Mostrando postagens com marcador La Sarthe. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador La Sarthe. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 1 de junho de 2016

30 anos - A morte de Jo Gartner


Típico exemplo de que idade nunca será documento no automobilismo, Jo Gartner teve talento suficiente para se tornar um dos mais famosos meteoros austríacos das décadas de 70 e 80.

Aos 18, Josef era um mero mecânico que havia acabado de se envolver com automobilismo. Poucos anos depois se tornou piloto de uma das categorias mais baratas e populares da Europa, a Fórmula Super Vee, na qual conquistou resultados satisfatórios que o colocaram na terceira posição ao final da temporada de 1977.

O austríaco já alçava objetivos mais desafiadores nos fórmulas superiores.

Sem nunca ter um equipamento decente, Gartner conseguia resultados pouco satisfatórios, mas que eram, ao menos, chamativos. O austríaco resistia ao tempo na Fórmula 2 com carros velhos e sem quaisquer chances de vitória.

Depois de um duro 1982, conquistando apenas um ponto pelo time de Arturo Merzario, Gartner ingressou na Emco, onde, em 1983, conquistaria uma das vitórias mais importantes de sua carreira.

No tradicional GP de Pau, o austríaco se beneficiou das desclassificações de Ferté e Bellof, sendo declarado o vencedor da prova. Com o surpreendente resultado, Gartner conseguiu o patrocínio da Milde Sorte, empresa de cigarros austríaca, que no ano seguinte ajudaria-o a conseguir uma vaga na Fórmula 1, pela Osella.

O austríaco surpreendeu o paddock em sua estreia.

Com um velho FA1E, de motor V8 aspirado da Alfa Romeo, o garoto que doze anos antes era apenas um mecânico estreava na categoria máxima do automobilismo.

Sua estreia acabaria por ser surpreendente. Naquela altura do campeonato, a Osella não parecia ter equipamento para combater a RAM, o que colocava a participação de Gartner na corrida em xeque, especialmente por este estar com o modelo de 1983. Mesmo assim, o austríaco acabou superando seu companheiro para conquistar um 26º lugar no grid de largada.

Para aumentar ainda mais a magnitude de seus feitos, o jovem austríaco andou boa parte da corrida duelando contra os RAM de Alliot e Palmer, chegando a estar a frente de ambos. Infelizmente, Gartner abandonaria na volta 46 com problemas em seu propulsor Alfa Romeo. Apesar do bom desempenho, Jo só voltaria a ter um carro no GP da Grã-Bretanha, em Brands Hatch, quando finalmente estrearia seu FA1F de motor turbo.

Um quinto lugar que não valeu...

Após bater na Inglaterra e abandonar na Alemanha, Gartner voltou a se apresentar no GP da Áustria, onde um ano antes quase havia feito sua estreia pela ATS. Em casa, Josef tinha um desempenho empolgante na promissora décima sétima colocação quando enfrentou novos problemas em seu Osella. Mal sabia ele que, semanas depois, conquistaria seu melhor resultado na Fórmula 1.

Depois de terminar sua primeira corrida, em Zandvoort, Jo Gartner tinha suas esperanças renovadas para Monza, um circuito onde os carros equipados com motor Alfa teriam seu melhor momento em todo o ano. Após largar em vigésimo quarto, o austríaco começou a ganhar várias posições com os diversos problemas que atingiram os ponteiros. Nas últimas voltas, tomou a sexta colocação que mais tarde se tornaria quinta com o abandono de Ghinzani.

Em sua última corrida na F1, Gartner superou Berger...

Estava feita a festa: Gartner terminou no fantástico quinto posto.

Infelizmente, por ter inscrito apenas um carro para a temporada de 1984, a Osella não teria o direito de marcar pontos com um segundo bólido, algo que Berger também sofreu na ATS naquela ocasião.

Jo Gartner terminaria a temporada com o desejo de ingressar na Arrows em 1985, disputando a vaga de Marc Surer com seu compatriota Gerhard Berger. Mesmo após supera-lo em Monza, e voltar a ter um desempenho superior no Estoril, Gartner viu a Arrows escolher seu conterrâneo, deixando-o sem rumo definido na Fórmula 1.

O austríaco ainda bateria na porta de Toleman e de Osella, tentando um retorno, porém estes prefeririam um piloto mais afortunado que fosse capaz de tira-los do sufoco financeiro que sofriam naquela época. Sem caminhos para seguir, Gartner viu no WSC a chance de mostrar que era capaz de competir em alto nível contra os melhores. No início de 1985, conseguiu um lugar na Fitzpatrick Racing.


