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quarta-feira, 15 de julho de 2015

Escuderia Bandeirantes, e Seus Mistérios


Muitos se esquecem da enorme importância de pilotos como Chico Landi, Fritz d'Orey e Gino Bianco, que foram os pioneiros vindos do Brasil na F-1. Além disso, temos outro ponto muito esquecido, a que a Escuderia Bandeirantes foi a primeira equipe brasileira na categoria, sendo fundada por Francisco Landi. Mas temos uma mistério nessa história toda.

Segundo os registros, ou seja, o que sobrou, a Bandeirante foi sim uma equipe brasileira, mas por quê nenhum piloto canarinho correu na estreia? Landi e Philippe Étancelin estavam inscritos para a corrida, mas apenas o francês fez a prova, a única, por sinal, disputada por ele na escuderia. A primeira aventura deu no que deu, 8º lugar.


Antes de continuar, vou explicar um pouco mais a história. Landi, quando foi correr na Europa, chamou a atenção de Enzo Ferrari, que teve ele com um de seus pupilos, mas por pouco tempo, talvez por perceber seu fiel patriotismo, a ponto de querer pintar sua Ferrari de amarelo. Depois de mostrar-se alguém que queria ter a própria equipe, ele perdeu a força em Maranello, e por isso teve que procurar carros na rival, Maserati, que vendeu três A6GCM.

Ao invés de deixar o carro da Europa, ele foi mandado para o Brasil, misteriosamente. A pintura já se sabia qual seria, amarela, com rodas verdes e com uma traseira tendo a bandeira do Brasil (isso segundo a viúva de um ex-piloto). Depois de saber disso fiquei na dúvida quais devem ser mais patriotas, estadunidenses ou brasileiros?

Étancelin ao fundo

Chico já negou várias vezes, mas acho um pouco difícil o governo de Getúlio Vargas não ter ajudado, mas caso tivesse verdadeiramente ajudado, por quê não obrigou a equipe a ter pilotos brasileiros logo de cara? Além disso, por quê a escolha de Philippe Étancelin como piloto? Será que o francês só queria participar da corrida em casa e jamais voltar a ver aquela Maserati amarela em suas mãos? Nunca saberemos as respostas, afinal, poucos envolvidos nessa empreitada ainda estão vivos, e esses envolvidos nem sequer devem ter visto o carro andar...

Na corrida seguinte, em Silverstone, Gino Bianco e Eitel Cantoni estavam inscritos para correr com carro verde e amarelo, e conseguiram, ambos. Logo na primeira volta, o uruguaio abandonou com problemas nos freios, e daí você pode pensar: "Ah, esse é só mais um piloto que correu pela Escuderia Bandeirantes". Engano seu, pois Eitel era, provavelmente, o fundador da equipe.


Então foi Cantoni quem fundou? É meus amigos, essa confusão toda poderia ser mais uma loucura brasileira, agora uruguaia-brasileira. Lembram-se da Forti Corse? Aquela aventura ítalo-brasileira da década de 90, então, esse pode ser um exemplo mais atual do que aconteceu com a Escuderia Bandeirantes, mas por quê ela é brasileira, e não uruguaia? Oh confusão...

Bem, não se sabe muito da vida de Eitel Cantoni depois de sua saída da categoria, mas acredita-se que ele tenha vido morar no Brasil. Bianco e Landi simplesmente ajudaram-o, monetariamente, a fundar a equipe, e por isso devem ser chamados de co-fundadores, mas por quê foi Landi que comprou os carros da Maserati, inscrevendo-os, muitas vezes, em seu nome?

Eitel Cantoni no centro

É uma história louca mesmo, não? Deixo a vocês decidirem as respostas de cada pergunta. Agora voltando as corridas... A equipe também aparecia várias vezes em provas extra-campeonato, mas, muitas vezes, apenas estava inscrita, pois não aparecia no fim-de-semana. Na prova seguinte, no lindo e perigoso "Paraíso Verde", os mesmos pilotos estavam inscritos.

Bianco fez um belo treino e largou em 16º dos 31 participantes, enquanto Cantoni sofria com o fim do grid, talvez pilotando apenas por diversão, já que, provavelmente, se dava mais bem como diretor do que como piloto. Na corrida, o brasileiro não durou nem a primeira volta, enquanto o uruguaio foi até a 4º de 18 voltas.


A próxima corrida, em Zandvoort, teria três carros da equipe serem inscritos, agora sem Eitel e com Chico e Jan Flinterman. Da mesma forma de Cantoni, Landi não se mostrava muito talentoso, especialmente em treinos, quando apanhava do promissor Gino Bianco, que mais uma vez ficou pelo caminho no começo da corrida. Depois de algumas voltas, Chico se via como o único piloto de sua equipe a correr, mas logo isso mudou, quando ele fez a troca com Jan Flinterman, que corria em casa.

Na Itália eles só não queriam repetir a última colocação de Zandvoort, e por isso voltaram a inscrever 3 carros, e agora com Cantoni. Trinta e cinco pilotos estavam inscritos, mas apenas 24 largariam, e por sorte a equipe viu seus pilotos dentro do limite, com Eitel e Gino sendo os últimos colocados. A corrida foi ótima, com os carros resistindo quase até o fim, mas quase.


Cantoni e Bianco abandonaram, enquanto Landi, que andou melhor do que eles na semana inteira, terminou na fantástica 8º colocação, o melhor resultado da equipe. Agora era esperar o ano de 1953, para colocar as novas experiências obtidas em jogo. Mas isso não aconteceu do jeito "planejado". Com a mudança do calendário, o GP da Argentina foi introduzido logo no começo da temporada, e como o país fica ao lado do Brasil, era provável ver a equipe por lá, e é que isso não aconteceu.

