segunda-feira, 27 de abril de 2015

Equipe Memorável 30# - Automobiles Gonfaronnaises Sportives - Parte 1

Henri Julien, fundador da AGS
Automobiles Gonfaronnaises Sportives foi uma equipe da F-1 sim, mais conhecida como AGS para alguns entenderem melhor. A equipe foi fundada por Henri Julien, que depois de algumas tentativas, desistiu de criar carros para competirem em categorias do automobilismo. Mas, em 1970, surgiu a Fórmula France, e isso motivou Julien a voltar para ao meio automobilístico como dono de equipe. Ao lado de Christian Vanderpleyn, a equipe ressurgiu das cinzas, e nada fez na categoria...

No seu segundo ano, a F-France troca de nome para Fórmula Renault. Mas a AGS não muda o desempenho, que piora a cada ano. Ela tenta em outras categorias, mas o desempenho também é medíocre. Na Fórmula 2 tudo muda, depois de algumas temporadas com uma pequena equipe, ela começa a crescer e se tornar uma das mais respeitadas da categoria.


As vitórias vieram sim, com Richard Dallest em 1980, quando o segundo piloto da equipe acabou abandonando a competição. Após um ano que empolgou todos na equipe, a temporada de 1981 não seria aquelas coisas, já que o carro era mais lento do que uma carroça. Depois de um ano terrível, Julien decide mudar, finalmente, na equipe, trocando Dallest por Pascal Fabre e Philippe Streiff.

O ano de 1982 foi surpreendente, com os dois estreantes, a equipe conquistou uma boa quantidade de pontos, e em uma das provas viu seus pilotos dividirem o pódio, essa era a evolução que a AGS queria... Mas, os problemas financeiros chegaram e dificultaram a vida da equipe, que se salvou por pouco graças á um patrocínio. Para a temporada de 1983, nada melhor do que esperar outro ano ruim, como fez em 1979 e 1981.


Mas para a alegria da dupla (Christian e Henri), o carro era bom, bom o bastante para Streiff leva-lo ao pódio 4 vezes. Esse bom desempenho deu para a AGS 3 grandes patrocinadores da França, um deles a Gitanes, aquela mesma, que patrocinava a Ligier, fazendo que os carros da equipe ficasse azuis. Para o ano de 1984, tudo se mantinha na maior calma, com Philippe atrás do volante da equipe.

Infelizmente, o dinheiro que fora investido no carro não era um dos maiores, já que uma gigantesca crise atingia a F-2, uma das categorias mais caras da época. Com isso, apenas uma equipe dominou o campeonato, essa equipe tinha Mike e Roberto, que por incrível que pareça, foram superados por Streiff em Brands Hatch, em um temporal que caiu no circuito inglês, fazendo que a prova fosse divida em 2 baterias, e na junção dos resultados, o francês colocara um minuto entre ele e Moreno.


Com a crise na F-2, dificultando a vida de muitas equipes, Bernie Ecclestone cria a Fórmula 3000, que substituiu a categoria que era a última antes de chegar na F-1. Infelizmente, a AGS não começou bem na categoria, tendo maus resultados e poucas provas terminadas, mas uma delas foi guardada com muito carinho. Depois de implantar atualizações no chassis, a AGS melhorou muito o desempenho para a corrida na Áustria.

No fantástico Österreichring, Streiff largou em 5º lugar, e até o termino da primeira volta estava em 2º. Voltas depois assumiu a liderança após passar por Danner, parecia que a equipe venceria no circuito austríaco, mas nas últimas voltas o AGS do francês começou a ter problemas, fazendo que Streiff perdesse rendimento e até mesmo o pódio, terminando em 5º.


Semanas depois, em Zandvoort, Philippe faria bonito também, largando em 7º largou muito bem e se tornou o quarto colocado. Na maior parte da prova, atacou Thackwell, que ainda tomou um "passão" de Streiff, que herdou a segunda colocação após a parada do 2º colocado. Nas últimas voltas, os três primeiros estavam colados, e a maior pressão estava em Streiff, que milagrosamente passou pelo líder. Era uma vitória quase consolidada da AGS, mas a pista secou, fazendo que o francês parasse nos boxes para mudar os pneus, e com isso caiu para a 3º colocação que ele manteve no resto da prova.

Para o ano de 1986 a equipe tinha outras ambições, ambições muito maiores para seu caminhãozinho, que participou não oficialmente da temporada da F-3000 naquele ano. A equipe Danielson comprou alguns chassis da AGS, e participou apenas de algumas provas, uma delas a de Pau, na qual um de seus pilotos surpreendeu a todos, inclusive por causa de sua idade. Com 35 anos, Richard Dallest voltara a correr com um chassis da equipe que havia demitido-o cinco anos antes.


Dallest largou em 9º e uma prova que tinha 38 carros. Com um carro "pelado", totalmente branco, Richard surpreendeu em uma corrida de 72 voltas em um dos circuitos mais traiçoeiros da Europa. Depois de completar todas as voltas, Dallest terminou 4º, á frente de pilotos respeitáveis. O desempenho não seria repetido nas provas seguintes, fazendo que ele fosse demitido e substiuido por Alain Ferté, que fez nada de mais.

