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segunda-feira, 6 de abril de 2020

Fórmula 1 1997 #1 - Introdução


Na quarentena, o blog está de volta com a promessa de relembrar aos fãs da Fórmula 1 que estão em casa (ou mesmo ainda trabalhando) a temporada de 1997 da categoria, um dos melhores anos para o esporte naquela década, com o surgimento de uma rivalidade promissora, muitas alternativas e polêmicas - tudo aquilo que torna a F1 maravilhosa. Com esse intuito, este será um post introdutório, curto, mas que apresente um calendário provisório de "nossa temporada".

O mundo era um lugar muito diferente ao fim de 1996. Aquele que vos escreve sequer havia nascido. O Brasil era governado por Fernando Henrique Cardoso. Bill Clinton e Boris Iéltsin haviam sido reeleitos em seus países. Nelson Mandela assinava uma nova constituição que bania o apartheid na África do Sul. E a Ovelha Dolly se tornava o primeiro mamífero a ser clonado na história.

No esporte, a Seleção Olímpica de Futebol havia sido derrotada dolorosamente pela Nigéria de Kanu na semi-final das Olimpíadas de Atlanta. Muhammad Ali havia acendido a pira olímpica, a Palestina participava pela primeira vez dos Jogos, e o Brasil era ouro e prata no voleibol de praia. A Juventus derrotara o River Plate para ser campeão do mundial de clubes, e o campeonato brasileiro era vencido pelo Grêmio comandado por Luiz Felipe Scolari.

Na Fórmula 1, Damon Hill finalmente conquistava seu primeiro título mundial antes de ser chutado pela Williams. Jacques Villeneuve fez o suficiente para impressionar a equipe e se tornar primeiro piloto em um ano que prometia ser conturbado para o time de Grove. O julgamento da morte de Ayrton Senna começaria a causar reboliço em todo paddock. Era um ponto a mais a ser explorado por Schumacher e pela Ferrari em 1997.


Durante essa semana, vocês serão apresentados às equipes, pilotos e como o circo chegava para mais um ano de competições pelo globo. Espero que gostem. Aproveitem!

CALENDÁRIO PROVISÓRIO DO BLOG:
07/04/2020 (terça-feira): Lola e Stewart;
08/04/2020 (quarta-feira): Minardi e Tyrrell;
09/04/2020 (quinta-feira): Sauber e Prost;
10/04/2020 (sexta-feira): Jordan e McLaren;
11/04/2020 (sábado): Benetton e Ferrari;
12/04/2020 (domingo): Williams e Arrows;
Depois disso, tentarei trazer corridas diariamente, como nos velhos tempos.

CALENDÁRIO DA FÓRMULA 1 1997:
Rodada 1 - 09/03 - GP da Austrália - Albert Park;
Rodada 2 - 30/03 - GP do Brasil - Interlagos;
Rodada 3 - 13/04 - GP da Argentina - Buenos Aires;
Rodada 4 - 27/04 - GP de San Marino - Imola;
Rodada 5 - 11/05 - GP de Mônaco - Monte Carlo;
Rodada 6 - 25/05 - GP da Espanha - Barcelona;
Rodada 7 - 05/06 - GP do Canadá - Montreal;
Rodada 8 - 29/06 - GP da França - Magny-Cours;
Rodada 9 - 13/07 - GP da Grã-Bretanha - Silverstone;
Rodada 10 - 27/07 - GP da Alemanha - Hockenheimring;
Rodada 11 - 10/08 - GP da Hungria - Hungaroring;
Rodada 12 - 24/08 - GP da Bélgica - Spa-Francorchamps;
Rodada 13 - 07/09 - GP da Itália - Monza;
Rodada 14 - 21/09 - GP da Áustria - A1-Ring;
Rodada 15 - 28/09 - GP de Luxemburgo - Nürburgring;
Rodada 16 - 12/10 - GP do Japão - Suzuka;
Rodada 17 - 26/10 - GP de Portugal - Estoril;

Já adianto meus agradecimentos à todos os canais no YouTube onde pude encontrar as provas de 1997, aos perfis F1 1997 e F1 in the 1990s do Twitter, às equipes do Atlas F1 e do STATS F1 pelo trabalho fenomenal e grande suporte que dão aos bloggers e fãs. Qualquer adendo será feito nos posts.

Imagens tiradas dos perfis F1 in the 1990s e Legendary F1.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

GP Memorável 79# - San Marino 1986


Duas semanas depois de Jerez de la Frontera, o circo chegava a Itália para o Grande Prêmio de San Marino. Em sua sexta edição, a prova passou a ser um desafio para os pilotos e equipes, que enfrentaram graves problemas de combustível nos últimos dois anos e tinham ainda mais receio que isso se repetisse em 1986, graças ao novo regulamento que diminuía ainda mais o tamanho dos tanques.

Os mostradores de cada carro poderiam evitar outro vexame, mas estes ainda estavam pouco precisos e só haviam trazido problemas, especialmente para o campeão Alain Prost, que terminou o GP da Espanha com incríveis 18 litros de combustível após problema no indicador do carro. Agora, mais confiante, o francês e seu companheiro Keke Rosberg eram favoritos à vitória. Apesar disso, as coisas não andam tão bem dentro da equipe McLaren, com John Barnard criticando a postura do finlandês quando este recebia instruções - sempre de óculos escuro, Rosberg parecia não se preocupar com as palavras do projetista.

Inscrito para a prova, Mauro Baldi não esteve presente em Imola pelo fato de que a Ekström, equipe sueca que estrearia no GP de San Marino, não conseguiu finalizar seu projeto. Era o fim de algo que mal começou...


No fundo do pelotão, a Haas finalmente teria o novo motor turbo Ford Cosworth, inédito na categoria. Empolgado por ter sido escolhido como aquele que traria de volta o Cosworth à Fórmula 1, Alan Jones chegou a dizer que, com esse V6t, poderia conquistar o título de 1987, enquanto Mike Kranefuss era mais cauteloso, não apostando em grandes resultados em 1986. Quem não gostou nenhum pouco da escolha foi Patrick Tambay, sempre mais rápido do que o australiano em testes privados. "Teddy Mayer e Carl Haas deveriam ter pedido dois motores turbo, e não um", indagava o francês.

Felizmente, Tambay estrearia o Ford em Mônaco, sendo assim, esta seria a última prova do motor de Brian Hart, que ainda esperava clientes para a temporada de 1987.

Já as notícias de Frank Williams não são boas, com o inglês não conseguindo recuperar o movimento de seus quatro membros durante essa primeira fase de recuperação. Enquanto isso, sua esposa, Virginia, é quem comanda a equipe, mas quem acaba dirigindo as operações é Patrick Head.

Pela primeira vez, a Zakspeed preparou um segundo carro para o GP. Huub Rothengatter, graças ao seu manager Ben Pon, conseguiu dinheiro o suficiente para comprar uma vaga de volta no grid ao lado de Jonathan Palmer, que criticou a postura da equipe alemã que, segundo ele, só tinha condições de colocar um carro na pista.


Nelson Piquet e Stefan Johansson receberam um novo chassis para a prova, enquanto a Ligier finalmente conseguiu dois motores novos da Renault para Laffite e Arnoux, o que significava que a dupla francesa já teria uma economia de cerca de seis litros durante a corrida. Na Tyrrell, antes da estreia do 015, uma novidade vinda dos patrocinadores: a Kelémata trocou a Osella pelo time inglês.

O BT55 foi novamente revisado, com uma nova suspensão traseira, um novo capô para o motor e novos spoilers. A Benetton foi outra equipe a fazer mudanças na suspensão traseira. Enquanto isso, na Osella, as coisas iam de mal a pior com a chegada do novo FA1H ao circuito Enzo e Dino Ferrari. Detalhe: estava sem pintura e sem motor (!). Giuseppe Petrotta, engenheiro da equipe, não sabia sequer se o carro estaria com um V8t da Alfa Romeo ou um V6t da Motori Moderni. No fim, Enzo Osella foi obrigado a jogar ambos os pilotos, Ghinzani e Danner, novamente, nos carros de 1985, com o velho motor Alfa.

