sexta-feira, 8 de maio de 2015

Equipe Memorável 30# - Automobiles Gonfaronnaises Sportives - Parte 5


Hoje teremos a continuação dessa "incrível" história da AGS, que estava tendo uma boa temporada e sonhava com mais alguns pontos tendo também um belo carro azul e laranja. A próxima corrida seria no Canadá, onde a altitude não atrapalharia o motor aspirado de Philippe Streiff, que vinha sempre surpreendendo nos treinos das outras corridas.

Em Montreal a coisa não é diferente, ele logo colocou seu carro em 10º lugar para o corrida, no meio de Nigel Mansell e Riccardo Patrese. A equipe ficava apreensiva para o domingo, já que essa poderia ser a melhor chance de pontuar. O tempo amanheceu bem, sem nenhuma probabilidade de chuva, e com grandes chances de Streiff surpreender.


A largada foi boa para o francês, que evitou qualquer incidente e manteve a 10º colocação. Na 8º volta ele passou pela Arrows de Eddie Cheever e assumiu a 9º colocação, ainda faltavam algumas posições para ele chegar no tão sonhado 6º posto. Mas isso foi fácil, já que Berger, Nannini, Mansell e Alboreto abandonaram, colocando-o na fantástica 5º colocação.

Isso não era tudo, ele ainda atacava Nelson Piquet, que tinha uma Lotus com motor turbo, mas um carro muito desequilibrado em ralação ao AGS de Streiff, que não queria perder tempo, atacando zebras e usando toda a pista para tentar passar pelo brasileiro, que a partir da volta 41 não precisou mais se preocupar, já que, infelizmente, Philippe acabou quebrando a suspensão...

Era o fim de uma das maiores, senão a maior, chance da AGS e Philippe Streiff de pontuarem. Mas ainda havia o GP de Detroit, onde tudo estava falido, menos Henri Julien... Nos treinos Streiff sempre andam beirando os dez primeiros, e por isso acaba largando em 11º, uma posição que não é tão ruim para uma corrida que prometia muitos abandonos.


Nas ruas norte-americanas Streiff largou bem e foi ao ataque de nada menos nada mais do que Nelson Piquet, e mais uma vez arriscava tudo para tentar passar o brasileiro, que cedeu ao ataque de uma AGS. Logo Philippe estava perto de entrar nos lugares pontuáveis, mas enquanto estava pressionando Derek Warwick, o francês perdeu o controle e acabou batendo num dos vários muros da pista de Detroit. Era o fim de mais uma grande chance de pontos, especialmente por terem apenas 9 carros completando, e equipes como Rial pontuando, mas é claro, poque o piloto era o MITO.

A partir de agora a AGS deveria se segurar da cadeira, sem muito dinheiro, a equipe não imaginava trazer muitas atualizações durante a temporada européia, que começava em Paul Ricard, o quintal da equipe. Tudo já começou a ficar ruim quando Streiff só conseguiu um 17º posto no grid de largada. No domingo o francês fez uma coisa que não era normal de se fazer, largar mau, ficando sempre entre os últimos e disputando posições com uma EuroBrun e uma Larrousse. Tudo acabou na volta 20, com uma vazamento.


Naquela época a pista de Silverstone ainda era um "oval-quadrado" basicamente, e com isso a AGS estava desfavorecida na corrida. Nos treinos Streiff enfrenta vários problemas no carro, mas mesmo assim arranco um 16º posto para o grid de largada, isso já não era mais uma coisa tão boa, já que no início do ano o JH23 disputava pelo TOP TEN.

No domingo a chuva apareceu, e as chances aumentaram, já que a maior parte dos carros era turbinados e na chuva isso piorava. Mas a maior parte da equipes que usavam motores aspirados eram do nível da AGS ou pior, fazendo que tudo se nivelasse. Na corrida Streiff não resiste nem á 10 voltas, já que na 8º acabou quebrando a asa de seu carro.


Agora a temporada já entrava na sua parte final, e era na Alemanha que isso se iniciava, uma pista que pouco favorecia equipes com um motorzinho aspirado em comparação a equipes de um motorzão turbo. Mesmo assim Streiff se coloca na 16º colocação, abrindo a casa daqueles pilotos que tomara 7s de Ayrton Senna.

Numa prova estranha, com 18 pilotos terminando, um milagre para a época, Philippe Streiff pouco teria chances de conseguir alguma coisa, mas seria melhor completar o GP do que abandonar. Coisa que o francês fez, na volta 8 ele acabou perdendo o controle de seu AGS e rodou. Esse era o fim de mais uma corrida para Streiff que já estava cansado de tanto abandonar.

Nos treinos para o GP da Hungria, uma tragédia, Streiff se classifica na 23º colocação, um mico apra uma equipe que chegou a disputar posição com um piloto do nível de Nelson Piquet. Sem muitas aspirações para a corrida, Philippe fez uma largada apagada, e até a volta 8 pouco apareceu na corrida, até que ele conseguiu bater com Pierluigi Martini da Minardi.


Agora tudo iria mudar. O principal patrocinador da equipe, a Bouygues acabou pulando fora daquele barco que milagrosamente ainda estava a funcionar e não afundar. Com isso a equipe perdeu a maior parte da renda que era recebida, e as coisas piorariam ainda mais até a corrida na Bélgica. A Coloni estava fazendo sua primeira temporada completa, e queria mais folego para sua equipe que já tinha Gabriele Tarquini como piloto.

