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domingo, 6 de março de 2016

GP Memorável 73# - África do Sul 1976


Cinco semanas após o GP do Brasil, o circo estava arrumado em Kyalami com o retorno de algumas equipes e a notícia que a BRM não participaria da temporada, focando num novo carro para 1977. Nesse enorme período entre uma prova e outra a maior notícia era que Ronnie Peterson havia saído da Lotus, encontrando um lugar na March após a demissão de Lella Lombardi.

Desesperado em busca de dois nomes, Colin Chapman arranja Bob Evans, vindo da pré-extinção da BRM, e o jovem sueco Gunnar Nilsson. Depois de perder o patrocínio da UOP, a Shadow conseguiu, temporariamente, as estampas da Lucky Strike. Com seu novo TS19, a Surtees estreava no ano com Brett Lunger no volante.

Outra equipe que estreava o bólido em Kyalami era a Parnelli, em decadência, com seu novo VPJ4B e o retorno de Mario Andretti. Em busca de dinheiro, Frank Williams conseguiu um companheiro para Jacky Ickx, o francês Michel Leclère. Ainda com o velho N174, a Ensign trazia de volta Chris Amon, que havia se envolvido num acidente de estrada.


A Hesketh tinha o bigodudo Harald Ertl para sua estreia na temporada, enquanto Ian Sheckter era o único piloto independente inscrito com seu Tyrrell 007 preparado pela Lexington Racing. A falta de competidores sul-africanos mostrava a grande mudança que havia ocorrido em poucos anos, já que vários nomes do país sempre compareciam às provas.

Na parte particular dos pilotos, James Hunt estava sem a esposa Suzy enquanto Niki Lauda havia arranjado uma nova namorada, a bela Marlene Knaus. Parecia que, desde o início do ano, tudo estava contra o inglês, favorecendo o campeão do mundo, que claramente era o favorito para a prova sul-africana.

Já nos primeiros testes antes dos treinos, Roger Penske e Teddy Mayer causam uma controvérsia ao usar saias de policarbonato, mas, quando percebem a sua pouca eficácia, retiram-as de seus carros. Da mesma forma que aconteceu em Interlagos, James Hunt crava a pole após ser apenas um décimo mais rápido do que Lauda. Surpreendentemente, é John Watson que coloca a Penske na terceira colocação do grid.


Jochen Mass faz ótimo trabalho e é quarto, com Vittorio Brambilla em quinto, Patrick Depailler em sexto, Tom Pryce em sétimo, Jacques Laffite em oitavo, Clay Regazzoni num medíocre nono e Ronnie Peterson fechando o top ten. Ainda evoluindo os motores Alfa, Reutemann é décimo primeiro e Pace décimo quarto, com Jody Scheckter e Mario Andretti entre eles.

Decepção por parte de Jarier, que é apenas décimo quinto com Ian Sheckter, Hans Joachim Stuck e Chris Amon logo atrás. Confirmando a má fase da equipe Williams, Jacky Ickx é décimo nono e Leclère é vigésimo segundo. Lunger é vigésimo e Fittipaldi apenas vigésimo primeiro. Nas últimas posições, vergonha para a Lotus, com Bob Evans em vigésimo terceiro e Gunnar Nilsson na última colocação, com Harald Ertl no meio da dupla.


O tempo estava nublado no dia da corrida, mas sem chances de chuva. Como normalmente na época, muitos pilotos queimam a largada e prejudicam nomes como James Hunt, que perde posições importantíssimas. Se aproximando da primeira curva, Patrick Depailler balança sua Tyrrell e perde o posto para o inglês da McLaren, enquanto, mais atrás, Ian Sheckter toca em Michel Leclère e abandona.

Jochen Mass é o segundo até o fim da primeira volta, com Vittorio Brambilla e James Hunt tomando sua posição no início do giro 2. Jody Scheckter assume a décima colocação de Mario Andretti. Logo depois, é Patrick Depailler que perde o posto para Ronnie Peterson, com Carlos Reutemann decaindo após ser superado por Pryce, Regazzoni e Scheckter. Mais atrás, Stuck começa a perder posições.


