domingo, 8 de janeiro de 2017

GP Memorável #81 - Mônaco 1986


Duas semanas depois do vexatório fim do GP de San Marino, a Fórmula 1 chegou ao seu principal palco: o principado de Mônaco. Em nome da segurança, o traçado foi modificado pela primeira vez em anos, com a substituição da velha chicane por uma nova chicane, que diminuiu a velocidade de 200Km/h para 60Km/h na região do porto. Agora os pilotos teriam de fazer três curtas curvas para continuarem em direção à Tabac.

No paddock, um novo rosto. Patrick Faure, novo presidente da Renault Sport que está lá para fazer as vontades de Georges Besse. Logo, disse que a marca forneceria motores apenas para duas equipes em 1987 ao invés de três. A Lotus seria a mais beneficiada, mas Peter Warr está sabendo esconder tão bem as conversas com a Honda que a Renault ainda acredita que manterá a parceria nos próximos anos. Sem perder tempo, Guy Ligier voltou a criticar os compatriotas, dizendo que seus turbos eram caros demais e que isto estava atrapalhando sua equipe. Faure respondeu dizendo que não poderia fornecer motores de graça só para fazer marketing, concordando que os turbos deveriam ter um limite de custo. Mesmo assim, Lotus e Ligier parecem ser as claras equipes a receberem, em 1987, os motores franceses, enquanto Ken Tyrrell já começa a buscar um novo fornecedor.


Em Monte Carlo, as figuras ilustres sempre estão presentes, sobretudo nos fins de semana de GP. Keke Rosberg, campeão de 1982, convidou o cônsul da Finlândia, enquanto Nelson Piquet trazia sua mãe e seu irmão Geraldo. Guy Ligier trouxe o Ministro do Comércio do Exterior, Michel Noir. Tendo recebido Margaret Thatcher poucos dias antes da prova, a McLaren não teve a mesma ousadia de Stefan Johansson, não convidando a primeiro-ministro. O sueco fez o incrível convite para o Rei Carl XVI Gustav da Suécia, que compareceu (!).

Em relação aos carros, a Ferrari voltou a utilizar os freios Brembro, tendo trazido novas entradas de ar para a prova e um turbo menor para seu motor. Patrick Tambay fará a estreia de seu motor Ford Cosworth turbo, enquanto Philippe Streiff finalmente terá em suas mãos o 015 da Tyrrell, que deve fazer sua estreia. Tendo marcado testes privados em Paul Ricard, Ligier teria em seus carros o patrocínio do pastis da Ricard. No fundo do pelotão, Piercarlo Ghinzani tinha uma nova injeção eletrônica para seu V8t da Alfa Romeo.

E, mais uma vez, a Brabham BT55 foi redesenhada, com os engenheiros de Chessington e Munique trabalhando duro para melhorar a tração das rodas motrizes e no aumento de potência do motor BMW. Resultado? Todos os componentes do motor foram trocados de lugar para uma melhor distribuição de peso. Já em Mônaco, Gordon Murray apresentava um olhar cansado, fadigado, de quem nunca havia trabalhado tanto...


Na quinta-feira, Ayrton Senna marcou o tempo mais rápido enquanto as Williams sofriam com o motor Honda, que deixava, até o momento, Nigel Mansell fora da prova. No segundo dia de treinos, o britânico conseguiria dar a volta por cima, marcando o melhor tempo antes de Alain Prost tomar a pole position com 1:22.627. Senna largaria apenas em terceiro, ao lado de um surpreendente Michele Alboreto na quarta posição.

Gerhard Berger, após o pódio em Imola, era quinto no grid em Mônaco. Riccardo Patrese, para surpresa, mais uma vez, de todos, conquistou o sexto melhor tempo na qualificação. Jacques Laffite era sétimo, Patrick Tambay, com seu turbo Ford, era oitavo, Keke Rosberg, atrapalhado pelo tráfego, apenas nono e Martin Brundle o décimo. Depois de problemas com o seletor de velocidades, além de odiar o circuito, Nelson Piquet era o décimo primeiro.

Ao lado do brasileiro estava René Arnoux, com Philippe Streiff em décimo terceiro e Thierry Boutsen em décimo quarto. Stefan Johansson, que atingiu Jean Sage no pit lane (o francês saiu apenas com uma luxação no ombro) era décimo quinto, ao lado de Teo Fabi. Marc Surer era décimo sétimo, com Alan Jones, que enfrentou problemas de suspensão, em décimo oitavo, Jonathan Palmer conseguiu um incrível décimo nono posto no grid, a frente de Elio de Angelis, último colocado após enfrentar problemas em seu motor BMW no segundo treino.


Na vigésima primeira posição, e fora da corrida, Piercarlo Ghinzani ficou a 0.097s do tempo de de Angelis. Johnny Dumfries, sem experiência e com problemas na transmissão, foi apenas o vigésimo segundo. Huub Rothengatter era vigésimo terceiro e Christian Danner o vigésimo quarto, com ambas as Minardi sofrendo com seu problemático motor Motori Moderni durante todos os treinos. de Cesaris vigésimo quinto e Nannini vigésimo sexto.

A prova de Fórmula 3 naquele fim-de-semana seria vencida por Yannick Dalmas, com Stefano Modena em seguindo e Michel Trollé, no segundo carro da ORECA, em terceiro. Nomes como os de Nicola Larini, Enrico Bertaggia, Maurizio Sandro Sala, Ermano Alboreto, Jean Alesi, Giovanna Amati, Marco Apicella, Julian Bailey, Paul Belmondo, Gary Brabham, Alex Caffi, Martin Donnelly, David Hunt, Kris Nissen e Peter Zakowski também estavam na corrida.

O domingo era de um belo sol, algo que não acontecia desde 1982 para o GP de Mônaco. No Warm-Up, Alain Prost foi o mais rápido com Riccardo Patrese em segundo. O piloto da Brabham vinha surpreendendo cada vez mais com seu problemático BT55. Depois de um vazamento de óleo, Patrick Tambay usaria seu carro reserva. Com problemas em seu JS27, Jacques Laffite deve largar no fundo do pelotão.


Na largada, Prost mantém a liderança com Ayrton Senna pulando em segundo, Nigel Mansell é terceiro, Michele Alboreto quarto, Gerhard Berger quinto e Keke Rosberg (!) sexto. O finlandês fez uma bela partida e já ataca o austríaco da Benetton, que é superado na Mirabeau. Riccardo Patrese caiu para sétimo, seguido por Brundle, Tambay e Nelson Piquet na décima posição.

Com o francês da McLaren abrindo para o resto, Philippe Streiff e Alan Jones se tocam na Tabac. O piloto da Tyrrell consegue voltar perigosamente, após Palmer quase atropelar dois fiscais, enquanto Jones não é permitido que dê a volta pela chicane, tendo que abandonar seu Lola Ford intacto. Com isso, Jacques Laffite já é décimo quinto.

Na volta cinco, René Arnoux supera Thierry Boutsen e é décimo primeiro, logo atrás de um Piquet apagado, que não consegue passar por Tambay e Brundle. Liderando, Alain Prost abre para Senna, que é pressionado por Nigel Mansell, tal como Michele Alboreto por parte de Keke Rosberg. Depois de parar, Teo Fabi é o último colocado.

No giro seguinte, Laffite passa por Surer e vai à caça de Johansson, que seria superado de forma excepcional pelo francês na Rascasse. O velho piloto da Ligier se aproximava da fila de Brundle, Tambay, Piquet e Arnoux quando seu companheiro conseguiu superar a Williams do brasileiro, assumindo o décimo posto. Grande desempenho das Ligier nessa altura da prova.


Depois de lutar com Berger, Riccardo Patrese toma o sexto lugar do austríaco para delírio da Brabham. Na abertura da décima sexta volta, Keke Rosberg passa por Michele Alboreto na reta dos boxes, iniciando sua perseguição a Nigel Mansell, que ainda não consegue superar Ayrton Senna. No giro dezoito, René Arnoux ultrapassa Patrick Tmbay e assume a nona posição.

Rosberg, muito mais rápido do que qualquer outro na pista, se aproxima de Mansell e começa a pressionar o inglês. Alain Prost mantém uma enorme distância para Ayrton Senna, que tenta se livrar da disputa com o inglês da Williams. Na volta vinte e três, Arnoux passa Brundle e abre para o comboio liderado pelo piloto da Tyrrell, com Tambay, Piquet e Laffite. Em último, Fabi para e abandona.

No giro vinte e seis, Keke supera Mansell, que faz sua troca de pneus três voltas depois. Na mesma altura, René Arnoux faz uma dupla ultrapassagem nas ruas de Mônaco: Patrese e Berger ficam para trás. Pressionado, Senna vê Rosberg ir aos boxes para fazer sua parada, voltando logo atrás de Alboreto. Tambay, Patrese e Boutsen também fazem suas trocas, com o italiano caindo para as últimas posições após problemas.

