentar menores problemas nos freios e superaquecimento no seu motor Hart.

Então... quem venceria a prova? Vai ser sempre na história do "e se...", mas é de se acreditar que Stefan Bellof cruzaria a linha de chegada em primeiro. Porém, como a Tyrrell foi desclassificada de toda a temporada, René Arnoux poderia herdar a vitória, uma vez que Alain Prost e Ayrton Senna poderiam abandonar a qualquer momento.

Com os resultados, Prost abriu 10,5 pontos de vantagem para Lauda, enquanto Arnoux pulou para terceiro com 14,5 pontos. Bellof era nono, com cinco, e Senna décimo com quatro, empatado com Nigel Mansell em pontos. No campeonato de construtores, a McLaren continua na ponta, com Ferrari assumindo o segundo lugar e a Renault caindo para terceiro. Tyrrell era sexta colocada agora, com sete pontos.


RESULTADOS:
  1. 7 - FRA - Alain Prost - McLaren TAG-Porsche - 1:01:07.740s - 4,5pts
  2. 19 - BRA - Ayrton Senna - Toleman Hart - +7.446s - 3pts
  3. 4 - ALE - Stefan Bellof - Tyrrell Ford - 2pts
  4. 28 - FRA - René Arnoux - Scuderia Ferrari - +29.077s - 1,5pt / 2pts*
  5. 6 - FIN - Keke Rosberg - Williams Honda - +35.246s - 1pt / 1,5pt*
  6. 11 - ITA - Elio de Angelis - Lotus Renault - +44.439s - 0,5pts / 1pt*
  7. 27 - ITA - Michele Alboreto - Scuderia Ferrari - +1 Volta - 0pts / 0,5pts*
  8. 24 - ITA - Piercarlo Ghinzani - Osella Alfa Romeo - +1 Volta
  9. 5 - FRA - Jacques Laffite - Williams Honda - +1 Volta
  10. 22 - ITA - Riccardo Patrese - Alfa Romeo - Direção - OUT
  11. 8 - AUT - Niki Lauda - McLaren TAG-Porsche - Rodada - OUT
  12. 14 - ALE - Manfred Winkelhock - ATS BMW - Rodada - OUT
  13. 12 - GBR - Nigel Mansell - Lotus Renault - Rodada - OUT
  14. 1 - BRA - Nelson Piquet - Brabham BMW - Elétrico - OUT
  15. 25 - FRA - François Hesnault - Ligier Renault - Elétrico - OUT
  16. 2 - ITA - Corrado Fabi - Brabham BMW - Elétrico - OUT
  17. 20 - VEN - Johnny Cecotto - Toleman Hart - Rodada - OUT
  18. 16 - GBR - Derek Warwick - Renault Elf - Colisão - OUT
  19. 15 - FRA - Patrick Tambay - Renault Elf - Colisão - OUT
  20. 26 - ITA - Andrea de Cesaris - Ligier Renault - Acidente - OUT
  21. 17 - SUI - Marc Surer - Arrows Ford - DNQ
  22. 3 - GBR - Martin Brundle - Tyrrell Ford - DNQ
  23. 23 - EUA - Eddie Cheever - Alfa Romeo - DNQ
  24. 18 - BEL - Thierry Boutsen - Arrows BMW - DNQ
  25. 10 - GBR - Jonathan Palmer - RAM Hart - DNQ
  26. 21 - ITA - Mauro Baldi - Spirit Hart - DNQ
  27. 9 - FRA - Philippe Alliot - RAM Hart - DNQ
Esses eram os pilotos inscritos para a corrida
Volta Mais Rápida: Ayrton Senna - 1:54.334 - Volta 24


Curiosidades:
- 394º GP
- XLII Grand Prix Automobile de Monaco
- Realizado no dia 3 de junho de 1984, em Mônaco
- Corrida interrompida por causa da chuva
- 1º volta mais rápida de Ayrton Senna
- 1º pódio de Stefan Bellof
- 1º pódio de Ayrton Senna
- 12º vitória de Alain Prost
- 35º vitória da McLaren
- 1º pódio da Toleman
- 2º e última volta mais rápida da Toleman
- 5º vitória do motor TAG-Porsche
- 1º pole position do motor TAG-Porsche
- 1º pódio do motor Hart
- 2º e última volta mais rápida do motor Hart


  • MELHOR PILOTO: Stefan Bellof / Ayrton Senna
  • SORTUDO: Alain Prost / Martin Brundle
  • AZARADO: Nigel Mansell
  • SURPRESA: Stefan Bellof / Ayrton Senna
Surpresas e melhores da corrida, Ayrton Senna e Stefan Bellof deram show nas ruas de Mônaco, sendo os principais prejudicados pela controversa interrupção e finalização da prova. Alain Prost teve sorte inicialmente ao não perder a vitória, mas ele sentiria falta de seis pontos completos no fim da temporada. Brundle, pela segunda vez em dois anos, ficou com a cabeça por um fio, escapando com ferimentos leves de um acidente que poderia ter sido grave. Mansell, mais uma vez, "manseou" e se deu mal.



Campeonato de Pilotos**: 
  1. Alain Prost - McLaren TAG-Porsche - 28,5pts
  2. Niki Lauda - McLaren TAG-Porsche - 18pts
  3. René Arnoux - Scuderia Ferrari - 14,5pts / 15pts*
  4. Derek Warwick - Renault Elf - 13pts
  5. Elio de Angelis - Lotus Renault - 12,5pts / 13pts*
  6. Keke Rosberg - Williams Honda - 11pts / 11,5pts*
  7. Michele Alboreto - Scuderia Ferrari - 9pts / 9,5pts*
  8. Patrick Tambay - Renault Elf - 7pts / 8pts*
  9. Stefan Bellof - Tyrrell Ford - 5pts
  10. Ayrton Senna - Toleman Hart - 4pts / 5pts*
  11. Nigel Mansell - Lotus Renault - 4pts
  12. Eddie Cheever - Alfa Romeo - 3pts
  13. Riccardo Patrese - Alfa Romeo - 3pts
  14. Andrea de Cesaris - Ligier Renault - 2pts / 3pts*
  15. Martin Brundle - Tyrrell Ford - 2pts
  16. Thierry Boutsen - Arrows BMW - 1pt / 3pts*

