quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

GP Memorável 64# - Itália 1984


Semanas depois de Zandvoort, o circo estava em Monza, para mais um GP da Itália. A Tyrrell bem que tentou, mas o Tribunal de Apelo da FIA acabou excluindo sumariamente a equipe do "Tio Ken" da temporada, jogando tudo que Martin Brundle e Stefan Bellof haviam conquistado na promissora primeira metade do ano no lixo. Sabendo que Johansson já não estaria servindo a Tyrrell em Monza, a Toleman assegurou o contrato do sueco ao mesmo tempo que punia Ayrton Senna pela "apunhalada nas costas".

Enquanto a Toleman caçava um piloto para substituir o mais promissor que já passou pela equipe, a ATS assinava com Gerhard Berger para as últimas três corridas da temporada, para a alegria do austríaco que agora podia focar na categoria máxima do automobilismo. Na Spirit, o que mais se falava era dos rumores que Mauro Baldi arranjara um patrocinador e iria correr as últimas duas provas, mas enquanto isso Huub Rothengatter mantinha o posto de único piloto da equipe.

A Alfa Romeo finalmente estreava sua atualização no 184T, prometendo um carro mais confiável para seus dois rápidos pilotos que vem sendo prejudicados pelos problemas do motor da equipe italiana. Em falar em italiana, a torcida não estava satisfeita com o fraco desempenho da Ferrari, que decaia a cada corrida entre as equipes médias. Niki Lauda chegou ao circuito sentindo dores nas costas, mas nada que o abalasse para a corrida.


A Toleman acabou escolhendo o jovem italiano Pierluigi Martini, que havia testado uma Brabham no inicio do ano, mas perdeu a vaga para Teodorico Fabi, ficando com o título de campeão europeu de Fórmula 3 além de correr pela Lancia no WSC. Uma escolha que pareceu boa, mas foi terrível para a equipe de Ted Toleman, que viu Martini não se classificar para a corrida depois dele marcar 1:35.840, quase 10s atrás do poleman.

Nelson Piquet mais uma vez fez a pole position, graças ao motor BMW de sua Brabham, com Alain Prost ao seu lado fechando a primeira fila empurrada por propulsores de origem alemã. Elio de Angelis tinha ao seu lado Niki Lauda, com Teo Fabi e Keke Rosberg formando a terceira fila e Nigel Mansell e Patrick Tambay a quarta. Fechando o top ten, ambas as Alfas se mostravam potenciais pontuadoras em casa.

Michele Alboreto era a Ferrari mais bem colocada, décimo primeiro posto, com Derek Warwick, Jacques Laffite e René Arnoux seguindo-o no grid. Marc Surer era apenas o décimo quinto, mostrando a importância do chassis mesmo sendo equipado com um motor BMW, enquanto Andrea de Cesaris e François Hesnault ficavam entre Stefan Johansson e sua nova equipe. Boutsen era apenas o décimo nono, com as duas ATS seguindo o belga com Berger na frente de Winkelhock. Fechando o grid, Piercarlo Ghinzani, Philippe Alliot, Jo Gartner, Huub Rothengatter e Jonathan Palmer na primeira corrida da história com inscrições apenas de carros equipados com motores turbo.


Na volta de apresentação, já não bastasse estar sofrendo na desorganizada ATS e largar atrás do jovem companheiro Gerhard Berger, Manfred Winkelhock para metros antes do grid de largada com problemas no câmbio, por sorte não atrapalhando a largada da corrida. Elio de Angelis pulou de maneira fantástica quando a luz verde se ascendeu, tomando a ponta momentaneamente até que o BMW de Piquet falasse mais alto do que o Renault.

Após a primeira curva, Piquet se mantinha na liderança com de Angelis e Prost logo atrás, enquanto Niki Lauda se perde no meio do bolo que é o início do pelotão intermediário, quase ficando por ali mesmo na primeira volta da prova. Patrese e Cheever largaram muito bem, da mesma forma de Nigel Mansell, mas logo perderiam suas posições para Lauda que inicia a recuperação.

Antes do fim da primeira volta, Alain Prost retoma a segunda colocação de Elio de Angelis, enquanto Patrick Tambay ataca de Angelis sendo pressionado, ao mesmo tempo, por Teo Fabi. Michele Alboreto passa por Cheever e Rosberg para assumir a 9º colocação, enquanto na próxima volta, Tambay já o terceiro depois de passar por de Angelis.


Pressionando o líder, Prost vê o mais impossível acontecer: o motor TAG-Porsche estourar, forçando o abandono do francês. Niki Lauda agora, depois de passar por de Angelis também, é quarto colocado em uma corrida que vem sorrindo para ele. Riccardo Patrese perde a posição para Michele Alboreto, Eddie Cheever e Derek Warwick, que havia passado por Keke Rosberg, caindo para 11º. Johansson conseguiu passar por Ghinzani, e mais tarde por Boutsen para assumir a 15º colocação.

Nigel Mansell é alvo fácil para Michele Alboreto, que entra na zona de pontuação sendo seguido por perto por Eddie Cheever. Depois de ser ultrapassado por René Arnoux, que abandonou logo após, e por Jacques Laffite, Andrea de Cesaris viu seu motor Renault ir pros ares na volta 8, quando, momentos antes, François Hesnault também se juntou a turma dos que desistiram, por causa de um rodada: a pista estava escorregadia e com muito óleo e sujeira.

RAM continuava sendo superada pelas rivais

A prova virara um campo de batalha e resistência, características de circuitos norte-americanos que fizeram parte do calendário de 1984. Riccardo Patrese já não tinha muitos motivos para se alegrar, sendo ultrapassado por Stefan Johansson e Thierry Boutsen, caindo para 14º. Mais atrás, Marc Surer ganhava as posições de Rothengatter, Palmer, Alliot, Gartner e Berger depois de problemas na partida.

Teo Fabi pressionava Patrick Tambay na disputa pela segunda colocação, mas acaba cometendo um erro ao rodar na Variante della Roggia, perdendo sua posição para Lauda, Alboreto, de Angelis, Cheever e Warwick. Logo depois de passar por Mansell, Rosberg para depois de estourar o motor. Alucinado, Fabi se recupera e cinco voltas depois está na quarta posição, pressionando o líder do campeonato.

No fundo do pelotão, Jo Gartner superava o compatriota da ATS, assumindo a 15º colocação enquanto Jacques Laffite parava com problemas em seu turbo. Com problemas, de Angelis vira alvo ainda mais fácil dos rivais que vem logo atrás, com Eddie Cheever, Derek Warwick e Stefan Johansson passarem por ele antes de seu abandono, uma volta depois de Nigel Mansell encontrar a brita em Monza.


Warwick escoltava Cheever na disputa pela 6º colocação, enquanto Surer tentava se aproximar da surpreendente Osella de Piercarlo Ghinzani, que vem tendo um desempenho fantástico em casa. Na 15º volta, o motor BMW de Nelson Piquet volta a abrir o bico para deixar o brasileiro mais uma vez pelo caminho na temporada de 1984, dando a liderança da prova para Patrick Tambay.

Num circuito cheio de óleo, Thierry Boutsen acaba perdendo a posição para Riccardo Patrese, Piercarlo Ghinzani e Marc Surer, da mesma forma que Berger vai para a última colocação sendo ultrapassado por Jonathan Palmer e Huub Rothengatter. Decidido, Teo Fabi passa por Niki Lauda para assumir a quarta colocação indo para disputa pela vitória com Tambay, que diminui o ritmo e é rapidamente alcançado pelo italiano.


Junto com retardatários, Fabi chega forte em cima do francês sendo escoltado por Niki Lauda, que faz uma corrida calma sem ser agressivo nem cometendo erros precipitados. Perdendo desempenho, Boutsen também é ultrapassado por Jo Gartner antes de Jonathan Palmer abandonar e Derek Warwick assumir a quinta colocação de Eddie Cheever.

