Mostrando postagens com marcador Interlagos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Interlagos. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 25 de março de 2016

GP Memorável 75# - Brasil 1991


Semanas depois do GP dos EUA nas ruas de Phoenix marcado pela vitória arrasadora da dominante combinação Senna-McLaren-Honda, o circo chegava ao Brasil para a segunda etapa da temporada de 1991. Pelo segundo ano seguido, Interlagos era sede da prova que voltava a ter Ayrton como favorito à vitória. Depois de passar anos tentando em vão, o brasileiro estava ainda mais disposto para quebrar o jejum na vigésima edição do Grande Prêmio do Brasil.

Agora com mais condições do que nunca, sem nenhum rival despontando no início da época, Senna era de longe o principal protagonista do fim-de-semana, deixando desfocada as participações de Nelson Piquet, Roberto Moreno e Mauricio Gugelmin. A Ferrari continuava tentando buscar o lugar que foi tomado pela Williams, mas a equipe britânica fez um evolução tão grande á ponto de dar esperanças para Nigel Mansell.


Antes do treino de qualificação, a pré-qualificação era o maior medo de cinco times: Jordan, Fondmetal, Coloni, Lambo-Modena e Dallara. Tendo condições para brilhar, a dupla da Scuderia Italia foi bem nos treinos da manhã, conseguindo passar para a próxima fase ao lado de Andrea de Cesaris e Bertrand Gachot, que alegraram Eddie Jordan. van de Poele e Larini continuavam no barco à deriva da Lambo-Modena, enquanto Chaves e Grouillard tiveram os piores tempos.

Já no treino principal, quatro nomes não conseguiriam uma vaga no grid para domingo, e infelizmente ambas as Footwork estava no meio disso. A parceria com a Porsche não estava sequer perto de sair da lama, deixando Caffi e Alboreto fora da corrida. Com eles, Bailey e Johansson também voltariam para casa mais cedo. Enquanto lá na frente...


Senna mostrou que era o favorito absoluto para a prova, marcou a pole position com o tempo de 1:16.392 e colocou no bolso a dupla da Williams, com Riccardo Patrese em segundo e Nigel Mansell em terceiro. Gerhard Berger era quarto, enquanto Jean Alesi abria a terceira fila na frente do tricampeão Alain Prost. Fechando o top ten estava Nelson Piquet, Maurício Gugelmin, que havia treinado muito bem, Stefano Modena e um surpreendente Bertrand Gachot.

Na décima primeira colocação estava o Lola de Éric Bernard, ao lado dele a Dallara de Emanuele Pirro, enquanto Andrea de Cesaris e Roberto Moreno formavam a sétima fila. Ivan Capelli era décimo quinto, Satoru Nakajima décimo sexto, Aguri Suzuki décimo sétimo, Thierry Boutsen décimo oitavo, JJ Lehto décimo nono e Pierluigi Martini vigésimo.

Fechando o grid: Gianni Morbidelli, Mika Häkkinen, Érik Comas, Gabriele Tarquini e a dupla da Brabham, Mark Blundell e Martin Brundle. O tempo para a corrida não seria um dos melhores, especialmente em Interlagos, onde as forças da natureza são tão instáveis. Apesar da ameaça de chuva, a prova foi iniciada em pista seca, facilitando o trabalho dos pilotos.


Enquanto a luz vermelha ainda era acesa, quem se estava pegando fogo no grid era o carro de Berger, que não enfrentou maiores problemas apesar da fumaça que saiu de sua McLaren nas primeiras curvas. Quando a luz verde se ascendeu, Ayrton Senna pulou na ponta sem problemas, enquanto Mansell superava Patrese e Alesi tomava a quarta colocação.

Mais atrás, Gachot atrapalha Pirro que vai para a grama, caindo para vigésimo sexto. Logo, a primeira desistência: Gabriele Tarquini danifica a suspensão e bate num dos muros de Interlagos. Lá na frente, Ayrton Senna tenta abrir em relação à Nigel Mansell, mas o Leão é forte e se aproxima do brasileiro. Tentando recuperar-se da fraca posição no grid de largada, Moreno supera Bernard e já é décimo primeiro.

