quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

GP Memorável 80# - Espanha 1986


Com a TV espanhola aderindo à transmissões ao vivo de corridas da categoria, Bernie Ecclestone sentiu-se atraído por um possível retorno ao país ibérico. E, ao invés de escolher Jarama ou até mesmo Montjuïc para receber a prova, o inglês preferiu dar uma chance para o recém construído circuito de Jerez de la Frontera, uma vez que o prefeito da cidade queria promover o turismo pelas bandas de Sevilha.

Construído em nove meses, o autódromo logo foi criticado pelos pilotos. A falta de áreas de escape, de barreiras de proteção que realmente dessem alguma segurança e a largura da pista foram alguns dos pontos mais criticados. Para piorar, os arredores do circuito pareciam um deserto, com alguns poucos hotéis e estacionamentos sem pavimento. Assim, a Fórmula 1 estava de volta a Espanha depois de cinco anos de ausência...

As semanas entre a abertura do campeonato, no Brasil, e a segunda etapa viram Henri Julien comprar os espólios de um velho RE40 da Renault, se juntando, mais tarde, à uma equipe italiana para a montagem do carro. Parecia que o sonho do velho Julien de trazer a AGS à Fórmula 1 estava próximo de se tornar realidade.


Após permanecerem três dias no Rio, logo depois do Grande Prêmio, os Brabham BT56 traziam mudanças no motor, na suspensão e no coletor de admissão. As Lotus de Senna e Dumfries estavam com novos condutores de admissão, na qual Tyrrell e Ligier ainda não tinham. Já a Ferrari havia gasto o tempo disponível para corrigir as imperfeições do F186, ao mesmo tempo que anunciava o desejo de ingressar na CART em 1987.

E, finalmente, a Tyrrell trouxe o novo 015, com algumas poucas evoluções do 014. Infelizmente, Martin Brundle cometeu um erro nos treinos de sábado e acabou no muro, destruindo as chances de estreia para o 015. Mesmo assim, o britânico saiu feliz após as primeiras voltas feitas no carro, que agora tinha o novo motor Renault.

Já na Renault as coisas andavam de mal a pior. O novo de governo de Jacques Chirac na França havia desencorajado a continuação da equipe na Fórmula 1 como fornecedora de motor, o que queria dizer que o desejo de Georges Besse, CEO da marca, estava prestes a se concretizar. Enquanto isso, Guy Ligier não parecia preocupado com a situação dos compatriotas, afinal, pareciam estar numa guerra silenciosa.


Enquanto a Renault fornecia dois motores para as Lotus, a Ligier recebia apenas um! Ligier ainda afirmava que não havia a preferência por um piloto ou outro dentro de sua equipe, criando uma pequena crise interna, que seria resolvida por um simpático Arnoux que cedeu, gentilmente, o motor para o velho Jacques Laffite.

Nos treinos, Ayrton Senna conquista a 100º pole position para a Lotus com o tempo de 1:21.605, quase um segundo mais rápido do que os Williams de Nelson Piquet e Nigel Mansell. Logo, a legalidade do 98T começou a ser questionada, com acusações de que ele seria dotado de pequenas asas que criam um efeito solo. Gérard Ducarouge negou. Enquanto isso, o brasileiro se vê obrigado a receber massagens do famoso austríaco Willi Dungl, dado os esforços feitos em busca do melhor tempo.

Alain Prost era quarto, com Keke Rosberg em quinto e René Arnoux na ótima sexta posição. Berger abria quarta fila, com Jacques Laffite ao seu lado e Teo Fabi, seguido por Johnny Dumfries, logo atrás. Na décima primeira posição estava o primeiro carro da Ferrari com Stefan Johansson, seguido por Martin Brundle, com o velho chassis 014, e por Michele Alboreto. Mesmo com as mudanças na Brabham, Riccardo Patrese era décimo quarto e Elio de Angelis apenas décimo quinto.


Fechando o grid estavam o Zakspeed de Jonathan Palmer em décimo sexto, o Lola Hart de Alan Jones em décimo sétimo, o outro Lola de Patrick Tambay em décimo oitavo, a Arrows de Thierry Boutsen em décimo nono, a Tyrrell de Philippe Streiff em vigésimo, a Osella de Piercarlo Ghinzani em vigésimo primeiro, a outra Arrows de Marc Surer em vigésimo segundo, a outra Osella de Christian Danner em vigésimo terceiro, Andrea de Cesaris em vigésimo quarto e Alessandro Nannini em vigésimo quinto.

O domingo amanhece sob forte sol e céu aberto, o que não evita a presença de meros 15 mil espectadores nas novíssimas arquibancadas de Jerez, quase vazias e sem nenhum brilho. As criticas a nova era da Fórmula 1, implantada por Bernie Ecclestone, começam nesse sentido. No Warm-Up, Keke Rosberg enfrentou problemas de motor que poderiam prejudicar sua corrida.

Na volta de apresentação, Nannini tem problemas no diferencial e não chega ao grid. Na largada, Ayrton Senna pula a frente com Nelson Piquet em segundo, Nigel Mansell em terceiro, Keke Rosberg em quarto e Alain Prost em quinto. Fabi tocou em Laffite, quebrando sua asa dianteira, tendo que parar, voltando no fim do pelotão.


Ainda na primeira volta, Alan Jones e Jonathan Palmer se colidem e abandonam, seguido por Andrea de Cesaris que, como seu companheiro, enfrentou problemas no diferencial de sua Minardi. No segundo giro, Keke Rosberg supera Mansell e assume o terceiro posto, enquanto Dumfries perde posições para Johansson, Alboreto e Berger.

Rosberg começa a ameaçar Piquet, enquanto o Leão é superado por Alain Prost na disputa pelo quarto lugar. Mais atrás, Riccardo Patrese passa Martin Brundle e assume o décimo segundo lugar antes de abandonar com a quebra de sua transmissão. Na nona volta, Patrick Tambay, décimo quarto naquela altura, para com problemas no freio de seu Lola, retornando na última posição.

No giro seguinte, Piercarlo Ghinzani abandona após o estouro de seu motor Alfa Romeo, mesmo problema que afetaria o companheiro Christian Danner poucas voltas depois. Entre os abandonos dos Osella, Stefan Johansson trava as rodas e bate violentamente na barreira de pneus, conseguindo sair de sua Ferrari antes de cair, em choque, no chão. O sueco teria de ser levado numa maca para o centro médico do autódromo para exames.


Ayrton Senna lidera, com Nelson Piquet em segundo, Alain Prost em terceiro, Nigel Mansell em quarto, René Arnoux em quinto e Jacques Laffite em sexto. Mais ao fundo, Teo Fabi ganha o décimo quinto lugar de Elio de Angelis. Agora com a certeza de que chegará até o fim, Mansell vai a luta pela vitória, ultrapassando Prost e iniciando uma forte pressão sobre Rosberg.

Brundle toma o décimo lugar de Dumfries na mesma altura em que Streiff abandona com o outro Tyrrell. O único carro da Ferrari na pista também enfrenta problemas e abandona. Michele Alboreto era apenas o oitavo colocado, sem chances de ameaçar as Ligier. Na volta seguinte, o motor Renault de Arnoux não resiste ao calor espanhol e leva o francês a abandonar a prova enquanto era sexto.

Com o pelotão da frente tentando superar os retardatários, Mansell usa a pouca paciência de Rosberg para assumir o terceiro posto. Senna começa a fugir de Piquet, que agora é seriamente ameaçado pelo companheiro de equipe. Na abertura da volta 33, o britânico superaria o brasileiro. Poucos tempo depois, foi a vez de Prost superar Rosberg, que agora se preocupa em economizar combustível depois de tanto esforço nas primeiras voltas.


Atacando Senna, Mansell volta a usar a cabeça (o que?), percebe que o brasileiro se atrapalhou com Brundle e assume a liderança. Na mesma volta, Nelson Piquet abandona com superaquecimento, enquanto Laffite se junta ao seu companheiro com os mesmos problemas no motor Renault e Marc Surer para com um vazamento de combustível.

Na sexta posição, Brundle tem pouco tempo para comemorar: seu motor Renault o trai. Johnny Dumfries agora é sexto. No giro 46, Gerhard Berger vai aos boxes trocar os pneus, cedendo o quinto posto para o conde escocês. Nessa altura, Teodorico Fabi já estava na incrível sétima colocação, restando apenas nove carros na pista.

