Mostrando postagens com marcador GP da África do Sul. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador GP da África do Sul. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

35 anos - A greve dos pilotos


Tudo havia começado ainda em 1981. A guerra entre FISA e FOCA parecia ter chegado ao fim enquanto o retorno de um grande campeão agitava as manchetes de todo mundo: Niki Lauda estaria de volta após seu abandono em 1979! Depois de meses acompanhando o interessante trabalho de um jovem Ron Dennis com o primeiro carro construído totalmente de fibra de carbono, o austríaco se curvou ao projeto e assinou o contrato para substituir Andrea de Cesaris, tornando-se, novamente, companheiro de John Watson.

Porém, o hype criado pelo retorno do bicampeão estaria perto de acabar. Como foi dito, tudo começou ainda em 1981, quando Lauda recebeu em sua casa uma carta da FISA sobre a nova regulamentação das super-licenças. Esta, se bem lida, apresentava novas cláusulas que proibiam os pilotos de mudarem de equipe no meio da temporada, sendo obrigados a ficarem no mesmo time por três anos. Além disso, não poderiam "causar danos aos interesses materiais e morais do campeonato do mundo". Basicamente, não poderiam mais criticar a FISA. Agora, equipes e dirigentes detinham maior poder sobre os pilotos.

Chegando ao hemisfério sul, onde o calor do verão era infernal, já em 1982, Lauda teria uma triste surpresa. Quase todos os pilotos, com exceção dele próprio, de Didier Pironi, Gilles Villeneuve, Jacques Laffite, Andrea de Cesaris, René Arnoux e Bruno Giacomelli, haviam assinado o acordo. E, para tentar resolver o erro, Lauda conversou com o presidente da GPDA, naquela altura Pironi, para que este fosse a Comissão da FIA tentar resolver o problema. Infelizmente as coisas não saíram como planejado, e a FISA planejava resolver isso apenas em abril pelo Comitê Executivo. O clima azedou de vez...

"Nós não vamos assumir o volante até que uma solução aceitável seja encontrada", dizia Didier Pironi naquele dia 18 de janeiro de 1982. Com as coisas indo de mal a pior, as chances de haver uma greve de pilotos cresceu.

E, na manhã de quarta-feira, dia 20, todos os carros estavam preparados nos boxes quando um ônibus passou pelo paddock levando 30 dos 31 competidores inscritos para a prova. Jochen Mass decidiu ficar longe da confusão, e seria o único homem a entrar na pista naquele dia, quando organizadores e dirigentes correriam para tentar resolver um gigantesco problema a tempo.


Depois de Laffite acabar com a única investida da organização, que colocou uma Kombi na frente do ônibus, os pilotos foram comboiados por jornalistas do mundo inteiro até o Hotel Sunnyside em Joanesburgo. Após chegarem ao local, Pironi retornaria à Kyalami para conversar com Jean-Marie Balestre, presidente da FISA, e Bernie Ecclestone, chefe da FOCA.

Os pilotos estavam relutantes, sobretudo os mais jovens. Keke Rosberg e Manfred Winkelhock, um que finalmente teria bom carro em mãos e outro que fazia sua estreia, eram os maiores opositores da ação, mas ainda sim estariam presentes naquele saguão. Há 35 anos atrás...

A ida de Pironi para Kyalami se mostrou desastrosa. Naquela noite, Balestre baniria todos os 30 pilotos que participaram da greve e planejava adiar em uma semana o GP da África do Sul, para que as equipes contratassem 30 novatos! Enquanto o francês age, Bernie Ecclestone prefere caçar um culpado, achando em Mark McCormack um nome que lhe agradasse. Aquele senhor americano tinha acabado de se tornar manager de Alain Prost e Didier Pironi, principal líder da greve. Estaria McCormack manipulando os pilotos? Para Ecclestone, sim...

Com a notícia do banimento permanente, a preocupação é generalizada entre os jovens. Mas, logo, os pilotos mais experientes conseguem reverter a situação e criar um clima único e que jamais se repetiria na história da categoria. Gilles Villeneuve e Elio de Angelis revezavam no piano, Slim Borgudd demonstrava sua habilidade na bateria, Bruno Giacomelli desenhava uma sátira onde ensinava fazer uma bomba e Niki Lauda (ele mesmo!) fazia um show de stand-up. Uma noite única na história... e não acabou por aí.

Jackie Oliver, um dos chefes da Arrows, com a ajuda de dois policiais, tentou arrombar a porta do local onde os pilotos estavam dormindo. A solução foi colocar o que dava na frente da porta para que nenhum daqueles três homens conseguisse entrar. Não havia lugar para todos no hotel, e, assim, muitos deles tiveram de dormir no chão, deitados ao lado de rivais e companheiros. Até mesmo Nelson Piquet parece ter ficado na dúvida se dormiria ou não ao lado de Carlos Reutemann, seu rival na disputa pelo título do ano anterior.

Que noite e que madrugada...


Apesar dos eventos "de ontem", que uniram ainda mais o grid, tivemos um caso de deserção! Alex Hawkridge, gerente da Toleman, convenceu Teo Fabi a fugir. Na manhã da quinta-feira, dia 21, o italiano falou que iria no banheiro e não voltou mais. "Ele havia fugido como uma galinha. Perdeu nosso respeito não por ter decidido ir embora, e sim porque foi direto a Ecclestone e Balestre para falar o que havíamos discutido" afirmou Keke Rosberg, que antes era um dos principais críticos do ato. Mesmo assim, a greve está mais forte do que nunca.

Às 8:15h, Niki Lauda deu uma entrevista dizendo que Pironi voltara ao autódromo para o ultimato com Balestre e Ecclestone. Uma hora e quarenta e cinco minutos depois, a vitória dos pilotos foi anunciada pelo presidente da GPDA. Os artigos que causaram a greve seriam reescritos, e os ases passariam a ter os mesmos direitos das equipes.

A FISA havia cedido, mas e a FOCA? Os garagistas acabaram sendo obrigados a devolverem os carros para seus respectivos pilotos, mas ainda havia um no meio deles que se negava a fazer isso com seu principal piloto: Bernie Ecclestone mandou colocar o número 2 em todos os BT50 em Kyalami, sinalizando que Nelson Piquet não participaria da prova. Era um golpe do inglês que alegava que uma noite no chão do hotel Sunnyside prejudicara a saúde do campeão.