Então eles devem ter pensado, "se já estamos querendo buscar funcionários para crescer, por quê não pegamos de uma equipe do nosso mesmo nível para logo destabilizarmos ela e pegarmos o lugar dela?" As propostas foram para Christian Vanderpleyn, Michel Costa e Fréderic Dhainault, que aceitaram, isso mesmo aceitaram, todos eles acabaram saindo da AGS e foram para a Coloni.

Para piorar a situação da AGS, semanas depois seria dado um rumor de que Philippe Streiff estaria abandonado a equipe e estava a caminho de adivinha quem? Coloni! Seria quase o fim do mundo para Julien, que por sorte viu seu piloto ir a público anunciar que tudo aquilo era mentira, e seu desejo era ficar mais um tempinho com o pessoal "ageésiano".


Mas antes desse rumor vim a tona, aconteceu o GP da Bélgica, no belo e magnifico Spa-Francorchamps. Nos treinos Streiff tendo seu novo carro, agora completamente azul e um pouco pelado, colocou a AGS na 18º colocação, que já era bom em relação aos acontecimentos das últimas semanas. Por sorte, Philippe Streiff estava com a cabeça no lugar naquele fim-de-semana, sabendo que a situação de Julien era feia, o piloto evitou exagerar no domingo.

Depois de uma ótima largada, Philippe não tinha carro para conseguir chegar perto do TOP TEN, que por sorte veio após ele cruzar a linha de chegada em 12º. Com a desqualificação das duas Benetton, Streiff conseguiu ficar com a 10º colocação, que era incrível para uma equipe que estava sofrendo como a AGS, que voltou a terminar uma prova depois de vários meses.

A próxima corrida seria na Itália, onde Streiff pouco teria chance de surpreender novamente. Nos treinos mais um vexame, outro 23º posto para o francês que evitou qualquer incidente na prova. O domingo era de sol numa prova em que nenhuma McLaren venceu e mais uma vez a AGS não terminou, com problemas na embreagem Streiff foi obrigado a parar na volta 31.


Agora faltavam apenas 4 provas para o fim da temporada de 1988, que tinha Ayrton Senna e Alain Prost disputando o título, enquanto Berger já estava praticamente garantido na 3º colocação. Agora a corrida era no Estoril, em Portugal, onde as coisas para AGS não melhoraram muito, tendo seu piloto partindo da 21º colocação.

Em um domingo de sol, a AGS funcionou bem, mesmo sem Streiff fazendo uma prova incrível, a equipe comemorou aquele 9º posto conquistado pelo francês ao fim de 68 voltas. Aquele 9º lugar valeu um gostinho bom na boca da equipe, que mostrou que mesmo sem 4 bons nomes ela superava ainda a Coloni, que prometia vim com tudo para a temporada de 1989, até mesmo com um antigo "desafeto" de Julien, Roberto Moreno, aquele que poderia surpreender a todos com um carro amarelo em 1989.


Agora vinha o GP da Espanha, disputado em Jerez, uma pista boa para a AGS. Com um desempenho incrível, Philippe Streiff fez uma coisa fantástica, disputar o TOP TEN novamente, isso mesmo, disputar, e mais uma vez falhar ao tentar entrar entre os 10 primeiros, mas aquele 13º posto já era motivo para sorrisos maiores do que de Ricciardo.

Na corrida Streiff tenta de tudo para fazer mais uma performance fantástica, mas ele acabou forçando muito o motorzinho aspirado da Ford, que não aguentou e estourou na volta 16. A disputa do campeonato esquentava, enquanto a AGS tentava conseguir algum ponto nas últimas provas que agora viriam, em Suzuka e em Adelaide, que trazia bos lembranças para a equipe de Henri.


Philippe Streiff se classificou em 18º para o GP do Japão, e mais uma vez fez uma bela largada, disputando posição com Ayrton Senna, isso mesmo Ayrton Senna. A corrida ainda prometia para o francês, que saiu de qualquer incidente e conseguiu ao fim de 50 voltas um 8º lugar, isso mesmo um 8º lugar. A melhor posição da AGS naquele ano era um 8º posto que tinha acabado de ser conquistado por Philippe Streiff.

Ayrton Senna já era campeão, e a maior parte da tabela já estava decidida, mas a AGS ainda queria marcar pontos, e a última prova trazia boas lembranças para a equipe de Julien. Nos treinos Philippe Streiff batalha novamente contra o fraco carro da AGS, que ainda era bonito apesar da falta do laranja, com aquele azul que fazia qualquer um babar.


O francês marcou 1:21.262 e largaria em 16º, uma posição que pouco favorecia qualquer pontuação, mas aquela pista era nas ruas de Adelaide, e tudo poderia acontecer, a menos que a edição de 1988 foi uma das mais chatas disputadas nas ruas da cidade. A corrida estava sendo boa para o francês, que beirava os lugares pontuáveis após disputar com pilotos como Warwick, Boutsen e de Cesaris.

Mas a AGS viu seu carro falhar mais uma vez, agora com problemas elétricos Streiff teve de abandonar quando o ponto poderia vim. Ele estava em 7º, e mais tarde de Cesaris que era o 6º acabaria sem combustível, era triste ver a o rosto de todos que estavam dentro dos boxes da AGS, que perdia a chance de ver seu piloto pontuar pelo menos uma vez no ano. Essa infelizmente foi a última corrida de Philippe...

Philippe Streiff terminou em 21º no Campeonato de Pilotos. A AGS terminou em 13º no Campeonato de Construtores, ambos com nenhum ponto.

Imagens tiradas do Google Imagens

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