Senna continua atacando Mansell, enquanto, na volta 52, seu companheiro de Lotus abandona com problemas na caixa de câmbio. Atacando Berger, Teo Fabi assume o quinto lugar do austríaco após recuperação espantosa. Nos boxes, Patrick Head prepara pneus novos para seu piloto, que se nega a parar enquanto é atacado pelo brasileiro.


Sem escolha, o britânico vai aos boxes na volta 62 e retorna na terceira posição. Senna lidera Prost por apenas um segundo, mas o francês é incapaz de acompanhar o brasileiro enquanto seus Goodyear se esfarelam no asfalto de Jerez. Mansell agora tira incríveis quatro segundos por volta! Colocando a possível vitória de Ayrton Senna em jogo.

Sem a inteligência que havia tido nas últimas voltas, Nigel Mansell perderia tempo atrás de Alain Prost antes de supera-lo, restando apenas quatro voltas para o fim tendo de chegar em Ayrton Senna, que sofre com o desgaste de seus pneus.

O que o mundo estava vendo era um show de pilotagem tanto por parte do britânico tanto por parte do brasileiro, que resistiria de forma incrível ao ataque alucinado de Mansell. No fim, apenas 0.014s dividiam os dois, a menor diferença entre o vencedor e o segundo colocado desde o GP da Itália de 1971. Prost terminou em terceiro, seguido por Rosberg, Fabi e Berger, que fecharam os lugares pontuáveis.


Depois da corrida, Senna disse que seus pneus estavam destruídos quando ainda restavam sete voltas para o fim, enquanto Mansell esperava ter dado um belo espetáculo para Frank Williams, que devia estar assistindo naquela altura de sua recuperação. Alain Prost estava decepcionado, já que um erro no computador mostrava que deveria andar com prudência por causa do combustível sendo que terminara com incríveis 18 litros no tanque!

Recuperado, Stefan Johansson voltou aos boxes da Ferrari com um belo sorriso, contando que chegou a cair da maca no caminho para o centro médico: "o motorista estava dirigindo como um louco" disse o sorridente sueco que escapou de lesões mais graves.

No campeonato, um novo líder: Ayrton Senna tinha quinze pontos contra nove de Nelson Piquet. Nigel Mansell assumia o terceiro lugar com seis, enquanto Laffite e Prost dividiam o quarto lugar com quatro pontos para cada. Rosberg e Arnoux tinham três e Fabi, Brundle e Berger dois. Na tabela de construtores, Lotus e Williams estavam empatadas com quinze pontos, sendo seguidas por Ligier e McLaren com sete, Benetton com quatro e Tyrrell com dois.

A próxima parada do circo seria na Itália, em Imola, para o Grande Prêmio de San Marino.


RESULTADOS:

  1. 12 - BRA - Ayrton Senna - Lotus Renault - 1:48:47.735 - 9pts
  2. 5 - GBR - Nigel Mansell - Williams Honda - +0.014s - 6pts
  3. 1 - FRA - Alain Prost - McLaren TAG-Porsche - +21.552s - 4pts
  4. 2 - FIN - Keke Rosberg - McLaren TAG-Porsche - +1 Volta - 3pts
  5. 19 - ITA - Teo Fabi - Benetton BMW - +1 Volta - 2pts
  6. 20 - AUT - Gerhard Berger - Benetton BMW - +1 Volta - 1pt
  7. 18 - BEL - Theirry Boutsen - Arrows BMW - +4 Voltas
  8. 16 - FRA - Patrick Tambay - Lola Hart - +6 Voltas
  9. 11 - GBR - Johnny Dumfries - Lotus Renault - Caixa de Câmbio - OUT
  10. 3 - GBR - Martin Brundle - Tyrrell Renault - Vazamento de Óleo - OUT
  11. 26 - FRA - Jacques Laffite - Ligier Renault - Semi-eixo - OUT
  12. 6 - BRA - Nelson Piquet - Williams Honda - Superaquecimento - OUT
  13. 17 - SUI - Marc Surer - Arrows BMW - Vazamento de Combustível - OUT
  14. 8 - ITA - Elio de Angelis - Brabham BMW - Transmissão - OUT
  15. 25 - FRA - René Arnoux - Ligier Renault - Semi-eixo - OUT
  16. 27 - ITA - Michele Alboreto - Scuderia Ferrari - Roda - OUT
  17. 4 - FRA - Philippe Streiff - Tyrrell Renault - Vazamento de Óleo - OUT
  18. 22 - ALE - Christian Danner - Osella Alfa Romeo - Motor - OUT
  19. 28 - SUE - Stefan Johansson - Scuderia Ferrari - Acidente - OUT
  20. 21 - ITA - Piercarlo Ghinzani - Osella Alfa Romeo - Motor - OUT
  21. 7 - ITA - Riccardo Patrese - Brabham BMW - Transmissão - OUT
  22. 23 - ITA - Andrea de Cesaris - Minardi Motori Moderni - Diferencial - OUT
  23. 14 - GBR - Jonathan Palmer - Zakspeed Racing - Colisão - OUT
  24. 15 - AUS - Alan Jones - Lola Hart - Colisão - OUT
  25. 24 - ITA - Alessandro Nannini - Minardi Motori Moderni - Diferencial - DNS
Esses foram os pilotos que participaram da corrida
Volta Mais Rápida: Nigel Mansell - 1:27.176 - Volta 65


Curiosidades
- 422º GP
- XXVIII Grande Prêmio da Espanha
- Relizado no dia 13 de abril de 1986, em Jerez de la Frontera
- 3º vitória de Ayrton Senna
- 9º pole position de Ayrton Senna
- 100º GP de Keke Rosberg
- 76º vitória da Lotus
- 100º pole position da Lotus
- 350º GP da Lotus
- 19º vitória do motor Renault
- 3º chegada mais apertada da história da F1


  • MELHOR PILOTO: Ayrton Senna
  • SORTUDO: Ayrton Senna
  • AZARADO: Alain Prost
  • SURPRESA: N/H
Desde os treinos classificatórios até a corrida, Ayrton Senna deu show, conquistando uma incrível vitória na base da sorte de ver um Nigel Mansell pouco estratégico. Alain Prost teve azar, pois, sem usasse todo o combustível que dispunha, poderia lutar pela vitória.


Campeonato de pilotos:
  1. 12 - BRA - Ayrton Senna - Lotus Renault - 15pts
  2. 6 - BRA - Nelson Piquet - Williams Honda - 9pts
  3. 5 - GBR - Nigel Mansell - Williams Honda - 6pts
  4. 26 - FRA - Jacques Laffite - Ligier Renault - 4pts*
  5. 1 - FRA - Alain Prost - McLaren TAG-Porsche - 4pts*
  6. 25 - FRA - René Arnoux - Ligier Renault - 3pts**
  7. 2 - FIN - Keke Rosberg - McLaren TAG-Porsche - 3pts**
  8. 3 - GBR - Martin Brundle - Tyrrell Renault - 2pts***
  9. 19 - ITA - Teo Fabi - Benetton BMW - 2pts***
  10. 20 - AUT - Gerhard Berger - Benetton BMW - 2pts
* empatados
** empatados
*** empatados

Campeonato de construtores:
  1. GBR - Canon Williams Honda Team - Williams Honda - FW11 - MAN/PIQ - G - 15pts*
  2. GBR - John Player Special Team Lotus - Lotus Renault - 98T - DUM/SEN - G - 15pts*
  3. FRA - Équipe Ligier - Ligier Renault - JS27 - ARN/LAF - P - 7pts**
  4. GBR - Marlboro McLaren International - McLaren TAG-Porsche - MP4/2C - PRO/ROS - G - 7pts**
  5. GBR - Benetton Formula Ltd. - Benetton BMW - B186 - FAB/BER - P - 4pts
  6. GBR - Data General Team Tyrrell - Tyrrell Renault - 014 - BRU/STR - G - 2pts
Imagens tiradas do Google Imagens - GPExpert.com.br - F1-History.deviantart.com

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Jimmy, o irmão esquecido de Jackie Stewart


Existem vários casos famosos de irmãos no automobilismo. É fácil se lembrar de Michael e Ralf Schumacher,  Emerson e Wilsinho Fittipaldi, Jody e Ian Scheckter, mas ainda existem alguns casos um tanto quanto esquecidos, na qual a relação de irmão para irmão é quase paternal. Os irmãos Stewart são um exemplo. Como se não fosse o suficiente, o pai, Robert Stewart, era ex-piloto de motocicletas da Ilha de Man e dono da concessionária da Jaguar em Dumbuck, enquanto a mãe, Jean, sempre amou carros.