A briga entre os três primeiros acaba mascarando uma corrida com apenas 14 carros. Na volta 24, Thierry Boutsen dá o troco em cima de Jo Gartner e assume a 11º colocação. Voltas depois, Patrese é superado por Surer que também havia passado Ghinzani. Boutsen comemora por pouco tempo, já que os problemas voltam a assolar sua Arrows, deixando-o cair para a última colocação.


Derek Warwick acaba parando na brita depois de ter problemas, dando o quinto lugar para Cheever e o sexto para Johansson. Depois de Berger passar por Rothengatter, Teo Fabi começa a ter problemas em seu motor BMW, abandonando na reta dos boxes após grande prova digna de aplausos da torcida italiana, que tem mais motivos para comemorar com Alboreto assumindo o terceiro posto.

Na volta seguinte, é Patrick Tambay que para na reta dos boxes, e agora a arquibancada vai abaixo no alvoroço dos tifosi ao ver Michele Alboreto assumir a segunda colocação num período cheio de crise em Maranello. Niki Lauda assume a liderança com um grande espaço de diferença para o italiano, que é seguido por nada menos nada mais do que Stefan Johansson de Toleman, que havia passado Eddie Cheever voltas antes.


Mas os problemas da Toleman voltam para assolar o sueco que começa a se arrastar pela pista, entregando o terceiro lugar para um estadunidense quase italiano, Cheever para delírio dos fãs da Alfa. Um final de corria emocionante começa a pintar em Monza, com os poucos carros restantes começando a parar por falta de combustível.

De repente, na reta oposta, uma Alfa Romeo para... é a de Eddie Cheever, para o horror do norte-americano que mais uma vez abandona na temporada de 1984. Johansson pinta novamente na terceira colocação, mas não consegue a manter com Patrese a tomando rapidamente para o delírio ainda maior de todos na torcida: um pódio com um ídolo, um italiano à bordo de uma Ferrari e outro italiano à bordo de uma Alfa.


A Osella agora reza á Deus para que mais um carro quebre, pois Piercarlo Ghinzani assumira a quarta colocação de Stefan Johansson e estava á beira de um pódio, além de Jo Gartner fazer o possível para se manter a frente de Gerhard Berger na sexta colocação. Enzo Osella não se aguenta nos boxes ao ver que, há pouquíssimas voltas do fim, seu filho pródigo para na reta dos boxes com falta de combustível.

E no fim, Niki Lauda vence com sobras o GP da Itália de 1984, aumentando ainda mais a diferença para Alain Prost no Campeonato de Pilotos, basicamente selando o tricampeonato há três provas do fim. Aplaudido, Alboreto faz milagre e leva a Ferrari ao pódio em Monza, num ótimo trabalho depois de vim do meio do grid. Comemorando e muito, Riccardo Patrese chega na fantástica terceira colocação com sua Alfa Romeo, outro milagre italiano depois de tantos problemas.


O que mais impressionava eram os pulos da equipe Toleman que invadia a reta de Monza quando Stefan Johansson cruzava na grandíssima quarta colocação, mostrando que seria um companheiro de respeito para Ayrton Senna nas últimas duas provas. Nos boxes da Osella, desilusão, com Ghinzani fora da zona de pontos, a equipe não conquista nenhum por causa da porca (para mim, porca) regra de que as equipes que inscreveram apenas um carro no início da temporada só poderiam pontuar com eles. Resultado? ATS e Osella sem pontos com o quinto e sexto lugares de seus promissores austríacos.

Assim acabara o GP da Itália, com uma supremacia ítalo-austríaca resistente em Monza. Agora o incrível é imaginar que uma equipe garagista italiana, como a Osella, esteve perto de fantásticos três pontos com seu mais amado piloto, Ghinzani, além de uma ATS voltar a "pontuar" depois de dois anos de espera e uma fantástica oitava colocação para Huub Rothengatter e sua Spirit Hart que se mostravam mais resistentes até mesmo do que os atuais campeões. Fórmula 1, Fórmula 1... Monza, Monza... Como eram os tempos 30 anos atrás, não é mesmo?


RESULTADOS:

  1. 8 - AUT - Niki Lauda - McLaren TAG-Porsche - 1:20:29.065 - 9pts
  2. 27 - ITA - Michele Alboreto - Scuderia Ferrari - +24.249s - 6pts
  3. 22 - ITA - Riccardo Patrese - Benetton Team Alfa Romeo - +1 Volta - 4pts
  4. 19 - SUE - Stefan Johansson - Toleman Hart - +2 Voltas - 3pts
  5. 30 - AUT - Jo Gartner - Osella Alfa Romeo - +2 Voltas - 2pts*
  6. 31 - AUT - Gerhard Berger - ATS BMW - +2 Voltas - 1pt*
  7. 24 - ITA - Piercarlo Ghinzani - Osella Alfa Romeo - Falta de Combustível
  8. 21 - HOL - Huub Rothengatter - Spirit Hart - +3 Voltas
  9. 23 - EUA - Eddie Cheever - Benetton Team Alfa Romeo - Falta de Combustível
  10. 18 - BEL - Thierry Boutsen - Arrows BMW - +6 Voltas
  11. 15 - FRA - Patrick Tambay - Renault Elf - Regulador - OUT
  12. 2 - ITA - Teodorico Fabi - Brabham BMW - Motor - OUT
  13. 17 - SUI - Marc Surer - Arrows BMW - Motor - OUT
  14. 16 - GBR - Derek Warwick - Renault Elf - Pressão de Óleo - OUT
  15. 10 - GBR - Jonathan Palmer - RAM Hart - Pressão de Óleo - OUT
  16. 1 - BRA - Nelson Piquet - Brabham BMW - Motor - OUT
  17. 11 - ITA - Elio de Angelis - Lotus Renault - Caixa de Câmbio - OUT
  18. 12 - GBR - Nigel Mansell - Lotus Renault - Rodada - OUT
  19. 5 - FRA - Jacques Laffite - Williams Honda - Turbo - OUT
  20. 6 - FIN - Keke Rosberg - Williams Honda - Turbo - OUT
  21. 26 - ITA - Andrea de Cesaris - Ligier Renault - Motor - OUT
  22. 25 - FRA - François Hesnault - Ligier Renault - Rodada - OUT
  23. 9 - FRA - Philippe Alliot - RAM Hart - Elétrico - OUT
  24. 28 - FRA - René Arnoux - Scuderia Ferrari - Caixa de Câmbio - OUT
  25. 7 - FRA - Alain Prost - McLaren TAG-Porsche - Motor - OUT
  26. 14 - ALE - Manfred Winkelhock - ATS BMW - DNS
  27. 20 - ITA - Pierluigi Martini - Toleman Hart - DNQ
* = Jo Gartner e Gerhard Berger não marcaram pontos pois suas equipes inscreveram apenas um carro para toda a temporada.

Esses foram os pilotos que participaram do GP
Volta Mais Rápida: Niki Lauda - 1:31.912 - Volta 42

Curiosidades:
- 402º GP
- Realizado no dia 9 de setembro de 1984
- 24º vitória de Niki Lauda
- 10º pódio de Riccardo Patrese
- 150º GP de Jacques Laffite
- 1º GP de Pierluigi Martini
- 40º vitória da McLaren
- 26º e último pódio da Alfa Romeo
- Último ponto da ATS*
- 10º vitória do motor TAG-Porsche
- 10º pole position do motor BMW
- 40º e último pódio do motor Alfa Romeo


Minha Opinião:
  • MELHOR PILOTO: Michele Alboreto
  • SORTUDO: Stefan Johansson
  • AZARADO: Alain Prost / Piercarlo Ghinzani / Nelson Piquet / Patrick Tambay / Teo Fabi
  • SURPRESA: Osella / Motores Alfa Romeo
  • Prêmio Bônus - LAUDA DO DIA: Niki Lauda
Michele Alboreto, mesmo com um equipamento defasado relacionado as outras equipes, fez um ótimo trabalho em Monza, resistindo durante todas as suas 51 voltas para terminar na fantástica segunda colocação. Merecida. Johansson vinha se arrastando há voltas do fim, e por sorte não saiu fora da zona de pontuação, por isso tanta comemoração nos boxes de Ted Toleman. Prost, Piquet, Tambay e Fabi, todos abandonaram quando não podiam, mas apenas um fez eu sentir uma dor de tristeza: Piercarlo Ghinzani. A Osella surpreendeu por ter um carro que estava andando e resistindo bem e Monza, a ponto de vocês perceberem que Ghinzani só abandonou por falta de combustível. A Alfa Romeo fez um ótimo trabalho para correr em casa, vendo nenhum de seus motores estourarem. E bem, Lauda foi Lauda em dia que deu Lauda, vindo com toda cautela do mundo para vencer pela 24º vez, igualando com Juan Manuel Fangio.