Campeonato de Construtores**:
  1. Marlboro McLaren International - McLaren TAG-Porsche - M - 46,5pts
  2. Scuderia Ferrari SpA SEFAC - Ferrari - G - 23,5pts / 24,5pts*
  3. Equipe Renault Elf - Renault - M - 20pts / 21pts*
  4. John Player Team Lotus - Lotus Renault - G - 16,5pts / 17pts*
  5. Williams Grand Prix Engineering - Williams Honda - G - 11pts / 11,5pts*
  6. Tyrrell Racing Organisation - Tyrrell Ford - G - 6pts
  7. Benetton Team Alfa Romeo - Alfa Romeo - G - 6pts
  8. Toleman Group Motorsport - Toleman Hart - M - 4pts / 5pts*
  9. Ligier Loto - Ligier Renault - M - 2pts / 3pts*
  10. Barclay Nordica Arrows BMW - Arrows BMW - G - 1pt / 3pts*
* Ganhou Pontos Com a DSQ da Tyrrell
** Contando Com a Tyrrell


Imagens tiradas do Google Imagens - GPUpdate.net - GPExpert.com.br

sexta-feira, 2 de junho de 2017

TOP 10 - Pilotos mais jovens a vencer na F1


A vitória de Max Verstappen no GP da Espanha de 2016 levantou uma interessante discussão que envolve a idade dos pilotos que hoje desfilam nos mais famosos autódromos do mundo. No último meio século, a idade média de um piloto da categoria caiu quase que pela metade, chegando ao extremo de vermos um piloto de apenas 17 anos estrear em 2015.

No post na qual apresentei os dez mais velhos vencedores da Fórmula 1, disse que isso [queda da média de idade] é um sinal de evolução. Porém, como tudo há um "porém", existem gigantescos pontos negativos em vermos pilotos cada vez mais jovens entrando na categoria. Jaime Alguersuari havia estreado aos 19, e, já aos 25, anunciou sua aposentadoria prematura das pistas. E isso é ou não ruim?

Apesar da clara falta de experiência, pilotos mais jovens vem sofrendo cada vez mais com a pressão de serem consideradas uma promessa, o que tende a joga-los contra si mesmos em diversas ocasiões. Antigamente, era necessário evoluir passo-a-passo para finalmente atingir o pico de sua carreira na Fórmula 1, porém, com aquilo que chamo de evolução, isto se inverteu, com o piloto passando "os melhores anos de sua vida" quando ainda é jovem e inexperiente. Quem ganha com isso são categorias como WEC e DTM, que crescem cada dia mais enquanto a F1 se afunda com sua maior necessidade: pay drivers (ou Lance Strolls da vida).

Indo direto ao ponto, quais foram os dez pilotos mais jovens a vencer na Fórmula 1 e a receber toda uma carga de pressão que podiam atrapalha-los? Eis a lista:


10º lugar: Michael SCHUMACHER - 23 anos, 7 meses e 27 dias

Como não lembrar daquele último fim-de-semana de agosto em 1992? O circo estava mais uma vez em Spa-Francorchamps, com sua movimentada Silly Season a todo vapor enquanto Nigel Mansell ainda vivia a euforia de ser campeão mundial. Após confirmar seu retorno à Ferrari, Berger não teve um bom desempenho na Bélgica, batendo nos treinos e não conseguindo largar no domingo.

Ayrton Senna até que pulou na ponta no momento da largada, mas não teria equipamento suficiente para resistir aos ataques das Williams de Mansell e Patrese. Mais atrás, Brundle iniciava uma estupenda recuperação, chegando a superar Michael Schumacher na disputa pelo quarto posto. Após as paradas, o alemão conseguiria reverter a situação, retomando a posição perdida enquanto Senna não conseguia ter uma boa performance na pista molhada.

Perto do fim, Mansell e Patrese foram aos boxes para efetuarem a última parada, retornando atrás de Schumacher que tomou a ponta. Martin Brundle até tinha ultrapassado o alemão voltas antes, mas, com estratégia diferente, seria obrigado a fazer sua parada. Agora na frente, Schumacher guiava para uma surpreendente vitória na Bélgica, conquistada aos 23 anos, 7 meses e 27 dias.


9º lugar: Jacky ICKX - 23 anos, 6 meses e 6 dias

A temporada de 1968 chegava a sua metade em Rouen, na França, onde Jackie Stewart tentaria outra ofensiva sobre Graham Hill, líder do campeonato de pilotos. Naquele fim-de-semana, a Honda decidiu estrear seu novo bólido com John Surtees, o RA301, mas, após algumas voltas, o inglês se recusaria a correr, exigindo novos testes. Como Sochiro Honda estava na França e iria acompanhar a prova, a equipe decidiu correr atrás do veterano francês Joseph Schlesser, que aceitou correr.

Nos treinos, Jacky Ickx conquistou um terceiro posto, logo atrás de Jochen Rindt e Jackie Stewart. Líder do campeonato, Hill era apenas o nono, enquanto Schlesser conseguiu qualificar-se na décima sexta colocação. A leve chuva que cairia sobre o circuito na hora da partida seria determinante para o resultado da prova.

Ickx escolhera os pneus de chuva, enquanto todos os outros arriscavam com compostos intermediários. A escolha do belga seria de bom grado, pois, ao fim da primeira volta, estaria no primeiro posto após superar Rindt e Stewart. Logo após completar o segundo giro, Jo Schlesser perde seu Honda e vai de encontro com a mureta, incendiando-se. As chamas se espalharam por toda a pista, dificultando a passagem até mesmo dos outros carros.

O socorro seria incapaz de retirar o corpo do francês enquanto as chamas iam sendo controladas, protagonizando algumas das cenas mais lamentáveis da história do esporte a motor. Aos 40 anos, Joseph Schelesser perdia a vida em sua primeira corrida de Fórmula 1.

A chuva voltaria a atormentar os pilotos durante o resto da corrida, que sequer foi interrompida para que o socorro à Schlesser ocorresse de maneira correta. Após abandonar, Graham Hill trocaria de viseira com Jo Siffert, protagonizando outra simbólica imagem daqueles tempos de Fórmula 1...

No fim, Jacky Ickx venceria seu primeiro GP aos 23 anos, 6 meses e 6 dias, se tornando o primeiro belga vencedor de Grand Prix. O triste pódio seria completado por John Surtees, companheiro de Schlesser, e Jackie Stewart, que se aproximara de Graham Hill na disputa pelo título.


8º lugar: Robert KUBICA - 23 anos, 6 meses e 1 dia

Lewis Hamilton tinha mais uma vitória em mãos no circuito Gilles Villeneuve quando o inesperado aconteceu. A luz vermelha estava acesa no final do pit lane, obrigando os pilotos que fizeram suas trocas pararem e esperarem que a luz verde fosse ativada. Assim, o inglês acabaria batendo na traseira de Kimi Räikkönen, enquanto ainda seria atingido por Nico Rosberg.

Quem escapou ileso agradeceu, sobretudo Felipe Massa, que ficava a um passo da vitória. Infelizmente, a Ferrari cometeria um erro na parada do brasileiro, obrigando-o retornar aos boxes quando a prova já tinha bandeira verde e Nick Heidfeld assumia a ponta. Sem McLaren e sem Ferrari, as equipes médias tinham sua melhor chance durante o ano.