Se recuperando, Gunnar Nilsson já passa pelo companheiro Bob Evans e assume a décima nona posição enquanto Ertl vem aos boxes com problemas em sua Hesketh. Na sexta volta, James Hunt assume a segunda posição de Brambilla enquanto Fittipaldi ultrapassa Evans. Na nona volta, o italiano da March perde mais uma colocação para Jochen Mass.

Lá na frente, Niki Lauda continua abrindo a diferença em relação a Hunt, enquanto Carlos Reutemann vai para os boxes com problemas no seu motor Alfa Romeo. O grupo liderado por Peterson se aproxima de Brambilla, e na 16º volta, Depailler, enquanto ultrapassava Ronnie, volta a balançar seu Tyrrell na Crowthorne, rodando no meio da pista. O sueco tenta desviar, mas é atingido pelo 007 do francês, que retorna à pista na décima terceira colocação enquanto o piloto da March abandona numa promissora corrida.


Mais atrás, Chris Amon passa por Jacky Ickx e Emerson Fittipaldi supera Gunnar Nilsson. Na décima oitava volta, Tom Pryce ultrapassa Brambilla e assume a quarta posição, enquanto, mais atrás, John Watson, que havia caído para 12º na largada, toma o oitavo posto de Mario Andretti. Niki mantém a ponta, sem dificuldades, mas começa a sentir problemas em sua Ferrari.

Pressionando Andretti, José Carlos Pace finalmente assume a nona posição antes de abandonar. Quem agradece é Jacques Laffite, que também supera o estadunidense e toma a colocação que antes era do brasileiro. O March de Vittorio Brambilla está com problemas, e o italiano não tem muito o que fazer diante dos ataques de Clay Regazzoni e Jody Scheckter. Na pífia décima quarta colocação, Jarier abandona.


A corrida perde um pouco da animação, mas James Hunt começa a diminuir a diferença de 10s que tem para Niki Lauda. Jacques Laffite supera John Watson e já é o oitavo, caminhando para os prováveis primeiros pontos da Ligier. Na 37º volta é Emerson Fittipaldi que ultrapassa o problemático FW05 de Jacky Ickx.

Já na segunda metade da corrida, Tom Pryce sofre um furo e perde posições importantíssimas, se tornando um mero figurante na parte de trás do grid. Hunt continua se aproximando de Lauda, enquanto Laffite força para ultrapassar Brambilla, abandonando após seu V12 estourar. Logo depois de ser ultrapassado por Jody Scheckter, Clay Regazzoni para com seu motor soltando fumaça.


Depailler havia perdido mais posições, agora estando no 11º posto. Aproximando do fim da prova, fica claro que Niki Lauda está com problemas: é um de seus pneus que tem um pequeno furo, mas a frieza do austríaco impede uma parada que seria fatal para o resultado da prova. Disputando a 13º posição, Brett Lunger ultrapassa Hans-Joachim Stuck.

Na frente, Lauda tenta estabilizar a diferença para Hunt, enquanto Brambilla segura a pressão de Watson e Andretti, e Amon se mantém na oitava posição apesar dos ataques de Fittipaldi, Pryce e Depailler. Na 71º volta, o pneu do atual campeão se esvazia completamente. Giros depois, sofrendo com o subesterço de sua March desde a metade da corrida, Vittorio Brambilla finalmente é superado por John Watson e Mario Andretti.


Chris Amon é outro guerreiro que sofre com os problemas de sua máquina, tendo que fazer uma parada logo depois que Emerson Fittipaldi abandonou com seu Copersucar. E ao fim das 78 voltas, é Andreas Nikolaus Lauda que cruza a linha de chegada em primeiro, apenas 1.3s na frente de James Hunt. Jochen Mass faz ótimo trabalho e termina no pódio, com Jody Scheckter fechando em quinto e a dupla à bordo de carros americanos terminando nos pontos: Watson quinto e Andretti sexto.