As disputas se estendem aos fornecedores de combustível e pneus, com a Goodyear preparando um novo composto enquanto a Pirelli está preocupada com o fato de sua principal equipe, a Brabham, estar tão mal. No momento, o foco é Benetton e Ligier, mas ambas não tem condições para testar todos os pneus disponíveis. E, diferentemente daquilo que se acreditava, os turbos estão ficando cada vez mais rápidos. Isso graças aos testes em laboratório das marcas BASF, AGIP, Mobil e Elf, que continuam a fornecer combustíveis cada vez melhores.


E pela décima vez em sua carreira, Ayrton Senna conquistou a pole position, com o tempo de 1:25.050, mais de meio segundo mais rápido do que Nelson Piquet, segundo colocado no grid. Mais uma vez, a legalidade do 98T estava em jogo, com faíscas saindo debaixo do carro onde o fundo plano deveria evitar. No fim, com a FISA investigando o caso, Gérard Ducarouge entregou o jogo, tendo usado um truque semelhante ao utilizado pela Brabham no BT49 de 1981, o que era perfeitamente legal.

Nigel Mansell era terceiro, com Alain Prost em quarto e um surpreendente Michele Alboreto em quinto. Keke Rosberg estava apenas na sexta posição, Stefan Johansson, com a outra Ferrari, era sétimo, René Arnoux oitavo, Gerhard Berger nono e Teo Fabi décimo. Mesmo com o motor Hart, Patrick Tambay levou sua Lola até o décimo primeiro posto, ficando ao lado da Arrows de Thierry Boutsen e a frente da Tyrrell de Martin Brundle.

Jacques Laffite tinha um decepcionante décimo quarto lugar, com Marc Surer em décimo quinto, Riccardo Patrese em décimo sexto, Johnny Dumfries em décimo sétimo, Alessandro Nannini com a ótima décima oitava posição, Elio de Angelis em décimo nono e Jonathan Palmer em vigésimo. Fechando o pelotão estava Alan Jones, Philippe Streiff, Andrea de Cesaris, Huub Rothengatter, Christian Danner e Piercarlo Ghinzani.


No Warm-Up, chuva. Jacques Laffite perde outro motor enquanto Martin Brundle roda e bate novamente com seu 015. O inglês deverá voltar com seu velho 014, com a estreia do novo chassis sendo adiado mais uma vez, agora para Mônaco. Apesar da chuva, a pista estaria seca para a largada.

Antes da volta de apresentação, Palmer enfrenta problemas e deve largar dos boxes.

Na partida, Senna mantém a ponta com Nelson Piquet em segundo, enquanto Nigel Mansell enfrenta problemas no motor e larga mal, perdendo posições para Prost e Rosberg. Antes mesmo da Villeneuve, Piquet força em cima de Ayrton Senna e toma a ponta. Mais atrás, Nannini trava as rodas, toca em Laffite e quebra a suspensão. É fim de prova para o jovem italiano.

Na segunda volta, Piquet começa a abrir, enquanto Senna é pressionado pelos McLaren de Prost e Rosberg. Em décimo sétimo, de Cesaris para nos boxes com problemas de motor, voltando na última posição. Depois de problemas na largada, Jonathan Palmer está de volta. Christian Danner é outro que enfrenta problemas e para nos boxes.


No giro seguinte, Mansell para. Os mecânicos tentam resolver o problema no motor Honda e devolvem o britânico à pista, na vigésima segunda posição. Na volta quatro, Prost supera Senna na Villeneuve, seguido por Rosberg, que força a ultrapassagem na Tosa. Agora o brasileiro da Lotus era o quarto colocado, enquanto o compatriota de Williams continuava a abrir para os rivais.

Depois de problemas na classificação e no warm-up, Jacques Laffite supera Johnny Dumfries e entra na briga pela décima primeira posição, com Patrese superando Boutsen. Na volta cinco, Fabi supera Tambay e é oitavo, enquanto, a frente, Rosberg passa Prost e assume o segundo lugar com Piquet tendo cinco segundos de vantagem.

Poucos minutos depois, a corrida do Lola Hart de Patrick Tambay chega ao fim. No sétimo giro, Teo Fabi assume o sétimo posto de Stefan Johansson, que, com problemas no freio, perde posições para Berger e Laffite, que agora era nono. Com o Ford turbo, Alan Jones continua a se recuperar, passando por Surer, Drumfries e Boutsen antes do conde escocês abandonar com problemas na roda.


Liderando com facilidade, Piquet mantém boa distância para Rosberg, que é pressionado por Prost. Perdendo espaço em relação aos McLaren, Ayrton Senna, que enfrenta problemas, começa a ser atacado por Michele Alboreto. Na vigésima posição, Huub Rothengatter também abandona antes de Nigel Mansell, na volta doze, vir aos boxes para se retirar da prova. É o fim para o britânico.

No mesmo giro, Alain Prost supera Keke Rosberg, enquanto Senna começa a andar lento com os mesmos problemas que tiraram seu companheiro da prova. Depois de Mansell, é a vez do brasileiro dar adeus, cedo, ao GP de San Marino. Na volta treze, Rosberg retoma o segundo lugar na mesma altura em que Arnoux vai aos boxes trocar os pneus, retornando na décima segunda posição.

Com problemas no turbo, Laffite abandona, enquanto Jones para com problemas na caixa de câmbio. Depois da parada, Arnoux volta forte, passa por Boutsen e Surer e já é nono na volta dezesseis. Nelson Piquet, na liderança, começa a diminuir a pressão do turbo e perder terreno para Keke Rosberg e Alain Prost. Na luta pela quinta posição, Gerhard Berger supera Teo Fabi na luta interna da Benetton.


Mesmo depois de sua parada, de Angelis estava na décima segunda posição antes de ser traído, novamente, pelo motor BMW de sua Brabham. O italiano mais uma vez abandona. Na mesma volta, Johansson para e volta atrás dos Arrows de Boutsen e Surer. Depois de passar por Patrese, Arnoux ganha o sexto posto de Fabi, que troca os pneus.

No giro vinte e seis, Alboreto para, marca 8.5s e volta ainda na quarta posição. Mais atrás, ambas as Arrows também fazem suas trocas. Liderando e a poucas voltas de sua parada, Nelson Piquet é fortemente pressionado por Keke Rosberg. Na penúltima posição, de Cesaris abandona com problemas no motor.

Na volta vinte e nove, Piquet para e volta na terceira colocação, com Rosberg e Prost assumindo as primeiras posições. No giro seguinte, é a vez do francês fazer sua parada. E, com espetaculares 8.6s de troca, o campeão do mundo retorna a frente da Williams do brasileiro. Lutando pelo sétimo posto, Riccardo Patrese supera Teo Fabi. Desempenho surpreendente da Brabham do italiano.


Na quinta posição, Gerhard Berger também para, mantendo o quinto posto. Liderando sozinho, Rosberg demora para vir aos boxes, e, quando vem, tem uma desastrosa parada de 14s. Alain Prost agora era líder, com o finlandês em segundo e Nelson Piquet apenas na terceira posição. O favoritismo das McLaren estava se confirmando...

Depois da ótima parada, Berger acabaria sendo superado por Arnoux e Patrese, caindo para o sétimo lugar antes de também ser ultrapassado por seu companheiro Teo Fabi. De quinto, o austríaco agora era apenas oitavo, correndo risco de perder mais uma posição para Stefan Johansson. Na última colocação, Jonathan Palmer para com problemas elétricos em seu Zakspeed, e, por incrível que pareça, ainda consegue voltar à prova.

Se recuperando, Johansson passa por ambos os Benetton e é sétimo. Fabi, que forçou demais o motor BMW de seu carro, abandona logo depois de ser superado pelo sueco. Outro abandono é o de Philippe Streiff, que era décimo segundo. Na volta quarenta e seis é a vez de René Arnoux parar logo depois da Tosa com problemas na roda: Riccardo Patrese era quinto! Depois de diversos problemas durante todo o fim-de-semana, Palmer perde o freio e acaba fora da pista e fora da prova.


Restando poucas voltas para o fim, os problemas começam a atrapalhar o desempenho dos pilotos na pista. Alain Prost consegue manter a boa diferença para Rosberg, enquanto Nelson Piquet resiste à pressão de Michele Alboreto. Pressionando Johansson, que tem graves problemas no freio, Berger, que não tem mais a embreagem, supera o escandinavo de forma incrível em ultrapassagem tripla (isso mesmo, o austríaco também passou Brundle e Ghinzani na manobra) e assume o sexto posto no giro cinquenta e quatro.