E, no mesmo ponto que antes, Keke Rosberg passa por Michele Alboreto e assume o terceiro lugar. Na volta trinta e cinco, Alain Prost para, marca 9s e sai na segunda posição, atrás de Senna. Dois giros depois, é a vez de Brundle fazer sua parada. Tentando se manter na pista, o brasileiro da Lotus volta a ser atacado por uma McLaren, agora de Prost, antes de fazer sua troca de pneus, retornando atrás de Rosberg, no terceiro posto.


Com problemas pela nona vez consecutiva, Michele Alboreto abandona o GP de Mônaco quando era quarto colocado. A situação da Ferrari é crítica nesse começo de temporada. Outro que também não tem motivos para sorrir é Elio de Angelis, que para nos boxes da Brabham com problemas no motor BMW turbo. Essa seria última corrida do italiano.

Em sexto. Gerhard Berger seria outra baixa importante. Depois das paradas, na volta quarenta e cinco, a classificação era: Alain Prost em primeiro, Keke Rosberg em segundo, Ayrton Senna em terceiro, Nigel Mansell quarto, René Arnoux quinto, Nelson Piquet, com problemas no câmbio, sexto, Jacques Laffite sétimo, Martin Brundle oitavo, Patrick Tambay nono, Stefan Johansson décimo, Thierry Boutsen décimo primeiro, Marc Surer décimo segundo, Jonathan Palmer décimo terceiro e Philippe Streiff décimo quarto. Com problemas, Patrese pararia perto da Tabac tempo depois.

Pressionando Senna, Mansell se vê obrigado a abrandar pelo fato da Lotus do brasileiro estar respingando gostas de óleo na viseira do inglês. Liderando, Alain Prost faz volta mais rápida atrás de volta mais rápida, com Jacques Laffite, na volta cinquenta e um, superando Nelson Piquet na disputa pelo sexto lugar. O brasileiro é muito prejudicado por seus problemas no câmbio.

A Williams faz a troca do bicampeão, que volta entre Brundle e Tambay. Voltas depois, o francês consegue superar Piquet em plena reta dos boxes, deixando claro que a participação do brasileiro, naquela altura, era meramente "para fazer número". Mesmo assim, Nelson volta a passar por Tambay no túnel, uma vez que Ayrton Senna e Nigel Mansell se perdem entre eles.


Segundo colocado da prova, o piloto da Lotus não tem dificuldades para superar os retardatários enquanto Mansell fica preso atrás do trio Brundle, Piquet e Tambay. Na volta sessenta e oito, o brasileiro supera a Tyrrell do britânico e, na tentativa de se beneficiar das bandeiras azuis e da ultrapassagem da Williams, o francês da Haas arrisca na Mirabeau, toca nas rodas do carro de Brundle, levanta voo, passa por cima do cockpit do inglês, capota e bate no guard-rail, escapando ileso do impressionante acidente. O britânico ainda tenta levar seu 015 até os boxes, mas, com o pneu furado, para na Rascasse. A confusão também afetou Mansell, que perdeu muito tempo em relação a Senna.

Depois de sair do cockpit de seu carro, Martin Brundle vê a marca preta em seu capacete branco: é do pneu de Patrick Tambay. Pela segunda vez na carreira, o inglês teve muita sorte em sair com a cabeça intacta de um acidente. Se aproximando do fim, as posições se confirmam.

Alain Prost vence pela terceira vez em Mônaco, com Keke Rosberg em segundo e Ayrton Senna em terceiro. Mansell, Arnoux e Laffite fecham os lugares pontuáveis, enquanto Nelson Piquet era apenas sétimo colocado. Com a presença de sua majestade, Johansson termina na péssima décima colocação, atrás de ambas as Arrows. Streiff e Palmer são os dois últimos classificados.

Com a vitória, Prost toma a liderança do campeonato com vinte e dois pontos. Senna é segundo, Piquet terceiro e Keke Rosberg agora é quarto. Mansell desempata com Berger e assume definitivamente o quinto posto com nove pontos. Laffite e Arnoux tem os mesmos cinco, enquanto Johansson é nono, Brundle décimo, Fabi décimo primeiro e Patrese décimo segundo. Nos construtores, a McLaren abre quase 10 pontos de vantagem para a Williams. Lotus é terceira colocada, Ligier quarta, Benetton quinta, Ferrari sexta, Tyrrell sétima e Brabham oitava.


A próxima prova seria em Spa-Francorchamps, onde ninguém tinha uma referência para saber se os carros iriam chegar ou não até o final...

RESULTADOS:
  1. 1 - FRA - Alain Prost - McLaren TAG-Porsche - 1:55:41.060 - 9pts
  2. 2 - FIN - Keke Rosberg - McLaren TAG-Porsche - +25.022s - 6pts
  3. 12 - BRA - Ayrton Senna - Lotus Renault - +53.646s - 4pts
  4. 5 - GBR - Nigel Mansell - Williams Honda - +1:11.402s - 3pts
  5. 25 - FRA - René Arnoux - Ligier Renault - +1 Volta - 2pts
  6. 26 - FRA - Jacques Laffite - Ligier Renault - +1 Volta - 1pt
  7. 6 - GBR - Nelson Piquet - Williams Honda - +1 Volta
  8. 18 - BEL - Thierry Boutsen - Arrows BMW - +3 Voltas
  9. 17 - SUI - Marc Surer - Arrows BMW - +3 Voltas
  10. 28 - SUE - Stefan Johansson - Scuderia Ferrari - +3 Voltas
  11. 4 - FRA - Philippe Streiff - Tyrrell Renault - +4 Voltas
  12. 14 - GBR - Jonathan Palmer - Zakspeed Racing - +4 Voltas
  13. 3 - GBR - Martin Brundle - Tyrrell Renault - Colisão - OUT
  14. 16 - FRA - Patrick Tambay - Lola Ford - Colisão - OUT
  15. 20 - AUT - Gerhard Berger - Benetton BMW - Porca de Roda - OUT
  16. 27 - ITA - Michele Alboreto - Scuderia Ferrari - Turbo - OUT
  17. 7 - ITA - Riccardo Patrese - Brabham BMW - Bomba de Combustível - OUT
  18.  8 - ITA - Elio de Angelis - Brabham BMW - Turbo - OUT
  19. 19 - ITA - Teo Fabi - Benetton BMW - Freios - OUT
  20. 15 - AUS - Alan Jones - Lola Ford - Colisão - OUT
  21. 21 - ITA - Piercarlo Ghinzani - Osella Alfa Romeo - DNQ
  22. 11 - GBR - Johnny Dumfries - Lotus Renault - DNQ
  23. 29 - HOL - Huub Rothengatter - Zakspeed Racing - DNQ
  24. 22 - ALE - Christian Danner - Osella Alfa Romeo - DNQ
  25. 23 - ITA - Andrea de Cesaris - Minardi Motori Moderni - DNQ
  26. 24 - ITA - Alessandro Nannini - Minardi Motori Moderni - DNQ
Esses foram os pilotos que participaram do GP
Volta Mais Rápida: Alain Prost - 1:26.607 - Volta 51

Curiosidades:
- 424º GP
- XLIV Grande Prêmio de Mônaco
- Realizado no dia 11 de maio de 1986, em Mônaco
- 23º vitória de Alain Prost
- 17º e último pódio de Keke Rosberg
- 40º pódio de Alain Prost
- 100º GP de René Arnoux
- 108º e último GP de Elio de Angelis
- 50º vitória da McLaren
- 20º vitória do motor TAG-Porsche


  • MELHOR PILOTO: Keke Rosberg / Jacques Laffite / René Arnoux
  • SORTUDO: Martin Brundle / Patrick Tambay
  • AZARADO: Johnny Dumfries / Nelson Piquet
  • SURPRESA: Patrick Tambay
Rosberg deu show com uma estratégia diferente das dos ponteiros, conseguindo um impressionante segundo lugar após largar em nono. O resultado só não foi tão incrível como os de Laffite e Arnoux, que, partindo das últimas posições, conseguiram chegar aos pontos. Brundle e Tambay tiveram sorte em não se ferir gravemente na colisão que tiveram, enquanto o francês ainda surpreendia com o ótimo desempenho do motor turbo da Ford numa pista na qual os turbinados não são tão favorecidos. Dumfries, sem experiência e com problemas, piorou sua imagem com a não qualificação, enquanto Piquet passou todo o fim-de-semana lutando para entrar no top ten.