Kubica iniciava sua recuperação enquanto Heidfeld liderava. Trulli e Glock tinham o desafio de superar ambas as Red Bull a sua frente, com Barrichello em segundo e Nakajima em terceiro. Após as paradas, a BMW Sauber colocava seus dois carros nas duas primeiras posições, caminhando para uma surpreendente dobradinha.

No final da prova, Robert Kubica se tornaria o primeiro polonês a vencer na Fórmula 1 aos 23 anos, 6 meses e 1 dia. Nick Heidfeld foi segundo com David Coulthard, conquistando seu último pódio, em terceiro. Timo Glock seguraria defenderia bravamente o quarto posto de Felipe Massa, que se contentou com o quinto lugar. Fechando os lugares pontuáveis ficaram Trulli, Barrichello e Vettel.


7º lugar: Kimi RÄIKKÖNEN - 23 anos, 5 meses e 6 dias

Fernando Alonso se tornou o primeiro espanhol a conquistar uma pole position ao marcar o melhor tempo nos treinos para o GP da Malásia de 2003, mas seria incapaz de resistir aos fortes ataques de Kimi Räikkönen. Na largada, Jarno Trulli, que partiu de segundo, foi tocado por Michael Schumacher, perdendo sua melhor chance de vitória desde então.

O finlandês da McLaren agradeceu aos problemas enfrentados pelos ponteiros, tomando a segunda colocação de Nick Heidfeld apenas duas voltas após a largada. A liderança de Alonso estava em risco. Mais atrás, o jovem Justin Wilson lutava contra as estonteantes dores no ombro, que vinha batendo de um lado e de outro dentro do cockpit após o HANS se soltar depois da primeira parada do inglês. Perto do fim, Wilson abandonaria, exausto e sem condições de se levantar do carro.

Fernando Alonso fez sua parada na volta 14, entregando a ponta para Kimi Räikkönen, que não enfrentaria dificuldades para mante-la mesmo quando fez sua troca de pneus. No fim, o finlandês conquistaria sua primeira vitória na Fórmula 1 aos 23 anos, seguido por Rubens Barrichello e Fernando Alonso no pódio malaio.


6º lugar: Lewis HAMILTON - 22 anos, 5 meses e 3 dias

Pela primeira vez na história, um negro largava na pole position de um grande prêmio da Fórmula 1. Lewis Hamilton, fenômeno da temporada, ainda não tinha vencido, mas, em Montreal, parecia que sua vez havia finalmente chegado. Isso ficou claro quando o britânico pulou pra ponta quando as luzes se apagaram, enquanto Alonso não conseguia manter a segunda posição e caia para o terceiro posto.

A corrida se manteria calma até Adrian Sutil bater num dos muros do autódromo canadense, obrigando a entrada do Safety Car. Após as paradas, Hamilton ainda se mantinha na ponta quando a prova foi reinicia - com um susto! Robert Kubica sofreu um grave acidente perto do hairpin, sendo atendido e levado ao hospital com ferimentos leves.

Quando a corrida se reiniciou, novamente, Fernando Alonso perdeu rendimento: problema nos freios. O espanhol não tinha muito o que fazer em tal situação, e era certo que ele perderia o último lugar do pódio. Felipe Massa e Giancarlo Fisichella seriam desclassificados após se envolverem num estranho incidente nos boxes, enquanto Albers e Liuzzi mudariam o destino da prova após sofrerem acidentes.

Surpreendentemente, Takuma Sato pressionava Alonso, querendo um espetacular sexto posto para a Super Aguri. Há 3 voltas do fim, o espanhol não teria condições de segurar o japonês, que andou bem durante todo o fim-de-semana. No fim, Hamilton venceria, e assumiria a liderança do campeonato, com Nick Heidfeld em segundo e Alexander Wurz em terceiro.


5º lugar: Bruce McLAREN - 22 anos, 3 meses e 12 dias

Jack Brabham, Stirling Moss e Tony Brooks chegaram à última etapa da temporada de 1959 com chances de título. Pela primeira vez o circo estaria em Sebring, realizando o primeiro Grande Prêmio dos EUA de Fórmula 1. Tentando se popularizar no continente americano, a categoria convidou Rodger Ward, vencedor da edição de 1959 das 500 Milhas de Indianapolis, para participar da prova.

Sem um equipamento decente, Ward largou em último, enquanto Moss era pole com Brabham em segundo e Brooks em quarto. Bruce McLaren era apenas o décimo colocado. Na partida, não houveram mudanças nas primeiras duas posições, mas, logo atrás, um jovem neozelandês fez fila para assumir o terceiro posto - era McLaren!

Cinco voltas depois, Moss abandonou, facilitando o caminho de Brabham em busca de seu primeiro título. Muito atrasado, Tony Brooks não tinha condições humanas para se recuperar e vencer a prova, e, consequentemente, o campeonato. Apesar disso, o final da prova foi tão emocionante quanto a decisão do título.

Na última volta Jack Brabham ficou sem combustível, pulou de seu Cooper e cruzou a linha de chegando em quarto, entregando a vitória para Bruce McLaren, que, aos 22 anos, 3 meses 12 dias, se tornou o mais jovem piloto a vencer na Fórmula 1*. 

* sem contar Troy Ruttman, vencedor da Indy 500 de 1952.


4º lugar: Troy RUTTMAN - 22 anos, 2 meses e 19 dias

Quando as 500 Milhas de Indianapolis ainda faziam parte do calendário oficial da Fórmula 1, poucos nomes do circo tentaram se aventurar nos EUA, mesmo este valendo importantíssimos pontos para o campeonato. Em 1952, pela primeira e única vez, a Ferrari inscreveu um carro para a prova. Alberto Ascari sofreu, mas mesmo assim conseguiu colocar seu bólido entre os 33 melhores.

Na corrida, surpresa! O italiano ganhou posições e já era um dos dez primeiros. Infelizmente, problemas no 375 tiraram Ascari da prova, na única ocasião em que ele não venceu naquele ano. Lá na frente, Bill Vukovich se aproximava de sua primeira vitória em Indianápolis, porém, restando nove voltas para o fim, a barra de direção de seu Kurtis Kraft ficou danificado, deixando a liderança para um jovem de nome Troy Ruttman.

Nascido em Mooreland, no estado de Oklahoma, o americano venceria aos 22 anos, 2 meses e 19 dias, mantendo este recorde até mesmo depois de sua morte, em 1997, e só perdendo-o para Fernando Alonso, em 2003, mais de 51 anos depois.