Campeonato de Pilotos:
  1. 8 - AUT - Niki Lauda - McLaren TAG-Porsche - 63pts/63pts
  2. 7 - FRA - Alain Prost - McLaren TAG-Porsche - 52,5pts/53,5pts
  3. 11 - ITA - Elio de Angelis - Lotus Renault - 29,5pts/32pts
  4. 28 - FRA - René Arnoux - Scuderia Ferrari - 24,5pts/25pts
  5. 1 - BRA - Nelson Piquet - Brabham BMW - 24pts/24pts
  6. 16 - GBR - Derek Warwick - Renault Elf - 23pts/23pts
  7. 27 - ITA - Michele Alboreto - Scuderia Ferrari - 21pts/21,5pts
  8. 6 - FIN - Keke Rosberg - Williams Honda - 20pts/20,5pts
  9. 12 - GBR - Nigel Mansell - Lotus Renault - 13pts/13pts
  10. 15 - FRA - Patrick Tambay - Renault Elf - 10pts/11pts
  11. 19 - BRA - Ayrton Senna - Toleman Hart - 8pts/9pts
  12. 3 - GBR - Martin Brundle - Tyrrell Ford - 8pts/0pts
  13. 2 - ITA - Teodorico Fabi - Brabham BMW - 8pts/9pts
  14. 22 - ITA - Riccardo Patrese - Benetton Team Alfa Romeo - 7pts/7pts
  15. 4 - ALE - Stefan Bellof - Tyrrell Ford - 5pts/0pts
  16. 6 - FRA - Jacques Laffite - Williams Honda - 4pts/5pts
  17. 23 - EUA - Eddie Cheever - Benetton Team Alfa Romeo - 3pts/3pts
  18. 3/19 - SUE - Stefan Johansson - Tyrrell Ford / Toleman Hart - 3pts/3pts
  19. 18 - BEL - Thierry Boutsen - Arrows Ford/BMW - 3pts/5pts
  20. 26 - ITA - Andrea de Cesaris - Ligier Renault - 2pts/3pts
  21. 24 - ITA - Piercarlo Ghinzani - Osella Alfa Romeo - 2pts/2pts
  22. 30 - AUT - Jo Gartner - Osella Alfa Romeo - 2pts/0pts
  23. 17 - SUI - Marc Surer - Arrows Ford/BMW - 1pt/1pt
  24. 31 - AUT - Gerhard Berger - ATS BMW - 1pt/0pts
Campeonato de Construtores:
  1. Marlboro McLaren International - McLaren TAG-Porsche - MP4/2 - PRO/LAU - M - 115,5pts
  2. Scuderia Ferrari SpA SEFAC - Ferrari - 126C4 - ALB/ARN - G - 45,5pts
  3. John Player Team Lotus - Lotus Renault - 95T - ANG/MAN - G - 42,5pts
  4. Équipe Renault Elf - Renault - RE50 - TAM/WAR - M - 33pts
  5. MRD International - Brabham BMW - BT53 - PIQ/TFA/CFA - M - 32pts
  6. Williams Grand Prix Engineering - Williams Honda - FW09/FW09B - LAF/ROS - G - 24pts
  7. Tyrrell Racing Organisation - Tyrrell Ford - 012 - BRU/JOH/BEL/THA - G - 13pts
  8. Toleman Group Motorsport - Toleman Hart - TG183B/TG184 - SEN/JOH/CEC/MAR - P/M - 11pts
  9. Benetton Team Alfa Romeo - Alfa Romeo - 184T - PAT/CHE - G - 10pts
  10. Osella Squadra Corse - Osella Alfa Romeo - FA1F - GHI/GAR - P - 4pts
  11. Barclay Nordica Arrows BMW - Arrows BMW - A6/A7 - SUR/BOU - G - 4pts
  12. Ligier Loto - Ligier Renault - JS23 - HES/CES - M - 2pts
  13. Team ATS - ATS BMW - D7 - WIN/BER - P - 1pt
Imagens tiradas do Google Imagens - F1-History.deviantart.com - GPExperts.com.br

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

1 Ano - Jean-Pierre Beltoise


Há exatamente um ano, o mundo da Fórmula 1 se chocava com a morte de Jean-Pierre Beltoise aos 77 anos de idade, vítima de dois AVCs. O francês, apesar de ter conseguido apenas uma vitória na categoria, sempre esteve na memória dos fãs mais antigos pela triste fatalidade envolvendo Ignazio Giunti, na Argentina em 1971, e pela conquista nas encharcadas ruas monegascas em 1972. Mas há poucos que se lembrem de outro feito do francês, também sob chuva.

Em sua primeira temporada completa na Fórmula 1, Jean-Pierre Beltoise havia começado bem, com ótimos resultados na África do Sul e na Espanha. À bordo de sua Matra MS11, se esperava muito do francês que tinha como companheiro Jackie Stewart, um dos brilhantes jovens que estavam surgindo no final da década de 60.

Numa época que a Europa parecia viver o dilúvio, depois da triste morte de Jim Clark em Hockenheimring e antes do Grande "Lago" da Alemanha, o GP da Holanda ia ocorrer no dia 23 de junho, com Chris Amon ainda louco atrás da primeira vitória, com Graham Hill ainda querendo estabelecer ordem perto dos mais jovens, e com uma Brabham querendo recuperar o reinado que foi dividido com Ferrari, Matra e Lotus.


Beltoise era apenas um figurante naquele dia, estando na 16º colocação do grid em Zandvoort, que viu uma forte chuva cair no dia da corrida. Com a pista ainda molhada, mas com pouca água caindo na hora da largada, o francês fez, pela primeira vez, aquilo que chamo a volta perfeita. Ao fim do primeiro giro, Jean-Pierre estava na frente de Gurney, Courage, Attwood e Hulme, ganhando a 12º posição.

Mas o melhor estava por vim... na segunda volta, o francês voa novamente para cima de Jack Oliver, Jack Brabham, John Surtees e Bruce McLaren para assumir a 8º colocação enquanto, lá na frente, Jackie Stewart ia ao ataque de Graham Hill. Agora, Beltoise era o quinto no pelotão, tendo acabado de passar por Pedro Rodríguez e Jo Siffert.

Na mesma volta que Stewart assumiu a liderança de Hill, o francês conseguiu passar pelas duas Ferraris de Amon e Ickx para se posicionar na 3º colocação, logo atrás do campeão de 1962. Uma performance formidável de Beltoise, que, em 4 voltas ganhou 13 posições, isso em um circuito escorregadio e inédito para o francês como piloto de Fórmula 1.


Hill e Stewart haviam abrido um caminhão para o resto do pelotão, mas a ambição de Beltoise era maior, levando o francês a duelar com Graham na 10º volta, assumindo a segunda posição e indo a caça do companheiro de Matra, que por sua vez tinha um motor mais fraco para guiar no Zandvoort. Beltoise teve que ir aos boxes na volta 23, depois de rodar e danificar sua Matra (erro decisivo para o resto da prova), voltando na 7º colocação, logo atrás de Dan Gurney, que, quatro giros depois, foi suplantado pelo francês. De volta a perseguição!

