sábado, 2 de maio de 2015

Equipe Memorável 30# - Automobiles Gonfaronnaises Sportives - Parte 3


Depois de uma primeira metade empolgadora, a AGS começaria a ter os primeiros problemas. O primeiro veio na Alemanha, e aquilo já era um alerta para as próximas provas da equipe, que nem sequer tinha atualizações no seu carro. Ela era uma, ou a única, equipe que não tinha dinheiro para atualizar o carro durante a temporada, mas pelo menos contrataram mais alguns funcionários para ajudarem no suicídio de Julien e Fabre.

A próxima prova seria na Hungria, que teria seu segundo GP. A AGS veria seu carro largar em último mais um vez, com um tempo enorme de diferença para o penúltimo colocado. No domingo, Pascal não teve muito o que fazer na corrida, com um carro ultrapassado ele só terminou na frente de Nigel Mansell, e não por mérito dele, e sim por causa do problema do britânico que ficou uma volta atrás do francês, que cruzou a linha de chegada em 13º, 5 voltas atrás de Nelson Piquet. Depois desse resultado, Pascal ficou dez pontos atrás de Streiff no Troféu Jim Clark.


Pouco imaginava Fabre, que aquela corrida seria sua última completada na F-1. Semanas depois, o circo chegava na Áustria, em um circuito magnifico que era o Österreichring. Nos treinos Pascal tomou 17s do pole, isso mesmo, 17s de Nelson Piquet. A sorte da AGS era que a Coloni não havia estreado ainda, e nenhuma equipe quis inventar de colocar mais algum carro.

O domingo amanheceu ensolarado, e na tarde continuaria a ser assim, prometendo boa prova, coisa que se cumpre apenas pela largada. Na primeira, uma confusão causa a bandeira vermelha, e Pascal sai ileso. Na segunda largada, mais confusão com Nigel Mansell largando mau com problemas no câmbio seguido por uma série de acidentes que é quase impossível descrever, com Fabre voando para cima de alguns carros.


Para a sorte de Pascal, a equipe tinha um carro reserva, que foi usado por ele que largou nos boxes na terceira e última largada. A corrida teve 52 voltas, que foram completadas pelo vencedor Mansell, e para se considerar classificado precisaria completar 47 voltas, coisa que Fabre não fez. Para a tristeza da equipe, o francês não teve chances de terminar a prova, completando apenas 45 voltas.

A situação da equipe era terrível naquele momento, especialmente com Pascal Fabre que não estava conseguindo nem guiar aquele carro. Um dos diretores da equipes, Fréderic Dhainault, foi até Pau, onde aconteceria mais uma prova da Fórmula 3000. Lá ele encontra um conhecido, Roberto Moreno, que deu um show de pilotagem. Por isso, Fréderic ofereceu uma chance para estrear na F-1 pela AGS ainda naquele ano, mas a resposta foi negativa, Moreno estava muito focado na F-3000.


A AGS ficara apavorada mais ainda após a El Charro á dizer que se ela não tiver melhorado até o fim da temporada, eles deixariam a equipe. Fabre tinha uma tarefa difícil a cumprir, manter o principal patrocínio na equipe, e essa tarefa ficaria mais difícil em Monza, onde a Coloni estrearia com Nicola Larini, e a  Osella colocara mais um carro no grid, com isso dois carros não participariam da prova.

A AGS tinha total confiança em fazer melhor tempo do que a Coloni de Larini, mas participar da corrida seri mais difícil, com a Osella tendo um carro muito mais desenvolvido. Para piorar, Pascal fez um tempo pior do que o de Larini, não se classificando para a prova em Monza, sem dúvida um mico total da AGS, que mau viu uma nova equipe estrear e já estava mais lenta do que ela.


A próxima corrida seria em Portugal, e a El Charro forçava a AGS a ter um belo desempenho em alguma dessas provas, por isso a equipe nem estava mais preocupada com o resultado dos trofeis Jim Clark e Colin Chapman. No Estoril, a Osella mantém Franco Forini, enquanto a Coloni abdica de participar da prova, deixando apenas um carro não se classificar, e que carro foi? Pascal Fabre com sua AGS. Mais uma vez estavam fora de uma corrida não F-1, e a pressão aumentou...

Haveria apenas 7 dias até o GP da Espanha em Jerez, e mesmo assim a AGS conseguiu chamar Moreno para um teste em Paul Ricard, com uma equipe de dois engenheiros e um mecânico. Quinta-feira, dia 24 de setembro de 1987, Roberto Moreno sai para dar algumas voltas com o ultrapassado JH22, e segundo ele mesmo: "Só mexendo em amortecedor, mola e sistema de uso de borracha, consegui melhorar o carro em uns 4 segundos". Parece exagero, mas não era.


O brasileiro foi 3 segundos melhor do que o melhor tempo de Fabre, e quase foi melhor do que o tempo de Alliot da Larrousse. Ainda em Paul Ricard, mas no dia 25, Roberto fez o melhor tempo de um carro aspirado no circuito até naquela época, era um feito incrível que a pequena equipe da AGS viu Moreno fazer com poucas mudanças, que foram contatadas para a equipe principal que estava em Jerez com Fabre. O time chegou a contar ter dois carros correndo na Espanha, mas o brasileiro teria mais uma prova da F-3000...