3º lugar: Fernando ALONSO - 22 anos e 26 dias

Fernando Alonso já havia conquistado sua primeira pole position na Malásia, mas o espanhol teria de esperar por quase seis meses para finalmente vencer. Também partindo da primeira fila, Alonso havia feito seu vigésimo segundo aniversário poucos dias antes daquele fim-de-semana na Hungria. Com Räikkönen e Schumacher apenas em sétimo e oitavo, respectivamente, a única maior preocupação do asturiano seria a presença de Juan Pablo Montoya.

Surpreendentemente, as Williams largaram muito mal, deixando Alonso sem nenhum rival à altura para disputar pela vitória. Sem equipamento, Mark Webber tinha a missão de apenas terminar no pódio, algo que, infelizmente, não conseguiria, graças à grande performance de Kimi Räikkönen. Enquanto Trulli e Schumacher não se destacavam, Rubens Barrichello abandonava de forma misteriosa, após uma grave quebra de sua suspensão traseira.

Ralf Schumacher e Juan Pablo Montoya recuperariam seu território perdido, mas não o suficiente para vencer Räikkönen e, é claro, Alonso, que cruzou a linha de chegada para se tornar o mais jovem vencedor da história da Fórmula 1. Pela primeira vez, o hino espanhol foi tocado no pódio. E sem dúvida não seria a última...


2º lugar: Sebastian VETTEL - 21 anos, 2 meses e 11 dias

Cinco anos depois de Alonso, uma nova sensação surgia da velha Minardi. Sebastian Vettel, de forma histórica, alinhou um Toro Rosso na primeira posição para o GP da Itália. Sem qualquer carro da Ferrari ou da McLaren nas primeira filas (exceto a presença de Kovalainen), Gerhard Berger, chefe da equipe na época, viu Sébastien Bourdais ser quarto no treino, tornando aquele molhado sábado de setembro histórico.

Por ter o melhor equipamento, Heikki Kovalainen era favorito à vitória. Com Bourdais não conseguindo largar, para desespero da equipe, toda a pressão caía, de uma vez só, nas costas de um jovem Sebastian Vettel. No primeiro GP da Itália sob chuva na história da Fórmula 1, o alemão surpreendeu a todos.

Kovalainen e Webber fracassaram na tentativa de acompanhar Vettel, que não cometeu nenhum erro, clássico de jovens pilotos, especialmente naquelas condições, enquanto Hamilton subia na classificação após largar nas últimas filas. Felipe Massa, já dentro do top eight, não conseguiria, como seu rival na busca pelo título, ganhar posições.

No fim, Sebastian Vettel venceu de forma histórica, com Kovalainen e Kubica completando o mais jovem pódio, em média de idade, da história da Fórmula 1. 23 anos e 350 dias. Seria também o primeiro e único pódio, até hoje, da Toro Rosso, que perderia no ano seguinte a figura de Gerhard Berger. 


1º lugar: Max VERSTAPPEN - 18 anos, 7 meses e 15 dias

Em sua controversa estreia pela Red Bull, Max Verstappen conseguiu a melhor posição de grid para um holandês, repetindo o feito de Jan Lammers. O quarto lugar do novo piloto da equipe austríaca nem se aproxima do que estava prestes a acontecer logo no dia seguinte. Para a surpresa de todos (só que não), a primeira fila era totalmente da Mercedes, com Hamilton, tentando se recuperar no campeonato, a frente de Rosberg.

Na largada o alemão foi melhor que seu companheiro, tomou a ponta e, depois de uma controversa fechada, foi atingido. Ambas as Mercedes estavam fora. Tanto Hamilton quando Rosberg foram parar na brita, sem chances para voltar à pista. Abalado, o inglês parecia longe de finalmente rivalizar com seu colega de equipe em 2016.

Com o caminho aberto, Red Bull e Ferrari lutaram pela vitória com seus quatro pilotos. Daniel Ricciardo, mesmo assim, não estava ameaçado de perder sua vitória. Max Verstappen, que era segundo, só viria o primeiro lugar cair do céu após o australiano fazer mais uma parada, num raro erro de estratégia da equipe de Christian Horner.

Agora sem chances de ver o australiano no pódio, Verstappen se tornou o centro das atenções para a Red Bull. Apesar da pressão de Kimi Räikkönen, o holandês de 18 anos teria a frieza de vencer sua primeira corrida por cerca de meio segundo, se tornando o primeiro piloto dos Países Baixos a conquistar tal feito na Fórmula 1. Para a surpresa de todos, um garoto, male má adulto, vencera um Grande Prêmio, se tornando também o mais jovem de todos os tempos.

Imagens tiradas do Google Imagens - F1-fanatic.com - F1-fansite.com

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Rondel

Clive Walton, Ron Dennis, Neil Trundle e Preston Anderson em 1972.

Eram trinta e seis anos apenas de McLaren. Ronald Dennis, nascido na pequena cidade de Woking em 1947, evoluiu no mesmo passo que a Fórmula 1 durante as décadas de 70 e 80. Passando de mecânico, à serviço de Jack Brabham, para se tornar líder da segunda equipe mais vencedora de todos os tempos, o inglês conquistou 7 dos 8 mundias de construtores da McLaren.

Neste dia que marca seu 70º aniversário, lembro o que esteve a fazer no início da década de 70, antes de começar seus "projetos" (piada cretina detectada!) e ser catapultado para a compra da McLaren nos anos 80.

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Depois da saída de Jack Brabham, Ron Dennis e seu amigo Neil Trundle, em 1971, decidiram criar uma equipe de Fórmula 2, que correria com velhos carros da equipe Brabham. Ainda sem patrocínio, os ingleses tiveram sorte após a namorada de Dennis conseguir, por meio de contatos, o nome de Tony Vlassopulos, que mais tarde também estaria envolvido na fundação da Token (que deu à Pryce seu primeiro ponto na Fórmula 1).

Dennis, Schenken e Trundle

Com ninguém mais do que Graham Hill na equipe, Trundle e Dennis (a junção de seu nomes criou o nome da equipe: Rondel) viram a primeira vitória vir logo na segunda corrida, em Thruxton. A evolução do time era grandiosa. No ano seguinte a presença e as vitórias de Carlos Reutemann e Henri Pescarolo criariam um clima propicio para o primeiro carro próprio da equipe, o M1.

Um ano antes, em 1972, a Motul já havia passado a patrocinar a equipe, o que ajudou ainda mais na contratação de Ray Jessop, que projetaria o M1 de 1973. Apesar do medo, o carro seria um sucesso. Henri Pescarolo, mais uma vez, e Tim Schenken conquistariam as duas últimas vitórias da equipe.