A vitória do austríaco reforça seu favoritismo ao título em 1976, conquistando 18 pontos dos 18 possíveis enquanto James Hunt finalmente anota seus primeiros digitos, empatando com Patrick Depailler enquanto Mass e Scheckter dividem a quarta colocação na tabela de pilotos. Apenas com Lauda marcando pontos, a Ferrari ainda tem 9 pontos de vantagem para a Tyrrell no campeonato de construtores, caminhando para um imparável bicampeonato de equipes.


RESULTADOS:
  1. 1 - AUT - Niki Lauda - Scuderia Ferrari - 1:42:18.4 - 9pts
  2. 11 - GBR - James Hunt - McLaren Ford - +1.3s - 6pts
  3. 12 - ALE - Jochen Mass - McLaren Ford - +45.9s - 4 pts
  4. 3 - AFS - Jody Scheckter - Tyrrell Ford - +1:08.4s - 3pts
  5. 28 - GBR - John Watson - Penske Ford - +1 Volta - 2 pts
  6. 27 - EUA - Mario Andretti - Parnelli Ford - +1 Volta - 1 pt
  7. 16 - GBR - Tom Pryce - Shadow Ford - +1 Volta
  8. 9 - ITA - Vittorio Brambilla - March Ford - +1 Volta
  9. 4 - FRA - Patrick Depailler - Tyrrell Ford - +1 Volta
  10. 5 - GBR - Bob Evans - Lotus Ford - +1 Volta
  11. 18 - EUA - Brett Lunger - Surtees Ford - +1 Volta
  12. 34 - ALE - Hans-Joachim Stuck - March Ford - +2 Voltas
  13. 21 - FRA - Michel Leclère - Wolf-Williams Ford - +2 Voltas
  14. 22 - NZL - Chris Amon - Ensign Ford - +2 Voltas
  15. 24 - AUT - Harald Ertl - Hesketh Ford - +4 Voltas
  16. 20 - BEL - Jacky Ickx - Wolf-Williams Ford - +5 Voltas
  17. 30 - BRA - Emerson Fittipaldi - Copersucar Fittipaldi Ford - Motor
  18. 2 - SUI - Clay Regazzoni - Scuderia Ferrari - Motor - OUT
  19. 26 - FRA - Jacques Laffite - Ligier Matra - Motor - OUT
  20. 17 - FRA - Jean-Pierre Jarier - Shadow Ford - Radiador - OUT
  21. 8 - BRA - José Carlos Pace - Brabham Alfa Romeo - Pressão de Óleo - OUT
  22. 6 - SUE - Gunnar Nilsson - Lotus Ford - Embreagem - OUT
  23. 7 - ARG - Carlos Reutemann - Brabham Alfa Romeo - Pressão de Óleo - OUT
  24. 10 - SUE - Ronnie Peterson - March Ford - Acidente - OUT
  25. 15 - AFS - Ian Scheckter - Tyrrell Ford - Acidente - OUT
Esses foram os pilotos que participaram do GP
Volta Mais Rápida: Niki Lauda - 1:17.97 - Volta 6


Curiosidades:
- 266º GP
- X Grande Prix of South Africa
- Realizado no dia 6 de março de 1976
- 9º vitória de Niki Lauda
- 10º pódio de James Hunt
- 1º GP de Gunnar Nilsson
- 60º vitória da Ferrari
- 60º vitória do motor Ferrari


  • MELHOR PILOTO: Niki Lauda
  • SORTUDO: Jody Scheckter
  • AZARADO: Tom Pryce
  • SURPRESA: Mario Andretti
Niki Lauda foi impecável em Kyalami, liderou todas as voltas e venceu de maneira sublime enquanto enfrentava a falta de pressão de um dos pneus de sua Ferrari. Scheckter estava longe de conquistar pontos, mas a sorte em ver os rivais sofrendo problemas levaram o sul-africano ao ótimo quarto posto. Pryce vinha de maneira fantástica na quarta colocação quando enfrentou problemas. Uma pena. Enquanto isso, Andretti, retornando à Parnelli, conquistou um surpreendente ponto na África do Sul.