A AGS não fizera nada no ano inteiro, apenas um teste, um teste tão importante quanto qualquer outro teste de uma equipe normal, era um teste com um carro de F-1 com um piloto mais respeitado ainda, o grande Didier Pironi. O teste foi feito com tantos fotógrafos e jornalistas do que mecânicos, que muito provavelmente tinham orgulho de ter feito um carro de F-1, a não ser que o chassis não era deles, e sim da Renault, o mesmo chassis que levou Prost ao vice em 1983, mostrando que o orçamento era pequenino demais para a compra do chassis de 1984 pelo menos...


Antes desse teste, a Henri foi buscar parceiros para ajuda-lo no desenvolvimento de uma carro decente para correr regularmente na categoria máxima do automobilismo. De uma maneira triste, todos os empresários e empresas que Henri buscou em seu país, negaram a proposta daquele ambicioso, e até mesmo lunático, homem. A segunda opção de Julien era buscar parceiros fora da França, e foi o que ele fez, indo para a Itália, onde achou a Jolly Club, equipe que disputava campeonatos de rally.

Para a sorte do francês, os italianos aceitaram a proposta, e partir dali começaria a ajudar a equipe nos ramos comercias e organizacionais. A maior ajuda da Jolly seria na parte mais importante do carro, o motor, que a Renault negou a oferecer para a equipe, que acabou achando a Motori Moderni de Piero Mancini, que como qualquer "estreante nos negócios" queria expandir.


O ano de 1985 não foi bom para a Motori Moderni, que forneceu um motor V6 Turbo para a Minardi, que mais abandonou do que completou provas na temporada. Quase tudo estava acertado, menos o piloto que seria a outra peça mais importante no carro. Os rumores apontavam para Mario Hytten, que era cotado para correr já no GP da Itália de 1986, mas os rumores estavam muito errados, o nome do suiço nem sequer foi citado pela equipe, que convidou Ivan Capelli.

O italiano estava a correr na F-3000, e já tinha passagem na F-1 pela Tyrrell, como um dos substitutos de Stefan Bellof. Mas Capelli negou o pedido, que foi dado a um piloto francês, mesmo após a "negação conjunta" ocorrida meses antes, o piloto francês não era René Arnoux, não era Jacques Laffite e muito menos Alain Prost, o piloto que iria testar o primeiro AGS era Didier Pironi, que não corria desde os treinos do GP da Alemanha de 1982.


Era um ótimo piloto para fazer um teste com uma equipe que mal tinha respeito nas categorias de base. Agora voltando para aquele teste... tudo foi bem organizado para ocorrer da melhor maneira possível, até mesmo o ar de luto e tristeza que corria o circuito de Paul Ricard há algumas semanas, não tirava a alegria da AGS, que viu seu piloto chegar apenas ás 3 da tarde.

O francês estava tão gordo quanto Alan Jones em sua volta em 1983, mas ainda continuava com seu jeito carismático e tinha ambições de voltar a correr na F-1 na temporada de 1987, mas com um carro competitivo, coisa que o AGS não era. O carro, como eu disse, era um Renault da temporada de 1983, que simplesmente havia perdidos algumas asas e partes da carenagem originais. Milagrosamente, a equipe achou um patrocínio, a El Charro.


O carro pintado de branco com detalhes em preto só começou á andar quando eram 18:30, isso mesmo, quando a lua já estava mais evidente do que o sol. Mesmo assim, Didi conseguiu fazer uma façanha, andar 72 voltas sem o motor Motori Moderni ir para os ares, e algumas dessas voltas, Pironi marcou tempos respeitáveis, mostrando que a equipe não seria uma Life ou Andrea Moda da vida, e poderia se classificar sempre que possível.

Para a tristeza dos franceses, a AGS negou que havia contratado Pironi para a temporada de 1987, já que tinha um piloto mais jovem e promissor em seus olhos, esse piloto era Ivan Capelli, que não pode fazer os testes por causa da F-3000, que finalmente deixou ele andar com aquele Renault pintado em branco. No primeiro teste, a primeira desilusão, o motor estoura após poucas voltas na pista, deixando o italiano andar decentemente apenas alguns dias depois.


Esses foram os primeiros testes do piloto que estrearia com a equipe semanas depois. Capelli não havia perdido nenhuma prova na F-3000 e também não havia perdido a chance de voltar a andar em um carro de F-1. As 7 pessoas que trabalhavam na equipe aceitaram o desafio de tentar alinhar o carro em Monza e no Estoril, já que o orçamento era tão pequeno a ponto de ser impossível viajar para o México e para a Austrália.


Agora nesse finalzinho de post, acabo me lembrando de uma coisa, onde ficava a sede da AGS? Pesquisei aqui e me deparei com um local tão sofisticado quanto um acelerados do partículas se é que vocês me entendem. Na foto, vocês veem o "sofisticalismo" que a AGS ostentava no início de suas atividades na F-1. Um pequeno balcão tão pequeno quanto a sala, a cozinha e o banheiro de sua casa, cadeiras e mesas de plástico ao lado de árvores que dava á sede um ar de uma bela casinha no meu de uma pequena floresta.


Agora, sem zuar, eu penso: Como era boa essa época... quando até mesmo eu ou você podia construir um bólido no quintal de casa, e coloca-lo para correr com um piloto qualquer de um país qualquer, ou talvez com você, fundador, atrás do volante. Bons tempos...

Essa foi a parte um da bela, ou terrível, história da Automobiles Gonfaronnaises Sportives, a AGS, no automobilismo.


Imagens tiradas do Google Imagens


Nenhum comentário:

Postar um comentário