Hoje se completam nove anos da morte de James Robert Stewart, irmão mais velho do famoso tricampeão Jackie Stewart e por isso vamos conhecer um pouco de sua história.

Nascido no dia 6 de março de 1931, em Milton, Escócia, desde jovem, Jimmy tinha a autorização de dar algumas voltas com os Jaguar entregados na garagem de seu pai antes de serem levados a seus donos. E ele fazia isso tão bem que ganhou de presente um C-Type, na qual participaria de várias corridas pelo Reino Unido ainda na década de 40.

No começo dos anos 50, serviu ao Royal Electrical and Mechanical Engineers, onde acabaria descobrindo ser um exímio piloto, se interessando ainda mais por corridas. Tempos depois, começou sua carreira profissional a bordo de um Healey Silverstone, participando de hillclimbs da região.

Logo, Stewart chamou atenção de homens ligados ao automobilismo. David Murray, que havia fundado a Ecurie Ecosse, equipe majoritariamente escocesa, se interessou pelo jovem e o chamou para correr algumas provas a bordo de um Jaguar C-Type azul, cor que simbolizava a Escócia nas corridas de automóveis.

Jimmy a frente de Ian Stewart, que não tem nenhum parentesco com os irmãos

Os ótimos desempenhos de Jimmy deram a oportunidade dele participar de provas da Fórmula 2, com um Connaught, e de Fórmula 1, com um velho Cooper Bristol T20 em 1953. Sua estreia acabaria sendo no dia 6 de abril, em Goodwood, onde terminaria apenas na décima segunda posição, atrás de seu companheiro de equipe e com a melhor colocação dos que estavam a bordo de um T20. Um mês depois, em Snetterton, Stewart abandonaria com a quebra de sua suspensão há três voltas do fim.

Agora, sua próxima participação em corridas de Fórmula 1 seria no mês de julho, no Grande Prêmio da Grã-Bretanha, valido para o campeonato mundial. Naquele sábado, dia 18 de julho de 1953, a chuva marcou presença no ex-aeroporto de Silverstone, o que dava maiores chances para que Stewart mostrasse seu talento.

Com vinte e oito carros largando, Jimmy partia do meio do pelotão, na décima quinta colocação, ficando em situação difícil pelo menos no início da prova. O escocês largou mal, mas logo começou a se recuperar para assumir o décimo primeiro posto.


Aos poucos, pilotos como Peter Collins, Felice Bonetto, Lance Macklin, Tony Rolt e Roy Salvadori passam a ter problemas, colocando um surpreendente Stewart na sexta posição, logo atrás do último lugar pontuável, que era de Mike Hawthorn. E com um velho T20, Jimmy estava próximo de conquistar o melhor resultado de sua carreira quando acabou rodando há pouquíssimas voltas do final.

Muitos o criticaram, dizendo que estava a correr mais rápido do que seu talento natural permitia. Mas, em resposta, Jimmy disse que era demasiado rápido para o carro. Ainda sim, quatro semanas depois, Stewart estaria em Charterhall para sua terceira e última prova extra-campeonato, onde abandonaria por causas desconhecidas ainda na primeira volta.

Em 1954, durante as 24 Horas de Le Mans, sofreu um grave acidente com seu Aston Martin DB3S, sendo catapultado durante a capotagem. A Ecurie Ecosse culparia o carro, e não a audácia de Jimmy, que voltaria a correr pouco tempo depois. O resultado da batida foi um braço quebrado. E, para a sorte de sua mãe, a notícia só chegaria no outro dia, já que não havia transmissões ao vivo naquela época.


Um ano depois, nos 1000Km de Nürburgring, voltou a capotar, ficando mais de dez minutos preso debaixo do carro, ferindo o mesmo braço do ano anterior e que acabara por salvar sua vida no acidente. Isso acabou sendo suficiente para que Jimmy Stewart desse adeus ao esporte a motor.

Naquela altura, a mãe dos irmãos Stewart ameaçava expulsar o caçula de casa caso ele seguisse os mesmos passos do pai e do irmão mais velho. Mesmo assim, Jimmy encorajou Jackie, e convenceu um homem chamado Ken Tyrrell, que comandava uma jovem equipe de Fórmula 3, a fazer testes com ele. JRS, como era conhecido Jimmy, foi questionado se seu irmão realmente queria ser piloto, e como resposta, disse de forma irônica: "Sério? Tente para-lo!".

Jackie conseguiu ser mais rápido do que Bruce McLaren em seu primeiro teste, e logo passou a ser conhecido como "o irmão mais novo de Jimmy Stewart".

Durante o período de glória do irmão, ambos se distanciaram, enquanto Jimmy passou a cuidar dos negócios do pai. Apenas décadas depois, em 1997, quando JRS confessou ser alcoólatra, Jackie voltou a se aproximar do irmão mais velho, financiando seu tratamento em clinicas de Glasgow, na Escócia. Jackie comprou um carro para Jimmy quando este já estava sóbrio, dirigindo pelas margens do Lago Gare até seu novo apartamento em Rhu e nos seus encontros dos AA.


Os dois irmãos nunca estiveram tão próximos, especialmente quando Jimmy estava em suas últimas semanas de vida. Jackie cancelou seu cruzeiro de Natal e passou a caminhar vários quilômetros quase todos os dias para visitar o irmão em uma casa de repouso em Helensburgh, onde morreria no dia 3 de janeiro de 2008, aos 76 anos.

Quando perguntado o que devia a ele, o tricampeão respondeu: "Eu devo a ele quase tudo porque, quando eu era jovem e sofria na escola, o mundo parecia um lugar escuro, e acho minha salvação no automobilismo. Mas eu só encontrei isso porque, nos meus tempos de necessidade, foi meu irmão mais velho que carregou a tocha e desinteressadamente me mostrou o caminho. Era quase como se Jim estivesse me chamando para acompanha-lo em um passeio num tapete mágico, levando-me da escola para o mundo emocionante e glamoroso do automobilismo."

Imagens tiradas do Google Imagens

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

50 anos - Quando um africano quase venceu o GP da África do Sul


Nos tempos em que os pilotos passavam o reveillon na África do Sul, houve alguém que desafiasse a lógica quando ninguém mais tinha condições de segui-la. Ainda era um tempo de transição para a Fórmula 1 que, com um novo regulamento, precisara de carros totalmente novos para a temporada de 1966. E como sempre, quem melhor se adaptou, venceu, e naquele época havia sido os Brabham de Black Jack e Denny Hulme.

Dois meses e meio após a última etapa no México, o circo estava reunido no novo Kyalami para o GP da África do Sul de 1967, e isso ainda no fim de dezembro de 66 (!). Com poucas novidades, as equipes traziam seus velhos bólidos junto à sua tradicional dupla de pilotos. E, como era de costume, pilotos da casa africana estavam inscritos: dois rodesianos, John Love e Sam Tingle; e dois sul-africanos, Dave Charlton e Luki Botha.


Charlton e Botha tinham um velho BT11 da Brabham, enquanto Tingle um LDS Mk 3. John Love já trazia um carro um pouco mais novo, o Cooper T79 (também usado por Bruce McLaren nos campeonatos neozelandeses de Fórmula 1), para mostrar ao circo internacional todo talento que o fez conquistar um tricampeonato consecutivo na F1 sul-africana.

Depois de sessões de treino marcados pelo forte calor, a Brabham colocou seus dois carros na primeira fila, com Jack em primeiro de Hulme em segundo. Jim Clark era terceiro com Pedro Rodríguez em quarto e um surpreendente John Love na quinta posição, conquistada graças a sua perícia em Kyalami. John Surtees, de Honda, era o sexto, Jochen Rindt o sétimo, Dave Charlton, o melhor sul-africado, era oitavo, Jackie Stewart era apenas nono e Bob Anderson fechava o top ten. Nas últimas posições estavam Dan Gurney, Joakim Bonnier, Mike Spence, Sam Tingle, Graham Hill, para surpresa de todos, em décimo quinto, Jo Siffert, Luki Botha e Piers Courage. A Ferrari sequer viajou para a África do Sul naquela ocasião.