Campeonato de Pilotos:
  1. 1 - AUT - Niki Lauda - Scuderia Ferrari - 18pts
  2. 4 - FRA - Patrick Depailler - Tyrrell Ford - 6pts
  3. 11 - GBR - James Hunt - McLaren Ford - 6pts
  4. 3 - AFS - Jody Scheckter - Tyrrell Ford - 5pts
  5. 12 - ALE - Jochen Mass - McLaren Ford - 5pts
  6. 16 - GBR - Tom Pryce - Shadow Ford - 4pts
  7. 34 - ALE - Hans-Joachim Stuck - March Ford - 3pts
  8. 28 - GBR - John Watson - Penske Ford - 2pts
  9. 27 - EUA - Mario Andretti - Parnelli Ford - 1pt

Campeonato de Construtores:
  1. ITA - Scuderia Ferrari - Ferrari - 312T - LAU/REG - G - 18pts
  2. GBR - Elf Team Tyrrell - Tyrrell Ford - 007 - SCH/DEP - G - 9pts
  3. GBR - Marlboro Team McLaren - McLaren Ford - M23 - HUN/MAS - G - 7pts
  4. GBR - Shadow Racing Team - Shadow Ford - DN5B - PRY/JAR - G - 4pts
  5. GBR - March Engineering - March Ford - 761 - BRA/LOM/PET/STU - G - 3pts
  6. EUA - Citibank Team Penske - Penske Ford - PC3 - WAT - G - 2pts
  7. EUA - Vel's Parnelli Jones Racing - Parnelli Ford - VPJ4B - AND - G - 1pt
Imagens tiradas do Google Imagens - GPExpert.com - F1-history.deviantart.com

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

GP Memorável 70# - Brasil 1976


Os pilotos chegaram na América do Sul graças ao pagamento total dos organizadores do GP do Brasil que, na época, dividiam as despesas com a outra prova realizada no continente, mas que em 1976 acabou cancelada por causa dos graves problemas políticos e financeiros que vinha enfrentando. Com isso, pela primeira vez na história, o Grande Prêmio do Brasil abriria uma temporada da categoria de maior renome do automobilismo. Era de se orgulhar...

No inverno que antecedeu a realização da prova muita coisa importante havia acontecido, além do cancelamento da prova argentina, Tony Brise acabou falecendo num acidente aéreo ao lado de sua equipe, Embassy-Hill, com Graham Hill pilotando o avião que caiu aos arredores de Londres no fim de novembro. Foi um choque para o automobilismo britânico, que perdera parte de seu passado e parte de seu futuro.


Com Emerson Fittipaldi anunciando de maneira bombástica sua saída da McLaren para ingressar na Copersucar fundada pelo seu irmão no ano anterior, a equipe de Teddy Mayer procurou um jovem talento que fosse páreo para duelar com os campeões da Ferrari, e depois de negar dois chamados, James Hunt acabou sendo contratado pela equipe do "Tio Bruce", iniciado o período mais vitorioso de sua carreira.

A Parnelli perdia o interesse na Fórmula 1, deixando Mario Andretti á pé nas vésperas do GP do Brasil. A Lotus, por sua vez, não arranjou um segundo piloto para correr ao lado de Ronnie Peterson, que já estava prestes a deixar a equipe que estava em decadência. Mesmo assim, Chapman conseguiu colocar Peterson e Andretti para correr em Interlagos, tentando arranjar outros nomes para as provas europeias que se aproximavam.


Estreando na categoria, a equipe de Guy Ligier inscreveu apenas um carro para Jacques Laffite, o promissor francês que já havia conquistado um pódio no ano anterior e tinha novas ambições para 1976. Com um estanho JS5, a Ligier estreou na Fórmula1 no meio do pelotão, pagando mico apenas com o visual extravagante de seu bólido.

A March inscreveu três carros para a prova: Vittorio Brambilla, Lella Lombardi e Hans-Joachim Stuck, enquanto a Copersucar dava um antigo modelo para o jovem estreante Ingo Hoffmann. Nos treinos, James Hunt arrancou a pole position de Niki Lauda por apenas 0.02s, mostrando que a disputa pelo título poderia ser feroz durante a temporada.