Sua estreia, nos 1000Km de Monza, não foi tão surpreendente como havia feito na Fórmula 1, enfrentando problemas que o tiraram da prova. Semanas depois, em Silverstone, voltaria a abandonar antes de partir para La Sarthe. Com seu Porsche 516B, Gartner ficou apenas uma volta atrás do trio oficial da fábrica alemã, terminando na ótima quarta colocação ao lado de David Hobbs e Guy Edwards.

Em 1986, acabaria vencendo as 12 Horas de Sebring ao lado de Bob Akin e Hans-Joachim Stuck antes de conquistar um pódio nos 1000Km de Silverstone dividindo seu Porsche Kremer com Tiff Needell. Suas interessantes performances e ótimos resultados colocaram-o numa confortável posição em relação à 1987, quando poderia ingressar na Rothmans Porsche, equipe oficial da marca alemã. Quase um mês após terminar em terceiro no Silverstone, Jo Gartner estava de volta às 24 Horas de Le Mans com seu Porsche, agora da Kremer e ao lado de Sarel van der Merwe e Kunimiso Takahashi.


A largada havia sido dada no dia 31 de maio, e já estávamos em junho quando Jo Gartner entrou em seu 962C para mais algumas voltas. Após a troca com van der Merwe, nenhum problema foi detectado no bólido negro que rapidamente foi liberado para retornar à pista.

Poucos minutos depois, o paddock entraria em choque com a notícia de que o carro número #10 guiado por Gartner havia embatido fortemente contra o muro e um poste telefônico, sofrendo ainda um pequeno incêndio. Não tardaria para que todos soubessem que Josef Gartner havia morrido no local, após quebrar o pescoço no impacto.

Era madrugada quando a notícia de que Jo Gartner havia morrido se propagou no mundo do esporte a motor. Em sinal de luto, a equipe Kremer retirou seu segundo carro da prova, que acabaria sendo vencida pelo Rothmans Porsche de Bell, Stuck e Holbert, no bólido na qual o austríaco tanto aspirava para 1987...


O motivo do despiste de Gartner se mantém um mistério até hoje. Alguns acreditam na teoria de que um animal atravessou a pista no momento em que o austríaco passava, enquanto a possibilidade de que as rodas traseiras travaram é a mais aceita. O fato do câmbio estar travado entre a quarta e a quinta marcha apontam para um provável travão dos pneus traseiros.

Jo Gartner caiu no esquecimento do público, muito provavelmente pela falta de uma "performance de campeão" que marcasse sua carreira. Mas seu talento ainda se mantém vivo na memória daqueles que um dia acompanharam aquele garoto austríaco que viveu os altos e baixos de uma vida: começou como mecânico, sofreu nas pequenas categorias, chegou à Fórmula 1 e se tornou vítima dela, achando no endurance um lugar na qual economia nenhuma poderia atrapalha-lo...


Além de fazer parte da famosa geração perdida de pilotos austríacos, Gartner é uma das primeiras vítimas dos altos custos da Fórmula 1. Sem espaço nela, Josef só tinha uma chance para se manter no cenário mundial com sucesso: tinha que vencer no WSC. Lá, o austríaco encontrou o caminho do sucesso, se tornando um jovem promissor e quase alcançando o mais sonhado cockpit da época.

A vida pode ter sido injusta com Jo Gartner, mas, se olharmos de outro ponto de vista, podemos dizer que o austríaco fez tudo que é sonhado por um amante do automobilismo, e, o melhor, sem deixar a desejar em nenhum momento de sua carreira.

Adeus, Josef.

Imagens

domingo, 13 de março de 2016

Lugares que a Fórmula 1 bem que poderia visitar... - Parte 4


Não comentei isto antes, então, para não deixar ninguém decepcionado pela falta de Jacarepaguá, afirmo agora: A única regra pra entrar na lista é a existência do autódromo, caso contrário ele não irá compor esta longa sequência de posts. Pois bem, começamos agora a parte quatro e última desta bela série que vem fazendo o blog crescer ainda mais, graças a Deus, com vocês.

Lembrando, esqueça qualquer questão política, financeira e técnica, apenas sonhe:

OVAL DE MONZA
Ele ainda está lá, resistindo ao tempo, mas vivendo um dia atrás do outro. Sempre ameaçado de uma iminente destruição, o oval de Monza se mantém como um dos circuitos mais icônicos da história, mantendo viva a sensação de correr num lugar que era mais rápido do que Indianapolis. Depois de 1961, nunca mias vivos os carros da categoria por lá, mas seria interessante caso algo fosse feito. Já pensou em ver a Fórmula 1 num oval? Já aconteceu, mas nunca como prova oficial.