O crescimento era claro. Mas o dinheiro, que tanto era necessário, estava em falta. O sonho era pular para a Fórmula 1, mas a falta de fundos e a saída da Motul do automobilismo foram fatais para Ron Dennis e Neil Trundle, que tiveram que fechar a equipe no inverno de 1974, quando um bólido, com configurações de Fórmula 1, era projetado (mais tarde, este seria o Token RJ02).

Seria o fim da primeira empreitada de Dennis como chefe de equipe. Mas já estava claro que ele tinha habilidade para a coisa. Graham Hill ficara impressionado com o profissionalismo e o detalhismo apresentados pela equipe, características famosas de Ron.

Feliz aniversário, Ronald!

Imagens tiradas do Google Imagens.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

30 anos - A primeira vitória de Senna no Mônaco


O tempo voa. Já fazem trinta anos que Ayrton Senna conquistou sua primeira vitória no Principado de Mônaco. Uma vitória que não foi daquelas incríveis, de dominar o fim-de-semana e fechar com chave de ouro no domingo, ou, ainda, de forma heroica ao derrotar um rival nas últimas voltas. Diferentemente de 1984 e 1985, o brasileiro não foi espetacular, mas bastou da sorte para vencer pela primeira vez nas ruas de Monte Carlo.

Apesar de estar na primeira fila do grid, Senna não tinha um dos melhores equipamentos para lutar contra as Williams naquele ano. O mais incrível é que até mesmo a tricampeã McLaren não tinha condições de derrotar a equipe do "Tio Frank". A Ferrari se aproximava cada vez mais, recuperando terreno perdido durante os anos anteriores, enquanto a Benetton abria o pelotão intermediário.

Para começar, Ayrton cravou um tempo surpreendente, ficando pouco mais de meio segundo atrás de Nigel Mansell, mas ainda assim um segundo mais rápido do que o terceiro colocado, o futuro tricampeão Nelson Piquet, que nunca se recuperou do acidente sofrido em Imola.

No dia da corrida, Mansell caminhava para a vitória sem qualquer perigo. Senna usava a cabeça, conservava seu Lotus Honda e mantinha a segunda posição. Na volta 29, o turbo do motor Honda, só que do inglês, foi embora, deixando-o na mão e entregando, de mão beijada, a vitória para Ayrton, que conduziria magistralmente para manter a liderança e finalmente vencer.


Nelson Piquet terminaria em segundo, conclamando a dobradinha brasileira em Mônaco, enquanto se iniciava o reinado de Senna sobre as ruas do Principado. O que se seguiu foram outras grandes performances do brasileiro. Poderiam ser sete vitórias, mas quis o destino que, num único momento de relaxamento, perdesse o primeiro lugar em 1988.

De qualquer forma, o mesmo Mansell, azarado em 1987, se tornaria, mais uma vez, protagonista de outra vitória memorável de Senna, num mesmo 31 de maio.

Pulamos agora para 1992, quando, mais uma vez, o Leão tinha a vitória em mãos e a perdeu, só que agora por erro próprio. Se não fossem um compilado de incidentes, a Williams teria levado todas as provas daquele ano, e quis alguém, de novo, que a hegemonia inglesa acabasse logo em Mônaco.

Senna já tinha superado Patrese na largada, e bastou ver Nigel Mansell errar para assumir a ponta e segura-la, de forma incrível, até a bandeirada, vencendo pela quinta e penúltima vez. Apesar da inesquecível conquista do já tricampeão do mundo, outro fato também marcou aquele fim-de-semana, especialmente para os fãs do lado B da Fórmula 1.


Roberto Pupo Moreno, piloto da Andrea Moda na época, fez o impossível ao qualificar o S921 na vigésima sexta e última posição do grid. Não bastou já conseguir superar o fardo da pré-qualificação, Moreno ainda eliminou outros quatro pilotos, dentre eles Damon Hill, nos treinos que valiam a pole position.

A diferença entre Mansell e Moreno era de quase cinco segundos e meio, mas mesmo assim o brasileiro largou naquele domingo ensolarado do dia 31 de maio de 1992. Foram onze voltas consagradoras até o motor Judd de seu Andrea Moda estourar. Era o fim do impossível para ambos.

Além de ser um dia memorável para os brasileiros, o 31 de maio marcou a vida de um canadense (e de todos seus fãs). Em 1981 Gilles Villeneuve derrotava Alan Jones e vencia em Mônaco pela primeira e única vez. A data também marcou a história da Suécia na categoria, com Joakim Bonnier vencendo o GP da Holanda de 1959 para se tornar o primeiro sueco a vencer na Fórmula 1.

E você, o que estava fazendo num desses 31 de maio?

Hoje ainda seria o 58º aniversário do mito Andrea de Cesaris.

Imagens tiradas do Google Imagens.

domingo, 28 de maio de 2017

Pilotos da F1 que correram em Indianápolis


A notícia pegou todos nós de surpresa. Fernando Alonso irá correr nas 500 Milhas de Indianápolis, abdicando do GP de Mônaco. Esperávamos por isso há décadas, e todo o hype criado em torno da participação do espanhol já está perto do final, afinal, a prova já é neste domingo, dia 28 de maio. Apesar de toda essa "comoção" pela participação do bicampeão na Indy 500, não é a primeira vez que um piloto abdica do GP monegasco para correr no Brickyard. E também não será a última vez que veremos um Formula One driver dando uma passadinha por Indianápolis.

Hoje, na volta do blog, trago uma pequena galeria com os pilotos lado A e lado B da categoria máxima do automobilismo tentando a sorte no meio de outros 32 pilotos durante esses mais de 100 anos de história do IMS e das 500 Milhas. Espero que apreciem. Mas antes, devo alertar que deixei de foram todo e qualquer norte-americano, mesmo que este tenha corrido na Fórmula 1, como: Mario Andretti, Eddie Cheever, Mark Donohue, Masten Gregory, Danny Sullivan, Danny Ongais, Dan Gurney e outros.


Alexander Rossi: 2016/17.
Depois de quatro anos infiltrados no fundo do grid, participando de cinco provas pela Manor em 2015, o norte-americano decidiu tentar a sorte em sua terra natal. E que sorte! Acabaria vencendo a centésima edição de uma das provas mais importantes do automobilismo. E neste ano ele está no páreo de novo...


Jean Alesi: 2012.
A estrela ferrarista dos anos 90 fracassaria miseravelmente na edição de 2012 da Indy 500. Com um equipamento muito abaixo de seu real talento, Alesi foi o pior piloto de todo o mês, largando em último e recebendo bandeira preta durante a prova.


Rubens Barrichello: 2012.
Depois de onze vitórias em 326 GPs, Rubinho Barrichello se arriscou em Indianápolis em 2012, pela KV. Diferentemente de Alesi, o brasileiro não teria um maio medíocre. Conquistando o décimo lugar no grid e fazendo uma prova sem muita atenção, o ex-ferrarista foi décimo primeiro após liderar, ao menos, duas voltas.


