sábado, 16 de maio de 2015

Equipe Memorável 30# - Automobiles Gonfaronnaises Sportives - Parte 7


Chegamos a parte 7 da história da AGS, com várias pesquisas e imagens diferentes eu quero chegar logo até 1991, mas a história dela é muito sofrida e tem muitos detalhes importantes, como o que aconteceu com Philippe Streiff na pré-temporada. A equipe estava abalada, e todos sabiam que seria impossível arranjar um piloto antes do GP Brasil.

Os rumores já estavam a solta, um deles era a volta de Jean-Louis Schlesser, odiado por muitos brasileiros desde o GP da Itália de 1988. Quem poderia figurar na equipe ainda em 1989 era Pascal Fabre, que fez uma temporada regular em 1987, mas jamais voltou a pilotar um F-1. Mas agora voltando para prova, Joachim Winkelhok teria a equipe toda a sua disposição. Ele teria uma tarefa difícil, passar da pré-qualificação na sexta de manhã, e caso falhasse a equipe já poderia voltar para casa antes mesmo do sábado.

O ano marcava a volta da Brabham, com dois bons pilotos, Stefano Modena e Martin Brundle e um carro ótimo no começo da temporada, ou seja, os dois primeiros lugares já estava garantidos. Apenas 5 carros passavam daquilo, agora faltavam apenas 3, teoricamente. A Onyx tinha Johansson e Gachot, um carro bonito, mas lento demais...


A Zakspeed desistiu de colocar seu próprio motor em um carro lento, agora que fornecia-os era a Yamaha, nada de muito especial. A Coloni só teria um carro na pré-qualificação e era de Raphanel, que sofreria para tentar passar para o treino oficial. A Rial teria Weidler, enquanto Danner já estaria nos treinos oficiais, o alemão dificilmente conseguira alguma coisa com o seu carro azul, já que ele estava no mesmo nível de Osella.

A Osella ainda tinha Piercarlo Ghinzani, que destruiu sua carreira na equipe azul, que vinha para 1989 com um belo carro branco. Nicola Larini sem dúvida era o melhor piloto da equipe, por isso seria o 3º para se classificar. A EuroBrun vinha com Gregor Foitek, nada de muito especial em questão técnica. E por último a Dallara de Alex Caffi, que sem dúvida ocuparia o TOP FIVE, por ter um carro equilibrado e ser um ótimo piloto.

O alemão teve vários problemas em seu AGS, e o tempo não foi aquela coisa, 1:32.982, o que o deixava em 10º e mais de 5s atrás do tempo de Brundle. Para vocês terem uma ideia, esse tempo tomaria quase 10s da pole de Ayrton Senna. Com isso, Joachim voltaria com a AGS para Gonfaron, onde eles deveriam mexer no carro, que ficou para trás em relação ás outras equipes.


Agora a equipe só estava buscando um primeiro piloto para o GP de San Marino, e que piloto seria? Pascal Fabre? Jean-Louis Schlesser? Não! Eles se lembraram de Gabriele Tarquini, isso mesmo, Gabriele Tarquini, Lembraram do italiano que seria piloto da FIRST, equipe que nem sequer saiu do papel, e um ano depois virou Life, daquilo que sobrou no papel....

Agendaram um teste em Imola, mas a equipe estava muito ansiosa para arranjar um piloto logo, e não queria perde-lo a nenhum custo, então, mesmo sem o teste, o contrataram já para a corrida seguinte, no mesmo circuito de Imola. Agora a equipe tinha alguém garantido na corrida, ele era Gabriele Tarquini, colocado no lugar de Philippe Streiff, enquanto Winkelhock ainda batalharia para tentar andar nos treinos oficiais

Na pré-qualificação pouco mudaria, com ambas as Brabham dominando, enquanto pilotos como Larini e Caffi sem dúvida conseguiriam a classificação. Para piorar, Joachim teria problemas no câmbio e teria que pegar o carro reserva, coisa que ele fez rapidamente, mas mesmo assim ele acabou na miserável 9º colocação, agora as preocupações da AGS seriam em melhorar o carro para Tarquini.


No sábado o italiano voou com a AGS e colocou ele na frente de Martin Brundle e uma posição atrás de Stefano Modena, tomando quase 4s de Ayrton Senna, mas ainda sendo um ótimo 18º posto. Gabriele largou bem e manteve a sua posição por uma boa quantidade de voltas, até que começaram os primeiros abandonos, que o ajudaram a terminar numa marcante 8º colocação, mostrando que o carro havia evoluído em termos de confiabilidade, ou será que era o piloto, que não forçava muito.

