terça-feira, 28 de abril de 2015

Equipe Memorável 30# - Automobiles Gonfaronnaises Sportives - Parte 2


Depois de contar a história da AGS nas categorias de base, chegou a hora de falar sobre sua passagem na F-1. A estreia estava marcada para o dia 7 de setembro de 1986, no GP da Itália em Monza, tudo estava certo, piloto, pneus e motor já estavam confirmados como "fornecedores" da equipe para as duas únicas provas dela na temporada, já que o orçamento impossibilitava a viagem para México e Austrália.

Lá estavam todos, no grid de largada naquele domingo, Ivan Capelli havia se classificado na 25º colocação, uma posição nada mau em comparação ao 26º de Ghinzani e 27º de Caffi, ambos da Osella, a única equipe que a AGS poderia combater. Na largada, Capelli escapou de qualquer confusão que poderia destruir o sonho de Julien.


O italiano que estava no carro número 31 fez uma prova regular, se mantendo a frente dos "grandes rivais" da equipe, a Osella de Ghinzani e de Caffi, que não tinham carro nem sequer para ultrapassar a equipe estreante, que ia em busca de um milagre, algum ponto seria uma conquista que seria comemorada como um título. Infelizmente para a AGS, o carro não resistiu as retas de Monza, e milagrosamente o problema não era no motor e sim nos pneus Goodyear, que estouraram deixando Capelli perder aquele 13º posto.

Depois de um abandono, que não foi muito triste porque já estava de bom tamanho para uma equipe de estrutura semelhante á dela, eles partiram para o Estoril, para a disputa do GP de Portugal de 1986. Na sexta, Ivan surpreende após marcar um tempo mais rápido do que uma Brabham, a de Derek Warwick, que se classificaria em 12º, uma posição muito melhor do que a 25º colocação novamente obtida pela AGS.


Na corrida, os objetivos continuam os mesmo, se manter a frente das Osellas, e dessa vez ele é cumprido melhor ainda, se mantendo á frente da Zaks de Huub Rothengatter. A alegria da equipe acabaria na volta 6, quando a transmissão teve problemas impossibilitando a continuação de prova para Capelli, que não estaria mais ao lado de Henri em 1987, já que ia para a March.

A temporada de 1986 já havia acabado para a AGS, mas ela ainda tinha muito trabalho pela frente, desenvolver um carro para a época seguinte e arranjar um "piloto-suicida" que aceitasse andar nessa carroça, pelo menos era melhor do que estar na Osella, que ia de mal á pior. A equipe era francesa, e muitos de vocês sabem que as equipes francesas sempre tem preferencia para pilotos franceses, por isso não seria surpreendente ver algum novato pilotando o carro. A busca não foi tão complexa, já que encontraram o velho e bom Pascal Fabre, que era aquele tipo de piloto meia-boca.


Naquela época, muitos já estavam a ser preparar para a temporada de 1989, ano que os motores aspirados seriam obrigatórios, e para incentivar as equipes para começarem seu desenvolvimento, acabaram criando o Troféu Jim Clark, para o melhor piloto que usava um carro aspirado, e o Troféu Colin Chapman, para a melhor equipe que usava motores aspirados.

A ideia não interessou as equipes grandes, e não era de imaginar que as equipes pequenas iriam aderir ao novo campeonatinho da F-1. A Ford Cosworth era a mais famosa marca que fornecia os motores aspirados naquela época, e por isso ela equipou as equipes: AGS, Tyrrell, March, Lola e Coloni, que disputariam um "campeonato de peso". A favorita entre elas era a Tyrrell, e os pilotos que mais teriam chance de ser esse campeão sem grife eram Philippe Streiff, Jonathan Palmer e Ivan Capelli.


A contratação de Fabre foi feita muito tarde, já que o piloto estava de olho na vaga da Ligier, que escolheu Ghinzani. Havia pouquíssimo tempo para o dia 12 de abril, a estreia do campeonato de 1987, por isso o carro não foi bem desenvolvido, na verdade ele já nasceu assim... O chassis do Renault de 1983 foi pouco modificado pela gigantesca equipe da AGS, que continha Christian Vanderpleyn, Gérard Moreau, Philippe Leloup, Christian Martel e Jean Silani.

Já estava quase tudo pronto para o inicio da temporada, que seria a primeira completa da equipe. Até mesmo os patrocinadores já estavam certos para 1987, era a El Charro, que continuava colando seus "belos" adesivos no branquelo da AGS. Com esse "mantimento" do patrocinio, chegou a ser cotado a compra da equipe, mas isso era apenas um rumor que rodava a França.


Em um dos únicos testes da AGS para a temporada de 1987 foi em Paul Ricard, onde ela também apresentou seu novo carro com seu novo piloto. Nos testes Pascal tomou mais de 5s de Streiff, o melhor dos pilotos com motor aspirado, que por sua fez eram 5s mais lentos do que os turbos, que equipariam o resto do grid.

Eles chegaram no Rio para uma prova, que teria apenas duas equipes competindo para o Troféu Colin Chapman, já que a March de Ivan Capelli não conseguiu largar. A chance de um ponto ser conquistado naquela prova era boa, já que o sol escaldante novamente reinava em Jacarepaguá, que viu apenas uma equipe francesa alinhar, a própria AGS, já que a Ligier tivera problemas com seus motores Alfa e a Larrousse não conseguiu preparar-se a tempo.