Com Rosberg economizando combustível, Nelson Piquet se aproxima do finlandês enquanto Michele Alboreto para nos boxes para abandonar com problemas no motor de sua Ferrari. Os tifosi, que tanto haviam comemorado durante a prova, agora se entristeciam com um abandono a quatro voltas do fim. Ainda havia Johansson...

No giro cinquenta e oito, Ghinzani para com problemas, enquanto Piquet ataca fortemente Keke Rosberg, que, sem combustível, para logo depois da Tosa na volta cinquenta e nove. Riccardo Patrese assume a terceira posição com a Brabham! É um resultado incrível para o italiano. Porém, o sonho logo se tornou pesadelo, com Gerhard Berger assumindo o último lugar do pódio e o BT55 lento na pista, sem combustível. Marc Surer também para.

Abrindo a última volta, Alain Prost passa lento na reta dos boxes, com Riccardo Patrese abandonando mais atrás. O trajeto seria feito sem maiores dificuldades para o francês, mas, logo após a Rivazza, seu McLaren começa a parar. Desesperado, o campeão do mundo começa a chacoalhar o carro de um lado para o outro, tentando pegar as últimas gotas de combustível. Em segundo, Nelson Piquet aperta, começa a se aproximar e coloca a vitória do francês em jogo.


Na última chicane, Prost ainda consegue alguma velocidade, mas, quando entra na reta, volta a perdê-la. Gerhard Berger se aproxima, diminuí e apenas segue o francês até a linha de chegada. Alain Prost, conquista uma espetacular vitória em Imola, com Nelson Piquet cruzando na segunda posição e Berger terminando num surpreendente pódio para a Benetton. Stefan Johansson ainda conseguiria fechar em quinto, conquistando os primeiros pontos da Ferrari em 1986, com Keke Rosberg sendo classificado em quinto e Riccardo Patrese (quem diria...) em sexto. Faltou pouco, mas Boutsen e Brundle quase roubaram as posições do finlandês e do italiano...

Depois da corrida, polêmicas. Guy Ligier disse que se os problemas por falta de combustível continuarem a Fórmula 1 estaria condenada. Gérard Crombac, renomado jornalista, ainda disse que a categoria é algo diferente do que correr às ordens de um computador. Jean-Marie Balestre também se pronunciaria, criticando Prost e dizendo que este poderia sair porque haviam outros quarenta pilotos querendo entrar na F1. Mesmo assim, o presidente da FISA entendeu que, para melhorar a segurança, não bastaria diminuir o tamanho dos tanques. Sendo assim, Balestre e Ecclestone começariam a revolucionar a Fórmula 1...

No campeonato de pilotos, Piquet e Senna agora estavam empatados na liderança com 15 pontos. Alain Prost era terceiro, Nigel Mansell o quarto, empatado com Gerhard Berger, Keke Rosberg sexto e Jacques Laffite sétimo. Arnoux e Johansson agora tinham o mesmo número de pontos em oitavo, com Fabi e Brundle em décimo e Riccardo Patrese na décima segunda posição.

Na tabela de construtores, Williams abria 3 pontos para a McLaren, que também tinha 3 pontos para a Lotus. Benetton superou a Ligier e agora era quarta colocada. Ferrari era apenas sexta, Tyrrell sétima e Brabham oitava.


O próximo palco seria Mônaco, nas estreitas ruas de Monte Carlo.

RESULTADOS
  1. 1 - FRA - Alain Prost - McLaren TAG-Porsche - 1:32:28.408 - 9pts
  2. 6 - BRA - Nelson Piquet - Williams Honda - +7.645s - 6pts
  3. 20 - AUT - Gerhard Berger - Benetton BMW - +1 Volta - 4pts
  4. 28 - SUE - Stefan Johansson - Scuderia Ferrari - +1 Volta - 3pts
  5. 2 - FIN - Keke Rosberg - McLaren TAG-Porsche - Falta de Combustível - 2pts
  6. 7 - ITA - Riccardo Patrese - Brabham BMW - Falta de Combustível - 1pt
  7. 18 - BEL - Thierry Boutsen - Arrows BMW - +2 Voltas
  8. 3 - GBR - Martin Brundle - Tyrrell Renault - +2 Voltas
  9. 17 - SUI - Marc Surer - Arrows BMW - +3 Voltas
  10. 27 - ITA - Michele Alboreto - Scuderia Ferrari - Turbo
  11. 21 - ITA - Piercarlo Ghinzani - Osella Alfa Romeo - Falta de Combustível - OUT
  12. 25 - FRA - René Arnoux - Ligier Renault - Roda - OUT
  13. 4 - FRA - Philippe Streiff - Tyrrell Renault - Transmissão - OUT
  14. 19 - ITA - Teo Fabi - Benetton BMW - Motor - OUT
  15. 14 - GBR - Jonathan Palmer - Zakspeed Racing - Freios - OUT
  16. 22 - ALE - Christian Danner - Osella Alfa Romeo - Elétrico - OUT
  17. 15 - AUS - Alan Jones - Lola Ford - Superaquecimento - OUT
  18. 23 - ITA - Andrea de Cesaris - Minardi Motori Moderni - Motor - OUT
  19. 8 - ITA - Elio de Angelis - Brabham BMW - Motor - OUT
  20. 26 - FRA - Jacques Laffite - Ligier Renault - Transmissão - OUT
  21. 12 - BRA - Ayrton Senna - Lotus Renault - Rolamento de Roda - OUT
  22. 5 - GBR - Nigel Mansell - Williams Honda - Motor - OUT
  23. 11 - GBR - Johnny Dumfries - Lotus Renault - Rolamento de Roda - OUT
  24. 29 - HOL - Huub Rothengatter - Zakspeed Racing - Turbo - OUT
  25. 16 - FRA - Patrick Tambay - Lola Hart - Motor - OUT
  26. 24 - ITA - Alessandro Nannini - Minardi Motori Moderni - Acidente - OUT
Esses foram os pilotos que participaram da corrida
Volta Mais Rápida: Nelson Piquet - 1:28.667 - Volta 57


Curiosidades:
- 423º GP
- VI Grande Prêmio de San Marino
- Realizado no dia 27 de abril, em Imola
- 22º vitória de Alain Prost
- 10º pole position de Ayrton Senna
- 1º pódio de Gerhard Berger
- 1º pódio da Benetton
- 49º vitória da McLaren
- 25º volta mais rápida da Williams
- 150º GP da Williams
- 144º e último GP do motor Hart 415T L4
- 1º GP do motor Ford-TEC V6t


  • MELHOR PILOTO: Nelson Piquet
  • SORTUDO: Alain Prost / Gerhard Berger
  • AZARADO: Riccardo Patrese
  • SURPRESA: Michele Alboreto / Stefan Johansson / Riccardo Patrese
Se na Espanha foi Senna, em Imola foi a vez de Nelson Piquet dar show. O brasileiro largou de forma espetacular, tomou a ponta e teve uma corrida fácil até sua parada, que custou a vitória. Prost e Berger tiveram sorte, enquanto o francês conseguiu chegar com as últimas gotas, o austríaco viu todos que estavam a sua frente abandonar para conquistar seu primeiro pódio. Quem vinha surpreendendo era Riccardo Patrese, que, quando estava entre os três melhores, abandonou por falta de combustível. Outro que surpreendeu foi Alboreto que, com sua defasada Ferrari, chegou a lutar pelas melhores posições antes de abandonar, coisa que não aconteceu com Johansson, que quase conquistou um surpreendente pódio.