Jean-Pierre Jarier era terceiro colocado, com Clay Regazzoni ao seu lado e Emerson Fittipaldi fazendo milagre em levar o Copersucar ao quinto posto no grid, com Jochen Mass em sexto e Vittorio Brambilla, John Watson, Patrick Depailler e José Carlos Pace fechando o top ten. Jacques Laffite era décimo primeiro, Tom Pryce décimo segundo, Jody Scheckter décimo terceiro e Hans-Joachim Stuck décimo quarto.

Carlos Reutemann era apenas décimo quinto colocado no grid, com Mario Andretti e Renzo Zorzi logo atrás. Ronnie Peterson era o décimo oitavo colocado, Jacky Ickx décimo nono, Ingo Hoffmann vigésimo e Ian Ashley e Lella Lombardi fechando o pelotão. No domingo, sol, para iluminar a abertura de mais uma temporada da Fórmula 1.


Na partida, Niki Lauda toma a frente de James Hunt, mas é surpreendido por Clay Regazzoni que assume a ponta da corrida, com Vittorio Brambilla pulando para o quarto posto seguido por Jarier, Mass, Watson, Fittipaldi, Pryce e Depailler. Ao fim da primeira volta, Lombardi é obrigada parar com problemas, retornando a pista ainda na última posição. John Watson abandona com seu Penske em chamas enquanto Jochen Mass vai aos boxes se recuperar do toque que fez em cima de Jarier.

Depois de uma largada fenomenal, Tom Pryce consegue ultrapassar Emerson Fittipaldi e assumir a sexta colocação. Regazzoni, Lauda e Hunt começam a abrir para Vittorio Brambilla, que recebe ataques de Jean-Pierre Jarier enquanto Fittipaldi é ultrapassado por Patrick Depailler e Jody Scheckter. Também fazendo prova interessante, Stuck ultrapassa Pace, Fittipaldi, Laffite e Scheckter, assumindo a oitava posição.


Na mesma volta, Jarier consegue superar Brambilla. Depois de largar mal, Reutemann acompanhou de perto o toque de Mario Andretti em cima de Ronnie Peterson, acabando com a nada promissora prova de ambas as Lotus. Na sexta volta, Tom Pryce toma a quinta posição de Brambilla enquanto Jean-Pierre se junta a batalha pela liderança com Lauda e Hunt logo atrás de Regazzoni.

Rápido, Jacques Laffite agora é nono depois de passar por Jody Scheckter, enquanto mais ao fundo Peterson começa a ter problemas em seu motor. Tentando se recuperar, Jochen Mass assume a décima sexta posição depois de ultrapassar Ingo Hoffmann. Na volta oito Niki Lauda consegue ultrapassa Clay Regazzoni, que logo depois também é superado por James Hunt antes de ser tocado por Jean-Pierre Jarier e sair da pista, sendo obrigado a parar para reparar sua Ferrari, retornando na décima sétima posição.


Decaindo, Brambilla agora é ultrapassado por Patrick Depailler e Carlos Reutemann supera seu companheiro José Carlos Pace na disputa pela décima primeira posição. Na 14º volta, Vittorio Brambilla finalmente abandona, ao lado dele Jacques Laffite que finaliza com a estreia da Ligier com problemas na transmissão.

Nas últimas voltas, Jochen Mass fez uma recuperação boa de posições assumindo a décima primeira colocação ao passar por Jacky Ickx e Renzo Zorzi, ultrapassando José Carlos Pace na volta seguinte. Com problemas no motor, Emerson perde a boa oitava colocação para Carlos Reutemann, sendo superado a cada duas voltas por Jochen Mass, José Carlos Pace, Renzo Zorzi e Jacky Ickx.

Niki Lauda não enfrenta problemas na liderança, com James Hunt sendo pressionado por Jean-Pierre Jarier e Tom Pryce se mantendo na quarta colocação. Na vigésima primeira volta, Mass assume a oitava posição de Carlos Reutemann, enquanto Fittipaldi vai caindo ainda mais e agora perde a posição para Regazzoni e Hoffmann.