Pascal largou em último, já que Ivan Capelli não conseguiu fazer a largada, o piloto francês largou e completou, milagrosamente, as 61 voltas, quer dizer as 55 voltas possíveis. Pascal havia conquistado um 12º lugar logo atrás das Tyrrell, que lideravam os Troféus Dos Aspirados. Fabre fez uma atuação digna de aplausos, por ter levado uma carroça com problema no câmbio e um motor que mais estourava do que andava até o fim da corrida.

Depois do calor infernal do Brasil, os pilotos e as equipes foram para San Marino, no circuito de Imola, para mais uma corrida no Enzo e Dino Ferrari. Nos treinos, Pascal Fabre não tem um dos melhores desempenhos, e largaria na última fila do grid, já que a Ligier voltou, a Larrousse se ajeitou e também esteve lá e a Osella decidiu colocar mais um "piloto-suicida" naquele fim-de-semana, Gabriele Tarquini.


Para a sorte de Fabre, dois carros não largariam, era a Williams de Piquet e a Ligier de Arnoux. A corrida foi marcada por apenas um incidente com o piloto da AGS, quando ele rodou na frente de vários carros na Rivazza, essa rodada assustou as duas Tyrrell que vinham logo atrás, mas conseguiram evitar o choque, deixando Fabre terminar a corrida na 13º colocação, mantendo-se na 3º colocação no Troféu Jim Clark e deixando sua equipe ainda em 2º.

Semanas depois era a vez da prova em Spa, na Bélgica. Fabre se classificou em 25º a frente apenas da Ligier de Caffi, que teve problemas no sábado. No domingo, mais uma prova normal para o francês, que percebeu que seu carro era pior do que a Larrousse e a Tyrrell, que disputariam o título. Pascal deveria ser apenas regular, coisa que ele manteve-se a ser na Bélgica, terminando em 10º, naquele que era o terceiro pódio seguido dele....

Um carro que é lindo sem ser vulgar....

No Mônaco, Fabre foi o mais lento de todos já que Danner foi excluído, mostrando que a equipe deveria batalhar caso não quisesse ser superada pela March, e futuramente pela Coloni, quando ela estreia-se... No final da prova, mais um terceiro posto para Pascal, que era o 3º colocado no Troféu Jim Clark, deixando a AGS em 2º no Troféu Colin Chapman. Na corrida em si, Fabre ficou apenas com um 13º lugar.

A próxima corrida era em Detroit, outra prova em que o calor era marcante. Nos treinos, Fabre larga em último novamente, e mais uma vez faz uma prova regular, terminando na 12º colocação, que era comemorada com alegria nos boxes da AGS, que pela primeira vez via seu piloto terminar em 2º em uma prova do Troféu Jim Clark. Esse resultado também foi bom para a equipe, que se livrou da principal ameaça que era a Larrousse no Troféu Colin Chapman, que estava quase vencido pela Tyrrell...

Paul Ricard ficava no quintal da sede da AGS...

As equipes e os pilotos chegaram em Paul Ricard, onde faria mais uma prova válida pelo GP da França. Correndo em casa, a equipe pagou mico ao lado de seu piloto, que largou em último e terminou em último, mas a alegria ficara por causa do campeonato sem grife, em que Fabre era terceiro após mais uma prova no pódio, e a AGS era segunda, depois de ver a Larrousse não conquistar mais nenhum ponto.


Depois de ter pagado mico no quintal, a AGS também não tinha muito o que sonhar para Silverstone, onde, mais uma vez, Fabre colocou seu carro na última posição do grid, que acabou não sendo o local em que ele alinhou na corrida, já que Ghinzani havia sido excluído da prova. O objetivo mais uma fez era terminar a corrida, coisa que eles conseguiram novamente, pela 7º prova consecutiva. Fabre "voou" em busca daquele que foi mais um segundo lugar conquistado, já que Streiff havia estourado seu motor nas últimas voltas. Com isso o Troféu Jim Clark estava a ser disputado "acirradamente" por Palmer (42pts), Fabre (34pts) e Streiff (30pts). Enquanto isso, a AGS mantinha-se na segunda colocação no Troféu Colin Chapman, "apenas" 40 pontos atrás da Tyrrell.

A próxima corrida foi na Alemanha, no belo (e atualmente mutilado) circuito de Hockenheimring. O dia era 26 de julho, e os carros começavam a ter seus motores ligados para a prova que marcava o meio da temporada. Fabre se classificou em 25º, a frente de Caffi, que como qualquer outro piloto, sofreria com os problemas no motor na pista que tinha mais retas do que curvas.


Pascal estava pronto para fazer mais uma corrida regular, completado-a, mas infelizmente o motor Ford o trai na volta 10, deixando o piloto perder a chance de se aproximar de Palmer, que conquistou um 5º lugar, enquanto Streiff era 4º e Alliot 6º. Era um pesadelo para Henri, que perdeu a verdadeira chance de ver seu carro pontuar no verdadeiro campeonato da F-1.

Para piorar as coisas, Fabre perdeu a segunda colocação no "campeonatinho", enquanto a AGS teve que começar a se preocupar em uma provável aproximação da Larrousse. E para piorar mais ainda, a segunda metade da temporada não seria tão boa, e para piorar mais, vou conta-la outro dia para deixar aquele ar de suspense...


Por incrível que pareça, Fabre era o piloto mais regular de todo o grid, superando até mesmo Piquet, Mansell, Senna, Prost e Berger... E em relação á beleza do carro, ás vezes acho bonito, ás vezes acho feio, por isso para mim ela está meia-boca também...

Imagens tiradas do Google Imagens

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