Campeonato de pilotos:
  1. 12 - BRA - Ayrton Senna - Lotus Renault - 15pts*
  2. 6 - BRA - Nelson Piquet - Williams Honda - 15pts*
  3. 1 - FRA - Alain Prost - McLaren TAG-Porsche - 13pts
  4. 5 - GBR - Nigel Mansell - Williams Honda - 6pts
  5. 20 - AUT - Gerhard Berger - Benetton BMW - 6pts
  6. 2 - FIN - Keke Rosberg - Mclaren TAG-Porsche - 5pts
  7. 26 - FRA - Jacques Laffite - Ligier Renault - 4pts
  8. 25 - FRA - René Arnoux - Ligier Renault - 3pts**
  9. 28 - SUE - Stefan Johansson - Scuderia Ferrari - 3pts**
  10. 3 - GBR - Martin Brundle - Tyrrell Renault - 2pts***
  11. 19 - ITA - Teo Fabi - Benetton BMW - 2pts***
  12. 7 - ITA - Riccardo Patrese - Brabham BMW - 1pt
* empatados
** empatados
*** empatados


Campeonato de construtores:
  1. GBR - Canon Williams Honda Team - Williams Honda - FW11 - MAN/PIQ - G - 21pts
  2. GBR - Marlboro McLaren International - McLaren TAG-Porsche - MP4/2C - PRO/ROS - G - 18pts
  3. GBR - John Player Special Team Lotus - Lotus Renault - 98T - DUM/SEN - G - 15pts
  4. GBR - Benetton Formula Ltd. - Benetton BMW - B186 - FAB/BER - P - 8pts
  5. FRA - Équipe Ligier - Ligier Renault - JS27 - ARN/LAF - P - 7pts
  6. ITA - Scuderia Ferrari SpA SEFAC - Ferrari - F1/86 - ALB/JOH - G - 3pts
  7. GBR - Data General Team Tyrrell - Tyrrell Renault - 014 - BRU/STR - G - 2pts
  8. GBR - Motor Racing Developments - Brabham BMW - BT55 - PAT/ANG - P - 1pt
Imagens tiradas do Google Imagens - GPExpert.com - F1-History.deviantart.com

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

ENTREVISTA: Riccardo Patrese


Depois de esperar semanas para fazer este post, finalmente ele sai do forno para que vocês possam ver uma rara entrevista á Riccardo Patrese, não feita por mim, e sim pelo próprio site do italiano que é difícil de ser entrevistado. Eu tentei fazer quatro perguntas, porém o comentário que enviei na postagem acabou não sendo aprovado pelo moderador, mas pelo menos a outra pergunta foi respondida... Além de mim, o Paulo Alexandre Teixeira do Continental Circus também enviou algumas perguntas.

Legendas:
Q - Questão
RP - Riccardo Patrese
VAV - Minha questão


Q - "Fale sobre Estoril quando Berger diminuiu para entrar nos boxes - você conversou com ele depois?"

RP - "Falei com ele imediatamente depois do acidente, mas ele não parecia se importar muito com a coisa errada que tinha feito. Por causa disso eu estava irritado e nós não conversamos muito por muitos anos depois. Muito mais tarde, ele veio até mim e pediu desculpas. Nós nos encontramos novamente este ano na Áustria, onde nós estávamos fazendo voltas de demonstração e ele se desculpou novamente."



Q - "Você teve um desempenho fantástico no velho Nürburgring na F2 em 1977. Como você aprendeu a pista e nunca lamentou que a F1 não foi mais lá depois que você tinha chegado a F1?

RP - "Eu aprendi a pista em 1976, quando eu estava correndo para a Chevron e Trivellato na F3. A primeira corrida da temporada foi em Nürburgring então, com meu chefe de equipe, decidimos ir ao circuito na terça-feira antes da corrida para que pudéssemos aprender o circuito antes do fim-de-semana de corrida. 23Kms não é fácil de aprender. Quando chegamos, fomos fazer algumas voltas com nosso carro de estrada, mas eles nos disseram que o circuito foi fechado como havia um teste privado de pneus acontecendo. Eles nos disseram que poderíamos caminhar ao lado da pista, então nós caminhamos pra baixo do circuito só para observar. Começamos a andar na parte da manhã comigo escrevendo notas como um co-piloto de rally, depois de um par de horas nós dissemos onde nós estamos?! Nós olhamos no mapa e percebemos que estávamos quase do lado oposto do circuito de onde começamos, então podíamos voltar por onde viemos e ver a mesma parte do circuito de novo, ou ir para frente. Nós completamos a volta assim, caminhando por horas com todos os meus papéis e notas. Antes de eu dormir, mais tarde, eu estudei todas as minhas anotações. Quando o fim-de-semana de corrida começou, depois de duas voltas no carro eu sabia o circuito muito bem.

A corrida andou bem para mim porque eu estava liderando na frente de Bertram Schäfer, Conny Andersson e outros pilotos mais experientes, mas depois houve chuva e em condições escorregadias eu abrandei e terminei em terceiro. Foi um bom resultado que me lançou para vencer o campeonato. Então em 1977 eu voltei para Nürburgring na F2 com a mesma equipe Trivellato-Chevron e um motor BMW. Eu adorei o circuito e isso, aliado a experiência do ano anterior, permitiu-me mostrar minha capacidade para o mundo da F2 e da F1 - naqueles dias um monte de pilotos da F1 haviam corrido na F2 como Clay Regazzoni, Hans Stuck, Jochen Mass, Brian Henton. Regazzoni havia estabelecido a volta recorde em Nürburgring em 76 com a Ferrari na última vez que correu lá. Ele fez um 6:55, eu acho, e eu fiz a pole para a corrida de F2 com 7:15, três segundos mais rápido do que qualquer um. Duas semanas depois eu estava correndo em Monte Carlo para o meu primeiro GP.

Se eu pudesse ter competido em Nürburgring na F1 é claro que eu não teria dito não. Teria sido fantástico. Esse circuito tem um desafio especial. Isso lhe dá uma satisfação particular. Tivemos esses tipos de desafios no passado. Para ser mais rápido do que qualquer pessoa lá você sabia que era o mais rápido e o melhor. O desafio era consigo mesmo e com o circuito. Claro que você sabia que havia grandes riscos, mas a satisfação e o prazer era tão grande que você não se importava muito com isso.?"



Q - "... Como você avaliaria Thierry Boutsen quando eram companheiros de equipe na Williams?..."

RP - "Nós sempre trabalhamos muito bem juntos e eramos amigos, como somos agora. Um bom companheiro de equipe e uma boa pessoa."


Q - "Será que você irá dirigir na Mille Miglia?"

RP - "Eu fiz este evento uma vez quando estava correndo com a Alfa Romeo em 1984, eu acho. Eu fiz a uma seção de Brescia para Verona como parte do PR para a Alfa."



VAV - "Você acha que a falta de experiência nos seus primeiros anos atrapalharam sua carreira á longo prazo?"

RP - "A F1 agora não é a mesma de 30 anos atrás. Muitos pilotos hoje tem falta de experiência porque eles são muito jovens. Quando eu entrei na Fórmula 1 eu tinha 23 anos de idade e era um dos mais jovens pilotos, mas eu nunca poderia ter ganho o campeonato em meu segundo ano. Agora, com um bom carro, foi provado por Hamilton e até por Vettel que você pode ganhar um campeonato quando você é tão jovem.

Quando eu comecei na F1 ninguém podia ensina-lo a dirigir o carro. Agora, com todos os computadores, eles ensinam você como dirigir o carro. Essa é a principal diferença. Além disso, os carros agora são muito mais confortáveis para dirigir e muito mais confiáveis. Se você cometer um erro e sair da pista tem um monte de áreas de escape para você raramente danificar o carro. Isso tudo significa que um piloto pode aprender muito mais rápido do que no meu tempo quando você tinha que fazer sua própria experiência através dos erros.

Por exemplo, quando eu fui para Interlagos - um circuito muito desafiador - pela primeira vez, eu tive que aprender durante o fim-de-semana de corrida, em seguida, na corrida. Isso meu deu experiência. No ano seguinte, indo de volta para Interlagos, eu sabia o que esperar e poderia aproveitar essa experiência para um melhor desempenho, assim foi a cada ano, voltei para Interlagos e, depois, talvez a minha experiência me deu uma vantagem sobre os pilotos menos experientes. Hoje, qual é o problema? Tudo que você precisa fazer é ir pro simulador centenas de vezes. É completamente diferente."



Q - "O seu gesto após o GP de Mônaco de 1982 é impagável... ainda se lembra daquele dia?"