No terceiro giro, de Cesaris ultrapassa o francês da Larrousse e agora persegue Moreno. Sem muitas condições para combate, a dupla da Brabham já é superada por Mika Häkkinen e Emanuel Pirro. Liderando, Senna ainda recebe pressão de Mansell, com Patrese em terceiro, Alesi em quarto, Berger em quinto, Piquet em sexto, Prost em sétimo e Modena em oitavo.


Quem surpreende é Maurício Gugelmin, que, com um carro pouco confiável, vem fazendo milagre na nona colocação. Morbidelli e Martini que haviam largado bem com suas Minardi também iniciam uma prova consistente, com Gianni ultrapassando Lehto na disputa pela décima quarta colocação e Pierluigi assumindo o décimo sétimo posto de Boutsen.

O finlandês da Dallara seria o próximo alvo de Martini antes que Maurício Gugelmin desistisse da prova, tendo se envolvido num incidente que queimou suas nádegas no Warm-Up. As dores eram insuportáveis, e na nona volta o brasileiro decidiu bem em parar e abandonar a prova, apesar dela ser tão promissora para a Leyton House.

Em décimo oitavo, Satoru Nakajima roda e abandona, enquanto Senna mantém uma boa distância para Mansell, que por sua vez abre para Patrese e Alesi, que é pressionado por Berger. No décimo oitavo giro, Alain Prost vai aos boxes fazer sua parada, retornando em décimo primeiro. Modena mal teve tempo de comemorar a posição ganha, abandonando com problemas no câmbio.


Câmbio que estava se tornando o grande pesadelo da prova, com muitos pilotos começando a enfrentar dificuldades terríveis nas trocas de marchas. Perseguindo o companheiro Gachot, Andrea de Cesaris abandona na vigésima volta com problemas no motor, sendo seguido por JJ Lehto com a eletrônica de sua Dallara significando um abandono.

Na vigésima sexta volta é a vez de Nigel Mansell parar, sendo a troca de pneus um desastre com o Leão sofrendo problemas no câmbio, só voltando atrás de Riccardo Patrese e Jean Alesi. O britânico ainda tomaria a posição do francês na volta seguinte, quando Senna foi aos boxes e teve mais sorte, voltando com conforto na liderança da corrida.

No vigésimo oitavo giro é a vez de Patrese, Berger e Alesi pararem, o que beneficia Alain Prost, que jogou bem ao parar voltas mais cedo. Com problemas de embreagem, Bernard é obrigado a abandonar a prova logo depois que Martini usou do mesmo artifício de Prost para ultrapassar seu companheiro, tornando-se décimo colocado.


Voltas depois, Patrese toma a terceira posição de Piquet enquanto Berger assume o sexto posto de Alesi. Demorou estranhamente pouco, mas Alain Prost fez sua segunda parada para retornar na sétima colocação, logo atrás de Jean Alesi, que giros depois também pararia, cedendo a posição para o tricampeão. Um pouco mais na frente, Gerhard Berger persegue incansavelmente Nelson Piquet, que é ultrapassado na volta quarenta e cinco, duas antes dele decidir fazer sua primeira parada.

Escalando o pelotão, Pierluigi Martini tinha acabado de assumir a nona colocação quando um erro o tirou da prova. Conseguindo abrir a diferença, Ayrton Senna começa a se acalmar na liderança, conduzindo magistralmente no início de uma leve garoa. Nigel Mansell ainda faria sua segunda parada, mas os problemas na caixa de câmbio se mantinham para tirar o Leão da prova, na volta 59.

Acorrida já não era tão competitiva, e o abandono de Nigel Mansell evidenciava ainda mais que Ayrton Senna passou a dominar a Fórmula 1 de tal maneira que seria impossível detê-lo. Mas como ninguém é perfeito, a caixa de câmbio da McLaren MP4/6 do brasileiro começou a travar, problemas tão piores quanto aqueles enfrentados por Patrese, enquanto Berger sofria com um acelerador que travava regularmente.


Seriam 11 voltas de pura resistência e raça para todos os pilotos na pista, e a chegada da chuva serviu para consagrar ainda mais uma vitória tão esperada. A diferença era enorme, mas não o suficiente para que Riccardo Patrese alcançasse Senna em suas atuais condições, dando ainda mais alegria ao povo brasileiro.