Na vigésima sétima volta, Hunt finalmente é superado por Jarier, que começa a tirar a diferença para Lauda. Com problemas, o britânico também é ultrapassado por Pryce e Depailler, acabando no muro da Sargento quando seu acelerador trava, abandonando sua primeira corrida na McLaren. Mais atrás, e algumas voltas antes, José Carlos Pace perde posições enquanto Jacky Ickx finalmente supera Renzo Zorzi.

Recuperado, Regazzoni é nono logo atrás de Reutemann. Uma volta depois de Hunt deixar óleo na Sargento, Jean-Pierre Jarier, que estava pressionando Lauda, trava os freios e vai para o guard-rail, abandonando a prova quando a vitória parecia possível. Carlos Reutemann abandona sem combustível, com isso Clay Regazzoni passa a ser sétimo colocado.


Tom Pryce, depois de segurar Patrick Depailler em boa parte da corrida, acaba cedendo a segunda colocação para o francês na volta 35, com Hans-Joachim Stuck, Jody Scheckter e Jochen Mass se mantando nas posições pontuáveis. Os brasileiros estão cabisbaixos, sem muita alegria e com poucos sorrisos nas arquibancadas: Pace é 10º, Hoffmann é 11º e Fittipaldi é 13º.

E ao fim de 40 voltas giradas em média na casa dos 2 minutos e quarenta segundos, Niki Lauda abre a temporada de 1976 com uma vitória à bordo do defasado 312T, com Patrick Depailler fazendo milagre ao levar os restos mortais do 007 ao pódio ao lado de Tom Pryce que não retornaria novamente á aquele lugar até o dia de sua morte. Stuck fez grande prova e terminou em quarto, com Scheckter e Mass ganhando os últimos pontos.


RESULTADOS:

  1. 1 - AUT - Niki Lauda - Scuderia Ferrari - 1:45:16.78 - 9pts
  2. 4 - FRA - Patrick Depailler - Tyrrell Ford - +21.47s - 6pts
  3. 16 - GBR - Tom Pryce - Shadow Ford - +23.84s - 4pts
  4. 34 - ALE - Hans-Joachim Stuck - Marc Ford - +1:28.17 - 3pts
  5. 3 - AFS - Jody Scheckter - Tyrrell Ford - +1:56.46 - 2pts
  6. 12 - ALE - Jochen Mass - McLaren Ford - 1:58.27 - 1pt
  7. 2 - SUI - Clay Regazzoni - Scuderia Ferrari - +2:15.24
  8. 20 - BEL - Jacky Ickx - Wolf-Williams Ford - +1 Volta
  9. 21 - ITA - Renzo Zorzi - Williams Ford - +1 Volta
  10. 8 - BRA - José Carlo Pace - Brabham Alfa Romeo - +1 Volta
  11. 31 - BRA - Ingo Hoffmann - Copersucar Fittipaldi Ford - +1 Volta
  12. 7 - ARG - Carlos Reutemann - Brabham Alfa Romeo - Falta de Combustível
  13. 30 - BRA - Emerson Fittipaldi - Copersucar Fittipaldi Ford - +3 Voltas
  14. 10 - ITA - Lella Lombardi - March Ford - +4 Voltas
  15. 17 - FRA - Jean-Pierre Jarier - Shadow Ford - Acidente - OUT
  16. 11 - GBR - James Hunt - McLaren Ford - Acidente - OUT
  17. 9 - ITA - Vittorio Brambilla - March Ford - Vazamento de Óleo - OUT
  18. 26 - FRA - Jacques Laffite - Ligier Matra - Transmissão - OUT
  19. 5 - SUE - Ronnie Peterson - Lotus Ford - Pressão de Combustível - OUT
  20. 6 - EUA - Mario Andretti - Lotus Ford - Colisão - OUT
  21. 28 - GBR - John Watson - Penske Ford - Sistema de Combustível - OUT
  22. 14 - GBR - Ian Ashley - Stanley BRM - Bomba de Óleo - OUT
Volta Mais Rápida: Jean-Pierre Jarier - 2:35.07 - Volta 31