RP - "Eu estava muito confuso naquele momento em particular, porque eu não sabia que eu tinha ganho a corrida! Depois do meu erro, eu pensei que tinha terminado em segundo, porque eu vi na minha frente que havia uma Williams e eu pensava que era o de Rosberg, mas afinal era o Derek Daly. Eu pensei que Rosberg tinha vencido a corrida e por isso eu estava confuso quando eles me encaminharam para o pódio. Alguém de um dos patrocinadores estava dizendo para mim 'Riccardo, Riccardo, você ganhou a corrida', e eu estava perguntando 'você tem certeza, porque eu não sei nada?!' Naturalmente, naqueles dias, não tínhamos um rádio de modo que ninguém me poderia dizer o resultado, como eles podem agora. Eu fui imediatamente para o pódio para ser recebido pela Princess Grace, então não houve tempo para ver os meus mecânicos antes de receber o troféu.

Uma outra história sobre essa corrida... Eu nunca entendi por que cometi um erro na Mirabeau. Todos achavam que eu tinha sido estúpido para fazer tal erro, quando liderava a corrida a uma volta do fim. Trinta anos mais tarde, o Derek Daly disse a revista Motor Sport que ele tinha danificado sua caixa de velocidades do seu Williams e havia óleo na pista. A chuva e o óleo - que eu não conseguia ver - foi o que causou a rodada, mas eu só descobri isso anos mais tarde! Eu nunca poderia entender. Eu estava indo muito devagar, muito cauteloso, em primeira marcha, sendo muito cuidadoso porque poderia ganhar o Grande Prêmio, mas então eu rodei e eu pensei 'm****, eu perdi a corrida, por que eu cometi um erro tão estupido?!' Agora já sei!


Q - "Você já viu a Fórmula E? Se sim, o que tem a falar sobre ela?"

RP - "Eu realmente vi só uma corrida, eu acho que na China, quando eu vi alguns highlights. Eu realmente não tenho uma opinião formada sobre esta série. Para mim, uma das coisas mais importantes no automobilismo é o barulho, que faz com que haja emoção e alimenta a atmosfera para os fãs. Se não há barulho, acho que perde um pouco dessa magia."



Q - "Você trabalhou com companheiros de equipe como Nelson Piquet, Nigel Mansell e Michael Schumacher. Que pontos fortes você recorda e por quê? Até que ponto eles eram duros na pista?"

RP - "Eram todos campeões do mundo, logo, eles eram especiais, mas de todos eles, o mais especial foi Michael. Imediatamente após o meu primeiro teste com a Benetton, em Silverstone, eu podia ver que ele tinha um talento especial. Ele era jovem, mas pelo que pude ver como seu companheiro de equipe, eu sabia que ele poderia ser um dos maiores. Mais tarde, todos viram-no ganhar 92 corridas e 7 campeonatos mundiais. De todos os meus companheiros de equipe, ele foi o mais forte.

Com os outros pilotos, se estivesse no meu dia, eu conseguia fazer voltas mais rápidas do que eles e batê-los em algumas corridas, mas todos eles eram fortes: Alan Jones, Nelson Piquet, Nigel Mansell, eram todos fortes mas eu conseguia ser competitivo contra eles."



Q - "Como foi sua relação com Nigel Mansell durante 91 e 92? Era como Hamilton/Rosberg?"

RP - "Não, era um bom relacionamento. Definitivamente um bom relacionamento, nenhum problema. A atmosfera foi muito boa e nós ainda continuamos a ser bons amigos agora. Eu tenho que dizer que éramos fortes concorrentes, mas tínhamos um bom relacionamento. 

Saiu em um livro de Maurice Hamilton que, em 1992, Nigel não estava compartilhando todos os seus dados com a equipe, mas eu nunca soube disso na época. Nesse ano tivemos muitas informações sobre o carro, então eu e Nigel tínhamos muito o que fazer, mas do meu lado tudo foi colocado sobre a mesa e compartilhado e, se eu descobrisse algo bom, estaria lá para ele ver, mas eu só soube mais tarde que ele não estava colocando tudo sobre a mesa. Eu não gostava de dizer isso há alguns anos, mas ás vezes eu acho que você pode ser um campeão, um bom piloto, mas as vezes você tinha que ser um pouco bastardo. Essa é a história de muitos campeões mundiais. Eu admirava Ayrton, ele era o melhor junto com Michael Schumacher, mas quando ele estava correndo ele era duro. Para estar a frente do resto, às vezes você tem que ser um pouco injusto.

Mas sobre o meu relacionamento com Nigel, mesmo agora que eu sei que ele estava jogando alguns joguinhos em 1992, não há problema. Ele disse que tinha muitos problemas com seus companheiros de equipe, mas não comigo, e que essa relação foi muito boa e eu digo a mesma coisa."



Q - " Se a Brabham tivesse mantido o motor Ford durante todo 1982, você acha que poderia ter disputado pelo título?"

RP - "O turbo foi o caminho a percorrer porque na verdade não era possível ganhar o campeonato pois a Ferrari estava dominando. Mas em seguida eles perderam tanto Villeneuve quanto Pironi, perdendo assim a chance de ganhar o campeonato por causa desses acidentes. Sem isso, não havia dúvida de que eles seriam campeões. BMW disse que eles tinham que usar o ano para desenvolver o motor e o carro para estar competitivo no ano seguinte, e foi a decisão certa, porque, em 1983, Nelson ganhou o campeonato."


Q - "Riccardo, você teve uma carreira extremamente interessante, e durante um momento muito interessante da F1. Você já pensou em escrever um livro sobre isso?"

RP - "As pessoas falam para mim por quê de eu não escrever um livro, mas não é um coisa simples de fazer. Para fazer um livre é um monte de trabalho, porque se você quiser fazê-lo bem, você tem que pensar muito sobre sua vida e carreira, e você tem que encontrar a pessoa certa para escrever. Se eu livro for bem feito, pode ser bem sucedido, mas há alguns livros sobre pessoas de esporte que ninguém lê porque elas não estão interessadas, por isso é difícil de fazer e fazer bem. Por exemplo, eu encontrei o livro de Agassi e achei fantástico porque foi escrito de uma maneira muito boa. Claro que ele era o número um do tennis e teve uma vida interessante cheia de ingredientes para fazer uma boa história quando bem escrito, por isso, eu tenho que encontrar o escritor correto para o trabalho, porque, caso contrário, ele pode ser um dos livros que ninguém se preocupa. Nós temos alguém em mente para escrever e estamos discutindo isso."



Q - "O seu número favorito é o 6, não é? Você poderia, por favor, me dizer por que você escolheu as cores branco e azul para o seu capacete?"

RP - "Sim, 6 é meu número favorito. Meu irmão escolheu as cores e desenhou meu capacete. Eu tinha gostado de azul desde quando eu era um menino e é minha cor favorita."


Q - "Você teve vários companheiros de equipe quando correu em sportscars, Wollek, Nannini, Alboreto por exemplo, houve um co-piloto em particular que você sentiu que funcionou melhor?"

RP - "Bem, na verdade eu trabalhei com todos eles muito bem. Eu era muito amigo do Alessandro, e foi divertido conduzir com ele, e Michele bem como, e com Bob foi ok, mas o que mais me lembro é Walter Rohl porque nós fizemos a primeira corrida para a Lancia em Brands Hatch, e é claro que ele era um campeão do mundo vindo para os sportscar e quando ele chegou ele foi muito impressionante. Eu também dirigi com Piercarlo Ghinzani e Teo Fabi, mas fomos uma boa equipe e a atmosfera na Lancia era sempre muito boa.

Eu vim para os sportscar principalmente por causa de Cesare Fiorio, que me queria na equipe quando a Lancia começou o programa, mas antes eu nunca pensei que eu seria um piloto de endurance. Eu gostei das corridas de 6 horas, corridas de 1000Kms, muito porque eram corridas de curta distância, mas eu não gostava das vinte e quatro horas. Agora você vai para Le Mans e é como uma corrida curta de 24 horas porque os carros são confiáveis e você pode forçar a partir do primeiro minuto até o fim, mas antes você realmente tinha que salvar o carro, consumo de combustível e era realmente chato um pouco chato por causa disso, então eu preferia as corridas curtas.

Compartilhando o carro estava ok, pois Alessandro era piloto de F1, Michele era piloto de F1, a Lancia era composta, em sua maior parte, de pilotos de F1, então você sabia, quando você entregou seu carro para seu companheiro de equipe, que ele era um piloto rápido."


Q - "Riccardo, durante sua carreira na F1 você dirigiu uma variedade de diferentes carros; qual você diria que foi o seu favorito?"