Quando cruzou a linha de chegada em primeiro, não existiam mais palavras para descrever tal momento: Ayrton Senna havia vencido o GP do Brasil! Depois de ficar apenas na sexta marcha durante todas as últimas voltas, o brasileiro teve espasmos musculares em diversas partes do corpo, deixando, sua McLaren morrer no meio da Reta Oposta na Volta da Vitória. A torcida gritava, e ninguém mais sabia o que fazer no meio de tanta alegria.


Fiscais empurraram a McLaren de Senna que voltou a funcionar até onde o brasileiro conseguiu guiar. De maneira tão heroica quanto a vitória de Piquet em Jacarepaguá em 1982, Ayrton vencia definitivamente no Brasil, espantando um último fantasma em sua carreira. Para melhorar, sua situação no campeonato mundial não poderia ser melhor: 20 pontos conquistados dos 20 possíveis, tendo Prost apenas com 9, na segunda colocação.

No pódio, três gladiadores que fizeram do GP do Brasil de 1991 uma prova de resistência às dores e ao cansaço, uma corrida marcada pelo heroísmo mesmo após 71 voltas extremamente monótonas e sem nenhum grande momento... O que uma vitória com sabor à mais não faz, não é mesmo?


RESULTADOS:
  1. 1 - BRA - Ayrton Senna - McLaren Honda - 1:38:28.128 - 10pts
  2. 6 - ITA - Riccardo Patrese - Williams Renault - +2.991s - 6pts
  3. 2 - AUT - Gerhard Berger - McLaren Honda - +5.416s - 4pts
  4. 27 - FRA - Alain Prost - Scuderia Ferrari - +18.369s - 3pts
  5. 20 - BRA - Nelson Piquet - Benetton Ford - +21.960 - 2pts
  6. 28 - FRA - Jean Alesi - Scuderia Ferrari - +23.641s - 1pt
  7. 19 - BRA - Roberto Moreno - Benetton Ford - +1 Volta
  8. 24 - ITA - Gianni Morbidelli - Minardi Ferrari - +2 Voltas
  9. 11 - FIN - Mika Häkkinen - Lotus Judd - +3 Voltas
  10. 25 - BEL - Thierry Boutsen - Ligier Lamborghini - +3 Voltas
  11. 21 - ITA - Emanuele Pirro - Dallara Judd - +3 Voltas
  12. 7 - GBR - Martin Brundle - Brabham Yamaha - +4 Voltas
  13. 32 - BEL - Bertrand Gachot - Jordan Ford - Sistema de Combustível
  14. 5 - GBR - Nigel Mansell - Williams Renault - Caixa de Câmbio - OUT
  15. 26 - FRA - Érik Comas - Ligier Lamborghini - Motor - OUT
  16. 23 - ITA - Pierluigi Martini - Minardi Ferrari - Rodada - OUT
  17. 8 - GBR - Mark Blundell - Brabham Yamaha - Motor - OUT
  18. 29 - FRA - Éric Bernard - Lola Ford - Radiador - OUT
  19. 22 - FIN - Jyrki Juhani Järvilehto - Dallara Judd - Elétrico - OUT
  20. 33 - ITA - Andrea de Cesaris - Jordan Ford - Motor - OUT
  21. 4 - ITA - Stefano Modena - Tyrrell Honda - Caixa de Câmbio - OUT
  22. 16 - ITA - Ivan Capelli - Leyton House Ilmor - Transmissão - OUT
  23. 3 - JAP - Satoru Nakajima - Tyrrell Honda - Rodada - OUT
  24. 15 - BRA - Mauricio Gugelmin - Leyton House Ilmor - Físico - OUT
  25. 17 - ITA - Gabriele Tarquini - AGS Ford - Suspensão - OUT
  26. 30 - JAP - Aguri Suzuki - Lola Ford - Bomba de Combustível - OUT
  27. 10 - ITA - Alex Caffi - Footwork Porsche - DNQ
  28. 18 - SUE - Stefan Johansson - AGS Ford - DNQ
  29. 9 - ITA - Michele Alboreto - Footwork Porsche - DNQ
  30. 12 - GBR - Julian Bailey - Lotus Judd - DNQ
  31. 35 - BEL - Eric van de Poele - Lambo-Modena Lamborghini - DNPQ
  32. 34 - ITA - Nicola Larini - Lambo-Modena Lamborghini - DNPQ
  33. 31 - POR - Pedro Chaves - Coloni Ford - DNPQ
  34. 14 - FRA - Olivier Grouillard - Fondmetal Ford - DNPQ
Esses foram os pilotos que participaram do fim-de-semana de GP
Volta Mais Rápida: Nigel Mansell - 1:20.436 - Volta 35