Ickx e Amon foram novamente alvos fáceis para Beltoise, que agora corria contra o tempo para alcançar Rodríguez e Hill para voltar a sua segunda colocação. Depois de passar pelo mexicano, na volta 33, o francês tinha o britânico da Lotus novamente a sua frente, mas agora a dificuldade foi ainda maior para alcança-lo.


Na 50º volta, Beltoise reassume a segunda colocação tendo ainda 40 giros até o fim da prova que era liderada, com extrema folga, por Jackie Stewart. Ken Tyrrell, nos boxes, podia se orgulhar por ver seus dois pilotos caminharem para um dobradinha inédita para a Matra, isso com Beltoise dando um inegável show no circuito holandês.

Infelizmente, já não havia fôlego para o francês, que terminou na segunda colocação mais de um minuto e meio atrás de Stewart. Porém, ainda havia um motivo para sorrir: era seu primeiro pódio na categoria, e com um desempenho fantástico.

Pena que Beltoise não conseguiria repetir o mesmo desempenho semanas depois, em Nürburgring Nordschleife, naquilo que considero o GP mais extremo embaixo de chuva que a Fórmula 1 já viu, que teve como vencedor o mesmo Jackie Stewart...

Imagens tiradas do Google Imagens

GP Memorável 57# - Holanda 1984


Apenas uma semana se passou depois do GP austríaco e os pilotos já estavam em Zandvoort, na Holanda, para mais uma corrida em um circuito que a cada ano que passava ficava ainda mais defasado, sem estrutura para acomodar público, equipes, jornalistas e até pilotos que enfrentavam um péssimo asfalto aliado a sujeira que chegava a pista a cada ventania mais forte.

Com Gerhard Berger ausente, a ATS inscreveu apenas um carro para Manfred Winkelhock, que ao final do GP reclamaria da falta de organização da equipe alemã. Além disso, a Tyrrell ainda tentava resolver seus problemas, com a pena de ser excluída do campeonato, para talvez ir a Monza, onde Martin Brundle voltaria ao cockpit depois de se recuperar da lesão sofrida em Dallas. Sabendo disso, a Toleman já adiantou o contrato de Stefan Johansson para o GP italiano.


Nos treinos, Alain Prost conseguiu ser mais rápido do que Nelson Piquet, cravando a pole position e fazendo a primeira fila com o brasileiro. Elio de Angelis era o terceiro com Derek Warwick em quarto, Patrick Tambay em quinto e Niki Lauda, com Keke Rosberg, Jacques Laffite, Michele Alboreto e Teo Fabi fechando o top ten, respectivamente.

Thierry Boutsen alinhou ao lado de Nigel Mansell, que teve problemas mecânicos nos treinos, enquanto Ayrton Senna estava com Andrea de Cesaris ao seu lado. René Arnoux era apenas o décimo quinto, enquanto Manfred Winkelhock o seguia com Eddie Cheever e Riccardo Patrese logo atrás. Marc Surer era o décimo nono, com François Hesnault abrindo o "portal dos pequenos".

Bellof finalmente estava de volta ao grid depois de se ausentar na Alemanha
e não se qualificar na Áustria

Piercarlo Ghinzani foi mais rápido do que Jonathan Palmer e Jo Gartner, enquanto Stefan Bellof e Stefan Johansson conseguiam alinhar suas Tyrrells no grid de largada, que tinha, na última fila, Philippe Alliot e o piloto da casa, Huub Rothengatter, que correria com sua Spirit pintada de laranja. Bem patriótico, não é?

Nos bastidores, o domingo de manhã foi movimentado com o anúncio, que deveria ser secreto, de que Ayrton Senna foi contratado pela Lotus, o que abalou todos na equipe Toleman, que prometeu revidar em cima do piloto brasileiro que manteve isso em total sigilo, sabendo que o contrato com a equipe do "Tio Ted" ia até o final de 1985. Outro rumor crescia naquele fim-de-semana: Niki Lauda conversava com Gérard Larrousse para ir para a Renault, já que Ron Dennis havia cortado seu salário pela metade.

Apesar de tudo isso, o que realmente marcou o início de domingo foi um acidente que, por pouco, não se transformou em uma tragédia. Por estar ali, ao lado do mar, pelos seus 40 anos de história sem nenhuma grande reforma, Zandvoort sofria com a ferrugem que todos os elementos no ar estavam a fazer em sua estrutura. Uma escadaria acabou cedendo e ferindo tanto as pessoas que estavam nela, quanto as que estavam em volta, atrasando em 40 minutos o início do Warm-Up.


A corrida teve sua largada embaixo de um céu limpo, com Nelson Piquet tomando a ponta depois de Alain Prost patinar na largada enquanto Tambay conseguia passar por Warwick e Elio de Angelis. Outro piloto que fez ótima largada foi Keke Rosberg, tomando a quinta colocação enquanto Niki Lauda caia para a nona posição. Com problemas, Manfred Winkelhock se arrasta na pista.

Ainda na primeira volta, Andrea de Cesaris e Eddie Cheever se estranham, saem da pista e perdem várias posições, com o norte-americano levando a pior ao cair para a penúltima colocação. Lauda começa a sua recuperação ultrapassando Michele Alboreto na disputa pelo oitavo posto, enquanto Keke Rosberg, com um carro equilibrado, vem forçando para ir ao ataque de Elio de Angelis, que por sua vez tenta passar por Patrick Tambay.


Na quarta volta, Rosberg já ultrapassa o italiano da Lotus, seguindo ao ataque do piloto francês da Renault que cede apenas um giro depois. Mais atrás, Ayrton Senna ultrapassa Teo Fabi e Thierry Boutsen, além de Andrea de Cesaris superar Piercarlo Ghinzani e François Hesnault. Stefan Bellof, batalhando internamente com Stefan Johansson, supera o companheiro sueco para assumir a 20º colocação. No fundo do pelotão, Eddie Cheever inicia sua recuperação passando por Joanthan Palmer e Philippe Alliot.

Thierry Boutsen vem perdendo posições como água, agora é a vez de René Arnoux ultrapassar o belga para ficar com a 12º colocação. Logo a frente, Lauda ultrapassa Jacques Laffite e vai ao ataque de Derek Warwick, que também é facilmente superado pelo líder do campeonato. Michele Alboreto estoura seu motor Ferrari e abandona na 7º volta.


Niki Lauda agora é quarto, logo atrás de Keke Rosberg, após passar por Patrick Tambay. Na liderança, Nelson Piquet vê seu motor BMW ir pelos ares junto com mais uma vitória em 1984. Momentos depois, o austríaco já ultrapassa o finlandês da Williams para ir ao ataque de seu companheiro de equipe, o francês Alain Prost, que vem poupando desde o início da prova.

Teo Fabi consegue passar por Ayrton Senna para ser o oitavo colocado, enquanto Nigel Mansell ainda fica preso atrás de Thierry Boutsen. Mais atrás, Eddie Cheever já se aproxima de ambas as Tyrrells para assumir a décima sétima colocação, enquanto, no fundo do pelotão, Manfred Winkelhock já passa por Huub Rothengatter.


Enquanto Niki Lauda tenta se aproximar de Alain Prost, Elio de Angelis duela com Patrick Tambay ainda pela quarta colocação, com Derek Warwick assistindo o duelo de longe. Os primeiros retardatários começam a aparecer, e, obviamente, um deles era Manfred Winkelhock, que naquele dia estava impossível para os outros pilotos.

Stefan Johansson já havia passado por Stefan Bellof quando Ayrton Senna teve seu Hart fumando na volta 19, momentos antes de Winkelhock seguir com suas atrapalhadas com os lideres. Depois de atrapalhar Patrick Tambay, e ainda mais Elio de Angelis, jogando o italiano para fora da pista, o alemão acabou encontrando seu final numa barreira de pneus após se chocar com Derek Warwick, que vinha segurando Jacques Laffite, que por sua vez, vê seu motor Honda estourar. 