RP - "Seria a Brabham BT49D, o carro que eu ganhei meu primeiro GP. Além disso, a Williams FW14 de 1991. Nestes carros havia pouca ou nenhuma eletrônica envolvida e para mim como piloto havia mais sentimento. Você realmente pode sentir o carro e mostrar sua capacidade."

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Essas foram as perguntas respondidas pelo italiano Riccardo Patrese, vice-campeão da temporada de 1992 e vencedor de 6 corridas em fantásticas 17 temporadas na categoria máxima do automobilismo. Um homem, como disse o Paulo Teixeira, duro de se arrumar uma entrevista, mas que quando nos dá a chance não devemos desperdiça-la. Apesar de não ter respondido 4 perguntas que fiz em um dos comentários, agradeço pela atenção dada ao que foi respondido.

Qualquer erro ortográfico, por favor, comente para que eu possa corrigir...

Imagens tiradas do Google Imagens

domingo, 1 de novembro de 2015

GP do México - História


Neste fim-de-semana, a Fórmula 1 retornará á Cidade do México para voltar a receber o GP mexicano, realizado, mais uma vez, no Hermanos Rodríguez. Mas o que essa corrida tem de especial em sua história? Grandes corridas? Grandes vitórias? Acidentes? Bem, decidi que hoje esse seria o tema do post, para informar-los um pouco mais sobre o GP do México.

O primeiro GP do México aconteceu no dia 4 de novembro de 1962, quando o circuito ainda se chamava Magdalena Mixhuca e havia acabado de ser inaugurado. A promessa mexicana Ricardo Rodríguez estaria na prova mesmo que ela era extra-campeonato, ou seja, não valia pontos para a temporada de Fórmula 1.


O GP contou com um ótimo número de inscritos, inclusive com nomes da estirpe de Jim Clark, Jack Brabham, Innes Ireland, Bruce McLaren, Roger Penske, Masten Gregory, Trevor Taylor, Dan Gurney, Jo Bonnier, Roy Salvadori e John Surtees. A Ferrari acabou não participando da prova, o que dificultou a vida do herói local que teve de caçar um Lotus nas portas de Rob Walker.

Na primeira seção de treinos, a Lotus 24 de Rodríguez sofre uma falha na suspensão traseira direita, deixando o mexicano sem o que fazer no meio da curva Peraltada. O impacto na barreira de pneus foi violentíssimo, arremessando o corpo do jovem piloto e quase partindo-o ao meio. Com isso, a Fórmula 1, e o México, perdiam mais uma promessa.


Segundo muitos, o modo que Ricardo fazia a Peraltada acabou culminando na quebra da suspensão que foi fatal para o garoto mexicano de apenas 20 anos. Pedro Rodríguez, seu irmão, também estava inscrito para a prova, mas acabou desistindo por causa do acontecimento que abalou, e muito, sua carreira no automobilismo.

Mesmo assim, a corrida ocorreu com Jim Clark dominando sem piedade até levar bandeira preta dos comissários mexicanos. Como as regras da prova não eram muito complexas, o escocês pode entrar no lugar de Trevor Taylor que era o terceiro colocado, coisa que não era nada para alguém como Jimmy, que ainda conseguiu recuperar a liderança e abrir mais de 1 minuto para o segundo colocado que foi Jack Brabham.


Um ano depois, com o GP do México já dentro do calendário oficial, Jim Clark repetiu o domínio, dessa vez sendo ainda mais hegemônico do que no ano anterior. Após fazer uma pole position arrasadora, o escocês voador manteve o sentido de sua alcunha no domingo, liderando de ponta-a-ponta para conquistar mais uma vitória na temporada de 1963, marcada pelo seu primeiro título.

Em 1964 a prova seria muito polêmica. Três pilotos disputando o título chegaram em Hermanos Rodríguez para a última prova da temporada: John Surtees, Jim Clark e Graham Hill. O escocês necessitava vencer a prova para ter alguma chance de título, enquanto Surtees e Hill eram os principais postulantes ao título.


Nos treinos, Jimmy coloca quase um segundo entre ele e Dan Gurney, que arranjou uma segunda posição ali no grid. Seguindo-os: Lorenzo Bandini, John Surtees, Mike Spence, Graham Hill, Jack Brabham, Jo Bonnier, Pedro Rodríguez e Bruce McLaren. A Ferrari, como sempre, tinha suas gambiarras e sujeiras por trás dos panos preparadas para a corrida.

No domingo, Surtees e Hill fazem péssima largada, caindo para lá do décimo posto, o que dava o título para Jim Clark que era o líder. Mas como Lotus e Ferrari tinham os melhores carros, foi fácil escalar o pelotão e retornar as posições pontuáveis. Até a 30º volta, Graham já havia passado pelo conterrâneo e se mantinha na ótima 3º colocação, com Bandini ficando entre ele e seu rival.


Na mesma volta, o italiano da Ferrari joga seu carro azul e branco em cima de Hill que cai para a péssima 10º colocação, ainda sofrendo com problemas além de estar duas voltas atrás do líder Clark. Há duas voltas para o fim, Jimmy vê seu motor explodir e entregar a vitória para Gurney, enquanto Bandini ainda entregava a segunda colocação para o companheiro que se tornou o único homem a conquistar um título no topo do automobilismo e do motociclismo.


Em 1965, o título já estava com Jim Clark, que mais uma vez não facilita no circuito mexicano ao fazer mais uma pole position, mas agora com mais dificuldade. Richie Ginther, que corria pela Honda, acabou surpreendendo ao colocar seu carro branco na terceira colocação, mostrando otimismo para a corrida.


Na prova, Gurney e Clark sofrem problemas na largada, dando a ponta para o estadunidense que se mantém na frente de Mike Spence. Sendo os dois melhores pilotos no circuito mexicano, Dan e Jimmy começam uma recuperação estupenda que resultado num segundo lugar para o piloto da Brabham e um abandono para o campeão.

Ao fim das 65 voltas, Richie Ginther conquistou uma vitória inesperada com seu problemático Honda em cima de nomes como Dan Gurney. Essa prova acabou sendo a última com os carros usando motores 1.5 litros, e também a última a ver Ginther no pódio e a única com Mike Spence terminando entre os três melhores.


Na edição de 1966, Jim Clark já não tem um desempenho tão fantástico como nos anos anteriores, sendo superado por John Surtees da Cooper. Seguindo os britânicos estavam Richie Ginther, ainda de Honda, Jack Brabham, Jochen Rindt, Denny Hulme, Graham Hill, Pedro Rodríguez, Dan Gurney e o jovem Jackie Stewart fechando o top ten.

Na largada, mais uma vez, Clark sai mal, agora levando Surtees junto. Ginther agradeceu, assumindo a ponta pela segunda vez consecutiva. Mas a alegria do estadunidense não duraria como em 1965, já que Jack Brabham tomou a ponta na qual ele também não manteria por muito tempo, já que o campeão de 1964 ressurgiria na liderança da prova que seria vencida por ele. Richie ainda terminou em quarto depois de segurar a terceira colocação nas últimas 14 voltas...


Mesmo sem saber que essa era a sua última corrida em Hermanos Rodríguez, Clark deixou sua marca mais uma vez no circuito mexicano. Em 1967, a pole foi do escocês, com Chris Amon conquistando um segundo posto e Dan Gurney o terceiro com sua Eagle. Seguindo o grid estavam Graham Hill, Jack Brabham, Denny Hulme, John Surtees, Bruce McLaren, Moises Solana e Jo Siffert.

Na corrida, Jimmy não largou bem, caindo para terceiro. Mas como ele é Jim Clark, a recuperação foi rápida, com o escocês voltando á ponta na terceira volta. Graham Hill segurava a segunda colocação para a alegria de Colin Chapman que poderia ver mais uma dobradinha, mas problemas no belo Lotus do inglês acabou com as chances de dobradinha.


Amon, o azarado, tomou a segunda colocação, na qual manteve por boa parte da prova. Faltando três voltas, Chris acaba abandonando após enfrentar problemas com sua Ferrari, entregando o segundo lugar para Jack Brabham e o último lugar no pódio para Denny Hulme. Ao fim das 65 voltas, lá estava ele comemorando novamente: Jim Clark.