Na noite de domingo (sim, domingo) uma forte tempestade tropical lavou o circuito de Kyalami. Toda a borracha havia desaparecido na manhã de segunda e, para piorar, o calor, o grande desgaste de pneus, a falta de confiabilidade dos carros e o excesso de pó (que havia sido jogado na pista para tampar manchas de óleo) tornavam a prova uma corrida mais de resistência do que um sprint.

Sob forte sol, na segunda-feira à tarde, a largada foi dada. Hulme pulou na liderança com Brabham em segundo e Surtees na terceira posição seguido por Rodríguez, Clark, Rindt, Anderson, Stewart, Charlton e Love, que partiu mal e era apenas décimo colocado. Na segunda volta, Jochen Rindt, Graham Hill e Mike Spence começariam a escalar o pelotão, enquanto Jack Brabham caia para o quarto posto.

Jackie Stewart seria o primeiro a abandonar, atrapalhando quem via atrás após o estouro de seu motor BRM, dando esperanças para que John Love, que escapou da confusão, pontuasse. Outro importante abandono seria o de Graham Hill, também nas primeiras voltas, enquanto, mais a frente Jochen Rindt perdia posições após rodar.

A fumaça deixada quando os carros passavam sobre as manchas de óleo
tapadas por pó

Na décima volta, Love seria superado por Siffert na disputa pelo sétimo lugar, enquanto Jim Clark tentava escapar na sexta posição. Não demoraria muito para que o suíço também sofresse com problemas, colocando o rodesiano de volta na sétima colocação atrás do Escocês Voador, que, na volta 22, abandonaria após estourar seu motor H16 da BRM.

Depois de uma feroz caça a John Surtees, Jack Brabham finalmente conseguiu superar o inglês na disputa pela segunda posição enquanto, mais atrás, Rindt voltava a rodar. O austríaco não havia perdido muitas posições, mas os erros estavam a custar uma luta pela vitória. Ele ainda retomaria a posição de Pedro Rodríguez antes de ultrapassar Surtees e assumir o terceiro lugar, atrás apenas dos carros da Brabham.

Rindt rodou duas vezes antes de abandonar

Lutando contra Gurney, John Love fazia um ótimo trabalho para tomar o quinto posto de Rodríguez, com graves problemas no câmbio. Mais atrás, o jovem Piers Courage assumia o oitavo lugar após superar Sam Tingle. Com um pequeno furo, John Surtees enfrentava também o superaquecimento de seus pedais quando foi superado por Love e Dan Gurney, que agora eram quarto e quinto colocados, respectivamente.

Na volta 38, o motor Maserati do Cooper de Jochen Rindt não resistiu. Poucos minutos depois, o público, atônito, via Jack Brabham parar nos boxes com problemas elétricos, retornando quatro voltas atrás de Denny Hulme. A corrida estava no colo do neozelandês, que começaria a temporada de 1967 com o pé direito. Em segundo agora estava um surpreendente John Love, com um velho Cooper, seguido por Gurney, Surtees, Rodríguez e Courage.

Surtees se arrastava pela pista

A suspensão traseira esquerda do Eagle de Dan Gurney tiraria o norte-americano da prova, enquanto a bomba de combustível apresentava um problema fatal para a corrida de Piers Courage, que também abandonaria quando era quinto. Nessa altura, Pedro Rodríguez, com apenas duas marchas, retomaria o terceiro lugar de John Surtees. Voltas depois, eis que o líder da prova, Denny Hulme vem aos boxes com problemas no freio. Um minuto e meio se passou antes de ser devolvido à pista, atrás de Love, Rodríguez e Surtees.

O público sul-africano, que havia adotado John Love como seu principal piloto comemorava: o rodesiano estava liderando um Grande Prêmio! Para melhorar, ele não tinha ninguém que ameaçasse sua vitória: Pedro Rodríguez corria com problemas no câmbio, John Surtees enfrentava o superaquecimento, Hulme e Brabham estavam muito atrás e restavam apenas oito carros na pista.

Love assumiria a ponta restando apenas 20 voltas para o fim

Faltando 20 voltas para o fim, Love vivia seu momento de glória. Aos poucos, um sonho começou a se tornar pesadelo: a bomba de combustível de seu Cooper começou a apresentar problemas e aquilo que estava sendo o maior trunfo do rodesiano se tornou o maior vilão. Na volta 73, John Love entra nos boxes, coloca dois galões no tanque de seu carro e parte para o tudo ou nada com Rodríguez.

Apesar de todo esforço, Pedro Rodríguez, apenas com duas marchas, venceria seu primeiro Grande Prêmio, sendo este o 16º e último para a equipe Cooper. Vinte e seis segundos atrás, chegaria John Love, com Surtees se arrastando para fechar o pódio com seu Honda. Hulme foi o quarto, com Bob Anderson em quinto e Jack Brabham num decepcionante sexto posto. Botha e Charlton, os dois pilotos da casa, também completariam, mas não seriam classificados por estarem muito atrás.

Rodríguez viu a vitória cair em seu colo

E assim, há 50 anos, a Fórmula 1 iniciava a temporada de 1967 com a Brabham continuando a ser a equipe a ser batida, com um mexicano conquistando sua primeira vitória e com um novo azarão para os anuais da história. Love já tinha seus 42 anos e participaria de todos os GPs da África do Sul até 1972, nunca mais voltando a ter uma performance tão brilhante.

Nascido em Bulawayo, ainda nos tempos em que o Zimbábue era colônia do Reino Unido, John Love conquistou seis títulos consecutivos na Fórmula 1 sul-africana, vindo falecer por causa de um câncer aos 80 anos de idade na mesma cidade em que nasceu.

Imagens tiradas do f1-history.deviantart.com e GPExpert.com.br

sábado, 19 de novembro de 2016

Pós-GP: A corrida para as corridas


Não sabemos se choramos ou rimos após esse fim-de-semana maluco em Interlagos. Na sexta-feira, Fernando Alonso fez de tudo, mais uma vez, para se aparecer, brincando de cameraman e ainda tentando fazer embaixadinhas com uma pequena pedra. No dia seguinte, um guarda-chuva vai parar no S do Senna (presságio?) e, no domingo, o céu vem abaixo depois de anos esperando por um GP do Brasil sob chuva.

Não há melhor lugar no mundo para se decidir um título mundial, mas isso só aconteceria se Nico Rosberg estivesse disposto a derrotar, na chuva, Lewis Hamilton, e, como todos nós sabemos, o alemão está com o regulamento embaixo do braço para levar essa decisão até Abu Dhabi, onde ele precisará apenas de um terceiro lugar caso o companheiro vença...

Infelizmente, o fato de não termos visto o título ser decidido em Interlagos, existem apenas duas formas, pelo menos as que acredito que podem acontecer, de termos um final emocionante em Yas Marina: ou Rosberg e Hamilton batem, em prol do alemão, ou as Red Bull superam o líder do campeonato na pista, em prol do britânico. Vale lembrar ainda que, em 2014 e 2015, a Mercedes só não venceu três corridas, enquanto, nesse ano, foram apenas duas derrotas em vinte provas... seria extremamente interessante ver isso acontecer de novo em 2016, sobretudo se a vitória caísse no colo da Ferrari, que tanto precisa de uma...


Apesar de tudo, o GP do Brasil também foi marcado pelas vaias do público com uma segunda, e sem sentido, bandeira vermelha após voltas e voltas de Safety Car. O povo pediu. E o mundo inteiro assistiu que brasileiro é uma pessoa diferente, impaciente, e que quer ver o "circo pegar fogo" seja embaixo sol ou chuva. Queremos corrida!

Além do mais, a chuva que vimos nesse ano pode se comparar ao que vimos em 2012, quando nenhuma bandeira vermelha foi agitada e o Safety Car só entrou na pista duas vezes, contando as duas últimas voltas após o acidente de di Resta... Isso só mostra que a Fórmula 1 entrou nesse "frescor" após o acidente de Jules Bianchi, e que a FIA ainda não percebeu que toda a fatalidade ocorrida com o francês foi por negligência dela mesma e não do piloto ou das condições meteorológicas...

Talvez a categoria aprenda mais com participações do público como as que vimos no Brasil, com vaias e negativos para uma ação completamente idiota e sem sentido. Se não tem coragem, vá trabalhar num escritório ou algo assim, saia do automobilismo e deixe apenas gente como Max Verstappen por lá...