Percebendo isso, Gilles Villeneuve volta a mobilizar seus colegas e uma nova greve é iminente. O próprio canadense levaria Nelson Piquet para exames no centro médico, onde acabaria liberado para correr. Bernie Ecclestone havia perdido mais uma batalha, mas não a guerra...

As multas ficaram entre US$ 5 mil e US$ 10 mil, mas o pior ainda estava por vir.

Niki Lauda havia percebido que os pilotos tinham perdido sua voz na Fórmula 1. Eram dois homens que dominavam tudo e podiam fazer aquilo que quisessem e, mesmo depois da demonstração de força em Kyalami, o austríaco viria a guerra ser perdida com a dissolução da GPDA e a criação da PRDA (Professional Racing Driver Association), uma versão bem menos sucedida daquela que ressurgiria com força após os fatídicos acontecimentos do 1º de maio de 1994.

Assim começava a temporada de 1982 da Fórmula 1. Sob calor infernal em Kyalami, com os pilotos fugindo de ônibus até um hotel onde dormiriam juntos (e no chão!) enquanto tentavam resolver um problema que poderia ter destruído aquilo que conhecemos como a década de ouro...

Há 35 anos...














Imagens tiradas do Google Imagens.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

50 anos - Quando um africano quase venceu o GP da África do Sul


Nos tempos em que os pilotos passavam o reveillon na África do Sul, houve alguém que desafiasse a lógica quando ninguém mais tinha condições de segui-la. Ainda era um tempo de transição para a Fórmula 1 que, com um novo regulamento, precisara de carros totalmente novos para a temporada de 1966. E como sempre, quem melhor se adaptou, venceu, e naquele época havia sido os Brabham de Black Jack e Denny Hulme.

Dois meses e meio após a última etapa no México, o circo estava reunido no novo Kyalami para o GP da África do Sul de 1967, e isso ainda no fim de dezembro de 66 (!). Com poucas novidades, as equipes traziam seus velhos bólidos junto à sua tradicional dupla de pilotos. E, como era de costume, pilotos da casa africana estavam inscritos: dois rodesianos, John Love e Sam Tingle; e dois sul-africanos, Dave Charlton e Luki Botha.


Charlton e Botha tinham um velho BT11 da Brabham, enquanto Tingle um LDS Mk 3. John Love já trazia um carro um pouco mais novo, o Cooper T79 (também usado por Bruce McLaren nos campeonatos neozelandeses de Fórmula 1), para mostrar ao circo internacional todo talento que o fez conquistar um tricampeonato consecutivo na F1 sul-africana.

Depois de sessões de treino marcados pelo forte calor, a Brabham colocou seus dois carros na primeira fila, com Jack em primeiro de Hulme em segundo. Jim Clark era terceiro com Pedro Rodríguez em quarto e um surpreendente John Love na quinta posição, conquistada graças a sua perícia em Kyalami. John Surtees, de Honda, era o sexto, Jochen Rindt o sétimo, Dave Charlton, o melhor sul-africado, era oitavo, Jackie Stewart era apenas nono e Bob Anderson fechava o top ten. Nas últimas posições estavam Dan Gurney, Joakim Bonnier, Mike Spence, Sam Tingle, Graham Hill, para surpresa de todos, em décimo quinto, Jo Siffert, Luki Botha e Piers Courage. A Ferrari sequer viajou para a África do Sul naquela ocasião.


Na noite de domingo (sim, domingo) uma forte tempestade tropical lavou o circuito de Kyalami. Toda a borracha havia desaparecido na manhã de segunda e, para piorar, o calor, o grande desgaste de pneus, a falta de confiabilidade dos carros e o excesso de pó (que havia sido jogado na pista para tampar manchas de óleo) tornavam a prova uma corrida mais de resistência do que um sprint.

Sob forte sol, na segunda-feira à tarde, a largada foi dada. Hulme pulou na liderança com Brabham em segundo e Surtees na terceira posição seguido por Rodríguez, Clark, Rindt, Anderson, Stewart, Charlton e Love, que partiu mal e era apenas décimo colocado. Na segunda volta, Jochen Rindt, Graham Hill e Mike Spence começariam a escalar o pelotão, enquanto Jack Brabham caia para o quarto posto.

Jackie Stewart seria o primeiro a abandonar, atrapalhando quem via atrás após o estouro de seu motor BRM, dando esperanças para que John Love, que escapou da confusão, pontuasse. Outro importante abandono seria o de Graham Hill, também nas primeiras voltas, enquanto, mais a frente Jochen Rindt perdia posições após rodar.

A fumaça deixada quando os carros passavam sobre as manchas de óleo
tapadas por pó

Na décima volta, Love seria superado por Siffert na disputa pelo sétimo lugar, enquanto Jim Clark tentava escapar na sexta posição. Não demoraria muito para que o suíço também sofresse com problemas, colocando o rodesiano de volta na sétima colocação atrás do Escocês Voador, que, na volta 22, abandonaria após estourar seu motor H16 da BRM.

Depois de uma feroz caça a John Surtees, Jack Brabham finalmente conseguiu superar o inglês na disputa pela segunda posição enquanto, mais atrás, Rindt voltava a rodar. O austríaco não havia perdido muitas posições, mas os erros estavam a custar uma luta pela vitória. Ele ainda retomaria a posição de Pedro Rodríguez antes de ultrapassar Surtees e assumir o terceiro lugar, atrás apenas dos carros da Brabham.

Rindt rodou duas vezes antes de abandonar

Lutando contra Gurney, John Love fazia um ótimo trabalho para tomar o quinto posto de Rodríguez, com graves problemas no câmbio. Mais atrás, o jovem Piers Courage assumia o oitavo lugar após superar Sam Tingle. Com um pequeno furo, John Surtees enfrentava também o superaquecimento de seus pedais quando foi superado por Love e Dan Gurney, que agora eram quarto e quinto colocados, respectivamente.

Na volta 38, o motor Maserati do Cooper de Jochen Rindt não resistiu. Poucos minutos depois, o público, atônito, via Jack Brabham parar nos boxes com problemas elétricos, retornando quatro voltas atrás de Denny Hulme. A corrida estava no colo do neozelandês, que começaria a temporada de 1967 com o pé direito. Em segundo agora estava um surpreendente John Love, com um velho Cooper, seguido por Gurney, Surtees, Rodríguez e Courage.