A prova de 1968 novamente decidiria o título entre três grandes pilotos: Graham Hill (de novo), Jackie Stewart e Denny Hulme. Nos treinos, Jo Siffert, de Lotus, conseguiu marcar o melhor tempo sendo seguido por Chris Amon, Graham Hill, Denny Hulme, Dan Gurney, John Surtees, Jackie Stewart, Jack Brabham, Bruce McLaren e Jochen Rindt.


No dia da corrida, vemos um Stewart ambicioso, focado em conquistar seu primeiro título. Enquanto isso, Denny Hulme tem uma calma para resolver seus problemas, já que sabia que era o piloto com menos chances de se tornar campeão. Na largada, o novo escocês voador sai da 7º colocação para ser 3º enquanto Siffert cai e Hill assume a ponta.

Logo, a Honda de John Surtees não seria mais obstaculo para Jackie Stewart que começou a perseguir bravamente Graham Hill, que usa toda a experiência para segurar e se manter na cola do escocês que assumiu a ponta na volta. A alegria foi rápida, já que ele acabaria perdendo a liderança para o mesmo Hill, que deu o troco. Para Hulme já era, o neozelandês abandona com problemas na suspensão.


Jo Siffert fazia uma prova de recuperação incrível, passando por Stewart na volta 17 e assumindo a ponta na 22, parecia que a prova tinha seu novo dono depois da morte de Clark: Siffert. Mas, da mesma forma do piloto da Matra, a alegria durou pouco, com o suiço tendo graves problemas que levaram ele para a última posição...

Stewart caminhava para a segunda colocação que confirmava seu vice, mas quis o destino que o escocês não completasse a prova na Cidade do México. Com isso, Bruce McLaren assumiu a segunda posição enquanto Jack Brabham era terceiro, mas por pouco tempo, já que seu Brabham começaria a ter problemas dando esperança para o povo mexicano que poderia ver um mexicano no pódio...

Jackie Oliver de Lotus e Pedro Rodríguez de BRM

Pedro Rodríguez agora batalhava pela terceira colocação com Jackie Oliver, que também fez grande prova. Infelizmente, para a torcida mexicano, Pedro acabou em quarto enquanto o britânico subia ao pódio pela primeira vez na sua carreira. Graham Hill se tornara bicampeão 6 anos depois de seu primeiro título, de maneira sofrida, mas merecida.

Em 1969 vemos uma Brabham dominante no México, com Jack marcando a pole e Jacky conquistando o segundo posto no grid que ainda tinha: Jackie Stewart, Denny Hulme, Jo Siffert, Jochen Rindt, Bruce McLaren, Jean-Pierre Beltoise, Piers Courage e John Surtees. O campeão escocês ainda queria mostrar força, e por isso rapidamente tomou a ponta do GP do México.


Mas, rapidamente, o novo Jack acabaria tomando a liderança do xará campeão. Quem surpreendia vindo lá de trás era Hulme, que caminhava para tomar a ponta mais rápido do que o próprio Ickx, o que aconteceu na volta 10 enquanto Stewart perdia ainda mais posições. A prova de 1969 seria sem muita emoção, com Denny conquistando uma merecida vitória, sendo seguido pelo belga mais rápido do mundo e Brabham...

Naquela que seria o último GP do México no traçado original, Clay Regazzoni marca sua primeira pole com Stewart e Ickx seguindo-o. O título já estava decidido, mas o belga da Ferrari ainda queria mostrar que poderia ter sido campeão caso não tivesse problemas em Watkins Glen. Na largada, Jacky toma a liderança num passe de mágica, enquanto Rega fica com a terceira colocação.


Uma enorme quantidade de pública (200 mil) havia comparecido para assistir o último GP do México torcendo para Pedro Rodríguez. Mas, por falta de infraestrutura, um cachorro invadiu a pista e acabou sendo atropelado por Stewart, que teve problemas que deram a Ferrari uma dobradinha surpreendente. Agora dá para perceber o porque da prova não estar mais no calendário a partir de 1971. Da mesma forma da edição de 1969, a edição de 1970 não teria tanta emoção se comparada á outros anos, já que a única mudança de mais importante depois da volta 15 foi a de Hulme passando Brabham, que tinha problemas. No fim, Ickx venceu com Regazzoni em segundo e Denny em terceiro.


Depois de ficar esquecido por vários anos, o circuito Magdalena Mixhuca acabou sendo renomeada para Hermanos Ricardo y Pedro Rodríguez, em homenagem aos dois maiores nomes do automobilismo mexicano. O traçado também foi reformulado, com a pista sendo reformada para voltar a abrigar a Fórmula 1 após 16 anos de espera.

No dia 12 de outubro de 1986, lá estavam no grid Ayrton Senna, Nelson Piquet, Nigel Mansell, Gerhard Berger, Riccardo Patrese, Alain Prost, Derek Warwick, Patrick Tambay, Teodorico Fabi, Philippe Alliot, Keke Rosberg, Michele Alboreto, René Arnoux, Stefan Johansson, Alan Jones e outros monstros da categoria máxima do automobilismo.


Era um sonho que se tornava realidade no México: A Fórmula 1 estava de volta. Na largada, o líder do campeonato, Nigel Mansell, cai para a última colocação enquanto Nelson Piquet assume a primeira colocação. O Leão agora começava uma desesperadora recuperação para se aproximar do pelotão intermediário enquanto seus rivais iam abrindo lá na frente.


Numa ótima estratégia, Gerhard Berger decide não parar para trocar seus pneus Pirelli, o que leva-o para a liderança da prova em poucas voltas. Alain Prost conseguiria superar Nelson Piquet e Ayrton Senna para terminar na segunda colocação, enquanto Mansell contaria com a sorte para conquistar dois pontinhos sofridos na Cidade do México.

O clima de "pré-decisão" estaria presente na edição de 1987 novamente, agora apenas com Mansell e Piquet. Nos treinos, o Leão conquista pole sendo seguido por Gerhard Berger, Nelson Piquet, Thierry Boutsen, Alain Prost, Teo Fabi, Ayrton Senna, Riccardo Patrese, Michele Alboreto e Andrea de Cesaris.


No domingo, Berger e Boutsen assumem a primeiras posições, com o belga tomando a ponta na segunda volta e só largando-a quando começou a ter problemas em sua Benetton. O austríaco da Ferrari caminhava para mais uma vitória no Hermanos Rodríguez, mas seu motor acabaria abrindo o bico na volta 20. Nesse momento, Mansell, Senna e o MITO iam para um surpreendente pódio na Cidade do México.

Infelizmente, parece que a alegria mexeu com a concentração de de Cesaris que acabou rodando e abandonando logo depois. Piquet, que teve problemas na largada, e por isso veio da última posição, já era o quarto colocado. Depois da forte pancada de Derek Warwick na Peraltada, os organizadores foram obrigados a interromperem a prova para a limpar a pista.


Na relargada, Piquet pula para a ponta, mas na soma dos tempos ainda se mantém na 4º colocação. Senna abandonaria na volta 54, dando o terceiro lugar para Riccardo Patrese de Brabham, já que Nelson já havia tomado a segunda colocação voltas antes. Ao fim das 63 voltas, Nigel Mansell venceu em grande prova de Piquet e Patrese.


Em 1988, Philippe Alliot acaba deixando sua marca na reta dos boxes de Hermanos Rodríguez, protagonizando várias capotagens espetaculares, mas saindo ileso. Ayrton Senna mostrou mais uma vez seu talento em marcar voltas rápidas ao fazer a pole position em cima de Alain Prost, que era seguido por Gerhard Berger, Nelson Piquet, Michele Alboreto, Satoru Nakajima, Eddie Cheever, Alessandro Nannini, Derek Warwick e Ivan Capelli, que completava o top ten.

Em mais uma prova chata da temporada de 1988, Alain Prost deu show para cima de Ayrton Senna, tomando a ponta na primeira volta e se mantendo por lá até a bandeirada. Piquet e Nakajima até que tentaram, mas ambas as Ferraris conseguiram superar as Lotus Honda do campeão de 1987 e do destruidor niponico.

Andrea de Cesaris: O único piloto a fazer a Peraltada ao contrário

Se a prova de 1988 foi chata, a de 1989 foi do mesmo nível. Num domingo marcante para o automobilismo brasileiro que viu Emerson Fittipaldi conquistar a Indy 500 e Ayrton Senna vencer o GP do México. A escolha dos pneus seria fundamental na corrida que tinha um brasileiro nas duas pontas do grid, Prost em segundo, Mansell em terceiro, Capelli em quarto e Patrese em quinto.