Curiosidades
- 502º GP
- XX Grande Prêmio do Brasil
- Realizado no dia 24 de março de 1991, em Jacarepaguá
- 28º vitória de Ayrton Senna
- 88º vitória da McLaren
- 210º pódio da McLaren
- 60º vitória do motor Honda
- 30º melhor volta do motor Renault
- 50º GP do motor Judd

  • MELHOR PILOTO: Ayrton Senna
  • SORTUDO: Ayrton Senna
  • AZARADO: Maurício Gugelmin
  • SURPRESA: N/H
Ayrton Senna guiou de forma magistral, mostrando que não era mais o mesmo Ayrton que havíamos conhecido na década de 80, muitas vezes sem cabeça em determinadas situações. O brasileiro ainda contou com a sorte que todo o campeão deve ter, resistindo à dois pilotos que sofriam de problemas semelhantes. Gugelmin tinha tudo para marcar pontos com sua Leyton House, mas o incidente no Warm-Up estragou qualquer possibilidade de festa em Interlagos.


Campeonato de Pilotos:
  1. 1 - BRA - Ayrton Senna - McLaren Honda - 20pts
  2. 27 - FRA - Alain Prost - Scuderia Ferrari - 9pts
  3. 6 - ITA - Riccardo Patrese - Williams Renault - 6pts
  4. 20 - BRA - Nelson Piquet - Benetton Ford - 6pts
  5. 2 - AUT - Gerhard Berger - McLaren Honda - 4pts
  6. 4 - ITA - Stefano Modena - Tyrrell Honda - 3pts
  7. 3 - JAP - Satoru Nakajima - Tyrrell Honda - 2pts
  8. 30 - JAP - Aguri Suzuki - Lola Ford - 1pt
  9. 28 - FRA - Jean Alesi - Scuderia Ferrari - 1pt
Campeonato de Construtores:
  1. GBR - Honda Marlboro McLaren - McLaren Honda - MP4/6 - SEN/BER - G - 24pts
  2. ITA - Scuderia Ferrari - Ferrari - 642 - PRO/ALE - G - 10pts
  3. GBR - Camel Benetton Ford - Benetton Ford - B190B - MOR/PIQ - P - 6pts
  4. GBR - Canon Williams Team - Williams Renault - FW14 - MAN/PAT - G - 6pts
  5. GBR - Braun Tyrrell Honda - Tyrrell Honda - 020 - NAK/MOD - P - 5pts
  6. FRA - Larrousse F1 - Lola Ford - LC91 - BER/SUZ - G - 1pt
Imagens tiradas do Google Imagens - F1-History.deviantart.com - GPExpert.com.br

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

GP Memorável 70# - Brasil 1976


Os pilotos chegaram na América do Sul graças ao pagamento total dos organizadores do GP do Brasil que, na época, dividiam as despesas com a outra prova realizada no continente, mas que em 1976 acabou cancelada por causa dos graves problemas políticos e financeiros que vinha enfrentando. Com isso, pela primeira vez na história, o Grande Prêmio do Brasil abriria uma temporada da categoria de maior renome do automobilismo. Era de se orgulhar...

No inverno que antecedeu a realização da prova muita coisa importante havia acontecido, além do cancelamento da prova argentina, Tony Brise acabou falecendo num acidente aéreo ao lado de sua equipe, Embassy-Hill, com Graham Hill pilotando o avião que caiu aos arredores de Londres no fim de novembro. Foi um choque para o automobilismo britânico, que perdera parte de seu passado e parte de seu futuro.