Surtees se arrastava pela pista

A suspensão traseira esquerda do Eagle de Dan Gurney tiraria o norte-americano da prova, enquanto a bomba de combustível apresentava um problema fatal para a corrida de Piers Courage, que também abandonaria quando era quinto. Nessa altura, Pedro Rodríguez, com apenas duas marchas, retomaria o terceiro lugar de John Surtees. Voltas depois, eis que o líder da prova, Denny Hulme vem aos boxes com problemas no freio. Um minuto e meio se passou antes de ser devolvido à pista, atrás de Love, Rodríguez e Surtees.

O público sul-africano, que havia adotado John Love como seu principal piloto comemorava: o rodesiano estava liderando um Grande Prêmio! Para melhorar, ele não tinha ninguém que ameaçasse sua vitória: Pedro Rodríguez corria com problemas no câmbio, John Surtees enfrentava o superaquecimento, Hulme e Brabham estavam muito atrás e restavam apenas oito carros na pista.

Love assumiria a ponta restando apenas 20 voltas para o fim

Faltando 20 voltas para o fim, Love vivia seu momento de glória. Aos poucos, um sonho começou a se tornar pesadelo: a bomba de combustível de seu Cooper começou a apresentar problemas e aquilo que estava sendo o maior trunfo do rodesiano se tornou o maior vilão. Na volta 73, John Love entra nos boxes, coloca dois galões no tanque de seu carro e parte para o tudo ou nada com Rodríguez.

Apesar de todo esforço, Pedro Rodríguez, apenas com duas marchas, venceria seu primeiro Grande Prêmio, sendo este o 16º e último para a equipe Cooper. Vinte e seis segundos atrás, chegaria John Love, com Surtees se arrastando para fechar o pódio com seu Honda. Hulme foi o quarto, com Bob Anderson em quinto e Jack Brabham num decepcionante sexto posto. Botha e Charlton, os dois pilotos da casa, também completariam, mas não seriam classificados por estarem muito atrás.

Rodríguez viu a vitória cair em seu colo

E assim, há 50 anos, a Fórmula 1 iniciava a temporada de 1967 com a Brabham continuando a ser a equipe a ser batida, com um mexicano conquistando sua primeira vitória e com um novo azarão para os anuais da história. Love já tinha seus 42 anos e participaria de todos os GPs da África do Sul até 1972, nunca mais voltando a ter uma performance tão brilhante.

Nascido em Bulawayo, ainda nos tempos em que o Zimbábue era colônia do Reino Unido, John Love conquistou seis títulos consecutivos na Fórmula 1 sul-africana, vindo falecer por causa de um câncer aos 80 anos de idade na mesma cidade em que nasceu.

Imagens tiradas do f1-history.deviantart.com e GPExpert.com.br

domingo, 6 de março de 2016

GP Memorável 73# - África do Sul 1976


Cinco semanas após o GP do Brasil, o circo estava arrumado em Kyalami com o retorno de algumas equipes e a notícia que a BRM não participaria da temporada, focando num novo carro para 1977. Nesse enorme período entre uma prova e outra a maior notícia era que Ronnie Peterson havia saído da Lotus, encontrando um lugar na March após a demissão de Lella Lombardi.

Desesperado em busca de dois nomes, Colin Chapman arranja Bob Evans, vindo da pré-extinção da BRM, e o jovem sueco Gunnar Nilsson. Depois de perder o patrocínio da UOP, a Shadow conseguiu, temporariamente, as estampas da Lucky Strike. Com seu novo TS19, a Surtees estreava no ano com Brett Lunger no volante.

Outra equipe que estreava o bólido em Kyalami era a Parnelli, em decadência, com seu novo VPJ4B e o retorno de Mario Andretti. Em busca de dinheiro, Frank Williams conseguiu um companheiro para Jacky Ickx, o francês Michel Leclère. Ainda com o velho N174, a Ensign trazia de volta Chris Amon, que havia se envolvido num acidente de estrada.


A Hesketh tinha o bigodudo Harald Ertl para sua estreia na temporada, enquanto Ian Sheckter era o único piloto independente inscrito com seu Tyrrell 007 preparado pela Lexington Racing. A falta de competidores sul-africanos mostrava a grande mudança que havia ocorrido em poucos anos, já que vários nomes do país sempre compareciam às provas.

Na parte particular dos pilotos, James Hunt estava sem a esposa Suzy enquanto Niki Lauda havia arranjado uma nova namorada, a bela Marlene Knaus. Parecia que, desde o início do ano, tudo estava contra o inglês, favorecendo o campeão do mundo, que claramente era o favorito para a prova sul-africana.

Já nos primeiros testes antes dos treinos, Roger Penske e Teddy Mayer causam uma controvérsia ao usar saias de policarbonato, mas, quando percebem a sua pouca eficácia, retiram-as de seus carros. Da mesma forma que aconteceu em Interlagos, James Hunt crava a pole após ser apenas um décimo mais rápido do que Lauda. Surpreendentemente, é John Watson que coloca a Penske na terceira colocação do grid.


Jochen Mass faz ótimo trabalho e é quarto, com Vittorio Brambilla em quinto, Patrick Depailler em sexto, Tom Pryce em sétimo, Jacques Laffite em oitavo, Clay Regazzoni num medíocre nono e Ronnie Peterson fechando o top ten. Ainda evoluindo os motores Alfa, Reutemann é décimo primeiro e Pace décimo quarto, com Jody Scheckter e Mario Andretti entre eles.

Decepção por parte de Jarier, que é apenas décimo quinto com Ian Sheckter, Hans Joachim Stuck e Chris Amon logo atrás. Confirmando a má fase da equipe Williams, Jacky Ickx é décimo nono e Leclère é vigésimo segundo. Lunger é vigésimo e Fittipaldi apenas vigésimo primeiro. Nas últimas posições, vergonha para a Lotus, com Bob Evans em vigésimo terceiro e Gunnar Nilsson na última colocação, com Harald Ertl no meio da dupla.


O tempo estava nublado no dia da corrida, mas sem chances de chuva. Como normalmente na época, muitos pilotos queimam a largada e prejudicam nomes como James Hunt, que perde posições importantíssimas. Se aproximando da primeira curva, Patrick Depailler balança sua Tyrrell e perde o posto para o inglês da McLaren, enquanto, mais atrás, Ian Sheckter toca em Michel Leclère e abandona.

