segunda-feira, 4 de maio de 2015

Equipe Memorável 30# - Automobiles Gonfaronnaises Sportives - Parte 4


Acabou a temporada de 1987. Apenas o fim e o começo da época foram boas para a equipe de Julien, que agora precisava arranjar algum piloto para 1988. Essa era a única preocupação da equipe, mas dai eles perceberam que mesmo com a FOCA pagando as despesas de viagem, eles teriam um grande problema: a El Charro havia abandonado eles, deixando o carro completamente branco. Aquilo era uma tragédia para Julien, que conseguiu ter o apoio do... governo francês, coisa que melhorava a situação, mas também piorava... o governo exigia um piloto francês na equipe que tinha Roberto Moreno quase certo para o ano seguinte.

O brasileiro ficou esperando as férias inteiras para receber alguma ligação de Henri Julien, para fazer testes com o novo carro, que "ineditamente" seria feito do zero. O tempo passou e passou, e a ligação não veio, até mesmo quando os testes começaram. Preocupado, Moreno ligou para Julien, que simplesmente o chamou para um conversa na França, mas o brasileiro avisou que quem deveria pagar a passagem era o francês, que não hesitou.


Quando chegou na terra de Zizou, Moreno encontrou Julien e recebeu más notícias... não era o "falimento" da equipe, mas sim uma coisa pior, o francês falou na lata: "Você não é mais nosso piloto titular", apenas isso no começo, mas depois ele explicou melhor a situação, o porque da escolha era óbvia, o brasileiro não havia trazido patrocínio e a El Charro havia desistido da equipe, e o governo francês pressionou eles para a escolha de alguém francês.

Tarde do dia 17 de fevereiro de 1988, a AGS anuncia seu piloto para a temporada de 1988 da F-1, um piloto que não era novo para Julien, que ficou feliz pelos patrocínios da Elf, Tennen e Bouygues vindos de Philippe Streiff. Philippe não era um piloto tão ruim, mas também não era nenhum Alain Prost, tinha boas chances de conseguir algum resultado expressivo com a equipe, mas só se o carro ajudasse.


Em falar em carro... o JH23 era muito mais bonito do que os seus antecessores, mesmo sendo totalmente branco, o carro havia sido totalmente modificado, dando ares de ser um veiculo leve, diferentemente de carros como o da Ferrari ou da Dallara. As mudanças de regulamente haviam sido feitas em pró da seguranças, mas contra á AGS, que teve que arrumar seu carro de acordo com o possível para correr, seja nos quesitos seja para seu piloto, que era um dos mais altos do grid.

As mudanças foram feitas, e faltavam um pouco mais de uma semana para o início da temporada. Todos foram para Paul Ricard para testar, mesmo que seja um pouco, o JH23. Streiff deu apenas algumas voltas com um carro que tinha o motor Ford Cosworth DFZ 3.5 V8 e os pneus da Goodyear. A "pré-temporada" da equipe acabou, e pelo que eles perceberam as coisas não seriam tão terríveis na temporada.


Já no Rio de Janeiro, a equipe teve que arrumar dois problemas, o patrocínio da Bouygues não havia estado no carro em Paul Ricard, e com isso eles tiveram que arranjar alguns pequenos adesivos da marca pra colocarem no carro, que mais tarde trocariam de cor. O outro problema era com Roberto Moreno, que muito provavelmente está louco da vida por não correr na AGS em 1988 e ter que ficar mais um ano na F-3000. Roberto e François, um dos diretores da equipe, tinha uma pequena treta, o francês não havia pagado as passagens para Suzuka e Adelaide, e o brasileiro teve que armar sua equipe de advogados para conseguir o dinheiro, uma situação embaraçosa para a equipe.

A AGS tinha um motivo para sorrir no Rio, eles não precisariam participar da pré-qualificação na sexta, e já teriam boas chances de estar na corrida no dia 3 de abril. Não era esperado muito de uma equipe que fizeram poucas voltas, que nem sequer haviam sido cronometradas, nos treinos. A alegria da equipe era muito grande após o sábado, Streiff colocou sua AGS em 19º, isso mesmo em 19º, a frente de alguns bons nomes com bons carros.


No domingo, outro dia de sol, e uma boa prova para Streiff que vinha poucas posições abaixo do TOP TEN. Henri e sua equipe ainda torcia para mais abandonos para que seu piloto chegasse nos pontos, mas que acabou fora da corrida foi o próprio Philippe, que teve problemas nos freios na volta 32. Assim começou a temporada para a AGS, que não estava tão triste com abandono, e sim motivada para as próximas provas, quando seu piloto se consolidaria no meio do pelotão.

No fim-de-semana de 1º de maio, o GP de San Marino iria acontecer, e a equipe decidiu estrear a nova pintura logo em Imola, e que pintura... um dos carros mais bonitos, senão o mais bonito, da temporada de 1988, juntando um belo azul escuro com um laranja da Bouygues. Nos treinos Streiff surpreende, com o 9º lugar no Q1 sob chuva, o francês conquistou um 13º posto no grid de largada, uma grande conquista para a AGS.


Na corrida não houve chuva, mas mesmo assim as chances de pontuar não haviam sumido, com uma boa largada, Streiff ficou entre os dez primeiros até as últimas voltas, quando os problemas elétricos tiraram a chance de Philippe ter um bom resultado, mas mesmo assim ele levou a AGS até o 10º posto, uma conquista para a equipe e para o piloto.

A próxima prova foi em Monte Carlo, onde Streiff estava sentindo-se quase em casa, conquistando um 13º lugar no grid, mais um grande feito do piloto da AGS número 14. A esperança de pontos no domingo eram as mesmas do GP de San Marino, mas infelizmente ele acabou nem saindo do lugar quando as luzes verdes acenderam, com problemas no acelerador, ali acabava o fim-de-semana de Philippe.


No dia 28 de abril foi realizado os treinos para o GP do México, uma corrida que desfavorecia os carros com motores aspirados. Streiff colocou sua AGS na 19º colocação, que ainda era bom para uma equipe com a estrutura dela. Na corrida ele conseguiu andar perto dos 10 primeiros, mas acabou errando nas últimas voltas, onde ainda teve uma incrível reação terminando em 12º. Assim foram as primeiras provas da temporada de 1988 para a AGS.

Nos próximos dias... o resto da temporada para a AGS e Philippe Streiff, que viviam um sonho até aquele ponto.

Imagens tiradas do Google Imagens

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