Determinado como sempre, Nigel Mansell finalmente ultrapassa por Thierry Boutsen, assumindo a 7º colocação depois da parada de Teo Fabi. Dois giros depois, foi a vez de René Arnoux ceder para o Leão da Lotus que entra na zona de pontuação. Na 33º volta, Andrea de Cesaris se junta aos pilotos que abandonaram por causa de seus motores, enquanto François Hesnault é suplantado por Eddie Cheever na disputa pela 11º colocação.

Riccardo Patrese agora ultrapassa por Thierry Boutsen, ficando logo atrás da Ferrari de René Arnoux. Lá na frente, Patrick Tambay decide ir aos boxes para trocar seu jogo de pneus, voltando na nona posição, entre as duas Alfas, já que Teo Fabi conseguiu passar por Patrese e Boutsen rapidamente. Na volta 44, o francês da Renault começa a se recuperar após ultrapassar o italiano da equipe do trevo.


Lauda tentava se aproximar do companheiro, mas o francês, esperto, aumenta o ritmo e tem sorte com os retardatários, abrindo para o austríaco. Rosberg anda sem nenhuma preocupação na terceira posição, mas mais atrás, as duas Lotus lutam bravamente pela quarta colocação. René Arnoux acaba tendo uma queda de desempenho que o fazem perder duas posições rapidamente. Eddie Cheever também sofre com problemas e agora anda no mesmo nível de Thierry Boutsen, perdendo as chances de algum ponto na corrida após ir aos boxes para trocar os pneus.

Alain Prost se aproxima para abrir uma volta de vantagem cima de Elio de Angelis e Nigel Mansell, enquanto Keke Rosberg começa a perder desempenho se juntando a dupla da Lotus que agora batalham pelo pódio. Em manobras arriscadas e ariscas, mas sem cometer erros, o Leão acaba ultrapassando seu companheiro, e, uma volta depois, o seu futuro companheiro, ainda tirando a volta de atraso para Prost, que novamente volta a poupar o carro com Niki Lauda ficando cada volta mais atrasado.


As paradas de Cheever e Arnoux dão um novo gás para os dois pilotos de equipes italianas, mas não o suficiente para alcançar Patrick Tambay, que, com problemas em sua quinta marcha, já havia sido superado por Teo Fabi. Rothengatter abandona a sua prova caseira por problemas no regulador, enquanto Thierry Boutsen vê sua suspensão ceder logo depois da Panorama.

Os carros começam a se arrastar na pista, com Alliot conseguindo ultrapassar Gartner no fundo do pelotão. Rosberg ainda tenta se manter na quarta colocação, mas a falta de combustível dificulta a tarefa para o finlandês. Cheever e Arnoux, que estavam tão fortes, tem seus problemas e param, concretizando mais um abandono para o estadunidense que não vê a bandeira xadrez desde o primeiro GP, quando pontuou.


Nas últimas voltas, Keke Rosberg também para por falta de combustível, dando a sexta colocação para Patrick Tambay, que batalha com seu Renault tendo problemas de câmbio. As McLarens, em mais um domingo dominado por elas, vencem de forma fácil em Zandvoort, enquanto o jovem Nigel Mansell impressiona mais uma vez para terminar na terceira colocação. de Angelis é quarto com Fabi e Tambay fechando os pontuáveis.

E assim terminou a prova que deu o título de Campeã de Construtores para a McLaren TAG-Porsche, um título merecido para uma equipe que batalhou duro para aquele momento. Lauda ainda se mantinha na liderança do Campeonato de Pilotos, mas com uma diferença menor para Alain Prost, em uma batalha puramente da equipe britânica pelo mais importante título do ano...


RESULTADOS:

  1. 7 - FRA - Alain Prost - McLaren TAG-Porsche - 1:37:21.468s - 9pts
  2. 8 - AUT - Niki Lauda - McLaren TAG-Porsche - +10.283s - 6pts
  3. 12 - GBR - Nigel Mansell - Lotus Renault - +1:19.544s - 4pts
  4. 11 - ITA - Elio de Angelis - Lotus Renault - +1 Volta - 3pts
  5. 2 - ITA - Teodorico Fabi - Brabham BMW - +1 Volta - 2pts
  6. 15 - FRA - Patrick Tambay - Renault Elf - +1 Volta - 1pt
  7. 25 - FRA - François Hesnault - Ligier Renault - +2 Voltas
  8. 3 - SUE - Stefan Johansson - Tyrrell Ford - DSQ
  9. 4 - ALE - Stefan Bellof - Tyrrell Ford - DSQ
  10. 6 - FIN - Keke Rosberg - Williams Honda - Falta de Combustível
  11. 10 - GBR - Jonathan Palmer - RAM Hart - +4 Voltas
  12. 9 - FRA - Philippe Alliot - RAM Hart - +4 Voltas
  13. 28 - FRA - René Arnoux - Scuderia Ferrari - Elétrico
  14. 30 - AUT - Jo Gartner - Osella Alfa Romeo - +5 Voltas
  15. 23 - EUA - Eddie Cheever - Benetton Team Alfa Romeo - Falta de Combustível
  16. 18 - BEL - Thierry Boutsen - Arrows BMW - Acidente - OUT
  17. 21 - HOL - Huub Rothengatter - Spirit Hart - Regulador - OUT
  18. 22 - ITA - Riccardo Patrese - Benetton Team Alfa Romeo - Motor - OUT
  19. 26 - ITA - Andrea de Cesaris - Ligier Renault - Motor - OUT
  20. 5 - FRA - Jacques Laffite - Williams Honda - Motor - OUT
  21. 16 - GBR - Derek Warwick - Renault Elf - Rodada - OUT
  22. 14 - ALE - Manfred Winkelhock - ATS BMW - Rodada - OUT
  23. 19 - BRA - Ayrton Senna - Toleman Hart - Motor - OUT
  24. 17 - SUI - Marc Surer - Arrows BMW - Roda - OUT
  25. 1 - BRA - Nelson Piquet - Brabham BMW - Pressão do Óleo - OUT
  26. 24 - ITA - Piercarlo Ghinzani - Osella Alfa Romeo - Vazamento de Combustível - OUT
  27. 27 - ITA - Michele Alboreto - Scuderia Ferrari - Motor - OUT
Esses foram os pilotos que participaram da prova
Volta Mais Rápida: René Arnoux - 1:19.465 - Volta 64


Curiosidades:
- 401º GP
- Realizado no dia 26 de agosto de 1984
- Último GP da Tyrrell em 1984
- 14º vitória de Alain Prost
- 12º e última volta mais rápida de René Arnoux
- 39º vitória da McLaren
- 100º melhor volta da Ferrari
- 100º GP da Arrows
- 9º vitória do motor TAG-Porsche
- 100º melhor volta do motor Ferrari
- Marlboro McLaren International (McLaren TAG-Porsche) é Campeã do Mundo


  • MELHOR PILOTO: Nigel Mansell
  • SORTUDO: Patrick Tambay
  • AZARADO: Keke Rosberg
  • SURPRESA: N/H
Nigel Mansell, vindo lá de trás não cometeu erros e fez uma prova limpa para conquistar um ótimo pódio. Patrick Tambay tinha tudo para ganhar alguns merecidos pontos em Zandvoort, mas depois da parada parecia que isso não era possível, por sorte, Rosberg teve problemas depois de fazer uma fantástica prova com um dos melhores carros de todo grid, para que o francês terminasse na sexta colocação.