Jochen Mass é o segundo até o fim da primeira volta, com Vittorio Brambilla e James Hunt tomando sua posição no início do giro 2. Jody Scheckter assume a décima colocação de Mario Andretti. Logo depois, é Patrick Depailler que perde o posto para Ronnie Peterson, com Carlos Reutemann decaindo após ser superado por Pryce, Regazzoni e Scheckter. Mais atrás, Stuck começa a perder posições.


Se recuperando, Gunnar Nilsson já passa pelo companheiro Bob Evans e assume a décima nona posição enquanto Ertl vem aos boxes com problemas em sua Hesketh. Na sexta volta, James Hunt assume a segunda posição de Brambilla enquanto Fittipaldi ultrapassa Evans. Na nona volta, o italiano da March perde mais uma colocação para Jochen Mass.

Lá na frente, Niki Lauda continua abrindo a diferença em relação a Hunt, enquanto Carlos Reutemann vai para os boxes com problemas no seu motor Alfa Romeo. O grupo liderado por Peterson se aproxima de Brambilla, e na 16º volta, Depailler, enquanto ultrapassava Ronnie, volta a balançar seu Tyrrell na Crowthorne, rodando no meio da pista. O sueco tenta desviar, mas é atingido pelo 007 do francês, que retorna à pista na décima terceira colocação enquanto o piloto da March abandona numa promissora corrida.


Mais atrás, Chris Amon passa por Jacky Ickx e Emerson Fittipaldi supera Gunnar Nilsson. Na décima oitava volta, Tom Pryce ultrapassa Brambilla e assume a quarta posição, enquanto, mais atrás, John Watson, que havia caído para 12º na largada, toma o oitavo posto de Mario Andretti. Niki mantém a ponta, sem dificuldades, mas começa a sentir problemas em sua Ferrari.

Pressionando Andretti, José Carlos Pace finalmente assume a nona posição antes de abandonar. Quem agradece é Jacques Laffite, que também supera o estadunidense e toma a colocação que antes era do brasileiro. O March de Vittorio Brambilla está com problemas, e o italiano não tem muito o que fazer diante dos ataques de Clay Regazzoni e Jody Scheckter. Na pífia décima quarta colocação, Jarier abandona.


A corrida perde um pouco da animação, mas James Hunt começa a diminuir a diferença de 10s que tem para Niki Lauda. Jacques Laffite supera John Watson e já é o oitavo, caminhando para os prováveis primeiros pontos da Ligier. Na 37º volta é Emerson Fittipaldi que ultrapassa o problemático FW05 de Jacky Ickx.

Já na segunda metade da corrida, Tom Pryce sofre um furo e perde posições importantíssimas, se tornando um mero figurante na parte de trás do grid. Hunt continua se aproximando de Lauda, enquanto Laffite força para ultrapassar Brambilla, abandonando após seu V12 estourar. Logo depois de ser ultrapassado por Jody Scheckter, Clay Regazzoni para com seu motor soltando fumaça.


Depailler havia perdido mais posições, agora estando no 11º posto. Aproximando do fim da prova, fica claro que Niki Lauda está com problemas: é um de seus pneus que tem um pequeno furo, mas a frieza do austríaco impede uma parada que seria fatal para o resultado da prova. Disputando a 13º posição, Brett Lunger ultrapassa Hans-Joachim Stuck.

Na frente, Lauda tenta estabilizar a diferença para Hunt, enquanto Brambilla segura a pressão de Watson e Andretti, e Amon se mantém na oitava posição apesar dos ataques de Fittipaldi, Pryce e Depailler. Na 71º volta, o pneu do atual campeão se esvazia completamente. Giros depois, sofrendo com o subesterço de sua March desde a metade da corrida, Vittorio Brambilla finalmente é superado por John Watson e Mario Andretti.


Chris Amon é outro guerreiro que sofre com os problemas de sua máquina, tendo que fazer uma parada logo depois que Emerson Fittipaldi abandonou com seu Copersucar. E ao fim das 78 voltas, é Andreas Nikolaus Lauda que cruza a linha de chegada em primeiro, apenas 1.3s na frente de James Hunt. Jochen Mass faz ótimo trabalho e termina no pódio, com Jody Scheckter fechando em quinto e a dupla à bordo de carros americanos terminando nos pontos: Watson quinto e Andretti sexto.

A vitória do austríaco reforça seu favoritismo ao título em 1976, conquistando 18 pontos dos 18 possíveis enquanto James Hunt finalmente anota seus primeiros digitos, empatando com Patrick Depailler enquanto Mass e Scheckter dividem a quarta colocação na tabela de pilotos. Apenas com Lauda marcando pontos, a Ferrari ainda tem 9 pontos de vantagem para a Tyrrell no campeonato de construtores, caminhando para um imparável bicampeonato de equipes.


RESULTADOS:
  1. 1 - AUT - Niki Lauda - Scuderia Ferrari - 1:42:18.4 - 9pts
  2. 11 - GBR - James Hunt - McLaren Ford - +1.3s - 6pts
  3. 12 - ALE - Jochen Mass - McLaren Ford - +45.9s - 4 pts
  4. 3 - AFS - Jody Scheckter - Tyrrell Ford - +1:08.4s - 3pts
  5. 28 - GBR - John Watson - Penske Ford - +1 Volta - 2 pts
  6. 27 - EUA - Mario Andretti - Parnelli Ford - +1 Volta - 1 pt
  7. 16 - GBR - Tom Pryce - Shadow Ford - +1 Volta
  8. 9 - ITA - Vittorio Brambilla - March Ford - +1 Volta
  9. 4 - FRA - Patrick Depailler - Tyrrell Ford - +1 Volta
  10. 5 - GBR - Bob Evans - Lotus Ford - +1 Volta
  11. 18 - EUA - Brett Lunger - Surtees Ford - +1 Volta
  12. 34 - ALE - Hans-Joachim Stuck - March Ford - +2 Voltas
  13. 21 - FRA - Michel Leclère - Wolf-Williams Ford - +2 Voltas
  14. 22 - NZL - Chris Amon - Ensign Ford - +2 Voltas
  15. 24 - AUT - Harald Ertl - Hesketh Ford - +4 Voltas
  16. 20 - BEL - Jacky Ickx - Wolf-Williams Ford - +5 Voltas
  17. 30 - BRA - Emerson Fittipaldi - Copersucar Fittipaldi Ford - Motor
  18. 2 - SUI - Clay Regazzoni - Scuderia Ferrari - Motor - OUT
  19. 26 - FRA - Jacques Laffite - Ligier Matra - Motor - OUT
  20. 17 - FRA - Jean-Pierre Jarier - Shadow Ford - Radiador - OUT
  21. 8 - BRA - José Carlos Pace - Brabham Alfa Romeo - Pressão de Óleo - OUT
  22. 6 - SUE - Gunnar Nilsson - Lotus Ford - Embreagem - OUT
  23. 7 - ARG - Carlos Reutemann - Brabham Alfa Romeo - Pressão de Óleo - OUT
  24. 10 - SUE - Ronnie Peterson - March Ford - Acidente - OUT
  25. 15 - AFS - Ian Scheckter - Tyrrell Ford - Acidente - OUT
Esses foram os pilotos que participaram do GP
Volta Mais Rápida: Niki Lauda - 1:17.97 - Volta 6