Takuma Sato: 2010/11/12/13/14/15/16/17.
Depois de conquistar seu único pódio pela BAR em Indianápolis, Takuma Sato retornaria ao Brickyard em 2010, não parando desde então. O japonês ainda venceria corridas na IndyCar, mas o melhor que conseguiu fazer na Indy 500 foi em 2012, quando lutou pela vitória até a última volta, antes de tocar em Franchitti e bater.


Robert Doornbos: 2009.
Sua passagem relâmpago na categoria seria ainda mais demorada do que seu tempo na Indy 500. O holandês teria um conturbado mês, não conseguindo nenhum resultado expressivo e abandonando a prova no domingo.


Justin Wilson: 2008/09/10/11/12/13/14/15.
Pela fraca Dale Coyne, o inglês de mais de 1 metro e 90 centímetros conquistaria seus melhores resultados na Indy 500. Na Fórmula 1, em 2003, pela Jaguar, Wilson havia conquistado seu único ponto no misto de Indianápolis, e nos anos seguintes retornaria ao Brickyard para participar de uma prova ainda mais importante do que o GP dos EUA. Dois sétimos lugares e um quinto são seus melhores resultados.


Enrique Bernoldi: 2008.
Após sua conturbada passagem pela Arrows, Bernoldi sumiu do automobilismo internacional, reaparecendo em 2008. Em sua única participação na Indy 500, o brasileiro fez o suficiente para terminar na décima quinta posição, como o último daqueles que fecharam na mesma volta do vencedor.


Sébastien Bourdais: 2005/12/13/14/15/16/17.
Depois de bater na estreia, em 2005, Bourdais só retornaria o Brickyard em 2012, pela Dragon, sem bons resultados. Já pela KV, o francês teria suas melhores colocações numa Indy 500, com um sétimo posto em 2014 e um nono em 2016. Agora pela Dale Coyne, o tetracampeão da Champ Car sofreu grave acidente, que o tirou da prova do domingo.


Tora Takagi: 2003/04.
É duro de acreditar que alguém como Toranosuke Takagi tenha conseguido correr em Indianápolis após sua passagem pela Fórmula 1. O mais incrível ainda seria ver seu desempenho na Indy 500 de estreia, em 2003, pela Mo Nunn, onde foi o rookie do ano e conquistou um impressionante quinto lugar.


Max Papis: 2002/06/08.
Em três participações, nada de espetacular. Apesar do parentesco com Emerson Fittipaldi, Papis não tem nada no sangue que realmente inspire algo na Indy 500. Um décimo quarto lugar é seu melhor resultado.


Johnny Herbert: 2002.
Sem emprego algum, Herbert tentou arriscar na Indy em 2002, falhando em se qualificar e abandonando qualquer outra possibilidade de um retorno.


Juan Pablo Montoya: 2000/14/15/16/17.
Antes mesmo de estrear na Fórmula 1, Juan Pablo Montoya tremeu o IMS em 2000, se tornando o estreante que mais liderou voltas numa única edição. Depois de anos de abstenção, com passagens conturbadas pela F1 e pela NASCAR, o colombiano voltaria para vencer em 2015. Na última edição Montoya errou e bateu, e em 2017 ele está de volta apenas para correr em Indianápolis.


Vincenzo Sospiri: 1997.
Vindo das profundezas do lado B, Vincenzo Sospiri fracassou junto à Lola MasterCard no início de 1997. Ainda no mesmo ano, a lenda italiana participaria de uma das edições mais fracas, em termos de grid, da Indy 500, conseguindo a façanha de alinhar na primeira fila. Infelizmente, Sospiri acabaria a prova apenas na décima sétima posição.


Michele Alboreto: 1996.
Depois de se aposentar da Fórmula 1 no fim de 1994, Alboreto ressurgiu nos open wheels em Indianápolis. Um ótimo desempenho nos treinos colocou o italiano na vigésima segunda posição do grid. Infelizmente isso pouco iria servir. Ainda nas primeiras voltas, o ex-Ferrari e ex-Tyrrell abandonaria com problemas na caixa de câmbio.


Eliseo Salazar: 1995/96/97/98/99/2000/01.
Lembrado pela luta com Nelson Piquet em 1982, Salazar participaria de sete edições da Indy 500, conquistando um surpreendente quarto posto logo na estreia. Apesar disso, haveria outro resultado ainda melhor por vir. Em 2000, pela A.J. Foyt, o chileno partiu e terminou na terceira posição após dois anos de desempenhos extremamente fracos.


Jacques Villeneuve: 1994/95/2014.
Tal como Montoya, o campeão da temporada de 1997 da Fórmula 1 venceria as 500 Milhas antes mesmo de chegar à Williams. Depois de terminar em segundo na edição de 1994, Villeneuve herdou a vitória em 1995 após a controversa punição de Scott Goodyear há cinco voltas do fim. Vinte anos depois, o canadense retornaria para ser 14º.


Mauricio Gugelmin: 1994/95.
Depois de largar na penúltima fila, Gugelmin teria uma grande estreia em Indianápolis, terminando na boa décima primeira posição. No ano seguinte o brasileiro melhoraria ainda mais, largando e terminando no sexto posto, tendo liderado 59 das 200 voltas. Após a cisão de 1996, Gugelmin não voltaria a ver o Brickyard, infelizmente...


Stefan Johansson: 1993/94/95.
Apesar da boa estreia, pior apenas do que a de Nigel Mansell na edição de 1993, Johansson decaiu nas duas edições seguintes, tendo um décimo primeiro lugar como melhor resultado e, tal como Gugelmin, jamais retornando a Indianápolis após a cisão da IndyCar.


Nigel Mansell: 1993/94.
Depois de conquistar seu tão sonhado título de campeão do mundo pela Williams em 1992, o Leão foi à América para ser novamente campeão de algo (quem diria!). Durante os anos em que esteve lá, obviamente, Mansell correu em Indianápolis. Dominando a tarde no IMS, a falta de experiência do britânico custaria-lhe a vitória. Na relargada, Fittipaldi e Luyendyk passaram pelo Leão que ficou com o terceiro lugar. No ano seguinte, Mansell seria atingido por Vitolo nos boxes e abandonaria.


Nelson Piquet: 1992/93.
O tricampeão mundial foi mais rápido do que seu grande rival. Chegou à Indianápolis primeiro. Porém, 1992 não é um ano para se lembrar. No dia 7 de maio, o brasileiro rodou na curva 4 e bateu de frente no muro de proteção, quebrando as pernas. Um ano depois, Piquet estaria recuperado para estrear no Brickyard. Seria sua última vez em Indianápolis, acabando de forma melancólica: motor estourado.