LA SARTHE
Não podíamos acabar a lista sem citar um dos locais mais importantes do automobilismo mundial. Lar das 24 Horas de Le Mans, o circuito de La Sarthe tem a larga extensão de 13,629Km, contendo uma das mais famosas retas do esporte à motor: Mulsanne. Seria extremamente interessante ver a Fórmula 1 cortando a enorme reta oposta do circuito francês.


SURFERS PARADISE
Mais um circuito localizado na Austrália e ao lado do mar é o de Surfers Paradise, montado nas ruas da cidade com mesmo nome. Já recebeu a CART e a IndyCar, além de provas do V8 Supercars, obviamente, e da A1GP. Seria mais uma boa opção para a Fórmula 1 quando se fala em circuito de rua.


GOODWOOD
Goodwood era palco de corridas importantes do automobilismo britânico há mais de 50 anos, mas aos poucos foi perdendo sua utilidade pela falta de segurança. Mesmo assim, nos tempos de Festival, ainda há corridas de carros clássicos que acontecem pelo simples traçado de Goodwood. Seria interessante ver uma prova de Fórmula 1 no autódromo mais pelo fato do nome do que pela emoção.


TERMAS DE RIO HONDO
Outro autódromo argentino que dá de 10-0 em cima dos nossos brasileiros é o de Termas de Rio Hondo, que sedia anualmente o GP da Argentina de MotoGP além de outras categorias como o WTCC e Turismo Carretera. Com um bom traçado e uma bela estrutura, acredito que este seria o substituto natural de Buenos Aires para se tornar o circuito do GP da Argentina de Fórmula 1, mas isso parece estar longe de se tornar realidade.


BRNO
Um dos circuitos preferidos pelos pilotos da MotoGP é o de Brno, localizado na República Tcheca (coisa que poderia abrir o início de outro país na Fórmula 1, já que os tchecos tiveram apenas um piloto na história da categoria). Montado numa região belíssima do país europeu, além de ter um traçado fantástico, Brno é uma espécie de Spa-Francorchamps do motociclismo.


VELO CITTÁ
(Quem diria, temos um brasileiro na lista! (poderíamos ter dois caso não fosse dado um fim no autódromo de Curitiba)). Em uma propriedade particular de Mogi Guaçu, o Autódromo Velo Cittá oferece uma grande variedade de espaços dentro das normas internacionais de segurança. Recebendo provas de renome nacional, o circuito não tem um traçado tão grande, mas mesmo assim é bonito e apto para receber categorias internacionais. Agora imaginemos como a Fórmula 1 poderia andar no circuito paulista...


LIME ROCK
Quem é dono deste maravilhoso circuito do noroeste norte-americano? O velho (e pouco conhecido) Skip Barber, ex-piloto da Fórmula 1. Para alguns, a beleza que envolve o traçado e a paisagem do Lime Rock Park supera todos os circuitos estadunidenses. Recebendo provas da Pirelli Challenge e da IMSA, acredito que não seria muito pedir por um GP dos EUA no autódromo...


ANGLESEY CIRCUIT
Outro autódromo que poderia estrear um novo GP no calendário é o galês Anglesey, lindíssimo diga-se de passagem. À beira do mar, o circuito recebe várias provas de carros e motos, além de estar aberto ao público em determinados dias. Seria uma ótima ideia para trazer de volta o País de Galês à categoria, especialmente pela última experiência com Tom Pryce...


SNAEFELL MOUNTAIN COURSE
Qual circuito mais matou na história do esporte à motor? Nürburgring? Indianapolis? Monza? Não! Foi o Snaefell. Localizado na Ilha de Man, território britânico, é lar da mais tradicional prova do motociclismo, o TT Isle of Man. Tendo 60.725Km, é o maior circuito do mundo, que toma metade das estradas que cortam a ilha. Será que a Fórmula 1 conseguiria encarar este tipo de desafio? Em nossos pensamentos...


SALZBURGRING
Localizado nos arredores de Salzburgo, o autódromo austríaco é um dos mais lindos que já foram construídos. Juntando com o verde da vegetação austríaca, o resultado foi incrível, com um traçado, apesar de simples, sendo bastante interessantes. Recebendo provas de turismo, parece estar longe a realidade de vermos a Fórmula 1 por lá.


ENNA-PERGUSA
(Quem precisa de Monza se existe Pergusa?) Deixei o melhor para o final, com o belo autódromo montado nos arredores do Lado di Pergusa. O circuito já recebeu diversos tipos de provas de renome, inclusive algumas de sportscar durante as décadas de 60 e 70, mas jamais se tornou parte do calendário oficial da Fórmula 1, mesmo já tendo feito o GP do Mediterrâneo com o regulamento da categoria.

Imagens tiradas do Google Imagens