Mais uma vez, o GP do Brasil poderá servir como lição para o futuro, a corrida para as corridas, e que nada disso se repita: cerca de 31 das 71 voltas foram feitas atrás do Safety Car. Parabéns, Bernd Maylander pelo ótimo trabalho, diga-se de passagem...

Tudo que vemos é uma piada para categorias como WRC e MotoGP. Uma piada...

Na sua décima tentativa, Lewis finalmente venceu no Brasil e realizou seu sonho de criança, e, como não podia perder a chance, tentou fazer um jogo psicológico ao dizer que esta foi a sua vitória mais fácil de todas. Com a conquista, Hamilton se tornou o primeiro piloto a trocar de capacete no meio da prova e ainda vencer a corrida. Algo que, sinceramente, nunca ninguém imaginou que iria acontecer. Foi bonito de ver o britânico com aquele capacete amarelo, não por lembrar Senna, mas por sair da mesmice de um branco tão sem graça que marcou seus dois últimos títulos.


Já Rosberg fez uma corrida simples e com apenas um susto (pelo menos mostrado na transmissão) na Subida do Café. Não se preocupou em segurar ou atacar Max Verstappen, tendo muita sorte ao terminar na segunda colocação após os problemas enfrentados pela Red Bull com as paralisações, que destruíram as estratégias do holandês e de Daniel Ricciardo, que, apesar de tudo, fez uma corrida apagada, ofuscada pela sua punição ainda nas primeiras voltas.

Verstappen deu show, arrancando elogios até dos mais críticos, mas esse desempenho nos fez levantar uma hipótese: os pilotos teriam perdido a magia de como pilotar sob chuva? Verstappen e Ocon, dois dos mais jovens do grid fizeram a alegria dos fãs com uma performance magnífica, coisa que não é rara de se ver em categorias de base, onde outros pilotos, ainda menos experientes, se arriscam tanto que arrancam suspiros daqueles que os assistem. Talvez, o excesso de cautela dos mais velhos venha destruindo o show. Apenas talvez...

De qualquer forma, é inegável que o holandês tenha impressionado todos em Interlagos. Desde seu desejo de iniciar a prova sem mais enrolação até sua última ultrapassagem, sobre Sérgio Pérez, vimos um garoto que estava disposto a arriscar, a cometer erros e, sobretudo, a vencer, mesmo enfrentado os dois melhores carros do grid. É um piloto como Max Verstappen que falta à Fórmula 1. São pilotos com sua garra, com sua marra e com seu talento que os fãs tanto anseiam.


Porém, gostaria de destacar um ponto. O holandês demorou cerca de uma volta para superar uma Manor! Algo assustador pelo fato dele ter pneus mais novos e estar superando todos com tanta facilidade. Mas neste carro azul, branco e vermelho estava ninguém menos do que Esteban Ocon, o francês que derrotou Verstappen na Fórmula 3 e foi campeão da GP3, com muitos méritos, em 2015. Sua contratação pela Force India, tão contestada, sobretudo pelos brasileiros, não foi por acaso, e já expliquei o motivo num de meus últimos posts aqui no blog. O jovem francês, que agora é o piloto mais alto da categoria, soube segurar um carro muito superior e teve azar em não conseguir conquistar seus primeiros pontos numa corrida tão fantástica como essa. Infelizmente, as coisas são assim...

Se Max Verstappen não venceu por falta de sorte, Esteban Ocon não pontuou por falta de equipamento...

No outro carro da Manor, Pascal Wehrlein agora anda ofuscado pelo companheiro, não na pista, mas nos bastidores. O alemão perdeu sua grande (e quem sabe primeira) chance de correr numa equipe média, e agora passa por um momento em que Ocon vem conquistando resultados tão interessantes quanto os seus, tendo o francês participado apenas da metade das provas da temporada. Estive enganado ao apontar Wehrlein na Force India, mas já havia imaginado a sinuca em que a equipe se encontrava...


Voltando à ponta do grid, a Ferrari continua sofrendo com falta de organização interna. Com o pódio de Verstappen, a Red Bull assegurou o vice-campeonato e, agora, o que resta para o time italiano é fazer Sebastian Vettel ficar a frente do jovem holandês no campeonato de pilotos. O dia não foi bom para a dupla ferrarista. Primeiro, o tetracampeão decidiu brincar na grama e rodar e, logo depois, foi a vez de Kimi Räikkönen sem perder em plena reta dos boxes de Interlagos. Por pouco escapou de uma tragédia...

Vettel ainda foi bravo para recuperar as posições perdidas e terminar em quinto, mas demorar tanto para passar Sainz Jr foi fatal para que Verstappen não tivesse muitas dificuldades em supera-lo. É uma pena a Ferrari estar terminando a temporada dessa forma...

A Williams viveu um misto de emoções durante todo o fim-de-semana. Desde os surpreendentes resultados na sexta-feira até o fim de tudo no muro da Subida do Café, Felipe Massa teve altos e baixos, enquanto Valtteri Bottas tentava o impossível com um carro que ainda não aprendeu a andar na chuva. Foi triste ver o brasileiro acabar sua corrida batendo? Foi! Mas o destino quis que fosse assim, e que ele tivesse uma das despedidas mais emocionantes que a categoria já havia visto. Ser aplaudido por Mercedes, Ferrari e Williams não é para qualquer um...


A performance do carro parece não ter melhorado, e agora resta esperar para 2017, com um novo regulamento e com um novo piloto. Quem sabe a Williams não consiga voltar aos dias de glória? É difícil, mas nunca sabemos quando algo surpreendente pode aparecer.

E mais uma vez, o azar ousou tirar Nico Hülkenberg do pódio em Interlagos. Após assinar com a Renault, o alemão ganhou tanta confiança que, frequentemente, supera Sergio Pérez nos treinos classificatórios e, no último domingo, parecia que finalmente havia chegado a vez do vencedor de Le Mans subir ao pódio. Infelizmente, no acidente de Räikkönen, um pedaço da asa da Ferrari foi parar na frente de Hülkenberg, que cruzava a reta dos boxes no meio de todo o spray.

Quando a bandeira verde sinalizou o reinicio da prova, o alemão foi obrigado a parar após um furo: era o fim das chances de pódio. Com isso, Sergio Pérez assumiu uma quarta posição que, voltas depois, se tornaria um terceiro lugar, com a parada de Max Verstappen. O desempenho do mexicano também não deixou a desejar, só não perseguindo Nico Rosberg por falta de equipamento e sendo superado pela Red Bull pelo mesmo motivo.


Um piloto que também teve um desempenho brilhante no Brasil, mas que passou despercebido, foi Carlos Sainz Jr. O jovem espanhol da Toro Rosso partiu da décima quinta posição e já na volta 20 ocupava o sexto posto. Beneficiado pelas marmeladas ferraristas e da Red Bull, Sainz chegou a estar na quarta colocação antes de finalmente fechar em sexto. Apesar do brilhante desempenho do espanhol, a Toro Rosso não viu o mesmo com Daniil Kvyat, que enfrentou problemas com um desgovernado Renault...

Falando de Renault, a renovação de Jolyon Palmer foi vista como idiotice por boa parte dos torcedores, com exceção dos britânicos, que ainda acreditam no talento de um campeão da GP2. É bom lembrar que o inglês derrotou Felipe Nasr em 2014 na categoria, mas mesmo assim só teve sua primeira chance num carro feito para receber o motor Mercedes e com um chassis velho da Lotus. Apesar de todas as burradas, Palmer merece uma chance...

Enquanto isso, Kevin Magnussen foi chutado da equipe e encontrou refúgio na Haas, onde, fontes internas dizem, estão atrasados no desenvolvimento do carro de 2017. Em apenas três temporadas na categoria, o dinamarquês foi do céu ao inferno com McLaren, Renault e, agora pode ir também, com a Haas.


Rumores dizem que a renovação de Palmer foi uma estratégia da Renault para contratar Bottas em 2018, o que poderia abrir uma vaga na Williams para Felipe Nasr, caso o mesmo consiga se manter na Fórmula 1 por mais um ano, ou ainda para Pascal Wehrlein, já que Toto Wolff se tornou grande negociador nos bastidores da categoria.