Fabrizio Barbazza: 1987/92.
Antes mesmo de estrear na Fórmula 1, Fabrizio Barbazza teria uma grande estreia na Indy 500, tendo largado no meio do pelotão para chegar na ótima terceira colocação. Anos depois o italiano estaria de volta, mas apenas até sofrer forte acidente nos treinos livres, decretando o fim de sua carreira no Brickyard.


Roberto Moreno: 1986/94/99/2007.
Mais de vinte anos separaram sua primeira e última aparição em Indianápolis, mas mesmo assim o brasileiro participou de apenas quatro provas, não conseguindo se qualificar para a edição de 1994. Seu melhor resultado seria um décimo nono lugar na prova de estreia, enquanto, em 2007, sofreria um acidente nas primeiras voltas.


Raul Boesel: 1985/86/87/88/89/90/92/93/94/95/96/97/98/99/2000/01/02.
Apesar de colecionar três largadas na primeira fila, Raul Boesel nunca conseguiu vencer em Indianápolis, tendo um terceiro e um quarto lugar como melhores resultados. Em quase vinte anos de participações, o brasileiro ainda conseguiria outros dois top ten, além de um terceiro posto no grid de largada em 2002, conquistado aos 45 anos.


Roberto Guerrero: 1984/85/86/87/88/89/90/91/92/93/94/95/96/97/98/99/2000/01.
Em suas quatro primeiras aparições nos EUA, Roberto Guerrero conquistaria resultados tremendamente surpreendentes: dois segundos lugares, um terceiro e um quarto. Porém seu momento mais memorável também seria um dos mais tristes. Tendo nunca ganhado, o colombiano partia da pole na edição de 1992, mas acabou rodando ainda nas primeiras voltas de apresentação, abandonando.


Jim Crawford: 1984/85/86/87/88/89/90/91/92/93/94/95.
Sua veloz passagem pela Fórmula 1, correndo de Lotus em 1975, seria ainda mais rápida do que algumas de suas aventuras em Indianápolis, onde acumulou três não-qualificações e apenas um top ten, conquistado em 1988 pela King. Além daquele sexto lugar, Crawford é lembrado pelos seus acidentes em 1987, quando fraturou a perna, e 1990, quando levantou voo.


Emerson Fittipaldi: 1984/85/86/87/88/89/90/91/92/93/94/95.
Depois de se tornar bicampeão, arriscar sua carreira com a Copersucar e se aposentar, Emerson Fittipaldi decidiu voltar (!), mas agora nos EUA. Sua primeira Indy 500 foi catastrófica, marcada por problemas, porém, até o fim da década, o brasileiro se tornaria o primeiro estrangeiro a vencer em Indianápolis desde 1966. De forma controversa, Fittipaldi e Al Unser Jr. se tocaram perto do fim, com Little Al indo para o muro após o toque. Quatro anos depois, mais que experiente, Emmo superou Mansell e segurou Luyendyk para vencer pela segunda e última vez. Em sua última aparição, a estranha estratégia da Penske tirou-o da prova.


Teo Fabi: 1983/84/88/89/90/93/94/95.
Sua arrasadora estreia com pole position foi o suficiente para coloca-lo na Fórmula 1, mas não no hall de vencedores da Indy 500. Nas cinco primeiras tentativas, apenas decepções, vindo a conquistar seus melhores resultados em 1994 e 1995, com um sétimo e um nono lugar respectivamente. Infelizmente, aquela pole de 1983 foi um dos mais clássicos one-off da Indy.


Derek Daly: 1983/84/85/86/87/88/89.
Após fracassar na Fórmula 1, Derek Daly decidiu tentar a sorte nos EUA. Sem chamar muita atenção, conquistou resultados medianos e apenas uma não qualificação, causada pela chuva que caiu exatamente quando entraria na pista. Atualmente, seu filho, Conor, corre e participará das 500 Milhas deste domingo.


Héctor Rebaque: 1982.
Em sua única participação em Indianápolis, um ano após ser companheiro do campeão Nelson Piquet na Brabham, Héctor Rebaque não fez feio, largando em décimo quinto e fechando na décima terceira posição em edição marcada pela morte de Gordon Smiley e pela disputa entre Johncock e Mears.


Clay Regazzoni: 1977.
Após ser demitido da Ferrari, Clay Regazzoni continuou na Fórmula 1 e ainda tentou algo no Brickyard. Tal como Mario Andretti, o suíço precisou fazer viagens rápidas entre Mônaco e os EUA para conseguir se qualificar para ambas as provas, o que ele fez mesmo depois de sofrer forte acidente nos treinos livres. Apesar disso, a corrida de Regazzoni não seria boa, abandonando na volta 25 e nunca mais retornando ao IMS.


Vern Schuppan: 1976/77/79/80/81/82.
Apesar de colecionar três não-qualificações, Vern Schuppan conquistou um terceiro lugar na prova de 1981 depois de largar na décima oitava posição. Antes de suas aventuras em Indianápolis, o australiano havia passado pelas equipes Ensign e Hill, e ainda correria pela Surtees em 1977.


Graham McRae: 1973.
Mais obscuro do que Vincenzo Sospiri, Graham McRae era um neozelândes que participou do GP da Grã-Bretanha de 1973 pela equipe Frank Williams. Algumas semanas antes ele estava na negra edição de 1973 da Indy 500, marcada pela morte de Art Pollard e Swede Savage. Sem se destacar, McRae abandonou na volta 91.


David Hobbs: 1971/73/74/76.
Depois de uma pequena passagem pela Fórmula 1, David Hobbs participou de quatro edições das 500 Milhas de Indianápolis. Em 1974, seu melhor ano, o britânico largou em nono e terminou na quinta posição.



Chris Amon: 1970.
Até mesmo Chris Amon tentou se qualificar no início da década de 1970, mas, tal como McLaren, não conseguiu.


Bruce McLaren: 1968/70.
Em ambas as tentativas, Bruce McLaren falhou ao tentar se qualificar para a prova, não repetindo o feito de seus colegas.


Mike Spence: 1968.
Pouco tempo depois da morte de Jim Clark, Colin Chapman convidou Mike Spence para correr na Indy 500. O britânico aceitou. Mas desta vez ele teria o maior desafio de sua carreira: ele testaria o revolucionário Lotus turbina, o modelo 56. Em sua segunda volta do dia 7 de maio, Spence perdeu o controle de seu carro e foi direto no muro. A roda acabou indo direto para o cockpit, atingindo a cabeça do inglês. Depois de 37 GPs na Fórmula 1 e um pódio, Mike morrera aos 31 anos.