Campeonato de pilotos:
  1. 1 - FRA - Alain Prost - McLaren TAG-Porsche - 22pts
  2. 12 - BRA - Ayrton Senna - Lotus Renault - 19pts
  3. 6 - BRA - Nelson Piquet - Williams Honda - 15pts
  4. 2 - FIN - Keke Rosberg - McLaren TAG-Porsche - 11pts
  5. 5 - GBR - Nigel Mansell - Williams Honda - 9pts
  6. 20 - AUT - Gerhard Berger - Benetton BMW - 6pts
  7. 26 - FRA - Jacques Laffite - Ligier Renault - 5pts
  8. 25 - FRA - René Arnoux - Ligier Renault - 5pts
  9. 28 - SUE - Stefan Johansson - Scuderia Ferrari - 3pts
  10. 3 - GBR - Martin Brundle - Tyrrell Renault - 2pts
  11. 19 - ITA - Teo Fabi - Benetton BMW - 2pts
  12. 7 - ITA - Riccardo Patrese - Brabham BMW - 1pt

Campeonato de construtores:
  1. GBR - Marlboro McLaren International - McLaren TAG-Porsche - MP4/2C - PRO/ROS - G - 33pts
  2. GBR - Canon Williams Honda Team - Williams Honda - FW11 - MAN/PIQ - G - 24pts
  3. GBR - John Player Special Team Lotus - Lotus Renault - 98T - DUM/SEN - G - 19pts
  4. FRA - Equipe Ligier - Ligier Renault - JS27 - ARN/LAF - P - 10pts
  5. GBR - Benetton Formula Ltd. - Benetton BMW - B186 - FAB/BER - P - 8pts
  6. ITA - Scuderia Ferrari SpA SEFAC - Ferrari - F1/86 - ALB/JOH - G - 3pts
  7. GBR - Data General Team Tyrrell - Tyrrell Renault - 014/015 - BRU/STR - G - 2pts
  8. GBR - Motor Racing Developments - Brabham BMW - BT55 - PAT/ANG - P - 1pt
Imagens tiradas do Google Imagens - GPExpert.com.br - F1-History.deviantart.com

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

GP Memorável 79# - San Marino 1986


Duas semanas depois de Jerez de la Frontera, o circo chegava a Itália para o Grande Prêmio de San Marino. Em sua sexta edição, a prova passou a ser um desafio para os pilotos e equipes, que enfrentaram graves problemas de combustível nos últimos dois anos e tinham ainda mais receio que isso se repetisse em 1986, graças ao novo regulamento que diminuía ainda mais o tamanho dos tanques.

Os mostradores de cada carro poderiam evitar outro vexame, mas estes ainda estavam pouco precisos e só haviam trazido problemas, especialmente para o campeão Alain Prost, que terminou o GP da Espanha com incríveis 18 litros de combustível após problema no indicador do carro. Agora, mais confiante, o francês e seu companheiro Keke Rosberg eram favoritos à vitória. Apesar disso, as coisas não andam tão bem dentro da equipe McLaren, com John Barnard criticando a postura do finlandês quando este recebia instruções - sempre de óculos escuro, Rosberg parecia não se preocupar com as palavras do projetista.

Inscrito para a prova, Mauro Baldi não esteve presente em Imola pelo fato de que a Ekström, equipe sueca que estrearia no GP de San Marino, não conseguiu finalizar seu projeto. Era o fim de algo que mal começou...


No fundo do pelotão, a Haas finalmente teria o novo motor turbo Ford Cosworth, inédito na categoria. Empolgado por ter sido escolhido como aquele que traria de volta o Cosworth à Fórmula 1, Alan Jones chegou a dizer que, com esse V6t, poderia conquistar o título de 1987, enquanto Mike Kranefuss era mais cauteloso, não apostando em grandes resultados em 1986. Quem não gostou nenhum pouco da escolha foi Patrick Tambay, sempre mais rápido do que o australiano em testes privados. "Teddy Mayer e Carl Haas deveriam ter pedido dois motores turbo, e não um", indagava o francês.

Felizmente, Tambay estrearia o Ford em Mônaco, sendo assim, esta seria a última prova do motor de Brian Hart, que ainda esperava clientes para a temporada de 1987.

Já as notícias de Frank Williams não são boas, com o inglês não conseguindo recuperar o movimento de seus quatro membros durante essa primeira fase de recuperação. Enquanto isso, sua esposa, Virginia, é quem comanda a equipe, mas quem acaba dirigindo as operações é Patrick Head.

Pela primeira vez, a Zakspeed preparou um segundo carro para o GP. Huub Rothengatter, graças ao seu manager Ben Pon, conseguiu dinheiro o suficiente para comprar uma vaga de volta no grid ao lado de Jonathan Palmer, que criticou a postura da equipe alemã que, segundo ele, só tinha condições de colocar um carro na pista.


Nelson Piquet e Stefan Johansson receberam um novo chassis para a prova, enquanto a Ligier finalmente conseguiu dois motores novos da Renault para Laffite e Arnoux, o que significava que a dupla francesa já teria uma economia de cerca de seis litros durante a corrida. Na Tyrrell, antes da estreia do 015, uma novidade vinda dos patrocinadores: a Kelémata trocou a Osella pelo time inglês.

O BT55 foi novamente revisado, com uma nova suspensão traseira, um novo capô para o motor e novos spoilers. A Benetton foi outra equipe a fazer mudanças na suspensão traseira. Enquanto isso, na Osella, as coisas iam de mal a pior com a chegada do novo FA1H ao circuito Enzo e Dino Ferrari. Detalhe: estava sem pintura e sem motor (!). Giuseppe Petrotta, engenheiro da equipe, não sabia sequer se o carro estaria com um V8t da Alfa Romeo ou um V6t da Motori Moderni. No fim, Enzo Osella foi obrigado a jogar ambos os pilotos, Ghinzani e Danner, novamente, nos carros de 1985, com o velho motor Alfa.

As disputas se estendem aos fornecedores de combustível e pneus, com a Goodyear preparando um novo composto enquanto a Pirelli está preocupada com o fato de sua principal equipe, a Brabham, estar tão mal. No momento, o foco é Benetton e Ligier, mas ambas não tem condições para testar todos os pneus disponíveis. E, diferentemente daquilo que se acreditava, os turbos estão ficando cada vez mais rápidos. Isso graças aos testes em laboratório das marcas BASF, AGIP, Mobil e Elf, que continuam a fornecer combustíveis cada vez melhores.


E pela décima vez em sua carreira, Ayrton Senna conquistou a pole position, com o tempo de 1:25.050, mais de meio segundo mais rápido do que Nelson Piquet, segundo colocado no grid. Mais uma vez, a legalidade do 98T estava em jogo, com faíscas saindo debaixo do carro onde o fundo plano deveria evitar. No fim, com a FISA investigando o caso, Gérard Ducarouge entregou o jogo, tendo usado um truque semelhante ao utilizado pela Brabham no BT49 de 1981, o que era perfeitamente legal.

Nigel Mansell era terceiro, com Alain Prost em quarto e um surpreendente Michele Alboreto em quinto. Keke Rosberg estava apenas na sexta posição, Stefan Johansson, com a outra Ferrari, era sétimo, René Arnoux oitavo, Gerhard Berger nono e Teo Fabi décimo. Mesmo com o motor Hart, Patrick Tambay levou sua Lola até o décimo primeiro posto, ficando ao lado da Arrows de Thierry Boutsen e a frente da Tyrrell de Martin Brundle.

Jacques Laffite tinha um decepcionante décimo quarto lugar, com Marc Surer em décimo quinto, Riccardo Patrese em décimo sexto, Johnny Dumfries em décimo sétimo, Alessandro Nannini com a ótima décima oitava posição, Elio de Angelis em décimo nono e Jonathan Palmer em vigésimo. Fechando o pelotão estava Alan Jones, Philippe Streiff, Andrea de Cesaris, Huub Rothengatter, Christian Danner e Piercarlo Ghinzani.


No Warm-Up, chuva. Jacques Laffite perde outro motor enquanto Martin Brundle roda e bate novamente com seu 015. O inglês deverá voltar com seu velho 014, com a estreia do novo chassis sendo adiado mais uma vez, agora para Mônaco. Apesar da chuva, a pista estaria seca para a largada.

Antes da volta de apresentação, Palmer enfrenta problemas e deve largar dos boxes.

Na partida, Senna mantém a ponta com Nelson Piquet em segundo, enquanto Nigel Mansell enfrenta problemas no motor e larga mal, perdendo posições para Prost e Rosberg. Antes mesmo da Villeneuve, Piquet força em cima de Ayrton Senna e toma a ponta. Mais atrás, Nannini trava as rodas, toca em Laffite e quebra a suspensão. É fim de prova para o jovem italiano.

Na segunda volta, Piquet começa a abrir, enquanto Senna é pressionado pelos McLaren de Prost e Rosberg. Em décimo sétimo, de Cesaris para nos boxes com problemas de motor, voltando na última posição. Depois de problemas na largada, Jonathan Palmer está de volta. Christian Danner é outro que enfrenta problemas e para nos boxes.


No giro seguinte, Mansell para. Os mecânicos tentam resolver o problema no motor Honda e devolvem o britânico à pista, na vigésima segunda posição. Na volta quatro, Prost supera Senna na Villeneuve, seguido por Rosberg, que força a ultrapassagem na Tosa. Agora o brasileiro da Lotus era o quarto colocado, enquanto o compatriota de Williams continuava a abrir para os rivais.

Depois de problemas na classificação e no warm-up, Jacques Laffite supera Johnny Dumfries e entra na briga pela décima primeira posição, com Patrese superando Boutsen. Na volta cinco, Fabi supera Tambay e é oitavo, enquanto, a frente, Rosberg passa Prost e assume o segundo lugar com Piquet tendo cinco segundos de vantagem.