Com essas modificações veio o resultado com o próprio Fabre, que sinceramente não era um piloto ruim, só não sabia fazer as mudanças necessárias no carro. O francês tirou as duas Osellas da prova e superou Larini na última fila, largando em 25º, um resultado fantástico. A animação era tão grande que o francês deixou para trás vários carros na largada, mostrando que ainda havia chance de conquistar um TOP TEN, mas a alegria acabou na 10º volta com Fabre tendo problemas no clutch.


Com esse fim-de-semana deu para perceber que uma dupla Moreno e Fabre seria uma ótima escolha para a temporada seguinte, já que o orçamento ainda não possibilitava dois carros. No México as chances eram pequenas, com os motores aspirados tendo problemas com a altitude. A Osella teria apenas 1 carro no fim-de-semana, mas ainda haveria uma vaga para alguém não se classificar.

Pascal tentou, tentou e tentou, mas não conseguiu colocar sua AGS na corrida de domingo, fazendo a pressão da El Charro voltar com tudo e com mais "objetivos a serem alcançados", a equipe teria que conseguir se classificar em Suzuka e em Adelaide, uma missão quase impossível para Fabre com sua AGS ultrapassada. O último pedido foi feito a Moreno, usando todas as desculpas possíveis, a AGS conseguiu arranjar o brasileiro para as duas últimas provas.


Pascal ficou sem emprego após ser chutado da AGS, que contratou Moreno que tinha motivos para sorrir em Suzuka, tendo negociações com várias equipes e ainda com chances de correr em um carro que poderia o dar a alegria de andar na F-1 novamente. O circuito japonês estreava na F-1, e por isso nenhum piloto a conhecia, mas Roberto Moreno sim, ele já havia corrido ali anos antes.

Um carro não largaria, e esse era o principal medo da AGS, que sorriu aliviada após saber que Mansell não correria após seu acidente. Moreno se classificou em último e pouco teria o que fazer no Japão a não ser completar a prova, coisa que ele não conseguiu após abandonar na volta 38 com problemas elétricos. O próximo e último passo da temporada seria na Austrália, onde tudo já estava decidido a AGS ainda tinha que se classificar para manter a El Charro em seu carro.


No sábado, Roberto Moreno ainda temia não se classificar, já que um carro não participaria da prova, e esse carro foi Alex Caffi, enquanto o brasileiro ainda superou a Minardi de Adrian Campos, mostrando que o carro havia melhorado. O domingo era de sol, e as expectativas mostravam mais uma prova com vários abandonos.

Roberto largou bem, e superou Ghinzani e Danner e foi em busca de outras posições em uma corrida que ele foi agressivo sem prejudicar o frágil JH22, que milagrosamente resistiu aos abandonos das outras equipes. O TOP TEN já estava garantido depois do abandono de Piquet, mas o que veria a seguir não era nem um pouco esperado.


Faltando poucas voltas, Patrese e de Cesaris tiveram problemas e abandonaram, deixando Moreno em 7º e a frente de Danner. Era o que a equipe queria, e isso ficaria melhor ainda caso alguém dos pontuáveis tivesse problemas nas últimas 3 voltas, coisa que não aconteceu quando Moreno cruzou a linha de chegada em 7º. O resultado era comemorado de qualquer maneira por toda a equipe, que mantinha a El Charro e tinha um grande piloto.

Horas depois veieram os resultados oficiais, e quem aparecia em 6º era Moreno, isso mesmo, Roberto Moreno da equipe Automobiles Gonfaronnaises Sportives havia terminado em 6º, três voltas atrás de Berger. Quando foram buscar o erro... viram que Ayrton Senna havia sido desclassificado. A notícia chegou rapidamente para a equipe e ao mundo, que viu a AGS pontuar pela primeira vez de uma maneira fantástica.


Assim acabava a temporada de 1987 da AGS, que mais sorria e comemorava do que se preocupava com a sua classificação nos "mini-trofeis". Os resultados finais da época dava o título á Nelson Piquet, com Mansell em 2º e Ayrton em 3º, mas o que importava mesmo era ver o piloto que havia terminado em 21º, Roberto Moreno com 1 pontinho, enquanto Fabre aparecia em 25º com nenhum. A AGS terminara em 12º, a frente da March, da Minardi, da Osella e da Coloni.


No Troféu Jim Clark, Palmer foi o campeão com 95 pontos, enquanto Streiff era segundo com 74 e Alliot o terceiro com 43. Pascal terminou em 5º com 35 pontos, enquanto Roberto ficou em 6º com 4. No Troféu Colin Chapman o título ficou com a Tyrrell que conquistou 169 pontos, muito mais do que os 41 da AGS, a terceira colocada


Agora ela ia atrás de pilotos para a temporada de 1988...

Imagens tiradas do Google Imagens

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