Denny Hulme: 1967/68/69/70/71.
No mesmo ano em que foi campeão do mundo, Denny Hulme apareceu no Brickyard junto com outros grandes nomes do circo da Fórmula 1. Sem deixar barato para os colegas da América, o neozelandês conquistou um ótimo quarto lugar, que seria repetido no ano seguinte. Em suas duas últimas participações, problemas deixaram Hulme fora da briga pela vitória.


Jochen Rindt: 1967/68/69.
Está aqui um piloto que nunca se impressionou com o IMS. Jochen Rindt apareceu apenas duas vezes para correr, mas mesmo assim nunca conseguiu um resultado expressivo. Sofrendo com a falta de sorte, muitos problemas afligiram o futuro campeão que, depois de 1969, nunca mais pensou em voltar.


Jackie Stewart: 1966/67/68.
Depois de largar em décimo primeiro e escapar da confusão da primeira volta, Jackie Stewart se viu na liderança da Indy 500 há poucas voltas do fim. Porém, problemas em seu carro entregaram a vitória para Graham Hill. No ano seguinte o escocês abandonaria no meio da prova, enquanto que em 1968 sequer conseguiria uma vaga no grid.



Pedro Rodríguez: 1964/67.
Em ambas as oportunidades, o mexicano não conseguiu se qualificar para a prova.



Graham Hill: 1963/66/67/68/69.
Depois de não se qualificar em 1963, Hill viu sua grande chance cair dos céus em 1966, ganhando um vaga no grid e vencendo de forma surpreendente a prova. Nos dois anos seguintes, o inglês não conseguiria completar a prova, e em 1969 abandonou as chances de uma segunda conquista. De qualquer forma, esta vitória, somada à 5 em Mônaco e a outra em Le Mans, deram ao britânico a Tríplice Coroa do Automobilismo.




Jim Clark: 1963/64/65/66/67.
Depois de errar duas vezes e perder a vitória na estreia, Jim Clark voltou a ter sua grande chance em 1965, tendo abandonado na edição de 1964. Com sobras, o escocês voador venceria no Brickyard após abdicar de sua participação no GP de Mônaco. O título na Fórmula 1, ainda no mesmo ano, deu à Clark a honra de ter vencido a Indy 500 e o mundial de F1 no mesmo ano. Novamente, agora em 1966, erros custaram a vitória do grande protegido de Chapman, que abandonaria a prova em sua última aparição.



Jack Brabham: 1961/64/69/70.
Assustando os americanos ao aparecer com um carro de perfil baixo e motor traseiro, Jack Brabham revolucionou o automobilismo nos EUA. Apesar de nunca ter vencido, o australiano sempre teve um bom desempenho no IMS, tendo como melhor resultado o nono lugar conquistado em sua estreia.


Juan Manuel Fangio: 1958.
Já perto do fim de sua carreira, Fangio estava querendo conquistar pontos para se manter na briga pelo título na Fórmula 1. Sem conseguir ganhar velocidade em nenhum dos treinos, o argentino decidiu desistir e abandonar sua única inscrição numa 500 Milhas de Indianápolis.



Giuseppe Farina: 1956/57.
Seis anos depois de seu título mundial, Farina estrearia na Indy 500. Sofrendo por causa da chuva, Nino foi incapaz de se qualificar em 1956. Um ano depois, sem conseguir ganhar velocidade, viu seu companheiro Keith Andrews pegar seu carro para tentar alguma coisa. Infelizmente, o norte-americano sofreria um grave acidente que custou-lhe a vida. Farina então se retirou da prova.



Alberto Ascari: 1952.
A história já foi contada aqui no blog. Na única vez que Enzo Ferrari inscreveu um de seus carros para as 500 Milhas de Indianápolis, Alberto Ascari esteve perto da luta pela vitória. Galgando posições após um treino de classificação difícil, o italiano enfrentaria problemas que o tirariam da corrida enquanto era nono colocado. A Scuderia Ferrari nunca mais estaria presente na Indy.



Luigi Villoresi: 1946.
Enquanto a Fórmula 1 engatinhava, Luigi Villoresi tentou participar da primeira edição pós-guerra da Indy 500. Mesmo sem muita experiência em ovais, o italiano conseguiu se qualificar e fazer uma ótima prova, terminando no sétimo posto e na mesma volta do líder.



Louis Chiron: 1929.
Com seus joviais 29 anos de idade, Chiron fez sua única participação mais de vinte anos antes do surgimento do mundial de Fórmula 1, da qual correria e conquistaria um pódio (!). De qualquer forma, é de se postular sua existência naquela edição de 1929. Depois de largar em décimo quarto, o monegasco galgou posições de forma soberba para terminar em sétimo.

BÔNUS

A lenda alemã de Rudolf Caracciola tentou se qualificar para a Indy 500 de 1946,
pouco menos de dez anos depois de seu tricampeonato na Europa.

Louis Wagner foi o primeiro vencedor dos GPs da Grã-Bretanha e dos EUA,
tendo participado da Indy 500 em 1919.

Jules Goux foi um dos melhores pilotos da década de 10, vencendo provas
na Espanha, na França e também nos EUA. Se tornou o primeiro vencedor
estrangeiro da Indy 500 em 1913.

Christian Lautenschlager, venceu o GP da França de 1914, o último antes
do assassinato de Franz Ferdinand e do início da I Guerra Mundial. Quase dez
anos depois, o alemão participaria, de forma tímida, da Indy 500.

Vincenzo Trucco venceu a Targa Florio de 1908, foi amigo de Alfieri Maserati
e participou da Indy 500 de 1913.

Dario Resta venceu a Indy 500 de 1916 e quebrou diversos recordes de velocidade
durante a década. Participou também de provas na França e na Inglaterra.

René Dreyfus falhou em sua tentativa de se qualificar em 1940.

Até mesmo Baconin Borzacchini já teve seu nome associado à Indianápolis.
O italiano participou da edição de 1930, um ano antes do início do Campeonato
Europeu de Automobilismo, na qual foi terceiro em 1931 e vice em 1932.

Pietro Bordino venceu o GP da Itália de 1922 e participou da Indy 500 de 1925.

Jean Porporato participou de GPs da França, Targa Florio, 24 Horas de Le Mans,
TT e outras importantes provas do início do século passado.
Participou da Indy 500 em 1915 e 1920.

Jean Chassagne era um grande piloto francês nas primeiras décadas do
século XX, tendo vencido o Tourist Trophy de 1922. Participou das 500 Milhas
em 1914, 1920 e 1921.

Théodore Pilette foi o primeiro piloto de sua família, tendo conquistado
um quinto lugar em sua única aparição, em 1913.


Espero que tenham gostado. E também espero que este seja o marco da volta do blog à ativa. Até breve.