Com Emerson Fittipaldi anunciando de maneira bombástica sua saída da McLaren para ingressar na Copersucar fundada pelo seu irmão no ano anterior, a equipe de Teddy Mayer procurou um jovem talento que fosse páreo para duelar com os campeões da Ferrari, e depois de negar dois chamados, James Hunt acabou sendo contratado pela equipe do "Tio Bruce", iniciado o período mais vitorioso de sua carreira.

A Parnelli perdia o interesse na Fórmula 1, deixando Mario Andretti á pé nas vésperas do GP do Brasil. A Lotus, por sua vez, não arranjou um segundo piloto para correr ao lado de Ronnie Peterson, que já estava prestes a deixar a equipe que estava em decadência. Mesmo assim, Chapman conseguiu colocar Peterson e Andretti para correr em Interlagos, tentando arranjar outros nomes para as provas europeias que se aproximavam.


Estreando na categoria, a equipe de Guy Ligier inscreveu apenas um carro para Jacques Laffite, o promissor francês que já havia conquistado um pódio no ano anterior e tinha novas ambições para 1976. Com um estanho JS5, a Ligier estreou na Fórmula1 no meio do pelotão, pagando mico apenas com o visual extravagante de seu bólido.

A March inscreveu três carros para a prova: Vittorio Brambilla, Lella Lombardi e Hans-Joachim Stuck, enquanto a Copersucar dava um antigo modelo para o jovem estreante Ingo Hoffmann. Nos treinos, James Hunt arrancou a pole position de Niki Lauda por apenas 0.02s, mostrando que a disputa pelo título poderia ser feroz durante a temporada.


Jean-Pierre Jarier era terceiro colocado, com Clay Regazzoni ao seu lado e Emerson Fittipaldi fazendo milagre em levar o Copersucar ao quinto posto no grid, com Jochen Mass em sexto e Vittorio Brambilla, John Watson, Patrick Depailler e José Carlos Pace fechando o top ten. Jacques Laffite era décimo primeiro, Tom Pryce décimo segundo, Jody Scheckter décimo terceiro e Hans-Joachim Stuck décimo quarto.

Carlos Reutemann era apenas décimo quinto colocado no grid, com Mario Andretti e Renzo Zorzi logo atrás. Ronnie Peterson era o décimo oitavo colocado, Jacky Ickx décimo nono, Ingo Hoffmann vigésimo e Ian Ashley e Lella Lombardi fechando o pelotão. No domingo, sol, para iluminar a abertura de mais uma temporada da Fórmula 1.


Na partida, Niki Lauda toma a frente de James Hunt, mas é surpreendido por Clay Regazzoni que assume a ponta da corrida, com Vittorio Brambilla pulando para o quarto posto seguido por Jarier, Mass, Watson, Fittipaldi, Pryce e Depailler. Ao fim da primeira volta, Lombardi é obrigada parar com problemas, retornando a pista ainda na última posição. John Watson abandona com seu Penske em chamas enquanto Jochen Mass vai aos boxes se recuperar do toque que fez em cima de Jarier.

Depois de uma largada fenomenal, Tom Pryce consegue ultrapassar Emerson Fittipaldi e assumir a sexta colocação. Regazzoni, Lauda e Hunt começam a abrir para Vittorio Brambilla, que recebe ataques de Jean-Pierre Jarier enquanto Fittipaldi é ultrapassado por Patrick Depailler e Jody Scheckter. Também fazendo prova interessante, Stuck ultrapassa Pace, Fittipaldi, Laffite e Scheckter, assumindo a oitava posição.


Na mesma volta, Jarier consegue superar Brambilla. Depois de largar mal, Reutemann acompanhou de perto o toque de Mario Andretti em cima de Ronnie Peterson, acabando com a nada promissora prova de ambas as Lotus. Na sexta volta, Tom Pryce toma a quinta posição de Brambilla enquanto Jean-Pierre se junta a batalha pela liderança com Lauda e Hunt logo atrás de Regazzoni.