Curiosidades:
- 266º GP
- X Grande Prix of South Africa
- Realizado no dia 6 de março de 1976
- 9º vitória de Niki Lauda
- 10º pódio de James Hunt
- 1º GP de Gunnar Nilsson
- 60º vitória da Ferrari
- 60º vitória do motor Ferrari


  • MELHOR PILOTO: Niki Lauda
  • SORTUDO: Jody Scheckter
  • AZARADO: Tom Pryce
  • SURPRESA: Mario Andretti
Niki Lauda foi impecável em Kyalami, liderou todas as voltas e venceu de maneira sublime enquanto enfrentava a falta de pressão de um dos pneus de sua Ferrari. Scheckter estava longe de conquistar pontos, mas a sorte em ver os rivais sofrendo problemas levaram o sul-africano ao ótimo quarto posto. Pryce vinha de maneira fantástica na quarta colocação quando enfrentou problemas. Uma pena. Enquanto isso, Andretti, retornando à Parnelli, conquistou um surpreendente ponto na África do Sul.


Campeonato de Pilotos:
  1. 1 - AUT - Niki Lauda - Scuderia Ferrari - 18pts
  2. 4 - FRA - Patrick Depailler - Tyrrell Ford - 6pts
  3. 11 - GBR - James Hunt - McLaren Ford - 6pts
  4. 3 - AFS - Jody Scheckter - Tyrrell Ford - 5pts
  5. 12 - ALE - Jochen Mass - McLaren Ford - 5pts
  6. 16 - GBR - Tom Pryce - Shadow Ford - 4pts
  7. 34 - ALE - Hans-Joachim Stuck - March Ford - 3pts
  8. 28 - GBR - John Watson - Penske Ford - 2pts
  9. 27 - EUA - Mario Andretti - Parnelli Ford - 1pt

Campeonato de Construtores:
  1. ITA - Scuderia Ferrari - Ferrari - 312T - LAU/REG - G - 18pts
  2. GBR - Elf Team Tyrrell - Tyrrell Ford - 007 - SCH/DEP - G - 9pts
  3. GBR - Marlboro Team McLaren - McLaren Ford - M23 - HUN/MAS - G - 7pts
  4. GBR - Shadow Racing Team - Shadow Ford - DN5B - PRY/JAR - G - 4pts
  5. GBR - March Engineering - March Ford - 761 - BRA/LOM/PET/STU - G - 3pts
  6. EUA - Citibank Team Penske - Penske Ford - PC3 - WAT - G - 2pts
  7. EUA - Vel's Parnelli Jones Racing - Parnelli Ford - VPJ4B - AND - G - 1pt
Imagens tiradas do Google Imagens - GPExpert.com - F1-history.deviantart.com

domingo, 7 de fevereiro de 2016

35 Anos - A corrida que decidiu o título de 1981


Na época mais conturbada da guerra FISA x FOCA, o GP da África do Sul estava programado para abrir a temporada de 1981, coisa que realmente aconteceu no dia 7 de fevereiro, há 25 anos atrás... Com a FISA banindo as saias laterais, beneficiando as montadoras Ferrari, Alfa Romeo e Renault, as garagistas de Bernie Ecclestone contra-atacaram ao protestar sobre regra que tirava um domínio que já durava três temporadas.

Sem nenhum acordo firmado, o GP da África do Sul abriu o calendário da FOCA enquanto as equipes da FISA estariam apenas na Argentina para iniciar um calendário paralelo. Sem nenhuma montadora, o grid inteiro era constituído por equipes empurradas com motores Cosworth e, acima de tudo, com carros tendo saias laterais.


Com Brabham, Williams, Lotus, Fittipaldi, ATS, McLaren, Arrows, March, Theodore, Ensign e Tyrrell inscrevendo carros para a prova, Nelson Piquet conquistou a pole position com Carlos Reutemann em segundo, Alan Jones em terceiro, Keke Rosberg em quarto, Elio de Angelis em quinto, Riccardo Patrese em sexto, Ricardo Zunino em sétimo, Nigel Mansell em oitavo, Andrea de Cesaris em nono, Jan Lammers em décimo, Siegfried Stohr em décimo primeiro, Eddie Cheever em décimo segundo, Chico Serra em décimo terceiro, Marc Surer em décimo quarto, John Watson em décimo quinto, Desiré Wilson se tornando a última mulher à alinhar num grid (não-oficial), Derek Daly em décimo sétimo e Geoff Lees em último.


Embaixo de chuva, a largada foi dada com Piquet, de Angelis e um incrível Jan Lammers pulando para as três primeiras colocações. Carlos Reutemann inicia de maneira péssima, perdendo posições e não conseguindo acompanhar o ritmo dos ponteiros. O holandês da ATS ataca Elio de Angelis, mas em vão, abandonando por problemas nos freios enquanto Mansell assume a terceira posição.

Em recuperação fantástica, John Watson ataca ambas as Lotus, conseguindo ultrapassar Nigel Mansell depois do britânico tentar múltiplas vezes em cima do companheiro, falhando em todas. Embalado, o norte-irlandês também supera de Angelis. Recuperado, Carlos Reutemann também pressiona os pilotos da Lotus, conseguindo a ultrapassagem.


Com a pista secando, os pilotos pararam para trocar os pneus. Andrea de Cesaris acaba abrindo sua triste temporada cheia de acidentes com mais uma batida, enquanto Desiré Wilson também sai da pista de encontro ao muro. Alan Jones, o campeão, abandona com a saia de sua Williams quebrada, deixando ainda mais aberto o caminho para o rival argentino, que assume a ponta depois das paradas de Nelson Piquet e John Watson.