Aproveitando que Nasr foi citado, vamos falar de seu maravilhoso desempenho em Interlagos, onde, dias antes, havia dito que esta seria a maior oportunidade para marcar pontos: e conseguiu! Um piloto que sai da última fila com um carro da estirpe do C35 para aparecer no top ten em apenas dez voltas merece respeito e, pelo menos, um contrato assinado para próxima temporada. Com a saída do Banco do Brasil, os negócios de Felipe Nasr na Fórmula 1 podem chegar ao fim de uma das maneiras mais tristes de sempre.


Um desempenho tão louvável em comparação ao de Marcus Ericsson, que bateu ainda no início da prova, deveria garantir sua vaga em 2017, mas, se tratando de uma equipe que ainda luta para sobreviver, não devemos esperar nada. Para piorar, a vaga do brasileiro estaria ameaçada por nada menos nada mais do que Esteban Gutiérrez, um dos pilotos mais fracos do grid atual, que só não pontuou em 2016 por falta de sorte.

Chegando agora à Haas, onde não há muito o que dizer. Romain Grosjean imitou o maior ídolo francês, só que de maneira ainda mais bizarra: ele ainda estava na volta de saída até o grid. Curiosamente, ele não foi o único a culpar os pneus de chuva extrema da Pirelli. Kimi Räikkönen disse que os compostos de doze anos atrás (o finlandês estava na McLaren, assim, ele usava os Michelin) eram muito melhores.

Concordo com ambos. Se existe algo tão inútil no mundo da Fórmula 1, isso é o pneu de chuva extrema da Pirelli: ele pouco é usado porque o Safety Car sempre está presente em situações onde a chuva aperta e, ainda, quando é, não consegue trabalhar direito, deixando os pilotos na mão como aconteceu com Grosjean e Räikkönen em Interlagos.


A Pirelli tem muito a melhorar para 2017, sobretudo nos pneus de chuva, e ela tem essa chance com tantas baterias de testes que já vem acontecendo. E que a marca italiana traga bons compostos para uma nova Fórmula 1 no ano que vem...

Se a corrida de Grosjean não durou muito, a de Gutiérrez foi pífia: o mexicano largou mal e ainda teve uma performance muito abaixo do esperado pelas condições do tempo, digo, da temperatura.

Agora, para terminar, a equipe que mais virou motivo de piada nos últimos dois anos. Chuva e Interlagos trazem boas lembranças para a McLaren, que venceu pela última vez dessa forma em 2012 com Jenson Button, mas agora ela virou motivo de pesadelo para o campeão de 2009. Enquanto Fernando Alonso lutava para estar nas posições pontuáveis, o inglês amargava as últimas colocações em sua penúltima corrida da carreira.

O fim-de-semana no Brasil também marcou o fim de uma era: Ron Dennis, depois de 35 anos no comando do grupo McLaren, foi mandado embora após conflitos internos com acionistas chineses. É o fim da linha para Dennis na segunda maior equipe vencedora na Fórmula 1...


Sobre a corrida...

  • MELHOR PILOTO: Felipe Nasr
  • SORTUDO: Nico Rosberg
  • AZARADO: Lewis Hamilton
  • SURPRESA: Esteban Ocon
Nasr brilhou na chuva, segurou o top ten no braço e conquistou dois importantíssimos pontos para a Sauber; já Nico Rosberg teve sorte com as bandeiras vermelhas que destruíram a estratégia de Max Verstappen, o que também afetou Lewis Hamilton na briga pelo título; Ocon surpreendeu com a Manor, se manteve entre os dez por boa parte da corrida e deu show com um carro que jamais voltará a ter outra chance de pontuar: uma pena que o francês não teve condições para segurar por mais tempo o décimo tempo. Foi uma lição para quem acha que sua ida à Force India só foi por causa da força de alguém como Toto Wolff...

Até o próximo fim-de-semana em Abu Dhabi!

Imagens tiradas do f1fanatic.co.uk.

domingo, 6 de novembro de 2016

OPINIÃO: Sobre o futuro


Ah, o futuro... Não sabemos sequer se estaremos vivos no próximo instante de nossas vidas, você mesmo não sabe se terá tempo para ler a próxima palavra deste texto. Bem, pelo menos temos a capacidade de pensar sobre nosso futuro, nossas expectativas e esperanças por uma vida melhor. Nunca sabemos o que pode acontecer daqui uma hora, uma semana, um mês ou quem sabe um ano, mas podemos trabalhar para que este futuro seja melhor, algo que guarde coisas boas, realizações.

A polêmica que envolveu Sebastian Vettel, Max Verstappen e Daniel Ricciardo serviu para movimentar um pouco mais os bastidores do circo da Fórmula 1. O tetracampeão já vinha fazendo diversas reclamações bobas e sem sentido nas últimas corridas, mas dessa vez acabou saindo do decoro de um piloto para dizer poucas e boas para Charlie Whiting, algo que, sinceramente, muitos de nós sonhamos a tanto tempo.

Esse decoro que citei anteriormente é uma das principais "armas" do politicamente correto que "robotiza" quase todos os pilotos do automobilismo. Com isso, o que nos resta é torcer para que mais pilotos como Max Verstappen surjam com coragem e força o suficiente para peitar alguns dos grandes nomes da categoria, pois é esse tipo de piloto que motiva, muitas vezes, "polêmicas de meio de semana", que aquecem de tal forma o circo que todo o fim-de-semana pode acontecer algo novo.

Verstappen e Ricciardo - a dupla dos pesadelos de Vettel

A falta de consistência nas decisões feitas pelos diretores de prova já vem a tempos atormentando os pilotos, e isso, somado a nova Verstappen rule, deixam as coisas ainda mais polêmicas. O próprio holandês, personagem mais polêmico do último fim-de-semana na Cidade do México, veio à publico pedir uma revisão nas regras após tanta confusão que colocou um trio de respeito numa situação um tanto quanto desagradável e, pior, vergonhosa aos olhos mais críticos.

Carlos Sainz também já pediu uma correção nessa loteria que se tornou a Fórmula 1, onde uns são punidos e outros não. O escândalo fica ainda maior se lembrarmos que Lewis Hamilton cometeu o mesmo erro de Max Verstappen na largada, fugindo de quaisquer problemas que pudesse enfrentar com quem vinha atrás. Daniel Ricciardo e Nico Hülkenberg reclamaram. E a equipe Red Bull se tornou uma das mais críticas às generosas áreas de escape que tanto estragam o show.

O sorridente australiano afirmou que prefere brita do que asfalto, e que elas servem para penalizar pilotos que cometem erros. Há uma controversa sobre as caixas de brita que mexem muito com a cabeça dos organizadores de Gp: elas já se mostraram perigosas demais, vide os capotamentos de Schumacher e Alonso na Austrália, em 2001 e 2016, respectivamente, por exemplo.

Ross Brawn pode estar de volta ao circo da Fórmula 1

Apesar disso, vimos mais uma vez, no acidente do espanhol no início desse ano, que a Fórmula 1 é a categoria mais segura do mundo quando não há negligência por parte dos organizadores (como na fatalidade ocorrida com Jules Bianchi em 2014). Por isso, sou totalmente a favor da volta das caixas de brita, pois apenas ela conseguiriam punir os pilotos de forma, digamos, natural e igualitária, e não absurda e idiota como vemos nos últimos anos vindos de Charlie Whiting e companhia...

É o futuro da categoria que fica em jogo. A própria Verstappen rule idiota também mexe um pouco com os ânimos, pois foi por causa dela que Sebastian Vettle foi punido e Daniel Ricciardo herdou o pódio. Um regra tão idiota que deve estar "revirando Gilles em seu túmulo". É o cúmulo do absurdo punir um piloto que muda de direção na freada. Estamos falando de um esporte, mas que já se parece uma novela mexicana.

O pouco tempo que ainda resta para que Bernie Ecclestone deixe de vez o comando da categoria (que parece uma eternidade) nos faz indagar sobre como poderá ser o futuro, quando, como muitos dizem, Ross Brawn será um dos principais homens: será que teremos uma Fórmula 1 melhor do que temos hoje? Tomara. Apenas tomara... Uma renovação total nem sempre é boa como imaginamos, especialmente no início...

Audi voltou a superar a Porsche, mas ainda não consegue liderar o campeonato

Agora saindo um pouco de onde a babaquice reina, entramos num assunto um tanto quanto triste e polêmico. As saídas de Audi e Volkswagen, respectivamente, do WEC e do WRC, chocaram o mundo do automobilismo. A polêmica que envolveu a marca alemã no ano passado, chamada de dieselgate, começa a ter consequências no esporte a motor, e elas não são das mais fáceis de se lidar.