Poucos minutos depois, a corrida do Lola Hart de Patrick Tambay chega ao fim. No sétimo giro, Teo Fabi assume o sétimo posto de Stefan Johansson, que, com problemas no freio, perde posições para Berger e Laffite, que agora era nono. Com o Ford turbo, Alan Jones continua a se recuperar, passando por Surer, Drumfries e Boutsen antes do conde escocês abandonar com problemas na roda.


Liderando com facilidade, Piquet mantém boa distância para Rosberg, que é pressionado por Prost. Perdendo espaço em relação aos McLaren, Ayrton Senna, que enfrenta problemas, começa a ser atacado por Michele Alboreto. Na vigésima posição, Huub Rothengatter também abandona antes de Nigel Mansell, na volta doze, vir aos boxes para se retirar da prova. É o fim para o britânico.

No mesmo giro, Alain Prost supera Keke Rosberg, enquanto Senna começa a andar lento com os mesmos problemas que tiraram seu companheiro da prova. Depois de Mansell, é a vez do brasileiro dar adeus, cedo, ao GP de San Marino. Na volta treze, Rosberg retoma o segundo lugar na mesma altura em que Arnoux vai aos boxes trocar os pneus, retornando na décima segunda posição.

Com problemas no turbo, Laffite abandona, enquanto Jones para com problemas na caixa de câmbio. Depois da parada, Arnoux volta forte, passa por Boutsen e Surer e já é nono na volta dezesseis. Nelson Piquet, na liderança, começa a diminuir a pressão do turbo e perder terreno para Keke Rosberg e Alain Prost. Na luta pela quinta posição, Gerhard Berger supera Teo Fabi na luta interna da Benetton.


Mesmo depois de sua parada, de Angelis estava na décima segunda posição antes de ser traído, novamente, pelo motor BMW de sua Brabham. O italiano mais uma vez abandona. Na mesma volta, Johansson para e volta atrás dos Arrows de Boutsen e Surer. Depois de passar por Patrese, Arnoux ganha o sexto posto de Fabi, que troca os pneus.

No giro vinte e seis, Alboreto para, marca 8.5s e volta ainda na quarta posição. Mais atrás, ambas as Arrows também fazem suas trocas. Liderando e a poucas voltas de sua parada, Nelson Piquet é fortemente pressionado por Keke Rosberg. Na penúltima posição, de Cesaris abandona com problemas no motor.

Na volta vinte e nove, Piquet para e volta na terceira colocação, com Rosberg e Prost assumindo as primeiras posições. No giro seguinte, é a vez do francês fazer sua parada. E, com espetaculares 8.6s de troca, o campeão do mundo retorna a frente da Williams do brasileiro. Lutando pelo sétimo posto, Riccardo Patrese supera Teo Fabi. Desempenho surpreendente da Brabham do italiano.


Na quinta posição, Gerhard Berger também para, mantendo o quinto posto. Liderando sozinho, Rosberg demora para vir aos boxes, e, quando vem, tem uma desastrosa parada de 14s. Alain Prost agora era líder, com o finlandês em segundo e Nelson Piquet apenas na terceira posição. O favoritismo das McLaren estava se confirmando...

Depois da ótima parada, Berger acabaria sendo superado por Arnoux e Patrese, caindo para o sétimo lugar antes de também ser ultrapassado por seu companheiro Teo Fabi. De quinto, o austríaco agora era apenas oitavo, correndo risco de perder mais uma posição para Stefan Johansson. Na última colocação, Jonathan Palmer para com problemas elétricos em seu Zakspeed, e, por incrível que pareça, ainda consegue voltar à prova.

Se recuperando, Johansson passa por ambos os Benetton e é sétimo. Fabi, que forçou demais o motor BMW de seu carro, abandona logo depois de ser superado pelo sueco. Outro abandono é o de Philippe Streiff, que era décimo segundo. Na volta quarenta e seis é a vez de René Arnoux parar logo depois da Tosa com problemas na roda: Riccardo Patrese era quinto! Depois de diversos problemas durante todo o fim-de-semana, Palmer perde o freio e acaba fora da pista e fora da prova.


Restando poucas voltas para o fim, os problemas começam a atrapalhar o desempenho dos pilotos na pista. Alain Prost consegue manter a boa diferença para Rosberg, enquanto Nelson Piquet resiste à pressão de Michele Alboreto. Pressionando Johansson, que tem graves problemas no freio, Berger, que não tem mais a embreagem, supera o escandinavo de forma incrível em ultrapassagem tripla (isso mesmo, o austríaco também passou Brundle e Ghinzani na manobra) e assume o sexto posto no giro cinquenta e quatro.

Com Rosberg economizando combustível, Nelson Piquet se aproxima do finlandês enquanto Michele Alboreto para nos boxes para abandonar com problemas no motor de sua Ferrari. Os tifosi, que tanto haviam comemorado durante a prova, agora se entristeciam com um abandono a quatro voltas do fim. Ainda havia Johansson...

No giro cinquenta e oito, Ghinzani para com problemas, enquanto Piquet ataca fortemente Keke Rosberg, que, sem combustível, para logo depois da Tosa na volta cinquenta e nove. Riccardo Patrese assume a terceira posição com a Brabham! É um resultado incrível para o italiano. Porém, o sonho logo se tornou pesadelo, com Gerhard Berger assumindo o último lugar do pódio e o BT55 lento na pista, sem combustível. Marc Surer também para.

Abrindo a última volta, Alain Prost passa lento na reta dos boxes, com Riccardo Patrese abandonando mais atrás. O trajeto seria feito sem maiores dificuldades para o francês, mas, logo após a Rivazza, seu McLaren começa a parar. Desesperado, o campeão do mundo começa a chacoalhar o carro de um lado para o outro, tentando pegar as últimas gotas de combustível. Em segundo, Nelson Piquet aperta, começa a se aproximar e coloca a vitória do francês em jogo.


Na última chicane, Prost ainda consegue alguma velocidade, mas, quando entra na reta, volta a perdê-la. Gerhard Berger se aproxima, diminuí e apenas segue o francês até a linha de chegada. Alain Prost, conquista uma espetacular vitória em Imola, com Nelson Piquet cruzando na segunda posição e Berger terminando num surpreendente pódio para a Benetton. Stefan Johansson ainda conseguiria fechar em quinto, conquistando os primeiros pontos da Ferrari em 1986, com Keke Rosberg sendo classificado em quinto e Riccardo Patrese (quem diria...) em sexto. Faltou pouco, mas Boutsen e Brundle quase roubaram as posições do finlandês e do italiano...

Depois da corrida, polêmicas. Guy Ligier disse que se os problemas por falta de combustível continuarem a Fórmula 1 estaria condenada. Gérard Crombac, renomado jornalista, ainda disse que a categoria é algo diferente do que correr às ordens de um computador. Jean-Marie Balestre também se pronunciaria, criticando Prost e dizendo que este poderia sair porque haviam outros quarenta pilotos querendo entrar na F1. Mesmo assim, o presidente da FISA entendeu que, para melhorar a segurança, não bastaria diminuir o tamanho dos tanques. Sendo assim, Balestre e Ecclestone começariam a revolucionar a Fórmula 1...

No campeonato de pilotos, Piquet e Senna agora estavam empatados na liderança com 15 pontos. Alain Prost era terceiro, Nigel Mansell o quarto, empatado com Gerhard Berger, Keke Rosberg sexto e Jacques Laffite sétimo. Arnoux e Johansson agora tinham o mesmo número de pontos em oitavo, com Fabi e Brundle em décimo e Riccardo Patrese na décima segunda posição.

Na tabela de construtores, Williams abria 3 pontos para a McLaren, que também tinha 3 pontos para a Lotus. Benetton superou a Ligier e agora era quarta colocada. Ferrari era apenas sexta, Tyrrell sétima e Brabham oitava.


O próximo palco seria Mônaco, nas estreitas ruas de Monte Carlo.