O ótimo trabalho da equipe Lotus beneficia Elio de Angelis, que termina na terceira colocação logo atrás de Reutemann, o vencedor, e Piquet. Keke Rosberg, com o antigo F8, conquistou uma fantástica quarta colocação, com John Watson sendo apenas o quinto e Riccardo Patrese fechando os lugares pontuáveis.


A vitória de Reutemann daria o título ao argentino no fim de 1981 caso fosse validado, já que a FISA de Jean-Marie Balestre não contou o GP da África do Sul como válido para o campeonato oficial, dando assim o título á Nelson Piquet. Outra pessoa que não se beneficiou foi Desiré Wilson, que, caso a prova fosse oficializada, se tornaria a última mulher à alinhar num grid.

Imagens tiradas do Google Imagens

domingo, 24 de janeiro de 2016

GP Memorável 68# - África do Sul 1985


Semanas depois de Brands Hatch, o circo chegava ao meio de controvérsias em Kyalami para mais um GP da África do Sul. Parecia que a década de 80 teve todas as suas confusões bem no país africano, com motivos que sempre envolviam os pilotos, as equipes, os organizadores e até a disputa entre FISA e FOCA, que acabou por não validar a edição de 1981 do GP sul-africano. 

No ano seguinte, a greve dos pilotos, acarretada por um novo e polêmico regulamento de superlicenças, quase impediu a realização da prova e acabou por deixar a Argentina sem um Grande Prêmio pois os patrocinadores acabaram rescindindo o contrato temendo novas revoltas lideradas por grandes nomes do grid, como Jacques Laffite e Niki Lauda.

Mas não estávamos mais em 1981 ou 1982, e sim em 1985, quando a Fórmula 1 já havia decidido um título por lá em 1983 além de ver uma vitória de Lauda em 1984, decretando o início de uma das melhores disputas de título da história. Nunca, nunca mesmo, o apartheid acabou sendo citado numa prova da categoria, afinal, era a coisa mais normal do mundo... (sarcasmo).


Parecia que em 1985 tudo que estava acontecendo na África do Sul desde 1948, isso mesmo, desde 1948, veio á tona para o mundo gerando uma polêmica tão grande que não havia como a Fórmula 1 escapar da conversa, especialmente por ser o único grande esporte que jamais fez uma restrição ao país africano desde aquela data, enquanto organizações, como o COI haviam banido a África do Sul de seus eventos.

Apesar do absurdo da segregação racial, acredito que há algo pior do que isso: ninguém havia notado? Eu, que não era nascido na época, não faço ideia se havia algum comentário sobre o terrível regime que estava imperando no país desde a década de 40. E de repente isto vem á tona? Essa é a ignorância do ser humano? E agora tudo estava nos ombros da FISA...

Jean-Marie Balestre, homem duro que, sinceramente, admirei alguns de seus atos, ainda se mostrou alguém alá Ken Tyrrell, mantendo a prova independentemente do que estava ocorrendo no país, especialmente ao dizer que a Fórmula 1 não se envolvia em assuntos políticos. Pelo menos, para não passar em branco, Balestre retirou a prova do calendário de 1986, o que culminou na falência de Kyalami.


Vários governos fizeram pedidos aos seus pilotos e equipes para que não corressem na África do Sul, mas apenas François Mitterrand, presidente da França, conseguiu segurar as rédeas das equipes de seu país, apesar de que elas já não estavam muito difíceis de segurar: a Renault sofria na temporada, e mesmo faltando a uma etapa, não teria nada a perder da mesma forma da Ligier.

Por outro lado, Mitterrand não conseguiu segurar o novo campeão do mundo Alain Prost, criticado por correr em Kyalami, e o jovem Philippe Streiff, que foi liberado pela Ligier para correr no lugar de Ivan Capelli na Tyrrell. Outra coisa que o presidente francês não conseguiu evitar era a participação das equipes equipadas com o motor Renault, que manteve sua logo estampada nos carros da Lotus e da Tyrrell.

Porém haviam motivos que eram maiores do que os políticos, para os pilotos, que infelizmente tem uma imgagem manchada pelo egoísmo causado em correr a prova. Pilotos como Stefan Johansson e Philippe Streiff ainda não tinham casa confirmada para 1986, e tentavam uma vaga na Ferrari e na Tyrrell, respectivamente. Então, para mim, é plausível a ida desses pilotos.


Rosberg, Piquet e Senna foram proibidos de correr pelos seus países, mas participaram normalmente da prova, afinal, estavam na disputa pela terceira posição da tabela de pilotos. Mas há uma exceção, a de Niki Lauda, que havia quebrado o pulso semanas antes e estava de volta logo em Kyalami, pensando em não participar da prova até mudar de ideia e fazer polêmica ao chegar na África da Sul, afinal, não estava disputando nada no campeonato. O único motivo mais plausível é que aquela seria sua última temporada.

Marcas como Marlboro, Barclay e Beatrice retirarão seus logos dos carros de equipes que, porém, ainda usavam um layout de pintura que mantinha a propaganda de seus patrocinadores. Além do boicote da Renault e Ligier (apenas quatro carros, pequeno número em relação à polemica do momento), RAM e Zakspeed não levaram seus carros para a África do Sul. A equipe de John MacDonald decidiu se reagrupar para resolver algumas coisas sobre 1986, enquanto a equipe alemã já havia fechado sua temporada com a última etapa européia do ano.


Nos treinos, Nigel Mansell marca sua segunda pole position da carreira, sendo 0.124s mais rápido do que Nelson Piquet, formando a primeira fila com seu novo companheiro de equipe para a temporada de 1986. Logo depois vinha Keke Rosberg com Ayrton Senna ao seu lado, Marc Surer é quinto, Elio de Angelis o sexto e Teo Fabi, Niki Lauda, Alain Prost e Thierry Boutsen fecham o top ten.

Gerhard Berger e Riccardo Patrese formavam a sexta fila, sendo seguidos por Piercarlo Ghinzani e Eddie Cheever enquanto Michele Alboreto e Stefan Johansson eram apenas décimo quinto e décimo sexto colocados no grid, com Martin Brundle colocando-se na frente de Alan Jones que fica no meio das Tyrrell. Pierluigi Martini e Huub Rothengatter fecham o pelotão.

Apesar de marcar o 18º tempo dos 21, Jones não largaria por motivos de saúde, priorizando a prova daqui a duas semanas, em casa, quando finalmente a Austrália estreará na Fórmula 1. Na partida, Mansell e Rosberg pulam para a frente com Ayrton ficando atrás de de Angelis, enquanto Piquet se segurava na mesma linha de dentro com Marc Surer se aproximando para tomar a posição de ambas as Lotus.