Rápido, Jacques Laffite agora é nono depois de passar por Jody Scheckter, enquanto mais ao fundo Peterson começa a ter problemas em seu motor. Tentando se recuperar, Jochen Mass assume a décima sexta posição depois de ultrapassar Ingo Hoffmann. Na volta oito Niki Lauda consegue ultrapassa Clay Regazzoni, que logo depois também é superado por James Hunt antes de ser tocado por Jean-Pierre Jarier e sair da pista, sendo obrigado a parar para reparar sua Ferrari, retornando na décima sétima posição.


Decaindo, Brambilla agora é ultrapassado por Patrick Depailler e Carlos Reutemann supera seu companheiro José Carlos Pace na disputa pela décima primeira posição. Na 14º volta, Vittorio Brambilla finalmente abandona, ao lado dele Jacques Laffite que finaliza com a estreia da Ligier com problemas na transmissão.

Nas últimas voltas, Jochen Mass fez uma recuperação boa de posições assumindo a décima primeira colocação ao passar por Jacky Ickx e Renzo Zorzi, ultrapassando José Carlos Pace na volta seguinte. Com problemas no motor, Emerson perde a boa oitava colocação para Carlos Reutemann, sendo superado a cada duas voltas por Jochen Mass, José Carlos Pace, Renzo Zorzi e Jacky Ickx.

Niki Lauda não enfrenta problemas na liderança, com James Hunt sendo pressionado por Jean-Pierre Jarier e Tom Pryce se mantendo na quarta colocação. Na vigésima primeira volta, Mass assume a oitava posição de Carlos Reutemann, enquanto Fittipaldi vai caindo ainda mais e agora perde a posição para Regazzoni e Hoffmann.


Na vigésima sétima volta, Hunt finalmente é superado por Jarier, que começa a tirar a diferença para Lauda. Com problemas, o britânico também é ultrapassado por Pryce e Depailler, acabando no muro da Sargento quando seu acelerador trava, abandonando sua primeira corrida na McLaren. Mais atrás, e algumas voltas antes, José Carlos Pace perde posições enquanto Jacky Ickx finalmente supera Renzo Zorzi.

Recuperado, Regazzoni é nono logo atrás de Reutemann. Uma volta depois de Hunt deixar óleo na Sargento, Jean-Pierre Jarier, que estava pressionando Lauda, trava os freios e vai para o guard-rail, abandonando a prova quando a vitória parecia possível. Carlos Reutemann abandona sem combustível, com isso Clay Regazzoni passa a ser sétimo colocado.


Tom Pryce, depois de segurar Patrick Depailler em boa parte da corrida, acaba cedendo a segunda colocação para o francês na volta 35, com Hans-Joachim Stuck, Jody Scheckter e Jochen Mass se mantando nas posições pontuáveis. Os brasileiros estão cabisbaixos, sem muita alegria e com poucos sorrisos nas arquibancadas: Pace é 10º, Hoffmann é 11º e Fittipaldi é 13º.

E ao fim de 40 voltas giradas em média na casa dos 2 minutos e quarenta segundos, Niki Lauda abre a temporada de 1976 com uma vitória à bordo do defasado 312T, com Patrick Depailler fazendo milagre ao levar os restos mortais do 007 ao pódio ao lado de Tom Pryce que não retornaria novamente á aquele lugar até o dia de sua morte. Stuck fez grande prova e terminou em quarto, com Scheckter e Mass ganhando os últimos pontos.


RESULTADOS:

  1. 1 - AUT - Niki Lauda - Scuderia Ferrari - 1:45:16.78 - 9pts
  2. 4 - FRA - Patrick Depailler - Tyrrell Ford - +21.47s - 6pts
  3. 16 - GBR - Tom Pryce - Shadow Ford - +23.84s - 4pts
  4. 34 - ALE - Hans-Joachim Stuck - Marc Ford - +1:28.17 - 3pts
  5. 3 - AFS - Jody Scheckter - Tyrrell Ford - +1:56.46 - 2pts
  6. 12 - ALE - Jochen Mass - McLaren Ford - 1:58.27 - 1pt
  7. 2 - SUI - Clay Regazzoni - Scuderia Ferrari - +2:15.24
  8. 20 - BEL - Jacky Ickx - Wolf-Williams Ford - +1 Volta
  9. 21 - ITA - Renzo Zorzi - Williams Ford - +1 Volta
  10. 8 - BRA - José Carlo Pace - Brabham Alfa Romeo - +1 Volta
  11. 31 - BRA - Ingo Hoffmann - Copersucar Fittipaldi Ford - +1 Volta
  12. 7 - ARG - Carlos Reutemann - Brabham Alfa Romeo - Falta de Combustível
  13. 30 - BRA - Emerson Fittipaldi - Copersucar Fittipaldi Ford - +3 Voltas
  14. 10 - ITA - Lella Lombardi - March Ford - +4 Voltas
  15. 17 - FRA - Jean-Pierre Jarier - Shadow Ford - Acidente - OUT
  16. 11 - GBR - James Hunt - McLaren Ford - Acidente - OUT
  17. 9 - ITA - Vittorio Brambilla - March Ford - Vazamento de Óleo - OUT
  18. 26 - FRA - Jacques Laffite - Ligier Matra - Transmissão - OUT
  19. 5 - SUE - Ronnie Peterson - Lotus Ford - Pressão de Combustível - OUT
  20. 6 - EUA - Mario Andretti - Lotus Ford - Colisão - OUT
  21. 28 - GBR - John Watson - Penske Ford - Sistema de Combustível - OUT
  22. 14 - GBR - Ian Ashley - Stanley BRM - Bomba de Óleo - OUT
Volta Mais Rápida: Jean-Pierre Jarier - 2:35.07 - Volta 31


Curiosidades:
- 265º GP
- V Grande Prêmio do Brasil
- Realizado no dia 25 de janeiro de 1976
- 8º vitória de Niki Lauda
- 1º pole position de James Hunt
- 2º e último pódio de Tom Pryce
- 59º vitória da Ferrari
- 2º e última melhor volta da Shadow
- 1º GP da Ligier
- 59º vitória do motor Ferrari

  • MELHOR PILOTO: Jean-Pierre Jarier
  • SORTUDO: Niki Lauda
  • AZARADO: Clay Regazzoni / Jean-Pierre Jarier
  • SURPRESA: N/H
Jean-Pierre Jarier foi o grande nome da prova, mesmo estando envolvido em dois toques de atrapalharam a prova de Mass e Regazzoni, quase ultrapassando Lauda nas últimas voltas até se perder no óleo deixado por Hunt. Regazzoni vinha fazendo boa prova, e um pódio era fácil de ser conquistado, mas a agressividade e a fobia de Jarier tiraram até os pontos do suiço. Lauda escapou ileso de tudo, sem enfrentar problemas mecânicos e terminando na primeira colocação.


Campeonato de Pilotos:
  1. 1 - AUT - Niki Lauda - Scuderia Ferrari - 9pts
  2. 4 - FRA - Patrick Depailler - Tyrrell Ford - 6pts
  3. 16 - GBR - Tom Pryce - Shadow Ford - 4pts
  4. 34 - ALE - Hans-Joachim Stuck - March Ford - 3pts
  5. 3 - AFS - Jody Scheckter - Tyrrell Ford - 2pts
  6. 12 - ALE - Jochen Mass - McLaren Ford - 1pt

Campeonato de Construtores:
  1. ITA - Scuderia Ferrari - Ferrari - 312T - LAU/REG - G - 9pts
  2. GBR - El Team Tyrrell - Tyrrell Ford - 007 - SCH/DEP - G - 6pts
  3. GBR - Shadow Racing Team - Shadow Ford - DN5B - PRY/JAR - G - 4pts
  4. GBR - March Engineering - March Ford - 761 - BRA/LOM/STU - G - 3pts
  5. GBR - Marlboro Team McLaren - McLaren Ford - M23 - HUN/MAS - G - 1pt
Imagens tiradas do Google Imagens - GPExpert.com.br - F1-history.deviantart.com

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

40 Anos - A Primeira Dobradinha Brasileira


Neste 2015 se completaram 40 anos da primeira dobradinha brasileira da história na Fórmula 1, que não podia ser de outra maneira: em casa. No terceiro GP do Brasil contando para o Campeonato do Mundo, todos as atenções estavam viradas ao campeão Emerson Fittipaldi, que chegava em Interlagos mais uma vez favorito á vitória.