RESULTADOS
  1. 1 - FRA - Alain Prost - McLaren TAG-Porsche - 1:32:28.408 - 9pts
  2. 6 - BRA - Nelson Piquet - Williams Honda - +7.645s - 6pts
  3. 20 - AUT - Gerhard Berger - Benetton BMW - +1 Volta - 4pts
  4. 28 - SUE - Stefan Johansson - Scuderia Ferrari - +1 Volta - 3pts
  5. 2 - FIN - Keke Rosberg - McLaren TAG-Porsche - Falta de Combustível - 2pts
  6. 7 - ITA - Riccardo Patrese - Brabham BMW - Falta de Combustível - 1pt
  7. 18 - BEL - Thierry Boutsen - Arrows BMW - +2 Voltas
  8. 3 - GBR - Martin Brundle - Tyrrell Renault - +2 Voltas
  9. 17 - SUI - Marc Surer - Arrows BMW - +3 Voltas
  10. 27 - ITA - Michele Alboreto - Scuderia Ferrari - Turbo
  11. 21 - ITA - Piercarlo Ghinzani - Osella Alfa Romeo - Falta de Combustível - OUT
  12. 25 - FRA - René Arnoux - Ligier Renault - Roda - OUT
  13. 4 - FRA - Philippe Streiff - Tyrrell Renault - Transmissão - OUT
  14. 19 - ITA - Teo Fabi - Benetton BMW - Motor - OUT
  15. 14 - GBR - Jonathan Palmer - Zakspeed Racing - Freios - OUT
  16. 22 - ALE - Christian Danner - Osella Alfa Romeo - Elétrico - OUT
  17. 15 - AUS - Alan Jones - Lola Ford - Superaquecimento - OUT
  18. 23 - ITA - Andrea de Cesaris - Minardi Motori Moderni - Motor - OUT
  19. 8 - ITA - Elio de Angelis - Brabham BMW - Motor - OUT
  20. 26 - FRA - Jacques Laffite - Ligier Renault - Transmissão - OUT
  21. 12 - BRA - Ayrton Senna - Lotus Renault - Rolamento de Roda - OUT
  22. 5 - GBR - Nigel Mansell - Williams Honda - Motor - OUT
  23. 11 - GBR - Johnny Dumfries - Lotus Renault - Rolamento de Roda - OUT
  24. 29 - HOL - Huub Rothengatter - Zakspeed Racing - Turbo - OUT
  25. 16 - FRA - Patrick Tambay - Lola Hart - Motor - OUT
  26. 24 - ITA - Alessandro Nannini - Minardi Motori Moderni - Acidente - OUT
Esses foram os pilotos que participaram da corrida
Volta Mais Rápida: Nelson Piquet - 1:28.667 - Volta 57


Curiosidades:
- 423º GP
- VI Grande Prêmio de San Marino
- Realizado no dia 27 de abril, em Imola
- 22º vitória de Alain Prost
- 10º pole position de Ayrton Senna
- 1º pódio de Gerhard Berger
- 1º pódio da Benetton
- 49º vitória da McLaren
- 25º volta mais rápida da Williams
- 150º GP da Williams
- 144º e último GP do motor Hart 415T L4
- 1º GP do motor Ford-TEC V6t


  • MELHOR PILOTO: Nelson Piquet
  • SORTUDO: Alain Prost / Gerhard Berger
  • AZARADO: Riccardo Patrese
  • SURPRESA: Michele Alboreto / Stefan Johansson / Riccardo Patrese
Se na Espanha foi Senna, em Imola foi a vez de Nelson Piquet dar show. O brasileiro largou de forma espetacular, tomou a ponta e teve uma corrida fácil até sua parada, que custou a vitória. Prost e Berger tiveram sorte, enquanto o francês conseguiu chegar com as últimas gotas, o austríaco viu todos que estavam a sua frente abandonar para conquistar seu primeiro pódio. Quem vinha surpreendendo era Riccardo Patrese, que, quando estava entre os três melhores, abandonou por falta de combustível. Outro que surpreendeu foi Alboreto que, com sua defasada Ferrari, chegou a lutar pelas melhores posições antes de abandonar, coisa que não aconteceu com Johansson, que quase conquistou um surpreendente pódio.

Campeonato de pilotos:
  1. 12 - BRA - Ayrton Senna - Lotus Renault - 15pts*
  2. 6 - BRA - Nelson Piquet - Williams Honda - 15pts*
  3. 1 - FRA - Alain Prost - McLaren TAG-Porsche - 13pts
  4. 5 - GBR - Nigel Mansell - Williams Honda - 6pts
  5. 20 - AUT - Gerhard Berger - Benetton BMW - 6pts
  6. 2 - FIN - Keke Rosberg - Mclaren TAG-Porsche - 5pts
  7. 26 - FRA - Jacques Laffite - Ligier Renault - 4pts
  8. 25 - FRA - René Arnoux - Ligier Renault - 3pts**
  9. 28 - SUE - Stefan Johansson - Scuderia Ferrari - 3pts**
  10. 3 - GBR - Martin Brundle - Tyrrell Renault - 2pts***
  11. 19 - ITA - Teo Fabi - Benetton BMW - 2pts***
  12. 7 - ITA - Riccardo Patrese - Brabham BMW - 1pt
* empatados
** empatados
*** empatados


Campeonato de construtores:
  1. GBR - Canon Williams Honda Team - Williams Honda - FW11 - MAN/PIQ - G - 21pts
  2. GBR - Marlboro McLaren International - McLaren TAG-Porsche - MP4/2C - PRO/ROS - G - 18pts
  3. GBR - John Player Special Team Lotus - Lotus Renault - 98T - DUM/SEN - G - 15pts
  4. GBR - Benetton Formula Ltd. - Benetton BMW - B186 - FAB/BER - P - 8pts
  5. FRA - Équipe Ligier - Ligier Renault - JS27 - ARN/LAF - P - 7pts
  6. ITA - Scuderia Ferrari SpA SEFAC - Ferrari - F1/86 - ALB/JOH - G - 3pts
  7. GBR - Data General Team Tyrrell - Tyrrell Renault - 014 - BRU/STR - G - 2pts
  8. GBR - Motor Racing Developments - Brabham BMW - BT55 - PAT/ANG - P - 1pt
Imagens tiradas do Google Imagens - GPExpert.com - F1-History.deviantart.com

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

GP Memorável 80# - Espanha 1986


Com a TV espanhola aderindo à transmissões ao vivo de corridas da categoria, Bernie Ecclestone sentiu-se atraído por um possível retorno ao país ibérico. E, ao invés de escolher Jarama ou até mesmo Montjuïc para receber a prova, o inglês preferiu dar uma chance para o recém construído circuito de Jerez de la Frontera, uma vez que o prefeito da cidade queria promover o turismo pelas bandas de Sevilha.

Construído em nove meses, o autódromo logo foi criticado pelos pilotos. A falta de áreas de escape, de barreiras de proteção que realmente dessem alguma segurança e a largura da pista foram alguns dos pontos mais criticados. Para piorar, os arredores do circuito pareciam um deserto, com alguns poucos hotéis e estacionamentos sem pavimento. Assim, a Fórmula 1 estava de volta a Espanha depois de cinco anos de ausência...

As semanas entre a abertura do campeonato, no Brasil, e a segunda etapa viram Henri Julien comprar os espólios de um velho RE40 da Renault, se juntando, mais tarde, à uma equipe italiana para a montagem do carro. Parecia que o sonho do velho Julien de trazer a AGS à Fórmula 1 estava próximo de se tornar realidade.


Após permanecerem três dias no Rio, logo depois do Grande Prêmio, os Brabham BT56 traziam mudanças no motor, na suspensão e no coletor de admissão. As Lotus de Senna e Dumfries estavam com novos condutores de admissão, na qual Tyrrell e Ligier ainda não tinham. Já a Ferrari havia gasto o tempo disponível para corrigir as imperfeições do F186, ao mesmo tempo que anunciava o desejo de ingressar na CART em 1987.

E, finalmente, a Tyrrell trouxe o novo 015, com algumas poucas evoluções do 014. Infelizmente, Martin Brundle cometeu um erro nos treinos de sábado e acabou no muro, destruindo as chances de estreia para o 015. Mesmo assim, o britânico saiu feliz após as primeiras voltas feitas no carro, que agora tinha o novo motor Renault.

Já na Renault as coisas andavam de mal a pior. O novo de governo de Jacques Chirac na França havia desencorajado a continuação da equipe na Fórmula 1 como fornecedora de motor, o que queria dizer que o desejo de Georges Besse, CEO da marca, estava prestes a se concretizar. Enquanto isso, Guy Ligier não parecia preocupado com a situação dos compatriotas, afinal, pareciam estar numa guerra silenciosa.


Enquanto a Renault fornecia dois motores para as Lotus, a Ligier recebia apenas um! Ligier ainda afirmava que não havia a preferência por um piloto ou outro dentro de sua equipe, criando uma pequena crise interna, que seria resolvida por um simpático Arnoux que cedeu, gentilmente, o motor para o velho Jacques Laffite.

Nos treinos, Ayrton Senna conquista a 100º pole position para a Lotus com o tempo de 1:21.605, quase um segundo mais rápido do que os Williams de Nelson Piquet e Nigel Mansell. Logo, a legalidade do 98T começou a ser questionada, com acusações de que ele seria dotado de pequenas asas que criam um efeito solo. Gérard Ducarouge negou. Enquanto isso, o brasileiro se vê obrigado a receber massagens do famoso austríaco Willi Dungl, dado os esforços feitos em busca do melhor tempo.

Alain Prost era quarto, com Keke Rosberg em quinto e René Arnoux na ótima sexta posição. Berger abria quarta fila, com Jacques Laffite ao seu lado e Teo Fabi, seguido por Johnny Dumfries, logo atrás. Na décima primeira posição estava o primeiro carro da Ferrari com Stefan Johansson, seguido por Martin Brundle, com o velho chassis 014, e por Michele Alboreto. Mesmo com as mudanças na Brabham, Riccardo Patrese era décimo quarto e Elio de Angelis apenas décimo quinto.