Ainda na reta, Rosberg erra marcha e fica atrás de Surer e das duas Lotus. Mais ao fundo, Eddie Cheever e Riccardo Patrese se tocam e acabam abandonando, deixando o grid de apenas 20 carros mais vazio. Logo, Marc Surer é superado por Elio de Angelis, Ayrton Senna, Keke Rosberg e Niki Lauda, caindo para a sétima posição. Ghinzani também se envolveu no toque das Alfas e teve de ir aos boxes, algo crucial para o resultado da corrida.

Rosberg já começava seu show indo em busca da liderança da corrida, ultrapassando Senna, de Angelis e Piquet para assumir a segunda posição na quinta volta, com o brasileiro da Brabham perdendo seu motor turbo e abandonando logo depois. Antes de Nelson, Surer, Rothengatter e Fabi já haviam saído da corrida, mostrando que a prova poderia se tornar um fiasco com o baixo número de pilotos terminando.


Voltas antes, Alain Prost já havia tomado a posição de Niki Lauda, enquanto Michele Alboreto se mantinha na frente de Gerhard Berger, oitavo colocado, com Martin Brundle em nono e Stefan Johansson fechando o top ten. Thierry Boutsen, Philippe Streiff, Pierluigi Martini e Piercarlo Ghinzani se mantinham na pista, mas não por muito tempo.

Batalhando com de Angelis, Senna assume a terceira colocação na mesma volta em que Keke Rosberg toma a ponta de Nigel Mansell, já abrindo para o companheiro de equipe. Atrasado, em relação ás voltas, Ghinzani estoura seu motor Hart em plena reta de Kyalami, chegando à primeira curva ainda espalhando óleo pela pista. Resultado?


Martini rodou e teve sorte em não ir para a terra, sorte que Rosberg, que vinha forte, não teve, rodando e perdendo a ponta para Rosberg. Quase no mesmo instante, Ayrton Senna vai aos boxes e abandona a prova por causa do motor, enquanto Alboreto se arrasta no circuito com problemas em seu turbo Ferrari. É Kyalami, seu calor, suas retas e seus desafios fazendo vitimas.

Gerhard Berger foi aos boxes, voltando na nona posição, enquanto Rosberg ficava agora em quinto. Pressionando Elio de Angelis, Alain Prost e Niki Lauda superam o italiano para assumirem a segunda e a terceira colocação respectivamente, com o italiano tentando ao máximo poupar seu carro para chegar ao fim da prova.


Numa corrida monótona, Nigel Mansell segurava Prost e Lauda, enquanto o showman Rosberg se aproximava de de Angelis, ultrapassando o italiano na volta dezesseis, sem antes de Stefan Johansson assumir a sexta posição ao passar por Martin Brundle. Havia apenas onze carros na pista, mas Philippe Streiff queria mostrar trabalho para Ken Tyrrell e por isso encontrou um dos muros do circuito sul-africano, abandonando a prova e deixando apenas dez bólidos em Kyalami.

Forçando, Rosberg tem que ir aos boxes na volta vinte e seis, voltando em sexto logo atrás de Martin Brundle que ganhou a posição perdida para Johansson depois do ferrarista parar. Na vigésima sétima volta, Keke passa por Brundle, além de Berger superar seu companheiro de equipe na disputa pela sétima colocação. Pouco depois, Stefan Johansson conseguiria passar por ambas as Arrows.


de Angelis também vai para os boxes pra trocar os pneus, voltando entre Brundle e Johansson. Com Mansell segunda a ponta, as duas McLaren param, com Alain Prost voltando atrás de Niki Lauda que vê ali a chance de mostrar seu talento novamente em 1985, mas falha, com seu turbo estourando e obrigando á um triste abandono em sua penúltima corrida da carreira.

Alain Prost agora tenta superar Nigel Mansell, que também faz a sua parada e volta na liderança, enquanto de Angelis assume a quarta posição ao ultrapassar Martin Brundle. O britânico para na volta quarenta e dois, retornando na penúltima colocação ao perder a posição para Johansson, Boutsen e Berger. Sem falar que o belga conseguiu passar pelo austríaco voltas antes.


Pierluigi Martini também abandona, não fazendo muita diferença ao não ser sujar a reta dos boxes ainda mais de óleo. Com Prost colado e tentando passar por Mansell, Rosberg começa a se aproximar que nem louco de ambos, tentando uma vitória que lhe era merecida. Aos poucos, o campeão do mundo começa a ter problemas elétricos e começa a perder terreno para Mansell, que respira.

Forçando, Keke é obrigado a parar pela segunda vez, algo absurdo naqueles tempos. Tentando se manter na zona de pontos, Elio de Angelis acaba sendo a última vitima do GP da África do Sul, também estourando o motor Renault de sua Lotus. A classificação no momento é Mansell em primeiro, Prost em segundo, Rosberg em terceiro, Johansson em quarto, Boutsen em quinto, Berger em sexto e Brundle em sétimo. Só...


Mas ainda havia emoção por vim, depois de uma prova que só havia tido momentos interessantes em suas primeiras voltas. Thierry Boutsen foi para os boxes, entregando a quinta colocação pra Gerhard Berger que caminha para seus primeiros pontos oficiais. Keke Rosberg, aquele que deu show em quase todas as provas do ano, finalmente daria o maior em Kyalami, nas últimas voltas.

Até então, Rosberg "poupava" o carro na perseguição á Alain Prost, mas quando o francês finalmente entrou no campo de visão do piloto da Williams, aí a torcida foi à loucura. Alucinado (como disse Galvão Bueno narrando as últimas voltas), Keke tirou a diferença para Prost, subindo em zebras e saindo de lado em várias curvas. Quando o finlandês assumiu a segunda colocação, parecia que o show havia acabado, mas havia mais por vim.



Agora perseguindo o impossível, a vitória, Rosberg realmente alucinou saindo fora da pista e indo até a grama em certos pontos do circuito, isso tudo para tentar alcançar Mansell, que não era mais alcançável, vencendo a prova sem muitas dificuldades, com o finlandês em segundo, Johansson em quarto e Berger e Boutsen fechando os pontos para a Arrows, mas ainda tinha alguém faltando para cruzar a linha de chegada...