Porsche e Audi são do grupo VAG, e por isso não havia sentido manter duas equipes de ponta lutando entre si enquanto existe uma enorme e monstruosa divida a se pagar nos EUA. A saída de uma das marcas já estava quase que programada quando o dieselgate veio à público, e isso se confirmou quando o time de Ingolstadt oficializou sua saída do Mundial de Endurance para o fim desse ano, algo que chocou, pois se esperava que a equipe participasse de mais uma temporada, ainda mais tendo um bólido que mostrou ser o mais rápido da categoria logo em seu primeiro ano, só não superando a Porsche no campeonato por motivos diversos.

Loïc Duval quer continuar correndo na LMP1

Loïc Duval e Lucas di Grassi estão na Fórmula E, enquanto André Lotterer correu na Super Fórmula em 2016, e por isso não correm riscos de passar um 2017 sabático. Já Benoît Tréluyer, Marcel Fässler e Oliver Jarvis tem futuro indefinido. O britânico manifestou interesse em ficar na LMP1, e sua maior chance seria na arqui-rival Porsche, onde Mark Webber se aposentará no fim desse ano. Porém, os favoritos a vaga de Stuttgart são Earl Bamber e Nick Tandy, vencedores de Le Mans em 2015 ao lado de Nico Hülkenberg.

Com a saída da Audi, Porsche e Toyota se tornam as duas principais equipes da categoria, deixando vazio um espaço que será difícil preencher. A Peugeot manifestou interesse em um retorno, mas acabou culpando os altos custos da LMP1 para se manter longe, pelo menos nos próximos anos, do WEC.

A Joest Racing fica sem rumo definido no endurance, sobretudo pelo fato de que sua antiga parceira, a Porsche, agora ter equipe oficial. Um destino interessante seria os EUA, onde a IMSA cresce a cada ano. Esperemos para ver qual será a decisão da equipe de Reinhold Joest.

O Polo que jamais correrá - dinheiro jogado fora...

Já no WRC o choque foi maior. A Volkswagen estreou em 2013 e desde então dominava a categoria de tal forma que destituiu uma era e iniciou outra: Loeb havia conquistado nove títulos seguidos até então e, agora, Ogier tem quatro canecos - são doze anos de domino de pilotos da França! A última vez que um carro alemão havia vencido o campeonato foi em 1984, com o Audi Quattro.

Voltando à década de 80, é de se lembrar que o Grupo B foi extinto em 1986 quando a Audi preparava, secretamente, um super carro para o Grupo S, espécie de substituto obscuro do famoso Grupo B. O Audi 002 Quattro não era de motor frontal, mas sim traseiro, tendo traços que lembravam os sportscar da época. Um projeto ambicioso, feito longe dos olhos dos grandes executivos da marca. Walter Röhrl chegou a testar um Quattro S1 na Tchecoslováquia com motor traseiro, elogiando (e muito!) o carro, mas acabaria por jamais andar no 002.


O cancelamento do Grupo S decretou a morte do projeto que se manteve na escuridão por quase 20 anos antes de novas informações aparecerem na revista Motorsport. Trinta anos após o fim do Grupo B, o carro finalmente apareceu em um rally no Eifel Rallye Festival desse ano.

Mas por que escapar do assunto e leva-lo para um carro que jamais correu? Pois bem... há quem diga que o novo Polo era um dos mais rápidos já vistos na história do WRC! E como a Volkswagen não tem o costume de vender seus carros, estes provavelmente serão mandados direto para um museu (!), antes de reaparecem daqui algumas décadas em outro festival...

Veja também: Sobre o fim da Volkswagen no WRC.

Assim, Sébastien Ogier, Jari-Matti Latvala e Andreas Mikkelsen ficam sem equipe para 2017. Um trio de respeito que muito provavelmente vai conseguir uma vaguinha em alguma das grandes marcas: Ogier é cobiçado especialmente por Citroën e M-Sport (Ford), enquanto nada sobre Latvala surgiu na mídia. Mikkelsen tem experiência em equipes privadas, e deve aparecer na temporada que vem.

O Rallye da Austrália será o último de uma era...


Enquanto o ano não acaba, muita coisa ainda pode acontecer. Li hoje no Continental Circus, que chegou a se falar de um abandono por completo dos programas esportivos da empresa alemã, o que acarretaria no desaparecimento também da Porsche no WEC! Não sei se posso estar exagerando ou falando bobagem num ponto como esse, mas a verdade é dolorida: a VW está a pagar pelo maior erro de sua história - e não é apenas ela que sente por isso, mas também o esporte...

Será difícil imaginar o que poderia acontecer no WEC e no WRC em 2017, quando Audi finalmente poderia ter superado a Porsche a Citroën parecia ter se aproximado dos carros da Volkswagen. Viveremos apenas de suposições, apenas de "e se...", e isso é chato, é besta, é algo desnecessário para nosso futuro, e que poderia ser evitado caso nosso presente não fosse tão conturbado.

O que quero dizer é que se a Volkswagen não tivesse c*****, vamos dizer assim, poderíamos ter duas das melhores temporadas de sempre no WEC e no WRC, e tudo não passará de meras suposições um dia. Isso se já não as fazemos hoje...

E o velho continua com suas idiotices

Sobre o futuro, devemos aprender com os erros de hoje e corrigi-los. E é isso que a Fórmula 1 deverá fazer caso não queria cavar um buraco tão fundo, onde não poderá sair com tanta facilidade como queremos, tal como ocorre com o Grupo VAG.

Até outro dia...

Imagens tiradas do Google Imagens e http://www.f1-fansite.com/f1-wallpaper/hires-wallpapers-pictures-2016-mexican-f1-gp/.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

OPINIÃO: O grid de 2017


Estamos nos aproximando da segunda metade do mês de outubro. O grid da Fórmula 1 continua com grandes lacunas para serem preenchidas. Quem ocupará as vagas restantes? Quem poderá retornar e quem poderá estrear em 2017? Estas são algumas questões que continuam sem respostas antes mesmo do fim dessa temporada. De modo oficial, onze das vinte e duas cadeiras do próximo ano continuam sem dono.

No fim de setembro de 2015, fiz um pequeno post mostrando quem ficaria com cada uma das vagas que restavam no grid para esse ano, e agora fica claro que não tive muitas dificuldades para apontar quem ficaria onde em 2016. Porém essa dificuldade aumentou nessa nova Silly Season. No último fim-de-semana surgiram rumores de que Hülkenberg poderá ir para a Renault, o que mexeu ainda mais com nosso amado programa de meio de temporada: "Dança das Cadeiras".

Vamos direto ao assunto:

Mercedes AMG Petronas Formula One Team
6 - Nico Rosberg
44 - Lewis Hamilton

Os atuais tricampeões manterão para 2017 sua atual dupla de pilotos. Depois de dois anos na sombra de Lewis Hamilton, Nico Rosberg pode ter finalmente encontrado o caminho para a glória, o que ajudou na sua renovação até 2018. Parece que, mesmo se a equipe enfrentar problemas para se adequar às novas regras no início da próxima temporada, Hamilton e Rosberg poderão correr ainda por mais um ano na equipe, antes de seguirem seus próprio caminhos.


Red Bull Racing
3 - Daniel Ricciardo
33 - Max Verstappen
A Red Bull se livrou de qualquer especulação ao rebaixar Daniil Kvyat ainda no início do ano. Os contratos de Daniel Ricciardo e Max Verstappen são longos e interessantes, já que a equipe poderá ser a grande rival da Mercedes em 2017. Esperemos para ver. Enquanto isso não acontece, é difícil imaginar quem poderá ficar com essas vagas a partir de 2019, caso o australiano e/ou o holandês sigam outros rumos.


Scuderia Ferrari
5 - Sebastian Vettel
7 - Kimi Räikkönen
Pelo segundo ano seguido, a Ferrari era um dos principais alvos da Silly Season. Mas, antes mesmo dela começar a esquentar, Kimi Räikkönen foi confirmado para 2017, e melhor, semanas após a confirmação surgiram novos rumores de que o finlandês poderá ficar por mais um ano, vindo se aposentar apenas no fim de 2018. Já a permanência de Vettel após o fim do atual contrato entrou em xeque por Maurizio Arrivabene. Nada que possa preocupar o tetracampeão. Italiano gosta mesmo é de causar de vez em quando, e sabemos como a Ferrari ama ser assim.