Fechando o grid estavam o Zakspeed de Jonathan Palmer em décimo sexto, o Lola Hart de Alan Jones em décimo sétimo, o outro Lola de Patrick Tambay em décimo oitavo, a Arrows de Thierry Boutsen em décimo nono, a Tyrrell de Philippe Streiff em vigésimo, a Osella de Piercarlo Ghinzani em vigésimo primeiro, a outra Arrows de Marc Surer em vigésimo segundo, a outra Osella de Christian Danner em vigésimo terceiro, Andrea de Cesaris em vigésimo quarto e Alessandro Nannini em vigésimo quinto.

O domingo amanhece sob forte sol e céu aberto, o que não evita a presença de meros 15 mil espectadores nas novíssimas arquibancadas de Jerez, quase vazias e sem nenhum brilho. As criticas a nova era da Fórmula 1, implantada por Bernie Ecclestone, começam nesse sentido. No Warm-Up, Keke Rosberg enfrentou problemas de motor que poderiam prejudicar sua corrida.

Na volta de apresentação, Nannini tem problemas no diferencial e não chega ao grid. Na largada, Ayrton Senna pula a frente com Nelson Piquet em segundo, Nigel Mansell em terceiro, Keke Rosberg em quarto e Alain Prost em quinto. Fabi tocou em Laffite, quebrando sua asa dianteira, tendo que parar, voltando no fim do pelotão.


Ainda na primeira volta, Alan Jones e Jonathan Palmer se colidem e abandonam, seguido por Andrea de Cesaris que, como seu companheiro, enfrentou problemas no diferencial de sua Minardi. No segundo giro, Keke Rosberg supera Mansell e assume o terceiro posto, enquanto Dumfries perde posições para Johansson, Alboreto e Berger.

Rosberg começa a ameaçar Piquet, enquanto o Leão é superado por Alain Prost na disputa pelo quarto lugar. Mais atrás, Riccardo Patrese passa Martin Brundle e assume o décimo segundo lugar antes de abandonar com a quebra de sua transmissão. Na nona volta, Patrick Tambay, décimo quarto naquela altura, para com problemas no freio de seu Lola, retornando na última posição.

No giro seguinte, Piercarlo Ghinzani abandona após o estouro de seu motor Alfa Romeo, mesmo problema que afetaria o companheiro Christian Danner poucas voltas depois. Entre os abandonos dos Osella, Stefan Johansson trava as rodas e bate violentamente na barreira de pneus, conseguindo sair de sua Ferrari antes de cair, em choque, no chão. O sueco teria de ser levado numa maca para o centro médico do autódromo para exames.


Ayrton Senna lidera, com Nelson Piquet em segundo, Alain Prost em terceiro, Nigel Mansell em quarto, René Arnoux em quinto e Jacques Laffite em sexto. Mais ao fundo, Teo Fabi ganha o décimo quinto lugar de Elio de Angelis. Agora com a certeza de que chegará até o fim, Mansell vai a luta pela vitória, ultrapassando Prost e iniciando uma forte pressão sobre Rosberg.

Brundle toma o décimo lugar de Dumfries na mesma altura em que Streiff abandona com o outro Tyrrell. O único carro da Ferrari na pista também enfrenta problemas e abandona. Michele Alboreto era apenas o oitavo colocado, sem chances de ameaçar as Ligier. Na volta seguinte, o motor Renault de Arnoux não resiste ao calor espanhol e leva o francês a abandonar a prova enquanto era sexto.

Com o pelotão da frente tentando superar os retardatários, Mansell usa a pouca paciência de Rosberg para assumir o terceiro posto. Senna começa a fugir de Piquet, que agora é seriamente ameaçado pelo companheiro de equipe. Na abertura da volta 33, o britânico superaria o brasileiro. Poucos tempo depois, foi a vez de Prost superar Rosberg, que agora se preocupa em economizar combustível depois de tanto esforço nas primeiras voltas.


Atacando Senna, Mansell volta a usar a cabeça (o que?), percebe que o brasileiro se atrapalhou com Brundle e assume a liderança. Na mesma volta, Nelson Piquet abandona com superaquecimento, enquanto Laffite se junta ao seu companheiro com os mesmos problemas no motor Renault e Marc Surer para com um vazamento de combustível.

Na sexta posição, Brundle tem pouco tempo para comemorar: seu motor Renault o trai. Johnny Dumfries agora é sexto. No giro 46, Gerhard Berger vai aos boxes trocar os pneus, cedendo o quinto posto para o conde escocês. Nessa altura, Teodorico Fabi já estava na incrível sétima colocação, restando apenas nove carros na pista.

Senna continua atacando Mansell, enquanto, na volta 52, seu companheiro de Lotus abandona com problemas na caixa de câmbio. Atacando Berger, Teo Fabi assume o quinto lugar do austríaco após recuperação espantosa. Nos boxes, Patrick Head prepara pneus novos para seu piloto, que se nega a parar enquanto é atacado pelo brasileiro.


Sem escolha, o britânico vai aos boxes na volta 62 e retorna na terceira posição. Senna lidera Prost por apenas um segundo, mas o francês é incapaz de acompanhar o brasileiro enquanto seus Goodyear se esfarelam no asfalto de Jerez. Mansell agora tira incríveis quatro segundos por volta! Colocando a possível vitória de Ayrton Senna em jogo.

Sem a inteligência que havia tido nas últimas voltas, Nigel Mansell perderia tempo atrás de Alain Prost antes de supera-lo, restando apenas quatro voltas para o fim tendo de chegar em Ayrton Senna, que sofre com o desgaste de seus pneus.

O que o mundo estava vendo era um show de pilotagem tanto por parte do britânico tanto por parte do brasileiro, que resistiria de forma incrível ao ataque alucinado de Mansell. No fim, apenas 0.014s dividiam os dois, a menor diferença entre o vencedor e o segundo colocado desde o GP da Itália de 1971. Prost terminou em terceiro, seguido por Rosberg, Fabi e Berger, que fecharam os lugares pontuáveis.


Depois da corrida, Senna disse que seus pneus estavam destruídos quando ainda restavam sete voltas para o fim, enquanto Mansell esperava ter dado um belo espetáculo para Frank Williams, que devia estar assistindo naquela altura de sua recuperação. Alain Prost estava decepcionado, já que um erro no computador mostrava que deveria andar com prudência por causa do combustível sendo que terminara com incríveis 18 litros no tanque!

Recuperado, Stefan Johansson voltou aos boxes da Ferrari com um belo sorriso, contando que chegou a cair da maca no caminho para o centro médico: "o motorista estava dirigindo como um louco" disse o sorridente sueco que escapou de lesões mais graves.

No campeonato, um novo líder: Ayrton Senna tinha quinze pontos contra nove de Nelson Piquet. Nigel Mansell assumia o terceiro lugar com seis, enquanto Laffite e Prost dividiam o quarto lugar com quatro pontos para cada. Rosberg e Arnoux tinham três e Fabi, Brundle e Berger dois. Na tabela de construtores, Lotus e Williams estavam empatadas com quinze pontos, sendo seguidas por Ligier e McLaren com sete, Benetton com quatro e Tyrrell com dois.

A próxima parada do circo seria na Itália, em Imola, para o Grande Prêmio de San Marino.


RESULTADOS:

  1. 12 - BRA - Ayrton Senna - Lotus Renault - 1:48:47.735 - 9pts
  2. 5 - GBR - Nigel Mansell - Williams Honda - +0.014s - 6pts
  3. 1 - FRA - Alain Prost - McLaren TAG-Porsche - +21.552s - 4pts
  4. 2 - FIN - Keke Rosberg - McLaren TAG-Porsche - +1 Volta - 3pts
  5. 19 - ITA - Teo Fabi - Benetton BMW - +1 Volta - 2pts
  6. 20 - AUT - Gerhard Berger - Benetton BMW - +1 Volta - 1pt
  7. 18 - BEL - Theirry Boutsen - Arrows BMW - +4 Voltas
  8. 16 - FRA - Patrick Tambay - Lola Hart - +6 Voltas
  9. 11 - GBR - Johnny Dumfries - Lotus Renault - Caixa de Câmbio - OUT
  10. 3 - GBR - Martin Brundle - Tyrrell Renault - Vazamento de Óleo - OUT
  11. 26 - FRA - Jacques Laffite - Ligier Renault - Semi-eixo - OUT
  12. 6 - BRA - Nelson Piquet - Williams Honda - Superaquecimento - OUT
  13. 17 - SUI - Marc Surer - Arrows BMW - Vazamento de Combustível - OUT
  14. 8 - ITA - Elio de Angelis - Brabham BMW - Transmissão - OUT
  15. 25 - FRA - René Arnoux - Ligier Renault - Semi-eixo - OUT
  16. 27 - ITA - Michele Alboreto - Scuderia Ferrari - Roda - OUT
  17. 4 - FRA - Philippe Streiff - Tyrrell Renault - Vazamento de Óleo - OUT
  18. 22 - ALE - Christian Danner - Osella Alfa Romeo - Motor - OUT
  19. 28 - SUE - Stefan Johansson - Scuderia Ferrari - Acidente - OUT
  20. 21 - ITA - Piercarlo Ghinzani - Osella Alfa Romeo - Motor - OUT
  21. 7 - ITA - Riccardo Patrese - Brabham BMW - Transmissão - OUT
  22. 23 - ITA - Andrea de Cesaris - Minardi Motori Moderni - Diferencial - OUT
  23. 14 - GBR - Jonathan Palmer - Zakspeed Racing - Colisão - OUT
  24. 15 - AUS - Alan Jones - Lola Hart - Colisão - OUT
  25. 24 - ITA - Alessandro Nannini - Minardi Motori Moderni - Diferencial - DNS
Esses foram os pilotos que participaram da corrida
Volta Mais Rápida: Nigel Mansell - 1:27.176 - Volta 65