Alain Prost, com problemas, se arrastou pelo circuito de Kyalami na última volta, cruzando a linha de chegada aos empurrões de seu corpo dentro cockpit. É nesse momento que eu pergunto: "Valia mesmo a pena de ter ido á Kyalami para pilotos como Lauda, Senna, Piquet, Prost, Alboreto, Ghinzani, Fabi, Patrese, Cheever e ainda mais Jones?


RESULTADOS:
  1. 5 - GBR - Nigel Mansell - Williams Honda - 1:28:22.866 - 9pts
  2. 6 - FIN - Keke Rosberg - Williams Honda - +7.572s - 6pts
  3. 2 - FRA - Alain Prost - McLaren TAG-Porsche - +1 Volta - 4pts
  4. 28 - SUE - Stefan Johansson - Scuderia Ferrari - +1 Volta - 3pts
  5. 17 - AUT - Gerhard Berger - Arrows BMW - +1 Volta - 2pts
  6. 18 - BEL - Thierry Boutsen - Arrows BMW - +1 Volta - 1pt
  7. 3 - GBR - Martin Brundle - Tyrrell Renault - +2 Voltas
  8. 11 - ITA - Elio de Angelis - Lotus Renault - Motor - OUT
  9. 29 - ITA - Pierluigi Martini - Minardi Motori Moderni - Radiador - OUT
  10. 1 - AUT - Niki Lauda - McLaren TAG-Porsche - Turbo - OUT
  11. 4 - FRA - Philippe Streiff - Tyrrel Renault - Acidente - OUT
  12. 12 - BRA - Ayrton Senna - Lotus Renault - Motor - OUT
  13. 27 - ITA - Michele Alboreto - Scuderia Ferrari - Turbo - OUT
  14. 7 - BRA - Nelson Piquet - Brabham BMW - Motor - OUT
  15. 20 - ITA - Piercarlo Ghinzani - Toleman Hart - Motor - OUT
  16. 19 - ITA - Teo Fabi - Toleman Hart - Motor - OUT
  17. 8 - SUI - Marc Surer - Brabham BMW - Motor - OUT
  18. 24 - HOL - Huub Rothengatter - Osella Alfa Romeo - Elétrico - OUT
  19. 22 - ITA - Riccardo Patrese - Benetton Team Alfa Romeo - Colisão - OUT
  20. 23 - EUA - Eddie Cheever - Benetton Team Alfa Romeo - Colisão - OUT
  21. 33 - AUS - Alan Jones - Team Haas (USA) Hart - Indisposto - OUT
Volta Mais Rápida: Keke Rosberg - 1:08.149 - Volta 74


Curiosidades:
- 419º GP
- XIX Grand Prix of South Africa
- Realizado no dia 19 de outubro de 1985
- Último GP no antigo Kyalami
- Último GP realizado no sábado
- Último GP não realizado em um domingo
- Retorno de Niki Lauda
- Estreia de Philippe Streiff na Tyrrell
- 2º vitória de Nigel Mansell
- 2º pole position de Nigel Mansell
- 21º vitória da Williams
- 6º vitória do motor Honda
- 30º pódio do motor TAG-Porsche

  • MELHOR PILOTO: Keke Rosberg
  • SORTUDO: Nigel Mansell
  • AZARADO: Keke Rosberg
  • SURPRESA: Gerhard Berger
Rosberg deu seu melhor show do ano em Kyalami, alucinado durante toda a corrida para terminar numa imerecida segunda posição, sendo o azarão por rodar no óleo deixado pelo motor Hart de Ghinzani. Já Mansell teve sorte mais uma vez, vencendo a prova sem cometer e erros. Berger por sua vez finalmente pontuou oficialmente, conquistando um quinto lugar depois da parada de Boutsen e dos abandonos dos outros pilotos.


Campeonato de Pilotos:
  1. 2 - FRA - Alain Prost - McLaren TAG-Porsche - 73pts
  2. 27 - ITA - Michele Alboreto - Scuderia Ferrari - 53pts
  3. 12 - BRA - Ayrton Senna - Lotus Renault - 38pts
  4. 11 - ITA - Elio de Angelis - Lotus Renault - 33pts
  5. 6 - FIN - Keke Rosberg - Williams Honda - 31pts
  6. 5 - GBR - Nigel Mansell - Williams Honda - 31pts
  7. 28 - SUE - Stefan Johansson - Scuderia Ferrari - 25pts
  8. 7 - BRA - Nelson Piquet - Brabham BMW - 21pts
  9. 1 - AUT - Niki Lauda - McLaren TAG-Porsche - 14pts
  10. 15 - FRA - Patrick Tambay - Renault Elf - 11pts
  11. 18 - BEL - Thierry Boutsen - Arrows BMW - 11pts
  12. 26 - FRA - Jacques Laffite - Ligier Renault - 10pts
  13. 8 - SUI - Marc Surer - Brabham BMW - 5pts
  14. 16 - GBR - Derek Warwick - Renault Elf - 5pts
  15. 4 / 3 - ALE - Stefan Bellof - Tyrrell Ford / Tyrrell Renault - 4pts
  16. 25 - ITA - Andrea de Cesaris - Ligier Renault - 3pts
  17. 28 - FRA - René Arnoux - Scuderia Ferrari - 3pts
  18. 17 - AUT - Gerhard Berger - Arrows BMW - 2pts

Campeonato de Construtores:
  1. Marlboro McLaren International - McLaren TAG-Porsche - MP4/2B - LAU/PRO - G - 90pts
  2. Scuderia Ferrari SpA SEFAC - Ferrari - 156/85 - ALB/ARN/JOH - G - 80pts
  3. John Player Special Team Lotus - Lotus Renault - 97T - ANG/SEN - G - 71pts
  4. Canon Williams Honda - Williams Honda - FW10 - MAN/ROS - G - 62pts
  5. Motor Racing Developments - Brabham BMW - BT54 - PIQ/HES/SUR - P - 26pts
  6. Équipe Renault Elf - Renault Elf - RE60 / RE60B - HES/TAM/WAR - G - 16pts
  7. Équipe Ligier - Ligier Renault - JS25 - CES/STR/LAF - P - 13pts
  8. Barclay Arrows BMW - Arrows BMW - A8 - BER/BOU - G - 13pts
  9. Tyrrell Racing Organisation - Tyrrell Ford - 012 - BRU/BEL/JOH - G - 4pts


Imagens tiradas do Google Imagens - Formula 1 HIGH RES photos - GPExpert.com.br