Campeonato de Pilotos:
  1. 8 - AUT - Niki Lauda - McLaren TAG-Porsche - 54pts/54pts
  2. 7 - FRA - Alain Prost - Mclaren TAG-Porsche - 52,5pts/53,5pts
  3. 11 - ITA - Elio de Angelis - Lotus Renault - 29,5pts/32pts
  4. 28 - FRA - René Arnoux - Scuderia Ferrari - 24,5pts/25pts
  5. 1 - BRA - Nelson Piquet - Brabham BMW - 24pts/24pts
  6. 16 - GBR - Derek Warwick - Renault Elf - 23pts/23pts
  7. 6 - FIN - Keke Rosberg - Williams Honda - 20pts/20,5pts
  8. 27 - ITA - Michele Alboreto - Scuderia Ferrari - 15pts/15,5pts
  9. 12 - GBR - Nigel Mansell - Lotus Renault - 13pts/13pts
  10. 15 - FRA - Patrick Tambay - Renault Elf - 10pts/11pts
  11. 19 - BRA - Ayrton Senna - Toleman Hart - 8pts/9pts
  12. 3 - GBR - Martin Brundle - Tyrrell Ford - 8pts/0pts
  13. 2 - ITA - Teodorico Fabi - Brabham BMW - 8pts/9pts
  14. 4 - ALE - Stefan Bellof - Tyrrell Ford - 5pts/0pts
  15. 6 - FRA - Jacques Laffite - Williams Honda - 4pts/5pts
  16. 22 - ITA - Riccardo Patrese - Benetton Team Alfa Romeo - 3pts/3pts
  17. 23 - EUA - Eddie Cheever - Benetton Team Alfa Romeo - 3pts/3pts
  18. 18 - BEL - Thierry Boutsen - Arrows Ford/BMW - 3pts/5pts
  19. 26 - ITA - Andrea de Cesaris - Ligier Renault - 2pts/3pts
  20. 24 - ITA - Piercarlo Ghinzani - Osella Alfa Romeo - 2pts/2pts
  21. 17 - SUI - Marc Surer - Arrows Ford/BMW - 1pt/1pt

Campeonato de Construtores:
  1. GBR - Marlboro McLaren International - McLaren TAG-Porsche - MP4/2 - PRO/LAU - M - 106,5pts/107,5pts
  2. GBR - John Player Team Lotus - Lotus Renault - 95T - ANG/MAN - G - 42,5pts/45pts
  3. ITA - Scuderia Ferrari SpA SEFAC - Ferrari - 126C4 - ALB/ARN - G - 39,5pts/40,5pts
  4. FRA - Équipe Renault Elf - Renault - RE50 - TAM/WAR - M - 33pts/34pts
  5. GBR - MRD International - Brabham BMW - BT53 - PIQ/TFA/CFA - M - 32pts/33pts
  6. GBR - Williams Grand Prix Engineering - Williams Honda - FW09/FW09B - LAF/ROS - G - 24pts/25,5pts
  7. GBR - Tyrrell Racing Organisation - Tyrrell Ford - 012 - BRU/JOH/BEL/THA - G - 13pts/0pts
  8. GBR - Toleman Group Motorsport - Toleman Hart - TG183B/TG184 - SEN/CEC - P/M - 8pts/9pts
  9. ITA - Benetton Team Alfa Romeo - Alfa Romeo - 184T - PAT/CHE - G - 6pts/6pts
  10. GBR - Barclay Nordica Arrows BMW - Arrows Ford/BMW - A6/A7 - SUR/BOU - G - 4pts/6pts
  11. FRA - Ligier Loto - Ligier Renault - JS23 - HES/CES - M - 2pts/3pts
  12. ITA - Osella Squadra Corse - Osella Alfa Romeo - FA1F - GHI/GAR - P - 2pts/2pts
Imagens tiradas do Google Imagens - F1-History.deviantart.com - GPExperts.com.br

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Piloto Memorável 11# - James Hunt


James Simon Wallis Hunt nasceu no dia 29 de agosto de 1947, em Belmont, Sutton, Surrey, Inglaterra. Quando jovem, James demonstrou ser um hábil esportista competindo na equipe de críquete da Westerleigh School, além de se tornar goleiro por dois anos. Ele ainda participou de uma competição sub-17 de tennis, chegando a final e perdendo para alguém quatro anos mais velho. Sua última tentativa num esporte sem ser o automobilismo foi no golfe, competindo no Junior Wimbledon.

Quando criança, Hunt sonhava em ser médico, sonho que foi apoiado pela família. Porém, sua personalidade acabaou destruindo suas chances de se tornar doutor, sendo explosivo em momentos de raiva além de já suspeitar-se que fumava. A paixão pelas corridas começou quando, numa visita a seu amigo Chris Ridge, ex-companheiro de tennis, ele foi convidado para assistir uma corrida de Minis, em Silverstone.


Depois de participar de algumas corridas com um Mini, James foi para a Fórmula Ford em 1968, conquistando relativo sucesso que o levou para a Fórmula Três no ano seguinte. Hunt agora era considerado promessa britânica graças a suas várias vitórias na categoria, mas havia algo que mancharia todas essas conquistas. No dia 3 de outubro de 1970, em Crystal Palace, James se envolve num acidente com Dave Morgan, com ambos abandonando a prova, furioso, Hunt saiu do carro e empurrou Morgan, o que levou ambos para o tribunal da RAC.

Enquanto James era absolvido, Morgan acabou sendo punido com 12 meses de suspensão. A carreira de Hunt na Fórmula 3 continuou correndo na equipe oficial da March em 1972, conquistando alguns resultados interessantes como o 3º lugar em Mallory Park após uma dura batalha travada contra Roger Williamson. Em maio do mesmo ano, Hunt acabou sendo mandado embora do programa STP-March, ficando quase sem opção para correr.


Por sorte, encontrou uma equipe com uma personalidade semelhante a dele, comandada pelo Lord Hesketh. Depois de algumas provas na Fórmula Dois, Hesketh decidiu arriscar em algo maior... na Fórmula 1. Com um March 731, a equipe não foi levada a sério pelos concorrentes que o viram como a nova piada da categoria.

Porém, contra as expectativas, a Hesketh tinha resultados mais expressivos do que os da própria equipe oficial da March. Na estreia, em Mônaco, Hunt vinha na ótima sexta colocação após largar na 18º posição até abandonar depois do estouro do motor Cosworth. Ele estaria de volta semanas depois, após faltar ao GP da Suécia, para o GP da França, em Paul Ricard, onde conquista seu primeiro ponto.


Aos poucos, James Hunt começa a chamar a atenção do mundo da Fórmula 1. Em Silverstone, numa prova marcada pela "baianada" feita por Jody Scheckter, o inglês conseguiu uma ótima 4º colocação que o animou ainda mais para a prova em Zandvoort. No meio de todo luto pela morte de Williamson, James era um dos poucos que tinham o que comemorar na Holanda: seu primeiro pódio.

Depois de não participar do GP da Alemanha, Hunt está de volta para o GP da Áustria, onde problemas na injeção deixam ele pelo caminho logo no início da prova. Depois de um triste GP da Itália, com James não conseguindo largar, a Hesketh fez sua viagem para a América do Norte, para os GPs do Canadá e dos EUA. Em Mosport, um circuito bastante exigente, Hunt não consegue pontuar por apenas uma posição.


Na última etapa, em Watkins Glen, a tristeza toma conta do circo novamente: François Cevert morre nos treinos. A Tyrrell se retira da prova, com isso Hunt ganha mais posições num surpreendente grid de largada. Na corrida, o inglês faz de tudo para se manter na pista sem forçar o carro a manobras perigosas para cima dos oponentes, resultando num ótimo pódio para fechar sua primeira temporada na Fórmula 1.

A Hesketh tinha planos de montar seu primeiro chassis para a temporada de 1974, plano que foi concretizado apenas na terceira etapa do ano, em Kyalami. Antes disso, na Argentina e no Brasil, Hunt não conseguiu algo melhor do que um 9º lugar. Infelizmente, o carro não parecia ser muito confiável, colecionando abandonos durante toda a temporada.

Aos poucos, o carro vai se tornando mais rápido, começando a ameaçar as equipes do meio do pelotão. Mas ainda havia algo que faltava no 308, a confiabilidade era baixa e isso dificultava os ótimos resultados que Hunt poderia ter. Depois de abandonar em Nivelles e no Mônaco, James acabou surpreendendo a todos em Anderstorp. Com as Ferraris com problemas, Emerson Fittipaldi em um péssimo fim-de-semana, e com as Tyrrells dominando o grid, Hunt acabou levando sua Hesketh ao ótimo terceiro posto.