Curiosidades
- 422º GP
- XXVIII Grande Prêmio da Espanha
- Relizado no dia 13 de abril de 1986, em Jerez de la Frontera
- 3º vitória de Ayrton Senna
- 9º pole position de Ayrton Senna
- 100º GP de Keke Rosberg
- 76º vitória da Lotus
- 100º pole position da Lotus
- 350º GP da Lotus
- 19º vitória do motor Renault
- 3º chegada mais apertada da história da F1


  • MELHOR PILOTO: Ayrton Senna
  • SORTUDO: Ayrton Senna
  • AZARADO: Alain Prost
  • SURPRESA: N/H
Desde os treinos classificatórios até a corrida, Ayrton Senna deu show, conquistando uma incrível vitória na base da sorte de ver um Nigel Mansell pouco estratégico. Alain Prost teve azar, pois, sem usasse todo o combustível que dispunha, poderia lutar pela vitória.


Campeonato de pilotos:
  1. 12 - BRA - Ayrton Senna - Lotus Renault - 15pts
  2. 6 - BRA - Nelson Piquet - Williams Honda - 9pts
  3. 5 - GBR - Nigel Mansell - Williams Honda - 6pts
  4. 26 - FRA - Jacques Laffite - Ligier Renault - 4pts*
  5. 1 - FRA - Alain Prost - McLaren TAG-Porsche - 4pts*
  6. 25 - FRA - René Arnoux - Ligier Renault - 3pts**
  7. 2 - FIN - Keke Rosberg - McLaren TAG-Porsche - 3pts**
  8. 3 - GBR - Martin Brundle - Tyrrell Renault - 2pts***
  9. 19 - ITA - Teo Fabi - Benetton BMW - 2pts***
  10. 20 - AUT - Gerhard Berger - Benetton BMW - 2pts
* empatados
** empatados
*** empatados

Campeonato de construtores:
  1. GBR - Canon Williams Honda Team - Williams Honda - FW11 - MAN/PIQ - G - 15pts*
  2. GBR - John Player Special Team Lotus - Lotus Renault - 98T - DUM/SEN - G - 15pts*
  3. FRA - Équipe Ligier - Ligier Renault - JS27 - ARN/LAF - P - 7pts**
  4. GBR - Marlboro McLaren International - McLaren TAG-Porsche - MP4/2C - PRO/ROS - G - 7pts**
  5. GBR - Benetton Formula Ltd. - Benetton BMW - B186 - FAB/BER - P - 4pts
  6. GBR - Data General Team Tyrrell - Tyrrell Renault - 014 - BRU/STR - G - 2pts
Imagens tiradas do Google Imagens - GPExpert.com.br - F1-History.deviantart.com

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Jimmy, o irmão esquecido de Jackie Stewart


Existem vários casos famosos de irmãos no automobilismo. É fácil se lembrar de Michael e Ralf Schumacher,  Emerson e Wilsinho Fittipaldi, Jody e Ian Scheckter, mas ainda existem alguns casos um tanto quanto esquecidos, na qual a relação de irmão para irmão é quase paternal. Os irmãos Stewart são um exemplo. Como se não fosse o suficiente, o pai, Robert Stewart, era ex-piloto de motocicletas da Ilha de Man e dono da concessionária da Jaguar em Dumbuck, enquanto a mãe, Jean, sempre amou carros.

Hoje se completam nove anos da morte de James Robert Stewart, irmão mais velho do famoso tricampeão Jackie Stewart e por isso vamos conhecer um pouco de sua história.

Nascido no dia 6 de março de 1931, em Milton, Escócia, desde jovem, Jimmy tinha a autorização de dar algumas voltas com os Jaguar entregados na garagem de seu pai antes de serem levados a seus donos. E ele fazia isso tão bem que ganhou de presente um C-Type, na qual participaria de várias corridas pelo Reino Unido ainda na década de 40.

No começo dos anos 50, serviu ao Royal Electrical and Mechanical Engineers, onde acabaria descobrindo ser um exímio piloto, se interessando ainda mais por corridas. Tempos depois, começou sua carreira profissional a bordo de um Healey Silverstone, participando de hillclimbs da região.

Logo, Stewart chamou atenção de homens ligados ao automobilismo. David Murray, que havia fundado a Ecurie Ecosse, equipe majoritariamente escocesa, se interessou pelo jovem e o chamou para correr algumas provas a bordo de um Jaguar C-Type azul, cor que simbolizava a Escócia nas corridas de automóveis.

Jimmy a frente de Ian Stewart, que não tem nenhum parentesco com os irmãos

Os ótimos desempenhos de Jimmy deram a oportunidade dele participar de provas da Fórmula 2, com um Connaught, e de Fórmula 1, com um velho Cooper Bristol T20 em 1953. Sua estreia acabaria sendo no dia 6 de abril, em Goodwood, onde terminaria apenas na décima segunda posição, atrás de seu companheiro de equipe e com a melhor colocação dos que estavam a bordo de um T20. Um mês depois, em Snetterton, Stewart abandonaria com a quebra de sua suspensão há três voltas do fim.

Agora, sua próxima participação em corridas de Fórmula 1 seria no mês de julho, no Grande Prêmio da Grã-Bretanha, valido para o campeonato mundial. Naquele sábado, dia 18 de julho de 1953, a chuva marcou presença no ex-aeroporto de Silverstone, o que dava maiores chances para que Stewart mostrasse seu talento.

Com vinte e oito carros largando, Jimmy partia do meio do pelotão, na décima quinta colocação, ficando em situação difícil pelo menos no início da prova. O escocês largou mal, mas logo começou a se recuperar para assumir o décimo primeiro posto.


Aos poucos, pilotos como Peter Collins, Felice Bonetto, Lance Macklin, Tony Rolt e Roy Salvadori passam a ter problemas, colocando um surpreendente Stewart na sexta posição, logo atrás do último lugar pontuável, que era de Mike Hawthorn. E com um velho T20, Jimmy estava próximo de conquistar o melhor resultado de sua carreira quando acabou rodando há pouquíssimas voltas do final.

Muitos o criticaram, dizendo que estava a correr mais rápido do que seu talento natural permitia. Mas, em resposta, Jimmy disse que era demasiado rápido para o carro. Ainda sim, quatro semanas depois, Stewart estaria em Charterhall para sua terceira e última prova extra-campeonato, onde abandonaria por causas desconhecidas ainda na primeira volta.

Em 1954, durante as 24 Horas de Le Mans, sofreu um grave acidente com seu Aston Martin DB3S, sendo catapultado durante a capotagem. A Ecurie Ecosse culparia o carro, e não a audácia de Jimmy, que voltaria a correr pouco tempo depois. O resultado da batida foi um braço quebrado. E, para a sorte de sua mãe, a notícia só chegaria no outro dia, já que não havia transmissões ao vivo naquela época.


Um ano depois, nos 1000Km de Nürburgring, voltou a capotar, ficando mais de dez minutos preso debaixo do carro, ferindo o mesmo braço do ano anterior e que acabara por salvar sua vida no acidente. Isso acabou sendo suficiente para que Jimmy Stewart desse adeus ao esporte a motor.

Naquela altura, a mãe dos irmãos Stewart ameaçava expulsar o caçula de casa caso ele seguisse os mesmos passos do pai e do irmão mais velho. Mesmo assim, Jimmy encorajou Jackie, e convenceu um homem chamado Ken Tyrrell, que comandava uma jovem equipe de Fórmula 3, a fazer testes com ele. JRS, como era conhecido Jimmy, foi questionado se seu irmão realmente queria ser piloto, e como resposta, disse de forma irônica: "Sério? Tente para-lo!".

Jackie conseguiu ser mais rápido do que Bruce McLaren em seu primeiro teste, e logo passou a ser conhecido como "o irmão mais novo de Jimmy Stewart".