Depois da corrida veio a notícia da desclassificação de Boutsen e Caffi, que foram dedurados pela Ligier por terem trocados os pneus enquanto a prova estava paralisada. Com isso, Tarquini marcava seu primeiro ponto, e logo com a AGS. Essa bagunça foi resolvida só depois do GP monegasco, com o belga e o italiano sendo "desdesclassificados" e voltando a figurar na 4º e 7º colocação.

Em Mônaco, Joachim Winkelhock paga mico, e já começava a manchar o nome Winkelhock no automobilismo, especialmente na F-1. Ele marca 1:32.274, quase 10s mais lento que Ayrton e mais de 4s mais lento do que Modena, o mais rápido da pré-qualificação. Ele foi o último colocado, e com isso a equipe teria que se concentrar, novamente, em Gabriele Tarquini.


Depois de fazer um ótimo Q1, Tarquini não manteve o mesmo desempenho no Q2, mas ainda estava na 13º colocação, uma posição respeitável para uma equipe que perdera seu principal piloto semanas antes. No domingo o carro estava com problemas elétricos, e isso era uma tragédia para uma equipe que viu seu piloto lamber o TOP TEN. Mesmo assim Tarquini largou e fez o possível, com um carro que voava com uma McLaren nas retas, mas ia lento em curvas como uma EuroBrun.

A pista de Mônaco já é difícil de conseguir uma ultrapassagem, por isso Tarquini só esperava ver o resto do grid abandonar enquanto segurava Alex Caffi com sua Dallara. Lá estavam ambos os italiano, na 5º e 6º colocação respectivamente, era um sonho da AGS acontecendo no GP de mais glamour no mundo. Ainda faltavam um pouco mais de 30 voltas, e Tarquini estava alí, batalhando com um carro com problemas elétricos.

Na volta 46 ele não resistiu e parou, os problemas elétricos tiraram de Tarquini um 5º posto. Alex Caffi com isso subiu para a 5º colocação, que nas últimas voltas se tornaram um 4º lugar com os problemas de Martin Brundle. A tristeza era terrível nos boxes da AGS, que perdeu a chance de conseguir um 4º lugar, isso mesmo, 4º lugar...


A próxima corrida agora era no México, onde equipes que usaram motores turbo desde 1983 e 1984 teriam que sofrer o que as equipes que usavam aspirados sofreram desde 1986. Na pré-qualifica, nada de muito diferente, inclusive para Winkelhock, que só foi mais rápido do que a Coloni de Raphanel, já era uma evolução de um último lugar...

Nos treinos oficiais, Gabriele teve muito azar, mesmo assim conseguiu um 17º lugar, mas ainda poderia colocar seu carro perto do TOP TEN. Na corrida uma boa largada era tudo o que eles queriam, coisa que Tarquini conseguiu fazer, colocando-se em 13º lugar. Agora, como em Mônaco, era só esperar os abandonos, que vieram em massa.

Quase 20 voltas antes do fim, Tarquini era 6º, com pneus macios que surpreenderam por terem resistido. Alain Prost fez uma parada e voltou na 6º colocação, deixando o italiano em 5º, era um sonho novamente sendo realizado para a AGS, que viu seu piloto aguentar um pouco a pressão de uma McLaren, que poucas voltas depois já superou Tarquini, mas nada mau...


Ao fim de 68 voltas lá estava Tarquini, em 6º lugar, oficialmente conquistando seu primeiro ponto na categoria. A alegria na equipe era muito grande, de um lado estava um grande piloto, que teria feito uma ótima dupla com Streiff, e do outro estava um piloto feio e ruim, que manchava o nome de sua família, pelo menos na F-1.

Agora eu me pergunto: "Como seria a AGS se ela tivesse uma dupla Philippe Streiff e Gabriele Tarquini?" Para vocês, daria certo isso? Poderia sair mais pontos dessa dupla? Por mim sim, ambos eram/são ótimos pilotos, que infelizmente nunca tiveram chance em uma equipe de ponta, a ponto de Tarquini ser o piloto com mais DNQ na história da F-1...

Imagens tiradas do Google Imagens

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