Caso Alonso saia, Button retornará em 2018

McLaren Honda Formula 1 Team
14 - Fernando Alonso
47 - Stoffel Vandoorne
A quarta e última equipe que já tem sua dupla confirmada para 2017 é a McLaren. Sendo a performance do time de Woking o mais promissor para a próxima temporada, Stoffel Vandoorne poderá ter uma estreia dos sonhos em 2017. Seu grande talento, já apresentado em Sakhir, será um dos grandes atrativos do ano que vem, sobretudo ao ser comparado ao de um bicampeão da estirpe de Fernando Alonso. Após duas temporadas na sombra, o espanhol poderá em 2017 ter sua grande chance na McLaren, exatos dez anos após passar pela primeira vez pela equipe.

Wehrlein e Ocon já testaram pela Force India

Sahara Force India Formula One Team
11 - Sergio Pérez
27 - Nico Hülkenberg* / 94 - Pascal Wehrlein / 31 - Esteban Ocon
Depois de meses de especulação, Sergio Pérez acabou confirmando sua permanência na equipe indiana por mais um ano, tendo seus olhos voltados para uma vaga na Ferrari em 2018 ou 2019. As aposentadorias de Button e Massa, misturadas com a renovação do mexicano, colocaram a Renault em maus bocados em busca de um piloto para 2017. Mas este problema pode ter sua solução ainda na Force India.

A Autobild confirmou a ida de Nico Hülkenberg para o time de Enstone, sendo ele o primeiro piloto da equipe a partir do ano que vem, quando ainda estaria sob contrato da Force India. Caso o rumor se confirme, quem acabaria ganhando com a mudança, à curto prazo, seria o próprio time indiano, que receberia o dinheiro da multa além de ter dois jovens talentos para ocupar essa vaga.

Pascal Wehrlein seria o mais provável novo piloto da Force India, já que este se distanciou de uma das vagas da Williams. Porém, a equipe, que testou com o alemão e com seu companheiro de Manor, teria preferência por Esteban Ocon, sendo este, aos olhos do time, o mais talentoso, enquanto a alta cúpula da Mercedes prefere Wehrlein. Em ambos os casos, a Force India ganharia um bom desconto no preço dos motores alemães.


Williams Martini Racing
77 - Valtteri Bottas
    - Lance Stroll / Alex Lynn / 94 - Pascal Wehrlein / 12 - Felipe Nasr / 9 - Marcus Ericsson
Sequer Valtteri Bottas tem contrato assinado com a Williams para 2017, o que aumenta a quantidade de nomes em busca de uma vaga na equipe do "Tio Frank". De qualquer forma, o finlandês pediu que o novo contrato tivesse uma interessante cláusula: apenas Mercedes, Ferrari ou Red Bull poderiam tira-lo da equipe. Sua renovação parece certa.

Já no segundo cockpit do time britânico, Lance Stroll tem seu nome quase confirmado. A fortuna de seu pai, Lawrence Stroll, é um atrativo quase inegável para uma equipe que há tempos enfrenta problemas financeiros. Alex Lynn e Pascal Wehrlein perderam força na negociação.

Gasly é forte nome dentro da Red Bull

Scuderia Toro Rosso
55 - Carlos Sainz Jr
  - Pierre Gasly / 26 - Daniil Kvyat
Mesmo já tendo renovado com a equipe de Faenza, Carlos Sainz continuou a ser especulado em outras casas em 2017. Seu nome foi cotado, por exemplo, nas equipes Renault e Ferrari, mas, após longo período sem nenhuma novidade, acabou esfriando no mercado de pilotos dessa Silly Season. Já a segunda vaga na Toro Rosso ainda não está definida, com Kvyat lutando para se manter no grid da Fórmula 1.

É claro que o russo perdeu a motivação ao ser rebaixado, mas isso não o faz totalmente morto na briga por uma vaga na equipe. Sua confiança voltou no GP de Cingapura, quando o STR11 teve bom desempenho, e parte de sua antiga qualidade como piloto parece ter retornado após largar, com autoridade, duas vezes seguidas a frente de Sainz. Porém, Pierre Gasly continua sendo um nome que atormenta sua vaga. O francês é o atual vice-líder da GP2 e tem grande apoio interno da Red Bull. Esperemos para ver.


Sauber F1 Team
9 - Marcus Ericsson / 13 - Pastor Maldonado
12 - Felipe Nasr / 13 - Pastor Maldonado
Nenhum nome parece interessado nas vagas da equipe Sauber para 2017. Com a possibilidade de evolução após ser vendida, o time suíço parece ter tudo certo para manter Marcus Ericsson e Felipe Nasr pelo terceiro ano consecutivo. O brasileiro chegou a ser pintado na Renault, mas as negociações não se aprofundaram e parece mesmo que irá ficar por mais uma temporada na equipe. Já Ericsson, sem muitas portas abertas, deve ser figura carimbada no grid do próximo ano.

Pastor Maldonado (ele mesmo!) pode ter uma miníma chance de ficar com uma das vagas em 2017. Loucura minha? Deve ser, mas se não estou enganado, Nicolas Todt, empresário de Maldonado, foi visto nos boxes da Sauber num dos últimos fins de semana de GP. Pode ser impossível, mas seria interessante...


Haas F1 Team
8 - Romain Grosjean
21 - Esteban Gutiérrez
Outra equipe que não tem nenhum de seus pilotos confirmados para 2017 é a Haas. O time norte-americano tem tudo para manter Romain Grosjean por mais um ano, mas a vaga de Esteban Gutiérrez permanece em pauta. Depois que Charles Leclerc foi descartado por Günther Steiner, que afirmou ter preferência por pilotos experientes, parece que veremos o mexicano sofrendo novamente com um carro que nunca estará à altura de seu talento.


Renault Sport Formula One Team
20 - Kevin Magnussen / 26 - Daniil Kvyat
30 - Jolyon Palmer / 27 - Nico Hülkenberg / 31 - Esteban Ocon / Oliver Rowland / 12 - Felipe Nasr
Renault, onde qualquer um poderá correr em 2017. Sendo o principal alvo da Silly Season, a equipe francesa ainda não confirmou sua dupla de pilotos para a próxima temporada, o que abre um imenso leque de nomes para ocuparem essas duas vagas, muitos destes estão longe de conseguirem alguma coisa, já outros parecem próximos de um acordo.

Jolyon Palmer deve estar de saída, especialmente após passar por uma temporada cheia de problemas, e sem conseguir cumprir as expectativas, pondendo nunca mais voltar à F1. Nico Hülkenberg se tornou forte nome para ocupar sua vaga após Sainz e Pérez não avançarem na negociação, a ponto da Autobild confirmar sua ida para a equipe francesa no próximo ano.

Ainda existem outros dois interessantes nomes que podem ganhar um lugarzinho no time. Kevin Magnussen ainda não está confirmado, mas é quase certo que deva ficar mais um tempo na Renault, enquanto Esteban Ocon, francês de berço e sangue, protegido da Mercedes e da Renault, fique encostado na Manor por mais um ano antes de embarcar, por um alto preço, no navio amarelo.

Além de Ocon, quem pode cavar um lugar já em 2017 é Daniil Kvyat, lembrando que a Renault fornecerá motores para a Toro Rosso na próximo temporada, e, tal como a Ferrari fez para que Gutiérrez entrasse na Haas, mas agora ao contrário, Helmut Marko poderia colocar o russo numa das vagas do time francês. Parece improvável, mas numa vaga na qual já foi cotado Sergey Sirotkin tudo é possível.


Manor Racing MRT
94 - Pascal Wehrlein / 88 - Rio Haryanto
31 - Esteban Ocon / Jordan King
Manter um piloto do programa de desenvolvimento da Mercedes deve ser crucial para a Manor em 2017, com quase toda certeza de que este nome fará dupla com Rio Haryanto. Com uma quantidade enorme de fãs na Indonésia, o terceiro piloto da equipe britânica não teve carisma suficiente para atrair novos adeptos em âmbito internacional, mas isso não deve atrapalhar no seu quase certo retorno ao grid. Depois de Alexander Rossi confirmar que ficará na Indy por mais um ano, Jordan King se tornou o segundo nome mais forte para ocupar uma das vagas.