Na corrida, após uma má escolha do jogo dos pneus, Alain Prost foi obrigado a parar enquanto Senna se manteve na pista que ia perdendo carros a cada volta. Thierry Boutsen, Gerhard Berger, Nigel Mansell e Derek Warwick já haviam abandonado, o que ajudava pilotos com suas equipes médias e nanicas a crescerem mais e mais na corrida.

Gabriele Tarquini, de AGS, caminhava para um quinto lugar até ser ultrapassado por Prost, mas nada que desanimasse "a caminhada" em busca de pontos tão sonhados. Depois do abandono do Leão, Michele Alboreto assumiu a terceira colocação para conquistar o primeiro pódio da Tyrrell desde o GP de Detroit de 1983... Senna venceu, com Patrese em segundo, Nannini em quarto, Prost em quinto e Tarquini "mitando" em sexto.


As ondulações já atormentavam os pilotos no México, incidentes mais fortes ocorriam a cada ano na Peraltada, o fazia os organizadores temerem pelos showmans. Em 1990 vimos uma ótima prova marcada pela disputa entre Ferrari de Alain Prost e Nigel Mansell, e McLaren de Ayrton Senna e Gerhard Berger.

O austríaco marcou a pole com Riccardo Patrese em segundo, Ayrton Senna em terceiro, Nigel Mansell em quarto, Thierry Boutsen em quinto, Jean Alesi em sexto, Pierluigi Martini em sétimo, Nelson Piquet em oitavo, Satoru Nakajima em nono e Stefano Modena em décimo num grid que Alain Prost era apenas o 13º.


Depois de largar magnificamente, Ayrton Senna tomou a ponta em Hermanos Rodríguez. Ambas as Williams, aos poucos, iriam perdendo rendimento se comparada á outras equipes como Ferrari e Benetton que viam seus pilotos ganhar posições e se aproximarem de um pódio ao lado daquilo que parecia outra supremacia da McLaren.

Berger começa a ter problemas em seu motor Honda, o que leva-o para a 12º colocação enquanto Alain Prost já assumia a sexta posição logo atrás de Mansell que saiu cansado de uma feroz batalha com Jean Alesi, que também começou a perder rendimento. Nesse momento, o Brasil vinha tendo uma dobradinha nas pistas, alegria que duraria cerca de 20 voltas...


Depois de passarem pelas Williams, Nigel Mansell, Alain Prost e Alessandro Nannini corriam em direção de Ayrton Senna que perdia terreno para os rivais. Piquet foi a primeira vitima brasileira a ser atingido pelo bonde vermelho e verde, o que levou-o para os boxes para trocar os pneus numa arriscada estratégia que poderia tirar pontos do tricampeão.

Gerhard Berger estava de volta na briga após passar por Boutsen e Alesi. As últimas voltas prometiam ser fantásticas. Na volta 55, Nigel Mansell não resiste aos ataques de Alain Prost e cede a segunda posição para o Professor que vai em busca de seu maior rival. Agora a corrida entra nas suas últimas dez eletrizantes voltas.


O austríaco da McLaren passa por Nannini e começa a correr em busca de um pódio. Na 60º volta, Senna perde a ponta para o francês, e logo depois a segunda colocação para Mansell que estava sendo perseguido por Berger. Sem chances de volta, o brasileiro abandona a prova após furar seu pneu. Alain Prost agora ia tranquilo na liderança enquanto o Leão era caçado por um austríaco.

Numa das mais lindas e emocionantes batalhas da história da Fórmula 1, Berger e Mansell disputam roda-com-roda para saber quem terminará em segundo. Na penúltima volta, o ferrarista realizada uma das manobras mais medonhas da história da categoria: passar Gerhard Berger por fora, na Peraltada! Um feito fantástico que colocou Mansell, definitivamente, na segunda posição.


No fim da prova, Alain Prost vence, com Nigel Mansell em segundo e Gerhard Berger em terceiro. Completando os lugares pontuáveis estavam Alessandro Nannini, Thierry Boutsen e Nelson Piquet que ainda conseguiu um pontinho depois de batalhar com Jean Alesi pelo sexto posto.

Vários pilotos já haviam sentido os perigos de Hermanos Rodríguez, inclusive Senna, mas o que o brasileiro iria sentir em 1991 seria num outro nível. Nos treinos, sua McLaren ficou com as quatro rodas para o ar após bater e capotar na Peraltada (sempre ela), algo que felizmente não machucou o ídolo brasileiro que correu no domingo.


Riccardo Patrese surpreendeu a todos após marcar a pole position para o GP do México, sendo seguido por Nigel Mansell, Ayrton Senna, Jean Alesi, Gerhard Berger, Nelson Piquet, Alain Prost, Stefano Modena, Roberto Moreno e Olivier Grouillard fechando o top ten. Nas últimas 7 provas da Fórmula 1, o Brasil havia ganhando as 7, um feito inédito e único para qualquer país no automobilismo.

Mas parecia que essa sequência acabaria bem no GP do México... Mesmo depois de uma péssima largada, Riccardo Patrese se recuperou e retomou a ponta na volta 15 enquanto Ayrton Senna mal conseguia superar a Ferrari de Jean Alesi. Os problemas da altitude iam pegando vários pilotos que pararam e paravam para resolver seus problemas e trocar os pneus, o que levava surpresas para os pontos.


No fim das 67 voltas, Riccardo Patrese conquistou uma merecida vitória no Hermanos Rodríguez, sendo seguido por Nigel Mansell e Ayrton Senna. Na quarta colocação, o MITO chegou empurrando sua Jordan na frente da Benetton de Roberto Moreno e da Larrousse de Eric Bernard, digno de mais uma "mitagem" para entrar na história.

Da mesma forma que saiu do calendário em 1971, México estaria fora em 1992 pelos mesmos motivos da falta de infraestrutura, mas agora na pista que era cheia de bumps, sujeira, grandes erros de projeto, emendas de madeira e enormes rachaduras. O circuito estava ficando pior a cada ano, o que aumentava o perigo para os pilotos.


Ayrton Senna, nos treinos, acabou rodando no Carrossel, batendo no muro e tendo seu pé preso no pedal. Mesmo assim, o brasileiro participou da corrida que tinha Mansell na pole, Riccardo Patrese em segundo, um tal de Michael Schumacher em terceiro e Martin Brundle em quarto. Os antigos carros da Benetton estavam superando os antigos da McLaren, que ainda agonizava estar se tornando a terceira força do grid.

No fim-de-semana de seu aniversário, Senna não teve o que comemorar: batida no sábado e abandono no domingo. A prova foi semelhante a boa parte das de 1992: chata. As duas Williams desapareceram na frente, com Schumacher se mantendo em terceiro e apenas uma disputa de gente grande. Brundle e Berger foram ferozes na hora de defenderem-se um do outro, mas apenas um saiu vencendo, e esse foi o piloto da Benetton.


Infelizmente, para a Benetton, Martin Brundle acabou abandonando no meio da prova. Mesmo assim, a equipe ainda tinha a esperança de ver Michael Schumacher no pódio, coisa que se concretizou ao final da prova vencida por Nigel Mansell. A Alemanha estava em festa, afinal, voltaram ao pódio depois de 8 anos de espera (Bellof em Mônaco 1984) não-oficias e 15 anos (Mass no Canadá em 1977) oficiais.

Além da Benetton, a Lotus e Tyrrell estavam em festa: Andrea de Cesaris foi quinto e Mika Häkkinen o sexto e fantástica prova de ambos. Assim, a Fórmula 1 deixou o México pela última vez, com a Williams dominando, Senna cansado, Prost em ano sabático, um mito mitando entre outras várias coisas que corriam pelo circo em 1992...


Depois de várias tentativas de trazer a Fórmula 1 para o México em 2002, 2003, 2005, 2006 e 2009, a categoria finalmente conseguiu voltar á Hermanos Rodríguez em 2015, numa outra realidade... Agora é esperar para ver o que vai acontecer na prova logo mais.

Curiosamente, a Fórmula 1 volta no mesmo dia em que se completam 53 anos da morte de Ricardo Rodríguez...

Obrigado por ler!

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