Durante o período de glória do irmão, ambos se distanciaram, enquanto Jimmy passou a cuidar dos negócios do pai. Apenas décadas depois, em 1997, quando JRS confessou ser alcoólatra, Jackie voltou a se aproximar do irmão mais velho, financiando seu tratamento em clinicas de Glasgow, na Escócia. Jackie comprou um carro para Jimmy quando este já estava sóbrio, dirigindo pelas margens do Lago Gare até seu novo apartamento em Rhu e nos seus encontros dos AA.


Os dois irmãos nunca estiveram tão próximos, especialmente quando Jimmy estava em suas últimas semanas de vida. Jackie cancelou seu cruzeiro de Natal e passou a caminhar vários quilômetros quase todos os dias para visitar o irmão em uma casa de repouso em Helensburgh, onde morreria no dia 3 de janeiro de 2008, aos 76 anos.

Quando perguntado o que devia a ele, o tricampeão respondeu: "Eu devo a ele quase tudo porque, quando eu era jovem e sofria na escola, o mundo parecia um lugar escuro, e acho minha salvação no automobilismo. Mas eu só encontrei isso porque, nos meus tempos de necessidade, foi meu irmão mais velho que carregou a tocha e desinteressadamente me mostrou o caminho. Era quase como se Jim estivesse me chamando para acompanha-lo em um passeio num tapete mágico, levando-me da escola para o mundo emocionante e glamoroso do automobilismo."

Imagens tiradas do Google Imagens

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

50 anos - Quando um africano quase venceu o GP da África do Sul


Nos tempos em que os pilotos passavam o reveillon na África do Sul, houve alguém que desafiasse a lógica quando ninguém mais tinha condições de segui-la. Ainda era um tempo de transição para a Fórmula 1 que, com um novo regulamento, precisara de carros totalmente novos para a temporada de 1966. E como sempre, quem melhor se adaptou, venceu, e naquele época havia sido os Brabham de Black Jack e Denny Hulme.

Dois meses e meio após a última etapa no México, o circo estava reunido no novo Kyalami para o GP da África do Sul de 1967, e isso ainda no fim de dezembro de 66 (!). Com poucas novidades, as equipes traziam seus velhos bólidos junto à sua tradicional dupla de pilotos. E, como era de costume, pilotos da casa africana estavam inscritos: dois rodesianos, John Love e Sam Tingle; e dois sul-africanos, Dave Charlton e Luki Botha.


Charlton e Botha tinham um velho BT11 da Brabham, enquanto Tingle um LDS Mk 3. John Love já trazia um carro um pouco mais novo, o Cooper T79 (também usado por Bruce McLaren nos campeonatos neozelandeses de Fórmula 1), para mostrar ao circo internacional todo talento que o fez conquistar um tricampeonato consecutivo na F1 sul-africana.

Depois de sessões de treino marcados pelo forte calor, a Brabham colocou seus dois carros na primeira fila, com Jack em primeiro de Hulme em segundo. Jim Clark era terceiro com Pedro Rodríguez em quarto e um surpreendente John Love na quinta posição, conquistada graças a sua perícia em Kyalami. John Surtees, de Honda, era o sexto, Jochen Rindt o sétimo, Dave Charlton, o melhor sul-africado, era oitavo, Jackie Stewart era apenas nono e Bob Anderson fechava o top ten. Nas últimas posições estavam Dan Gurney, Joakim Bonnier, Mike Spence, Sam Tingle, Graham Hill, para surpresa de todos, em décimo quinto, Jo Siffert, Luki Botha e Piers Courage. A Ferrari sequer viajou para a África do Sul naquela ocasião.


Na noite de domingo (sim, domingo) uma forte tempestade tropical lavou o circuito de Kyalami. Toda a borracha havia desaparecido na manhã de segunda e, para piorar, o calor, o grande desgaste de pneus, a falta de confiabilidade dos carros e o excesso de pó (que havia sido jogado na pista para tampar manchas de óleo) tornavam a prova uma corrida mais de resistência do que um sprint.

Sob forte sol, na segunda-feira à tarde, a largada foi dada. Hulme pulou na liderança com Brabham em segundo e Surtees na terceira posição seguido por Rodríguez, Clark, Rindt, Anderson, Stewart, Charlton e Love, que partiu mal e era apenas décimo colocado. Na segunda volta, Jochen Rindt, Graham Hill e Mike Spence começariam a escalar o pelotão, enquanto Jack Brabham caia para o quarto posto.

Jackie Stewart seria o primeiro a abandonar, atrapalhando quem via atrás após o estouro de seu motor BRM, dando esperanças para que John Love, que escapou da confusão, pontuasse. Outro importante abandono seria o de Graham Hill, também nas primeiras voltas, enquanto, mais a frente Jochen Rindt perdia posições após rodar.

A fumaça deixada quando os carros passavam sobre as manchas de óleo
tapadas por pó

Na décima volta, Love seria superado por Siffert na disputa pelo sétimo lugar, enquanto Jim Clark tentava escapar na sexta posição. Não demoraria muito para que o suíço também sofresse com problemas, colocando o rodesiano de volta na sétima colocação atrás do Escocês Voador, que, na volta 22, abandonaria após estourar seu motor H16 da BRM.

Depois de uma feroz caça a John Surtees, Jack Brabham finalmente conseguiu superar o inglês na disputa pela segunda posição enquanto, mais atrás, Rindt voltava a rodar. O austríaco não havia perdido muitas posições, mas os erros estavam a custar uma luta pela vitória. Ele ainda retomaria a posição de Pedro Rodríguez antes de ultrapassar Surtees e assumir o terceiro lugar, atrás apenas dos carros da Brabham.

Rindt rodou duas vezes antes de abandonar

Lutando contra Gurney, John Love fazia um ótimo trabalho para tomar o quinto posto de Rodríguez, com graves problemas no câmbio. Mais atrás, o jovem Piers Courage assumia o oitavo lugar após superar Sam Tingle. Com um pequeno furo, John Surtees enfrentava também o superaquecimento de seus pedais quando foi superado por Love e Dan Gurney, que agora eram quarto e quinto colocados, respectivamente.

Na volta 38, o motor Maserati do Cooper de Jochen Rindt não resistiu. Poucos minutos depois, o público, atônito, via Jack Brabham parar nos boxes com problemas elétricos, retornando quatro voltas atrás de Denny Hulme. A corrida estava no colo do neozelandês, que começaria a temporada de 1967 com o pé direito. Em segundo agora estava um surpreendente John Love, com um velho Cooper, seguido por Gurney, Surtees, Rodríguez e Courage.

Surtees se arrastava pela pista

A suspensão traseira esquerda do Eagle de Dan Gurney tiraria o norte-americano da prova, enquanto a bomba de combustível apresentava um problema fatal para a corrida de Piers Courage, que também abandonaria quando era quinto. Nessa altura, Pedro Rodríguez, com apenas duas marchas, retomaria o terceiro lugar de John Surtees. Voltas depois, eis que o líder da prova, Denny Hulme vem aos boxes com problemas no freio. Um minuto e meio se passou antes de ser devolvido à pista, atrás de Love, Rodríguez e Surtees.

O público sul-africano, que havia adotado John Love como seu principal piloto comemorava: o rodesiano estava liderando um Grande Prêmio! Para melhorar, ele não tinha ninguém que ameaçasse sua vitória: Pedro Rodríguez corria com problemas no câmbio, John Surtees enfrentava o superaquecimento, Hulme e Brabham estavam muito atrás e restavam apenas oito carros na pista.

Love assumiria a ponta restando apenas 20 voltas para o fim

Faltando 20 voltas para o fim, Love vivia seu momento de glória. Aos poucos, um sonho começou a se tornar pesadelo: a bomba de combustível de seu Cooper começou a apresentar problemas e aquilo que estava sendo o maior trunfo do rodesiano se tornou o maior vilão. Na volta 73, John Love entra nos boxes, coloca dois galões no tanque de seu carro e parte para o tudo ou nada com Rodríguez.

Apesar de todo esforço, Pedro Rodríguez, apenas com duas marchas, venceria seu primeiro Grande Prêmio, sendo este o 16º e último para a equipe Cooper. Vinte e seis segundos atrás, chegaria John Love, com Surtees se arrastando para fechar o pódio com seu Honda. Hulme foi o quarto, com Bob Anderson em quinto e Jack Brabham num decepcionante sexto posto. Botha e Charlton, os dois pilotos da casa, também completariam, mas não seriam classificados por estarem muito atrás.

Rodríguez viu a vitória cair em seu colo

E assim, há 50 anos, a Fórmula 1 iniciava a temporada de 1967 com a Brabham continuando a ser a equipe a ser batida, com um mexicano conquistando sua primeira vitória e com um novo azarão para os anuais da história. Love já tinha seus 42 anos e participaria de todos os GPs da África do Sul até 1972, nunca mais voltando a ter uma performance tão brilhante.

Nascido em Bulawayo, ainda nos tempos em que o Zimbábue era colônia do Reino Unido, John Love conquistou seis títulos consecutivos na Fórmula 1 sul-africana, vindo falecer por causa de um câncer aos 80 anos de idade na mesma cidade em que nasceu.

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