Curiosidades:
- 265º GP
- V Grande Prêmio do Brasil
- Realizado no dia 25 de janeiro de 1976
- 8º vitória de Niki Lauda
- 1º pole position de James Hunt
- 2º e último pódio de Tom Pryce
- 59º vitória da Ferrari
- 2º e última melhor volta da Shadow
- 1º GP da Ligier
- 59º vitória do motor Ferrari

  • MELHOR PILOTO: Jean-Pierre Jarier
  • SORTUDO: Niki Lauda
  • AZARADO: Clay Regazzoni / Jean-Pierre Jarier
  • SURPRESA: N/H
Jean-Pierre Jarier foi o grande nome da prova, mesmo estando envolvido em dois toques de atrapalharam a prova de Mass e Regazzoni, quase ultrapassando Lauda nas últimas voltas até se perder no óleo deixado por Hunt. Regazzoni vinha fazendo boa prova, e um pódio era fácil de ser conquistado, mas a agressividade e a fobia de Jarier tiraram até os pontos do suiço. Lauda escapou ileso de tudo, sem enfrentar problemas mecânicos e terminando na primeira colocação.


Campeonato de Pilotos:
  1. 1 - AUT - Niki Lauda - Scuderia Ferrari - 9pts
  2. 4 - FRA - Patrick Depailler - Tyrrell Ford - 6pts
  3. 16 - GBR - Tom Pryce - Shadow Ford - 4pts
  4. 34 - ALE - Hans-Joachim Stuck - March Ford - 3pts
  5. 3 - AFS - Jody Scheckter - Tyrrell Ford - 2pts
  6. 12 - ALE - Jochen Mass - McLaren Ford - 1pt

Campeonato de Construtores:
  1. ITA - Scuderia Ferrari - Ferrari - 312T - LAU/REG - G - 9pts
  2. GBR - El Team Tyrrell - Tyrrell Ford - 007 - SCH/DEP - G - 6pts
  3. GBR - Shadow Racing Team - Shadow Ford - DN5B - PRY/JAR - G - 4pts
  4. GBR - March Engineering - March Ford - 761 - BRA/LOM/STU - G - 3pts
  5. GBR - Marlboro Team McLaren - McLaren Ford - M23 - HUN/MAS - G - 1pt
Imagens tiradas do Google Imagens - GPExpert.com.br - F1-history.deviantart.com

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

40 Anos - O GP que não aconteceu


No fim de novembro passado, postei sobre os 40 anos da fatalidade de Graham Hill e sua equipe no ares da Inglaterra dizendo que foi um dos acontecimentos mais importantes para a temporada de 1976. Mas ainda há outro acontecimento ainda mais importantíssimo que esse: o GP da Argentina. O calendário do ano que se aproximava era o recorde da Fórmula 1 com 17 etapas, mas apenas 16 delas aconteceram. O que houve?

Programado para o dia 11 de janeiro (isso mesmo, hoje...) de 1976, o GP da Argentina ia acontecer no mesmo circuito de Buenos Aires que a categoria havia passado nos anos anteriores, mas por problemas financeiros a prova acabou sendo cancelada. Agora o que poderia ter acontecido no território argentino nunca saberemos, porém Lauda quase nunca teve sorte lá, enquanto Hunt havia chegado ao pódio em 1975...

Só resta imaginar o que aconteceria...

Imagens tiradas do Google Imagens

domingo, 29 de novembro de 2015

40 Anos - Tragédia Aérea


Dia 29 de novembro de 1975, a Embassy-Hill está em testes no circuito de Paul Ricard para a temporada de 1976 com seu novo carro: o GH2. O talentoso Tony Brise testa o projeto da equipe do "tio Graham", que tem planos mais ambiciosos a partir do GP da Espanha, quando os periscópios dos motores seriam banidos. O carro se mostrava muito eficiente, o que poderia levar o jovem britânico a belos resultados na temporada que se aproximava.


O bimotor Piper Aztec de Graham Hill, comprado com sua vitória na Indy 500, levava a equipe de um lado pro outro na Europa, e naquela ocasião não seria diferente, com o habilidoso dono da equipe levando-os de volta para casa. Porém, uma forte neblina cercava o Elstree Aerodrome, onde ele pousaria, por isso, o Mister Mônaco, tentou fazer um pouco de emergência.