Haviam surgido alguns grandes nomes nos último anos que poderiam atrapalhar a festa brasileira, como os de Carlos Reutemann, Niki Lauda, James Hunt, Jody Scheckter e até Jean-Pierre Jarier, que fez uma inacreditável pole position com sua Shadow, sendo o único a abaixar da casa dos 2:30 para 2:29.88. Emerson conquistou a segunda posição sendo seguido por Reutemann, Lauda e Regazzoni.


Fechando os dez primeiros estavam Carlos Pace, James Hunt, Jody Scheckter, Patrick Depailler e Jochen Mass. No dia da corrida, o sol mais uma vez reinava em Interlagos, com altas temperaturas que dificultariam a vida dos pilotos e das equipes. Na largada, Fittipaldi acaba saindo mal, caindo para sétimo enquanto Reutemann tomava a ponta e Moco a terceira colocação depois de passar ambas as Ferraris.

O argentino até que tentou, mas o carro negro de Jarier fazia forte pressão sobre ele, o que desgastou gravemente seu pneu. Na 5º volta, Jean-Pierre assume a ponta com sua Shadow, enquanto Reutemann tinha que segurar um grupo que se aproximava, tendo como cabeça José Carlos Pace. Moco trás consigo Regazzoni, Lauda, Sheckter e Fittipaldi, deixando a corrida emocionante ainda nas primeiras dez voltas.


Depois de não aguentar mais, El Lole cede para o companheiro de equipe que vê uma diferença de 20s dele para Jarier. Logo depois, Jody Scheckter começa a enfrentar problemas em sua Tyrrell, abandonando e dando mais uma posição para Emerson que já se tornava sexto. Enquanto isso, Jochen Mass pressionava Patrick Depailler.

Na 20º volta, Regazzoni finalmente passa Reutemann, enquanto Fittipaldi consegue ultrapassar Lauda que nas voltas seguintes ainda perderia a posição para Depailler e Mass. Parece que os pneus chegaram ao limite extremo, e o argentino teve que se contentar em ser ultrapassado por Emerson, Patrick e Jochen antes de fazer sua parada, obviamente, atrasada.


Quando Lole parou, Fittpaldi finalmente conseguiu passar por Regazzoni para se tornar terceiro colocado há 10 voltas do fim, mas a alegria maior estava por vim, quatro giros depois, quando a Shadow de Jean-Pierre Jarier começa a ter problemas na alimentação e para, deixando a ponta para os dois principais pilotos brasileiros da época.

As arquibancadas foram á loucura em Interlagos, com uma dobradinha brasileira eminente após o abandono de Jarier. Jochen Mass, em dia inspirado ainda toma a terceira posição de Regazzoni, mostrando que veio para duelar contra Fittipaldi na McLaren. Lauda ainda conseguiu se recuperar para entrar na zona pontuável, enquanto Reutemann sofreu para terminar na misera oitava posição.


Com o público delirando, José Carlos Pace venceu o Grande Prêmio do Brasil de 1975 sendo seguido por Emerson Fittipaldi, uma dobradinha inesquecível para o automobilismo brasileiro que via seus dois melhores pilotos assumirem a ponta também do Campeonato de Pilotos. Jochen Mass deu um show em Interlagos, sem cometer erros e nem ter problemas para terminar na ótima terceira colocação, conquistando o primeiro pódio alemão desde Wolfgang von Trips. Regazzoni foi quarto, Lauda quinto e Hunt fechou os pontos.


Ao fim, o Brasil vivia um momento espetacular para um país que há meros cinco anos não tinha sequer uma vitória na Fórmula 1, e agora tinha um bicampeão consagrado e uma promessa que fazia todos os torcedores sonharem com suas futuras vitórias...

Moco deixou saudades, e o mínimo que Interlagos podia fazer por ele era trocar seu nome para Autodromo José Carlos Pace, uma homenagem jus ao piloto que foi esse paulistano que nos deixou em 1977, num triste acidente aéreo.


Imagens tiradas do Google Imagens - GpExperts.com.br - F1-history.deviantart.com