Infelizmente, os azares do inglês continuavam em 1974, seguindo o pódio na Suécia quatro abandonos em quatro importantes provas do campeonato. No veloz circuito austríaco, Hunt volta ás alegrias do pódio após outro terceiro lugar, agora atrás da Brabham de Reutemann e da McLaren de Hulme. Na Itália, o Cosworth não resiste as retas de Monza e acaba deixando James a pé no início da prova.

Nas últimas corridas do ano, novamente em Mosport e em Watkins Glen, Hunt volta a ter um carro confiável em mãos possibilitando um quarto lugar no Canadá e mais um pódio nos EUA, um último terceiro lugar para fechar um problemático campeonato na 8º colocação, com 15 pontos, 1 a mais do que no ano anterior.

Com um novo modelo, o 308B, a Hesketh coloca James Hunt novamente em condições de pontos em 1975. O começo é animador: um segundo lugar em Buenos Aires, logo atrás do campeão do mundo Emerson Fittipaldi. Em Interlagos, numa fraca prova, Hunt tem sorte para conquistar um pontinho com o sexto lugar. Quando parecia que o inglês arrancaria para a primeira vitória e quem sabe um disputa pelo título, os problemas voltam a assolar a equipe.


Abandonos consecutivos na África do Sul, Espanha, Mônaco, Bélgica e Suécia deixam toda a equipe Hesketh mais desanimada para a parte final da temporada. Porém, em Zandvoort, James Hunt supera Niki Lauda e Clay Regazzoni para conquistar sua primeira vitória na categoria, mostrando todo seu talento à bordo de um carro rápido, e que dessa vez não o deixou na mão por falta de confiabilidade.

Em uma reviravolta, a equipe inteira sente que este final de campeonato pode ser um dos melhores da história da equipe. Em Paul Ricard, James Hunt novamente enfrenta Niki Lauda na disputa pela vitória, mas dessa vez acaba não vencendo o rival da Ferrari. Era o começo da rivalidade que inspirou um filme. Em casa, Hunt chegou a liderar a corrida perto de seu final, mas o início de uma forte chuva destruiu as chances até de um pódio o inglês que acabou no muro, mas com o quarto lugar assegurado.


Numa das últimas provas do modelo 308B, na Alemanha, Hunt abandona quando assumiu a segunda colocação. Semanas depois, os pilotos estão na Áustria, onde um forte chuva cai num fim-de-semana marcado pela morte de Mark Donohue. James se mostrava confiante para a corrida, largando na primeira fila ao lado de Niki Lauda, que depois de 14 voltas na frente, cede a ponta para o inglês que vê a chance de outra vitória brilhar em sua frente.

Mal imaginava ele que um italiano apelidado de "Gorila de Monza" escalou o pelotão e iria dar um rápido bote para assumir a liderança da molhada prova austríaca, que foi terminada antes do complemento de todas as suas voltas por causa da forte chuva: segundo lugar assegurado. Na Itália, a Hesketh estreia o 308C, que parece ser muito mais confiável do que o antecessor, dando á Hunt um 5º lugar.


Na última corrida da temporada, em Watkins Glen, James Hunt faz ótima prova para terminar na quarta colocação tanto na prova quanto no Campeonato de Pilotos, com 33 pontos. Mais um ano se aproximava, mas a Hesketh agora era uma equipe fragmentada, sem condições para continuar sem arrumar um patrocínio, o que forçava Hunt a sair da equipe...

Sem emprego, o britânico é pego de surpresa pela saída de Emerson Fittipaldi da McLaren, indo para a Copersucar na empreitada mais arriscada do bicampeão. Agora, Hunt corria atrás de uma vaga na equipe do "Tio Bruce", que a cada ano se tornava cada vez mais tradicional no pelotão da frente da categoria. Por sorte, Teddy Mayer aceita o playboy britânico que já tinha fama de mulherengo.


Em uma das mais fantásticas temporadas da história, na qual vou contar nesse ano, James Hunt finalmente tinha um carro capaz de duelar com Niki Lauda. Nas seis primeiras provas do ano, o melhor que o britânico conseguiu fui um segundo lugar em Kyalami, colecionando fracassos em Interlagos, Long Beach, Zolder e Monte Carlo além de uma desclassificação em Jarama, que mais tarde seria revertida.

Na Suécia, Hunt volta a terminar uma prova com o quinto lugar conquistado numa corrida marcada pela dobradinha das Tyrrells P34. Em Paul Ricard, sem dificuldades contra as Ferraris, James volta a vencer. Em casa, uma controvérsia tira a vitória do inglês, que volta a ser desclassificado após receber ajuda de fora antes da paralisação da confusa prova.


Nessa altura, os pontos da vitória em Jarama já haviam voltado, o que não mudava muitos as coisas. A próxima corrida é no ultrapassado e assustador Nürburgring, onde a sombra da tragédia volta a aparecer com o acidente de Niki Lauda. Os momentos de horror vividos pelo austríaco abalaram vários pilotos, a ponto de Chris Amon anunciar a aposentadoria, mas como diz o velho ditado "O Show Deve Continuar"...

Hunt, com isso, fez sua parte ao mesmo tempo que Lauda fazia a dele na luta pela vida. Os nove pontos tirados de Nordschleife foram importantíssimos para a próxima corrida, na casa do rival ferrarista. Em uma surpreendente prova da Penske de John Watson, James Hunt é mero figurante mesmo depois de largar na pole, conquistando míseros pontos com um 4º posto.


Em Zandvoort, volta a ter um desempenho satisfatório após largar na primeira fila e vencer a prova, ficando dois pontos de Niki Lauda, que retorna em Monza, palco da próxima corrida. Enquanto o austríaco voltava, a McLaren se metia em problemas novamente, com seus dois pilotos sendo desqualificados após irregularidades no combustível. Mais uma vez, a sorte sorriu para o playboy inglês: Otto Stuppacher havia ido embora do circuito depois do treino, sabendo que já estava fora da prova. Com isso, o lugar do austríaco ficou com Hunt.

James Hunt e Jochen Mass acabaram largando para a prova, porém "o jogo virou", com o alemão tendo problemas no início da prova e Hunt abandonando depois de rodar na volta 11, enquanto Lauda conseguia um fantástico quarto lugar. Faltavam agora quatro provas, e as chances de título do inglês eram baixas, especialmente depois da demonstração de poder do austríaco em Monza...

Em Mosport, sem muitas dificuldades, James Hunt domina o fim-de-semana e vence mais uma vez, indo embalado para o GP dos EUA, no velho e bom Glen, conquistando a vitória com Niki Lauda sendo terceiro: três pontos separam os dois nas vésperas da última prova.


Fuji, Japão. Pela primeira vez os carros de Fórmula 1 estavam no território nipônico para um GP oficial, e para piorar as coisas, as condições de tempo não eram nada boas: chuva com uma forte neblina vinda do Monte Fuji. Lauda, como outros pilotos da estirpe de Fittipaldi e Pace, decidiu abandonar a prova alegando falta de segurança, mas James Hunt se manteve na pista na disputa pela vitória.

Depois de liderar a maior parte da prova, o inglês acabou tendo problemas que o obrigaram a parar, caindo para 5º precisando chegar em terceiro. Numa recuperação memorável, Hunt consegue o último lugar do pódio após passar por Alan Jones, se tornando o mais novo campeão do mundo... A Ferrari saia derrotada de uma dura batalha travada em 1976, mas a McLaren tinha pouco tempo para comemorar, pois 1977 seria um difícil ano..


Ainda com o mesmo M23, Hunt conseguiu marcar a pole para o GP da Argentina e lidera-lo até a metade de sua duração, quando a suspensão cedeu. No Brasil, mesmo saindo do primeiro lugar do grid novamente, o inglês acaba perdendo a vitória, terminando na segunda colocação. Semanas depois, no triste GP da África do Sul, Hunt de novo está na pole, mas, mais uma vez, perde a corrida e agora o pódio, acabando na quarta colocação.