Parecia que a equipe sumiu do mapa, não há muitas informações sobre Eitel Cantoni e Gino Bianco, mas parece que Landi ainda tentava levar o nome da Escuderia Bandeirantes paras as corridas, sem exito. A temporada estava quase acabando quando, finalmente, Chico se inscrevera ao lado de sua equipe para o GP da Suiça.
Esse rosto me lembrou o de... Pastor Maldonado

Havia 20 pilotos que iriam participar da corrida, e adivinhe quem largou em último? Chico Landi, que mesmo assim não manchou a honra brasileira e foi atrás de algum ponto milagroso. Talvez o clima iria ajudar, já que o sol era escaldante e os problemas poderiam aparecer, até no defasado Maserati verde e amarelo.

Aos poucos a corrida foi fazendo suas vítimas, até a volta 54, de 65, quando um piloto se tornou o último a abandonar, e esse piloto era Francisco, que teve problemas na sua caixa de câmbio e perderam a chance, de quem sabe, pontuar com a equipe brasileira. A próxima corrida seria em Monza, onde, mais uma vez, Landi tentaria a sorte.

O carro da Escuderia abandonado

O tailandês Prince Bira tinha muito dinheiro, pois era um monarca, e é claro que equipes que sofriam carência de dinheiro queriam ter-lo, entre eles a Escuderia Bandeirates. Entre as corridas da Itália e da Suiça, ele e Chico conversaram, e entraram num acordo. Esse acordo finalizava os projetos da equipe brasileira, para tudo isso ser transferido para a Scuderia Milano, que iria participar de sua última corrida.

O brasileiro abandonou na volta 18, enquanto Bira terminou em 11º, fechando, completamente, a Escuderia Bandeirantes, que nessa corrida correu com o nome de Scuderia Milano e pintada de vermelho, com alguns detalhes, dizem, em amarelo... Mas agora vem outra pergunta: Se a equipe mudou de nome, por quê Prince não conversou com Cantoni, que é o suposto fundador?


É muita pergunta para um post só. Acabei minha postagem aqui, relembrando a vocês: Quais são as suas respostas para essas perguntas? E pensar que se a Escuderia Bandeirantes é misteriosa, imagine outras equipes mais obscuras da categoria. É.... a Fórmula 1 tem tanta história para contar, que se ela fosse uma pessoa, mal saberia de onde começar...

Imagens tiradas do Google Imagens

terça-feira, 14 de julho de 2015

A Aventura de Maranello na Indy


Muitos se lembram de 1987, mas poucos sabem que a Scuderia já correu por lá, numa época em que ela dominava com pilotos vindo do quintal, ou seja, Alberto Ascari e seus pupilos. A temporada de 1952 foi terrivelmente dominada pelos italianos, que viram Alberto vencer 6 das 7 corridas que disputou, além de aumentar essa marca no ano seguinte.

Mas esse número poderia ser maior. Depois de não participar do GP da Suiça, Ascari esperava ansiosamente pela próxima corrida, para estrear sua nova máquina, mas essa prova não seria na Europa, e sim na América, nas 500 Milhas de Indianapolis, que exigiam um carro diferente daquele convencional.


A Ferrari correu para preparar um, e tentou fazer uma estratégia diferente. Eles treinariam com o setup de corrida, para depois terem uma maior vantagem sobre os rivais, mas antes de pensar em vencer, eles deveriam pensar em como iriam passar da fase qualificatória. A equipe pensou e decidiu pedir ajuda a seus promotores, para que eles pedissem uma classificação garantida ao diretor da prova.

Esse pedido nem sequer foi feito, pois Bill Quinn não quis faze-la. Coisas de Ferrari, sempre tentando manipular... Então eles foram á guerra em Indianapolis, isso tudo depois de ver sua encomenda ir para o lugar errado, ou seja, seu carro acabou não indo diretamente ao circuito. Mas a confusão estava resolvida, e Ascari estava a correr com sua 375, tentando um lugar para o dia da prova.


Depois de algumas voltas, a confirmação, a Ferrari participaria das 500 Milhas, com Ascari largando em 25º de 33 competidores. Dois pit stops estava agendados, e tudo transcorreria bem até a volta 40. O italiano e seu parceiro inseparável, o cavalinho negro pintado de vermelho, eram favoritos á vitória, mesmo tendo que enfrentar os carros com o ótimo poder Offy, ou Offenhauser.

Sua corrida estava sendo magnifica, chegando ao ponto de receber aplausos do público ao efetuar uma ultrapassagem múltipla. Ele chegou a estar em 8º, antes de começar a ter problemas na roda, o que acarretou em seu abandono. Era o fim do sonho ferrarista em vencer na Indy, coisa que não era impossível na época, especialmente pela forma que o carro se comportou no oval.


Depois disso, apenas nos anos 80 ouvimos falar Ferrari e Indy, mas isso jamais aconteceu, e talvez, infelizmente, jamais aconteça de novo. Seria tão legal se nós todos assistirmos a 100º edição, no ano que vem, com a Scuderia enfrentando os grandes nomes estadunidenses, ao lado, de quem sabe, outra marca, como a Mercedes. Apenas imagine...

Essa foi a única aventura, efetuada, de Maranello em Indianapolis, e que acabou não dando certo com um piloto tão promisso como Alberto, que ontem faria mais um ano de vida...

Uma curiosidade, hoje faz 64 anos da primeira vitória da Ferrari, e sabe com qual carro? O mesmo que Ascari correu, só que sem as modificações...

Imagens tiradas do Google Imagens