Pouco antes das 22 horas, o Piper acabou atingindo algumas árvores de um campo de golfe, caindo e explodindo logo depois, matando Graham Hill, Tony Brise, Andy Smallman, Ray Brimble, Tony Alcock e Terry Richards. A neblina era tanta que os socorristas tiveram sérias dificuldades de se aproximar do lugar do acidente que deixou um buraco na história e no futuro dos ingleses na Fórmula 1...


O funeral do bicampeão foi uma semana depois, no dia 5 de dezembro, reunindo três mil pessoas. Apesar da tristeza de todos da família Hill, o pior ainda estava por vim... A falta de um seguro adequado teve consequências desastrosas da família, que teve que vender bens e propriedades para conseguir pagar as indenizações às famílias das outras vítimas...

De repente, um sonho que vinha, aos poucos, se tornando realidade, se tornou um pesadelo que levou quase tudo da família Hill, Brise, o time técnico e de mecânicos e... Graham... Assim acabava a aventura do Mister Mônaco como construtor da categoria máxima do automobilismo.


Poucos percebem, mas essa tragédia também refletiria no resultado do campeonato de 1976, já que o GH2 e Tony Brise tinham plenas condições de pontuarem e de até mesmo conquistarem um pódio...

Imagens tiradas do Google Imagens

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

40 Anos - O Anúncio do Calendário de Provas de 1976

Os restos do banking de Fuji...

Poucos percebem, mas a história da temporada de 1976 da Fórmula 1 poderia ser diferente mesmo com Niki Lauda sofrendo seu acidente na Alemanha. E se o GP da Argentina fosse realizado? É isso mesmo! O GP da Argentina estava no anúncio do calendário da temporada sendo a primeira corrida a receber os pilotos, no dia 11 de janeiro, porém, por motivos financeiros, não recebeu o GP.

Depois de uma temporada com apenas 14 provas, a categoria máxima do automobilismo migrou para um calendário de 17, algo espantoso para uma época em que era quase inimaginável passar da marca de 15 corridas em um ano. Você confere o calendário original da temporada abaixo:

Oscar Galvez, 1975

  1. GP da Argentina - 11 de janeiro
  2. GP do Brasil - 25 de janeiro
  3. GP da África do Sul - 6 de março
  4. GP do Oeste dos EUA (Long Beach)* - 28 de março
  5. GP da Espanha - 2 de maio
  6. GP da Bélgica - 16 de maio
  7. GP de Mônaco - 30 de maio
  8. GP da Suécia - 13 de junho
  9. GP da França - 4 de julho
  10. GP da Grã-Bretanha - 18 de julho
  11. GP da Alemanha - 2 agosto
  12. GP da Áustria - 15 de agosto
  13. GP da Holanda - 29 de agosto
  14. GP da Itália - 12 de setembro
  15. GP do Canadá - 3 de outubro
  16. GP dos EUA - 10 de outubro
  17. GP do Japão (Fuji)* - 24 de outubro.
As provas marcadas com "*" significam que estreavam no calendário, ou seja, Long Beach e Fuji receberiam suas primeiras provas de Fórmula 1.

Long Beach, 1975

Para muitos, a temporada de 1976 foi a que teve o calendário mais diversificado da história da categoria, indo a vários extremos: no veloz circuito argentino, no técnico traçado de Interlagos, no rápido Kyalami, nas apertadas ruas da bela Long Beach, no sol de Jarama, entre as árvores de Zolder, desfilando perto do mar, indo até a Escandinávia para correr num aeroporto, no perigoso Paul Ricard, na segurança de Brands Hatch, em Nürburgring (precisa de palavras?), nas montanhas da Áustria, no desafiador Zandvoort, na veloz Monza, nas subidas e descidas de Mosport e Watkins Glen, e entre o Monte Fuji...

No dia 27 de novembro de 1975, começava toda a história da temporada de 1976 da Fórmula 1...

Imagens tiradas do Google Imagens