Com um carro mais defasado a cada corrida, Hunt acaba sem pontos em Long Beach, Jarama, Monte Carlo, Zolder e Anderstorp, mesmo após estrear, definitivamente, o novo M26 no GP da Bélgica. Em Dijon-Prenois, James volta ao pódio depois de terminar na terceiro colocação, levando certa empolgação para a corrida em casa.

Parecia, mais uma vez, que a corrida estava perdida após a largada, quando, da pole Hunt foi para quarto, mas o britânico iniciou uma fantástica recuperação para vencer sua primeira prova em 1977. Infelizmente, apesar de parecer ser uma reação da McLaren na temporada, acabou sendo uma desilusão com um carro pouco confiável, abandonando nas quatro provas seguintes.


No Glen, embaixo de muita chuva, Hunt se mostra mais uma vez como um dos melhores pilotos sob condições extremas, vencendo após o abandono de Hans-Joachim Stuck. No desafiador e duro Mosport, a McLaren do atual campeão caminhava em uma disputa pela vitória com Mario Andretti, enquanto a outra McLaren aparecia logo a frente como retardatário, atrapalhando o piloto da Lotus para Hunt assumir a ponta. Porém Jochen Mass não acabou vendo o companheiro, atingindo-o quando tentava abrir para Andretti...

Depois de tacar a vitória fora, Hunt chega a última prova torcendo para que ninguém o atrapalhasse, e foi o que aconteceu. Novamente em Fuji, James dominou a prova depois de largar na segunda colocação, levando nove pontos para casa que o deram a 5º colocação no campeonato de pilotos, com 40 pontos.


Ainda com o defasado e pouco confiável M26, Hunt iniciou a temporada de 1978 com um bom 4º lugar na Argentina, porém o que veio a seguir destruiu qualquer chance de um ótimo campeonato. Cinco abandonos consecutivos seguidos de apenas um ponto em Jarama e depois ainda um 8º lugar em Aderstorp mostravam a fraqueza da McLaren naqueles dias.

Em Paul Ricard, em duros dias para Hunt, a McLaren parecia ter acertado a mão na relação á confiabilidade, dando ao inglês a chance de subir ao pódio apenas mais uma vez... Com aquele terceiro lugar, James conquistava seu último top três na carreira. Nas últimas sete provas da temporada, mais e mais desilusões como abandonos na Inglaterra, Áustria, Itália e Canadá, desclassificação na Alemanha e um 10º e um 7º lugar na Holanda e nos EUA, respectivamente.


Depois de uma triste temporada de 1978, na qual Hunt ficou marcado ao tirar Ronnie Peterson da Lotus em chamas em Monza, o inglês acabou deixando a McLaren e indo para a Wolf mesmo após negociar com a Ferrari. A escolha parecia ter sido boa, já que a equipe canadense se mostrava potencial futura campeã depois de seus primeiros anos na categoria.

Infelizmente, Hunt teve que assistir Jody Scheckter ser campeão num carro que poderia ser dele, enquanto estava aposentado antes do fim da temporada alegando a condição dele, no dia 8 de junho de 1979, no campeonato mundial como a causa de sua parada imediata. Em 7 corridas pela Wolf, apenas um 8º lugar no GP da África do Sul acabou sendo um sinal "de alegria" para o campeão de 1976, que ainda continuava a trabalhar com seus patrocinadores Marlboro e Olympus.


Em 1980, no GP do Oeste dos EUA, sem Alain Prost, a Marlboro ofereceu o lugar do francês na McLaren para James Hunt, porém o inglês acabou se machucando depois de sofrer um acidente de ski. Dois anos mais tarde, Bernie Ecclestone ofereceu uma vaga ao lado de Nelson Piquet para Hunt por mais de 2 milhões e meio de euros, mas que o britânico recusou. Quase uma década depois, em 1990, o playboy inglês estava disposto a voltar as pistas, tendo perdido 180 mil euros investindo em uma propriedade. Depois de um teste pela Williams, com tempos bem abaixo dos de Boutsen e Patrese, Hunt acreditou que rapidamente estaria preparado fisicamente para um retorno em alto estilo. O inglês tentou persuadir seus patrocinadores, mas acabou não conseguindo a vaga.

Logo após a aposentadoria, Hunt acabou sendo convidado por Jonathan Martin para ser comentarista ao lado de Murray Walker, algo que para muitos era arriscado: colocar alguém do temperamento igual ao de Hunt ao lado de um cavaleiro que era Walker. Mas o que o mundo viu foi, talvez, a dupla de narradores mais amada de todos os tempos.


Em sua primeira transmissão, em Mônaco 1980, Hunt colocou sua perna no colo Murray Walker enquanto bebia duas garrafas de vinho, isso no meio da transmissão. No começo, os dois não conseguiam se dar muito bem, mas aos poucos um acabou se tornando amigo do outro, reconhecendo a maneira de ser de cada um. A parceria foi duradora, mesmo no meio de duros comentários de James sobre alguns pilotos da estirpe do mito Andrea de Cesaris.

Hunt também escreveu em colunas, e, na época do título de Mansell, criticou a ida do inglês para os EUA, afirmando que o Leão queria evitar correr com Prost no mesmo carro, descrevendo a Indy como um clube de corridas, além de dizer que os padrões não são elevados comparados a competição de Grand Prix. Hunt ainda disse que Mansell poderia ganhar o campeonato facilmente e depois voltar para a verdadeira competição.... Bem, nisso (que Mansell seria campeão e voltaria para a Fórmula 1) James acertou...


Apesar de sempre aparecer com garotas nos autodromos, participar de festas regadas a muito álcool de drogas, Hunt teve fortes e grandes amizades na categoria. Niki Lauda era um dos amigos mais íntimos do inglês, admirando um ao outro com seus habilidades e características completamente diferentes. Quando se mudou para a Espanha, James se tornou amigo de Jody Scheckter, apelidando-o de Fletcher, destruindo o antigo nome de Troglodita. Ronnie Peterson, um piloto quieto e tímido dificilmente se envolveria com alguém como Hunt, mas o britânico acabou se tornando amigo do sueco, mesmo com a maneira de viver de cada um sendo gigantescamente diferente. Por último, foi Hunt que levou Gilles Villeneuve para a McLaren, além de ser um dos homens que prepararam os pilotos da Marlboro nos anos 80, entre eles Mika Häkkinen...

O polêmico Hunt teve duas mulheres: Suzy Miller e Sarah Lomax, tendo um casamento mais duradouro com Sarah, com quem teve dois filhos (Freddie e Tom). Depois de se separarem, James Hunt conheceu uma garçonete chamada Helen Dyson, com quem começou a namorar em segredo, por terem uma grande diferença de idade (18 anos).


A vida do playboy inglês vinha melhorando, se tornando uma pessoa mais calma e que vivia de maneira mais saudável. Um dia depois de pedir Dyson em casamento, em sua casa em Wimbledon, Hunt acabou morrendo de um ataque cardíaco. Manhã de 15 de junho de 1993, aos 45 anos de idade, morria o campeão de 1976. O corpo do britânico foi cremado na Putney Vale Crematorium.

Assim, a vida do maior playboy da história da Fórmula 1 acabava, com 1 título, 10 vitórias, 23 pódios, 14 poles position, 8 voltas mais rápidas e 179 pontos em 93 GPs participados. Seu legado continua até hoje...

Imagens tiradas do Google Imagens e F1-History.deviantart.com

domingo, 3 de janeiro de 2016

Quando Schumacher esteve na DTM


A passagem de Michael Schumacher pela DTM não foi uma das mais memoráveis, com resultados inexpressivos e poucas participações, porém foi importante para seu desenvolvimento como piloto, levando-o, pouquíssimo tempo depois, para a Fórmula 1 após ótimo desempenho pela Sauber Mercedes no World Sportscar Championship. Hoje é o 47º aniversário do alemão, e quero o desejar mais força para vencer mais uma batalha na sua longa e duríssima recuperação.

#KeepFightingMichael


Imagens tiradas do Google Imagens